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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
O Benjamim lê com o pai um livro de adivinhas.
Pai a ler do livro (mais coisa menos coisa): sou um animal doméstico, com a minha carne fazem-se chouriços e há quem diga que eu sou sujo. Quem sou eu?
Benjamim com os olhos a brilhar de excitação: É o papá!
AL
Aqui há atrasado falaram-me deste filme de uma campanha contra a proliferação de armas ligeiras. Causa que me é próxima do coração, foi com urgência e curiosidade que me fiz a ele. Fiquei estupefacta e até paralisada durante alguns momentos. Num país onde se equaciona a posse de arma com liberdade; com uma das taxas mais altas a nível mundial de porte e posse de armas; com uma das taxas mais elevadas de crime armado; onde mês-sim-mês-sim há tiroteios indiscriminados em escolas ou cinemas, quem foram as mentes brilhantes que pensaram ser este filme uma boa ideia? Não ocorreu a ninguém nada melhor que mostrar um adolescente a roubar a arma aos pais? A escondê-la na mochila? A levá-la para a escola? Não foi isto mesmo que aconteceu em Columbine? Em Sandy Hook? Mazuquéquestavam a pensar?
AL
Navegava aqui há uns dias na net quando me deparei com este artigo de basto interesse e que aqui partilho. O artigo consiste nas respostas de cientistas e filósofos a duas questões bem interessantes:
Vale a pena ler, ainda que em inglês.
AL
Já estou no “arioplano” a caminho de Vancouver cidade – etapa inicial do meu regresso a casa.

AL

Hoje de manhã passou por cá a nossa vizinha que tem boa pessoa escrito na cara e que é uma querida (esquisita, mas querida); veio despedir-se de mim. A visita foi surreal!
Começou por contar-nos que também ela esteve na workshop de tambores e também pariu um tambor (um pouco para o animista este pessoal daqui). Trouxeste-o para casa?, perguntou a minha amiga, gostava de ver. Assim que puder trago-o, responde-nos ela, ainda não posso andar com ele porque não sei o que os outros pensam dele. Perante a nossa perplexidade elabora que o tem exposto no santuário do sol para ser avaliado pelos outros tambores (de outras workshops, presumimos nós, que já não perguntamos muito porque temos medo das respostas). Preciso de saber se é um tambor positivo; quando eu sentir que foi aprovado pelos outros tenho que primeiro apresentá-lo à minha árvore avó e só depois é que posso apresentá-lo a outras pessoas. Daqui seguiu para o novo namorado – sinto que estávamos destinados um ao outro e temos os dois a certeza que já fomos casal nalgumas das nossas vidas anteriores. Isto tudo de um fôlego e sem se rir!
Quando a minha amiga à laia de conversa para desviar assunto refere ter uma ligeira dor de cabeça ela confirma que sim, sim senhora, tem mesmo uma dor de cabeça porque ela viu logo que a aura da minha amiga precisava de ser afofada (your aura needs to be fluffed em voz profunda quasi Darth Vader). Levanta-se, aproxima-se da minha amiga e começa a fazer círculos com as mãos por cima da cabeça dela (como quem cata piolhos e os atira para o chão) e a dizer que lhe vai tirar a dor, que vai absorver a energia negativa e devolvê-la à terra onde ela se transformará em adubo e dará vida às coisas belas da natureza. Eu, numa aflição e com cara de isto não me está a acontecer por favor um buraco depressa, só chupava as bochechas para fazer os cantos dos meus lábios irem para baixo e não me desatar a rir.

Quando eu pensava que mais não era possível, começa a andar em círculos à volta da minha amiga, fazendo gestos de quem apanha coisas do chão e as atira para cima dela. Agora estou a tirar alegria da mãe-terra e a pô-la na tua aura; vais ficar boa num instante. E eu, numa aflição crescente e sem poder mais, levanto-me de rompante, digo tenho que ir buscar lenha e saio porta fora.

Respiro fundo e penso: amanhã vou-me embora!
AL
Hoje, o nosso vizinho que pariu um tambor (juro que foi ele que disse “my drum workshop was awesome; I gave birth to a drum!) passou pela nossa cabana para um bate-papo.
Falámos do inverno tão suave aqui relativamente ao resto do país; da beleza da paisagem; dos preparativos para o concerto de Natal com “instrumentos espirituais” (não sei o que são e tivemos medo de perguntar. Acenámos que sim, como se soubéssemos perfeitamente do que ele falava e deixámos andar). Com os temas de conversa a acabarem, comentamos (eu e a minha amiga) a segurança que sentimos na ilha, com taxas quase nulas de crime. Ah!, responde o vizinho, isso é porque nós aqui projectamos muita energia positiva, amor e paz...
Olho para a minha amiga que está com cara de por-favor-vê-lá-o-que-dizes-que-eu-ainda-tenho-4 meses-deste-castigo-pela-frente, agarro na chávena, empurro o e-se-fossem-projectar-paz-e-amor-para-a-Síria? com um pouco de chá, miro a paisagem ligeiramente nevada lá fora e não digo nada.

AL
Um passarinho muito simpático, que alegra com seu canto aqui a cooperativa, fez-me chegar às mãos a referência a este livro. Confesso que desconhecia completamente o autor - Henrique Novais Pessoa - a quem o Google atribui obra vasta. Dado que é quase Natal e que a época das ofertas se aproxima, deixo aqui esta sugestão aos leitores da cooperativa. Pelo que consegui apurar, as vendas são on-line aqui e aqui.
Ao passarinho que mo fez chegar: ndakhuta!
AL
Vizinha que pinta almas (não perguntem, é assim que ela se apresenta: “I am an artist and I paint souls”): Vamos organizar uma sweat lodge em Janeiro.
Eu: Oh que pena já cá não estou; gosto muito de sauna!
Vizinha que pinta almas, encarnada agora em sacerdotisa do alto valor moral: não, não é nada disso! Para nós é uma cerimónia em que honramos a cultura e as tradições dos povos nativos ... (segue-se a homilia sobre a perfídia dos ocidentais e a “nossa” obrigação em “ajudar estes povos a restabelecerem as suas culturas e tradições”, sem se dar conta do sub-entendido dos coitadinhos que nem isso sabem fazer)
Eu, com cara de e se te fosses infibular para veres o que é a tradição?: Ah! Então vêm nativos-americanos?
Vizinha que pinta almas, agora em queda livre do altar: Não, somos só nós; não temos amigos nativos...
Eu: Huh?!?!?

AL
Comparado com o resto do país isto é brincadeira de meninos, mas cápramim bem que podiam ir brincar para outro sítio (não digo onde porque não gosto de profanidades).
AL
Custa a crer que passaram já tantos anos desde Chernobyl. Creio ter sido o segundo acontecimento na minha vida em que me lembro exactamente onde e com quem estava, o que pensei e como me senti. (O primeiro foi o 25 de Abril, claro!)
Cruzei-me hoje com este pequeno vídeo que aqui deixo por achá-lo tão belo, tão pungente de nostalgia, tão a mostrar as vidas que lá viveram e para sempre mudaram. A mostrar-me no verde das árvores, incipiente ainda, tímido até, que se revive mesmo no ambiente mais tóxico. A permitir-me analogia com o ambiente nacional –tóxico, de enorme efeito destruidor, mas agora com sinais pequenos, hesitantes ainda, de regeneração. Será?
AL
Tradução: Não haverá paz enquanto eles não renunciarem o Deus Coelho deles e aceitarem o nosso Deus Pato.
AL
Chegou-me agora a notícia da morte do Eng Sousa Veloso e com ele se foi mais uma fatia da minha meninice. Dizia-me aqui há tempos uma tia idosa que quanto mais se vive menos gente se conhece; vão morrendo e vão-nos deixando sós.
Lembro-me tão, mas tão bem do programa dele! Eu, que nem gosto muito do campo, que de agricultura nada percebo, que não distingo uma couve de uma alface, que misturo alhos com bugalhos, criei-lhe simpatia desde miúda.
Não conheci pessoalmente o Eng Sousa Veloso, mas penso que teremos sido vizinhos; cruzava-me ocasionalmente com ele ali para os lados da Praça de Londres. De familiar que o sentia cumprimentava-o e ele sorria o cumprimento de volta. Afável, talcualmente como na televisão.
Por muito ridículo que possa parecer o meu sentir, hoje também eu estou um bocadinho de luto. "Despeço-me com amizade até ao próximo programa".
AL
Eu em jeito de lamento com os braços cheios de taroucos: estou farta de carregar lenha!
Meu vizinho new age que não fala com árvores mas que me explicou que tem um gene da Atlântida (não perguntem): ah!, mas carregar lenha e água é uma actividade muito zen...
Eu com cara de vai-te f***r: já percebi que você não foi mulher pobre e africana em nenhuma das incarnações anteriores!
AL