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Anarco-jazz

por mvf, em 11.06.15

5166_1201238911549_7771112_n.jpgOrnette Coleman, Lisboa 1988 ©miguel valle de figueiredo

 

Em 1960 Ornette Coleman foi culpado de ter lançado "Free Jazz "um disco ( o seu 4º)  que acabou como designação de um novo sub-género do Jazz . O "Free", como é tratado pelos mais íntimos, não é, nunca foi, fácil de adoptar, tanto que muitos o consideraram "não-Jazz". Improvisação colectiva como Ornette Coleman o entendia, obriga que um ouça o outro sempre e o respeite. No fundo princípios básicos de liberdade.  

Fica para audição o meu disco preferido (The Shape of Jazz to Come, 1959) do saxofonista/violinista/ trompetista/compositor/revolucionário que nos deixou hoje aos 85.

 

A ouvir com urgência:

- "Something Else - The Music of Ornette Coleman" (1958)

- "The Shape of Jazz to Come (1959)

"Tomorrow is the Question"(1959)

- "Free Jazz - A Colective Improvisation by the Ornette Coleman Double Quartet" (1960)

-"Change of the Century" (1960)

- "This is our Music" (1961)

-"Who's Crazy" (1966)

-"Crisis" (1969)

-"Science Fiction"(1971)

-"Dancing In Your Head" (1976)

-"Song X" (1985)

-""Virgin Beauty" (1988)

-"Sound Grammar" (2006)

 

 

 

 

 

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publicado às 23:05
modificado por jpt a 8/11/15 às 18:17

Cid & Quaresma: a mesma luta

por mvf, em 03.06.15

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Mudam-se os tempos, mantém-se o bom gosto. 

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publicado às 10:34

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 O Dia da Criança em Portalegre foi um espanto de actividades várias para entreter o petiz. Entre várias mais sensatas, a Câmara Municipal da simpática localidade com a PSP recriaram um motim em que algumas das crianças com os seus bibes escolares fizeram o papel de manifestantes - arremessaram papéis amarrotados simulando pedras... - enquanto a restante garotada fazia de agentes de autoridade de capacete e escudo repelindo o ataque dos perigosos anarquistas, dos violentos insurgentes.

Os encarregados de educação sabiam da brincadeira? E os professores? E de quem partiu a brilhante ideia? E quem a aprovou?

Sobre iniciativas destas que se pode dizer? Talvez lembrar o bom e velho Guerra Junqueiro ( mais uma vez lhe agradecendo a muleta):

"A estupidez humana é maior que o mar"

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publicado às 13:09

Do vigor do aborto ortográfico

por mvf, em 14.05.15

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Com a entrada em vigor da imbecilidade, perdão do Acordo Ortográfico, o que acima se vê* seria impossível, uma ilegalidade. Falo, obviamente, do "pára" que hoje se escreveria obrigatoriamente "para". Quanto ao resto é toda uma outra conversa se bem que "Ninguém Para Portugal" pudesse ser uma boa alternativa.

 

* fotografia que fiz na noite de eleições legislativas de 1987 

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publicado às 16:23

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 O Exmo Senhor Presidente da República aplaudido efusivamente pela Exma Senhora Ministra da Agricultura ( e mais coisas) durante a visita à Noruega, propõe uma nova forma de cozinhar o fiel amigo a acrescentar a outras receitas clássicas como "à Zé do Pipo", "à Braz", "à Gomes de Sá", "à Narcisa" ou ainda "à Minhota" ou "à Margarida da Praça"

O "Bacalhau à Nosferatu de Boliqueime" deve servir-se como a vingança e como o próprio criador: frio e seco, terminando sempre o lauto repasto com um inusitado por extemporâneo bolo-rei.

*foto de Cotrim/ Lusa

 

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publicado às 09:48

A máquina do tempo

por mvf, em 02.05.15

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Em 24 de Abril passaram 25 anos sobre o lançamento do (Telescópio Espacial) Hubble numa boleia do vai-vem espacial Discovery a caminho do céu. O bom Hubble, no fundo um "voyeur" cosmonáutico, foi buscar o nome a um astrónomo de seu nome próprio Edwin que, confirmou o que alguns já haviam suspeitado, ou seja, que o Universo (aquele no qual vivemos) é enorme, revelando em 1ª mão e entre duas cachimbadas que o dito estava em expansão.   images-2.jpeg

Vem isto por ter acabado de ouvir "Não Há Estrelas no Céu", um tema que fez sucesso há uns anos com letra de Carlos Tê musicada por Rui Veloso. "Não há Estrelas do Céu" do magnífico "Mingos e Samurais" que é também e curiosamente editado em 1990, ano em que o celebrado telescópio foi lançado. Percebem agora melhor a forçada associação como fraco pretexto que tenta justificar a perda do vosso precioso tempo e do caríssimo espaço do ma-schamba sem que teorias gerais da relatividade possam atrapalhar o que se verá de seguida e que prova que a dupla poético-musical portuense vive a anos-luz da realidade numa evidente falta de rigor científico (fica uma versão do tema a ouvir e a ver depois da publicidade que paga o youtube).

  

Em qualquer caso, o Hubble equipado com a sua sensível WFC (Wide Field Camera) que muito ultrapassa, incluindo a mais fértil imaginação, traz-nos imagens de um tempo que já passou, de luzes que eventualmente já se apagaram, um regresso aos tempos próximos da criação divina do Universo ou, para os mais frios, do Big Bang.

 

Eis uma pequena amostra do Universo como a dupla Hubble/ WFC o registou:

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publicado às 10:58

Os 100 anos de Lady Day

por mvf, em 07.04.15

Aqui há tempos escrevi aqui* que havia duas cantoras no Jazz: Ella Fitzgerald e Billie Holiday e só depois todas as outras. A doutrina divide-se, uns são por uma, outros pela outra. Já eu pelas duas e nem depende dos dias, do ânimo ou do tempo: basta pôr um disco de uma ou de outra e por aí fico.

Lady Day como ficou conhecida Billie Holiday nasceu há 100 anos, só cá esteve 44 mas o que nos deixou é mais que suficiente para assinalar a data com alguma da sua música.

 

 * Ver, se com paciência para procurar, o 8º Templo, rubrica musical do ma-schamba que tem andado com pouca corda, no qual ficou um documentário que vale a pena sobre a vida de Billie Holiday

 

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publicado às 15:57

Resquícios da Páscoa

por mvf, em 06.04.15

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 O famoso "Coelhinho da Páscoa" volta para o ano mas isso, infelizmente, não se pode dizer dos políticos portugueses que não desarmam nunca.

Fora dessa triste realidade que passa na TV, durante  uns dias de sossego beirão, encontrei uma placa que denota alguma atenção para com os putativos clientes com a promoção de um produto que desconhecia enquanto potencial comércio. A placa acima mostra trabalho de desenho gráfico, impressão cuidada, informação sucinta e precisa. Prefiro isto aos discursos dos tais políticos que raramente falam do e para o mesmo país em que vivo. 

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publicado às 22:14

Top 44

por mvf, em 25.03.15

Esta semana temos o grato prazer de divulgar o segundo grande êxito musical do Movimento Cívico "José Sócrates, sempre!". O bom gosto e apurado sentido estético-musical leva-nos a pensar que este grupo terá mais chances no Eurofestival da Canção que a vetusta Simone de Oliveira. Parabéns a todos por mais esta realização artística!

 

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publicado às 14:31

 

 Há gente presa por menos que isto. Não admira que o Supremo Tribunal de Justiça rejeite com facilidade o pedido de habeas corpus apresentado pelo advogado do #44.

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publicado às 15:10

1985 - 2015

por mvf, em 27.02.15

Li há dias e de raspão um artigo na "New Musical Express" que com elasticidade da ideia deu para o que segue. A NME escarrapachou on-line uma lista de álbuns lançados em 1985 que continuam a ouvir-se sem sacrifício passados 30 anos. Mais modestamente e para não massacrar o frequentador do estaminé, deixo em ordem aleatória alguns temas desses e doutros discos da Pop e do Rock que parece não terem ficado amolgados com usos e abusos. Alguns dos filmes - a que então se chamava tele-discos e agora clips ou vídeoclips - vão nas versões originais, outros são captados em concertos da época. Claro que haverá muitos outros mas daqui a 10 anos falamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 16:58

Dia de, dos e para namorados

por mvf, em 14.02.15

O dia de São Valentim universalmente consagrado aos namorados é data de reconhecida ternura para o comércio e  muito acarinhada aqui na chafarica. Fica uma lembrança para os atingidos pelas flechas de Cupido.

 

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publicado às 12:00

A coisa mais importante

por mvf, em 07.02.15

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 "A Coisa Mais Importante" é o título de uma exposição de Fotografia acabada de inaugurar no Centro Cultural de Belém (Lisboa). A mostra faz parte de “Uma Vida Melhor para os Refugiados", iniciativa que pretende apoiar o ACNUR (agência da ONU para os refugiados e que tem o português António Guterres como alto-comissário) a conseguir melhores condições de iluminação e segurança em campos de refugiados. A Fundação IKEA doará à ACNUR 1€ por cada lâmpada vendida nas lojas da marca. ccb-7773.JPG

O fotógrafo Brian Sokol tem-se dedicado a documentar questões humanitárias com relevo para a situação de refugiados em diversos países e sociedades afectadas por conflitos. Esta mostra de pouco mais de uma dúzia de imagens de grande dimensão baseia-se na ideia simples de retratar os refugiados no Sudão do Sul com aquilo que para além da sua vida conseguiram transportar na sua jornada, ou melhor, na sua fuga da região do Nilo Azul (Sudão) para o que lhes restava de esperança. Se é fácil supor que o que transportaram foi pouco mais que nada, é muito difícil imaginar o que foram estas travessias até aos campos onde Sokol fotografou a pequena Maria e o jerrican quase do seu tamanho, o Ahmed de 10 anos com o seu macaco de estimação, a Magboola de 20 anos com as suas três filhas e uma panela, o velho Alamim que com 85 anos pegou na sua familia, duas garrafas - uma com água e outra com óleo para cozinhar  - e um machado e que relata que foi o possível e que tiveram de deixar algumas pessoas mais velhas para trás. Também retratada foi Tiaba. De mãos vazias.Tiaba  nada mais conseguiu trazer com ela do que aquilo que  com exagero se poderia chamar roupa porque mais não era que panos esfarrapados. Retratada de mãos vazias é força de expressão porque o tétano levou o braço esquerdo de Tiaba há quatro anos. Taiba fez a jornada de dois meses desde Lahmar com a sua mãe e com oito irmãos, descalça, passando dias sem comer. Taiba sobreviveu comendo alguns frutos que ia conseguindo na floresta e com a caridade de outros que a foram alimentando e dando água.Taiba é uma das pessoas mais vulneráveis do campo de refugiados de Jamam (Maban, Sudão do Sul).

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Calcula-se que haja cerca de 11,7 milhões de refugiados no mundo sob proteção do ACNUR, metade dos quais são crianças. 

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E nós, os que podemos um bocadinho mais, o que fazemos? Esperamos que os estados resolvam? Que a ACNUR chegue para as encomendas com a ajuda desta ou daquela empresa? Ou compramos uma porcaria de uma lâmpada que seja?

As fotografias que fui fazer ao CCB para documentar a exposição que fica até ao final de Março servem aqui como contributo mínimo, um nada, uma chamada de atenção.

 

 

"A Coisa Mais Importante"

Todos os dias desde 6 de fevereiro até 31 de Março de 2015

Centro Cultural de Belém, Praça do Império - Lisboa

Telefone: (+351) 21 361 24 00
Fax: (+351) 21 361 25 00
Correio electrónico: ccb@ccb.pt 

Todos os dias desde 6 de fevereiro até 31 de Março de 2015

 

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publicado às 10:09
modificado por jpt a 8/11/15 às 18:18

Sócrates, a prisão e o Benfica

por mvf, em 17.01.15

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 A comunicação social dá conta que José Sócrates mantém uma luta feroz com o regulamentado na cadeia de Évora, estabelecimento onde é mais conhecido por 44, coisa que não lhe será estranha pois apelido de familia é coisa que nunca utilizou numa simpática proximidade, num tu-cá-tu-lá, numa, ainda que limitada, intimidade com o cidadão que decerto ao venerável leitor destas diatribes não escapou.

O caso agora relatado é algo complexo, de alcance jurídico-político-social duvidoso para incautos como este Vosso criado. Ao que se vai sabendo o 44 entrou para a choça com umas botas de cano, ao que parece curto - um tipo de calçado a que outros que não os eruditos jornalistas chamariam prosaicamente botins - mas os responsáveis da cadeia não querem saber disso para nada e proíbem o elegante e sofisticado recluso de as calçar, estabelecendo uma diferença entre as boutiques da Rodeo Drive ( Los Angeles) e o cárcere eborense que entendem, algo exageradamente, não ser uma colónia de férias. Por outro lado e muito bem, os advogados do 44, presumo que a pedido do próprio, pretendem que o seu constituinte enfie os delicados pés onde muito bem lhe apetecer e sem restrições. Não é conhecida a argumentação para a modificação da medida inibidora de uma das mais amplas liberdades individuais, ou seja, calçar-se a gosto, a contento do 44, mas a capacidade extrema até agora patenteada pelos causídicos por ele contratados leva-nos a ter a maior confiança na forma como irão descalçar esta bota, ou melhor, este par de botas, sabendo-se já que apresentarão a breve trecho um recurso junto da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais que espera ter efeitos suspensivos sobre a utilização dos chanatos.

Não é nosso hábito brincar com assuntos delicados e sérios e estamos convictos que este é um combate digno de um homem que esteve tantos anos à frente do país com tão bons resultados como se tem provado  - esqueçamos por ora alguns deslizes menores como o aeroporto de Beja, já que no tocante ao processo do futuro aeroporto/ trapalhada da Ota é preferível passar um pano com Sonasol não vá alguém lembrar-se de pedir ao Costa de Lisboa neste ano em que pretende chegar aos comandos do governo da gasta Pátria, que explique a cerrada defesa da extravagante e cara solução numa posição que com a Câmara no regaço rapidamente abandonou..., as auto-estradas e estradas transformadas em scuts do interior do país que os automobilistas, teimosos como muitos e ingratos como poucos, insistem em não utilizar com a frequência esperada, alegando ser demasiado barato o pagamento por cada meia-dúzia dequilómetros desconfiando assim da qualidade da generosa oferta e preferindo utilizar as velhas estradas municipais que, apesar da falta de conservação, dão para os gastos, ou os mais de 150 milhões oferecidos a consultores sobre a viabilidade  do TGV  que ao não entrar nos carris evitou que mais 11 mil milhões de Euros fossem ao ar segundo o  insuspeitoTribunal de Contas... A talhe de foice, lembremos o que se gastou nos 10 - estádios - 10 (!) de futebol para o EURO 2004 do nosso contentamento e suas acessibilidades, responsabilidade directa do governo de António Guterres e do seu dilecto ministro que tutelava o desporto, o eminente Engenheiro José Sócrates. Essas contas, caladas, que puseram a corda ao pescoço de tantas autarquias deviam agora ser lembradas bem como o homem que segundo o 44 liderou todo o processo de candidatura à realização do evento, o Sr. Carlos Cruz, também ele preso. Na sua visão, como a de quase todos os presos e condenados de Portugal, uma injustiça, uma perseguição pessoal rotulada, também ela, como infame. Devia mesmo, e dando crédito a destacados membros da sociedade lusa (não confundir com a SLN, valendo o éne como negócios ou negociatas, do BPN), pensar-se em eliminar a Justiça ou, pelo menos, limitar-lhe a  daninha actuação quando agarra quem não devia, destabilizando interesses privados que são muitos deles públicos. Não chegando a esses extremos, a nossa proposta também aponta no sentido de deixar em paz e sossego os mais "poderosos" entrando com humildade por um postigo semiótico. Altere-se ligeiramente o que se entende geralmente como símbolo da Justiça, melhorando-lhe a imagem. Deste modo, voltar-se-ia atrás, aos tempos da Grécia pré-FMI/Tróica e a estatueta de Thémis (ou de Diké) destaparia os olhos para melhor ver as iniquidades que se vão praticando ou, numa versão mais rebuscada, trocar a conhecida venda (significante: tratar todos por igual, sem distinção, com imparcialidade) por um avental, uma espécie de manto diáfano à la Eça que se arranja em qualquer loja e que tapasse as vergonhas (entenda-se vergonhas como partes pudibundas).

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 A deriva já vai longa e não tem o estimado frequentador deste estaminé mais tempo a perder, roído que está de curiosidade e minado na sua infinita paciência. Aqui vai o que falta:

Aqui há uns dias o Sócrates recebeu uma visita de um seu correlegionário, desta feita não do Partido Socialista mas do Sport Lisboa & Benfica. Falamos do tão famoso como extraordinário "Barbas" que se tirou de trabalhos e foi visitar o 44. Para lhe alegrar a forçada estada levou como oferta um cachecol e um édredão da colectividade desportiva de que ambos são ferverosos adeptos. Acontece que o regulamento de uma cadeia pode ser diverso das congéneres mas, como se vê nas séries televisas policiais americanas, um cachecol pode tornar-se em perigoso adereço, servindo, por exemplo, para um gajo em desespero se enforcar, ser enforcado ou enforcar alguém. Assim sendo, talvez o 44 devesse agradecer o cuidado que com ele e com os seus companheiros de infortúnio vão tendo lá na choça eborense, magnífico exemplar do género que aqui há anos enquanto primeiro-ministro requalificou para melhor receber criminosos de outra estirpe, gente de outro gabarito, que não a do vulgar assaltante de beira de estrada, do pequeno traficante ou do típico carteirista da baixa lisboeta. Por vezes discutimos regulamentos sem conhecer os seus fundamentos. Como mero temos que a vetusta penitenciária de Lisboa (E.P.L.) não permite a entrega de uvas aos presos. Incrédulos perguntamo-nos a razão do que parece ridiculo mas afinal não mais é a pretensçao de evitar que o detento mais industrioso transforme o apreciado fruto em vinho, podendo com isso levar a estados de embriaguez mais adequados em discotecas e bares do que em casas de reclusão. Como este há outros exemplos regulamentados que sugerem haver alguma atenção à tensão que naturalmente existe numa cadeia, precavendo males maiores.

Com tudo isto não se pretende retirar qualquer mérito ao Papillon do Largo do Rato na sua luta incessante contra o estado da Justiça e no qual não terá reparado nos 6 anos de chefia do Governo. Perseguido agora como benfiquista que é, depois de o ter caçado como político como muitas vozes declaram e não como criminoso comum que a mesma Justiça entende ser. Qualquer dia ainda o perseguem como Testemunha de Jeová ou coisa assim...

Caramba! Perseguição política e também desportiva não está ao alcance de todos e inquieta o mais pacato contribuinte. Solidário que tento ser, entendo que todo o preso deve ter o direito a usar com orgulho e pundonor o cachecol do Benfica.

Força nas canetas Zé, nem que seja na esferográfica vermelha com que mandaste à merda todo um jornal numa das tuas missivas. A luta continua!

 

Post-scriptum:

a foto que ilustra o postal mostra interesses comuns entre Vale e Azevedo e José Sócrates aquando do Euro 2004 e não me altera minimamente  a infundada certeza que se trata de inocentes. 

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publicado às 19:30

por mvf, em 10.01.15

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 Em Paris foram 20 mortes. Em Baga (pelo que se sabe) cerca de 2000.

Como distinguir os criminosos que dizem actuar em nome do bem ( uns, muitos, chamam-lhe deus...) justificando as mortes pelas melhores intenções do vulgar e rasteiro assassino que não reclama qualquer virtude? Talvez pelo número de vítimas...

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publicado às 07:41


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