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Marikana

por jpt, em 19.08.12

A CNN com uma visão abrangente (e imagens e filmes). O Mail & Guardian (notícia com ligação a várias outras e a blog do acontecimento), que é sempre um jornal obrigatório quanto à África do Sul, e não só. Muito maus, os ventos que sopram lá de cima. Mais do que perorar sobre o assunto urge acompanhá-lo.

jpt

publicado às 02:26

Salvar o euro (moeda)

por jpt, em 23.06.12

(desenho de Godfrey Mwampembwa, visto na edição desta semana do Savana)

jpt

publicado às 06:02

Frouxo

por jpt, em 25.05.12

[Quadro intitulado "The Spear" por Brett Murray]

 

Não sei quem é Brett Murray e até há meia dúzia de dias nunca tinha ouvido falar dele. Tal como provavelmente 99% dos sul-africanos nunca teriam ouvido falar dele, não tivesse ele feito o que fez. Pintor sul-africano medíocre e didáctico, como já li algures e que aparentemente não tem deixado grande marca nas Artes, catapultou-se como celebridade internacional no dia em que resolveu pintar um quadro (colagem?) com a famosa pose de Lenine, a cabeça de Zuma e um pénis flácido vá-se-lá-saber-de-quem.Jacob Zuma, o presidente sul-africano que passou incólume num processo de corrupção; que inocentou num julgamento de violação de uma seropositiva (filha de camarada morto e sob a protecção dele, Zuma) só porque a intimidação e a coerção social, moral e hierárquica não eram ainda equiparadas à violência física em casos de violação; que, depois de ter sido durante anos presidente da comissão de combate de luta contra a SIDA, afirmou publicamente não ter medo de ficar seropositivo, pois teria tomado um duche depois de violar a protegida; que não se envergonhou nem humilhou com a chacota internacional de que foi alvo na altura; que não se envergonhou nem humilhou isto ...

 

[Cartoon de Zapiro]

 

... nem com isto ...

 

[Cartoon de Zapiro]

 

... que não se envergonha nem se humilha com a sua incapacidade para abordar os imensos problemas sociais e de saúde do país que preside, sentiu-se finalmente humilhado com um pénis flácido pintado por um pintor (quase) desconhecido. Aleluia! Isto sim que é saber estabelecer prioridades.Eu, se fosse Brett Murray, estaria agora a dar pulos de contente com tanta publicidade grátis, por tão rapidamente e com tão pouco esforço ver a minha obra projectada internacionalmente e debatida nos principais meios de comunicação. Se fosse do ANC estaria a esfregar as mãos de contente – enquanto se agita a opinião pública não se pensa no que não se resolve. Se fosse Zuma estaria feliz com a solidariedade bacoca que em minha volta se gerou (ah grande Chefe!) e pela onda de apoio a um maior controle da liberdade de expressão (que belo oximoro!). Sendo eu mais bolos, tenho-me divertido à brava com os hilariantes cartoons da Madam & Eve sobre o assunto.

 

Perante tanta indignação presidencial subsiste-me no entanto uma dúvida: mas afinal “aquilo” é mesmo o dele?

 

Já agora, podem ler coisas inteligentes sobre o caso aqui e aqui.

 

AL

publicado às 19:42

A virtude ensina-se?

por jpt, em 16.05.12

A virtude ensina-se? Ou é inata? É uma velha questão, posta pelos bisavós filósofos - bem como a de qual é o seu conteúdo, ou a de quantas subespécies terá. Opiniões diversas têm albergado estes milénios. A gente esforça-se por acreditar que sim, que a(s) podemos transmitir.

Estas são algumas das fotografias tiradas na última vez que fui, em família e amigos, ao Parque Kruger. Quem as tirou foi a cpt, nos seus 9 anos. Gostou de lá ter estado. Espero que um dia, se isto desanuviar, possamos regressar à Gorongosa, que ela ainda não conhece. E, quem sabe, até ao Niassa, nas suas reservas. A nossa princesa merece. E talvez possa ser acompanhada pelos amigos MVF ou PSB, a ensinarem como fotografar.

 

Entretanto as notícias continuam. O Kruger cresceu como alvo de caçadores furtivos. O massacre abunda, em particular os rinocerontes escasseiam, massacrados pelos caçadores de chifres, tão apreciados pelos naturais do país do Furunbao. A virtude ensina-se? A gente esforça-se por acreditar que sim. Mas custa muito, quanto deste mundo nos vai dizendo que é inata ... E só para alguns.

jpt

publicado às 17:21

Frango com piri-piri

por jpt, em 03.12.11

Nando's é uma cadeia de comida-rápida, com todos os defeitos que essa "linha de trabalho" apresenta. Por outras palavras, a experiência gastronómica não será saudável e o palato não sai particularmente recompensado (pelo menos para um palato minimamente educado). Tem como característica muito particular ser de origem portuguesa, mais exactamente "pôrra" - meus patrícios deslocados de Moçambique para a África do Sul fundaram o grupo em 1987 (ler a história do grupo é interessante, pelo enraizamento que faz numa simpática versão da história portuguesa e da sua - algo mitológica - gastronomia).

No fundo Nando's capitalizou (e bem) a imagem de excelência que os sul-africanos tinham da gastronomia portuguesa em Moçambique - o "frango grelhado com piri-piri" deliciava sul-africanos (boers ou britânicos) - fanáticos, como se sabe da vaca na grelha - e juntamente com o camarão, as praias de água quente (e o sexo interracial com prostitutas baratas) fazia de Moçambique um lugar de idílio no tempo colonial para os turistas sul-africanos (já o jogo, item cultural da cultura vizinha, era mais para os bantustões).

[Como se vê as apetências turísticas não mudam muito com o tempo. Talvez fosse bom pensar nelas quando se apregoa o turismo como vector de desenvolvimento - mas não é disso que me ocupo neste pacífico sábado matinal.]

Hoje em dia o grupo está espalhado pelo mundo, qual império de Carlos V. Um sucesso fruto da sua manipulação do piri-piri. Mas não só, pois nos tempos de hoje um política empresarial implica a publicidade (dita, pelos ideólogos do sistema, comunicação). De quando em vez a Nando's surge com um anúncio (ou reclame) bem sacado. Agora um novo faz as delícias e polémica no país vizinho

E funciona, juro que na próxima vez que for ao mall (xóping center, em português) de Neilspruit me sentarei no Nando's.

jpt

publicado às 12:20

No lado errado da história

por jpt, em 03.11.11

[Imagem retirada daqui]

 

Ninguém os queria; não passavam de um embaraço. Instrumentalizados no Batalhão 32 para fugirem ao desterro e à pobreza viram-se envolvidos numa guerra cujos contornos os eludiam. Caído o apartheid e com paz em Angola viram o futuro prometido fugir-lhes sem saberem para onde nem porquê. Desterrados em Pomfret iam morrendo a pouco e pouco de tristeza contaminada de amianto. As poucas vias de fuga vieram via “contratos de segurança” para o Iraque e uma vaga aventura na Guiné-Equatorial, que terminou na cadeia de Harare. Acordaram na frente dos jornais, sujeitos a um programa de reassentamento – eufemismo para remoção forçada. Nada tinham a não ser uns aos outros e agora até isso lhes iam tirar espalhando-os pela África do Sul da reconciliação. Continuavam no lado errado da história.Entra em acção a minha amiga AM, antropóloga contratada. Que resolve mandar a ciência às urtigas e se subjectiva com os sujeitos de estudo. Ah são embaraço? Então hão-de sê-lo em plenitude. Recolhe dados, convoca reuniões comunitárias, organiza grupos de pressão, mobiliza imprensa e contrata um advogado de direitos humanos que igualmente desposou a causa. Entrega-lhes um dossier organizado em acção cívica e retira-se de cena – agora é convosco.Voltou lá a semana passada e escreve-me: voltei a Pomfret depois de 2 anos de ausência. Continua a ser um buraco, mas agora é um buraco com uma oposição com assento na assembleia municipal e 5000 pessoas que já não aguardam a remoção forçada. Uma das minhas entrevistadas e o comissário da polícia dizem-me: "Dona Angela, you showed us how to stand up for ourselves". Desfiz-me em lagrimas. Termina: It is the only worthwhile piece of development work I have done in nearly 20 years on this Godforsaken continent.E eu que com ela acompanhei a história estou com o peito inchado de orgulho pela amiga que tenho. Angie, this one is for you!

 

AL

publicado às 14:28

O futuro a ele pertence ...

por jpt, em 06.10.11

ou, como outros dizem, o futuro a Ele pertence. Neste caso eu não uso a maiúscula. Ou seja, não sou supersticioso e como tal não acredito em agoiros. Sei que ele, o futuro, é dono de si mesmo e como tal imprevisível. Obra de homens. Sei que quem acredita nos tais agoiros não é adepto de prever horizontes benfazejos, "não vá o Diabo tecê-las". Mas quando (via Cachimbo de Magritte) aporto a este postal no Da Literatura fico estupefacto. Eduardo Pitta narra um horroroso crime nos arredores de Joanesburgo, uma cena tenebrosa, o massacre de uma família portuguesa. Mais um dos inenarráveis (neste caso termo a usar literalmente) casos de violência na África do Sul.

Mas Eduardo Pitta parte disso para uma generalização absolutamente ridícula (e desconhecedora) sobre o passado recente de África, e nem sequer abordo o sub-texto que se pode apontar:

Isto não se deve dizer mas é assim: a partir de 1960, África tornou-se um lugar perigoso para os brancos. Portugal conseguiu aguentar até 1975. A teimosia de Ian Smith criou o mito da Rodésia. O mito acabou em 1979, quando o bispo Abel Muzorewa sucedeu a Smith. A tragédia começou em 1987, com Mugabe. O apartheid sul-africano durou até 1994. A autoridade de Mandela evitou um banho de sangue. Quando Mandela deixou o poder, em 1999, tudo voltou à estaca zero.

A questão não é o "não se deve dizer", a questão são mesmo as incorrecções factuais e o aplainar das dimensões sociológicas, dos processos de violência civil. Mas muito mais do que isso, pois um blog não é um local de ensaios historiográficos, é a invectiva feita de uma supra-generalização feita de total desconhecimento, a chegar-se ao ridículo:

África é hoje um continente para brancos de passagem: altos quadros das multinacionais (cada vez menos), espiões, turistas (Cape Town, compounds na Namíbia, resorts no norte de Moçambique e na Tanzânia, etc.), ponto. Os que lá ficaram porque já lá estavam há 60 anos ou mais estão na trajectória da próxima bala. As coisas são o que são.

Nem sequer vou comparar a "África" abordada, esse "horror" anacronicamente conradiano, com outras generalizações meta-geográficas (a "América Central", os "subúrbios americanos", o "carioquismo", "ex-Burma"). Ou abordar os filtros da informação, centrados na morte dos brancos (ou, noutros locais, dos brancos do norte), sociologicamente (e racialmente) demarcando o real significante.

Aquilo que choca é a total superficialidade (magoada?) e ignara do que se passa, de quem está, dos processos migratórios, demográficos - e como tal, até secundariamente, sobre o próprio país Portugal e o seu presente. E também choca essa aceitação (implícita) do racialismo (que não do racismo, não se confunda). E isto vindo de Eduardo Pitta, que continuo a repetir até à exaustão como autor do maior texto literário português sobre o ocaso colonial [Persona], é lamentável. Mais do que invectivar o texto e a disposição do autor será de resmungar contra organismos como o Instituto Camões: levem o autor a África. Não, credo, para que leve com as balas que aventa. Mas para que volte a casa, continue a resmungar, a protestar. Mas com algum conhecimento de causa.

Quanto a mim continuo. Não estou nos resorts do norte de Moçambique. E não quero crer que eu e (muito menos) as minhas-razões-de-vida seremos baleados nesse tal futuro dono de si mesmo. Nem tampouco estes milhares de brancos que aqui no sul vou vendo, fora dos tais resorts. Tantos deles patrícios, neste pós-socratismo. E como não acredito nos tais agoiros não me importo de verbalizar essa confiança no futuro, por antropologicamente mitigada que ela seja.

Ainda que saiba que alguns, poucos, o serão. Bem como alguns, mais ainda, negros. E alguns mulatos. E asiáticos (former amarelos). Neste degradé da desgraça. Pois é assim o futuro. Nesta África-Mundo.

jpt

publicado às 10:52

Em Mbombela

por jpt, em 26.09.11

 

Há para aí uns dois anos que não ia a Mbombela. Ou, por outras palavras, acho que não ia lá desde que se chamava Nelspruit (bem, por um lado ainda lhe chamam assim; e, por outro, algo de errado se passa quando nas sete primeiras páginas do Google imagens sobre Mbombela só aparecem fotos do estádio de futebol). Ainda assim, chame-se aquilo como se chamar, tamanha ausência minha foi uma excentricidade para um pequeno-burguês (aka, indivíduo de classe média) de Maputo.

 

Que tenho eu a dizer, depois desta estadia na pujante capital da província do Mpumalanga. Que ecos e sinais das mudanças do país de Zuma, que arrepios com Malema? Um breve ensaio, para consulta alheia:

 

a) o Riverside mall (diz-se shopping centre em português) está em obras de acrescento; b) a Exclusive Books do referido mall (diz-se shopping centre em português) está cada vez pior, para não dizer que está uma boa merda. E como era uma boa livraria nos finais de 1990s ... c) há um novo mall (diz-se shopping centre em português) no centro da cidade. Mas não tem livrarias, ao que me disseram. Nem cinema. No cinema do Riverside mall (diz-se shopping centre em português) estavam oito filmes, teria dado para ver ... os Schtrumpfs;

 

Quanto ao verdadeiramente significante

 

d) desde o Twilight of the Vuvuzelas que não foi editado nenhum livro de Madam & Eve - calma, está um na forja, diz a página oficial.

 

Finalmente, uma questão fundamental que me ocorreu durante esta viagem: em guiando um carro automático como é que o seguro nas curvas não reduzindo a velocidade? (ou seja, como é que substituo a acção de reduzir [5ª para 4ª para 3ª] mantendo a aceleração?). Se algum dos passantes por aqui me informar muito agradecerei.

 

Quanto ao resto, Malema e isso? Nada a dizer.

 

jpt

publicado às 22:18

 

 

 

Julius Malema falou ontem e subiu o tom, ainda mais. O futuro da África do Sul passa por ele? Por mais Malema que Malema seja é impossível deixar de atentar no horizonte que ele constitui:

 

ANC youth leader Julius Malema's message to the mother body was clear on Sunday - move with the youth, or move out.

 

His closing address to the African National Congress Youth League conference in Johannesburg contained thinly veiled warnings to ruling party leaders, militant talk about land invasion and angry demands for better youth league representation in party ranks.

 

 

 

 

In a speech that went on for longer than an hour, Malema again vowed to take land and mines, and told "leaders" of the ANC that they needed to join the revolution of the "economic freedom fighters" - or else. 

 

"We want a radical policy shift, we need courageous men and women to lead our people," said Malema, throwing open the succession debate ahead of the ANC's next elective conference in 2012.

 

 

 

 

In an address with many references to "white monopoly capital", he warned: "There's nobody who is going to stand before us. Nobody is going to stand before this moving tree of economic freedom fighters.

 

"They want to change the material conditions of South Africa and they are not asking for permission."

And if the "leadership of the ANC" did "not join us" then the masses would take over.

"If you are not careful, you will be led by the masses," said Malema.

 

 

 

 

Leadership"The ANC must lead the people. The ANC must lead with the people. We are asking for leadership. 

 

We don't want to remove anybody. We don't want to remove you."

But, he said, it was the youth league's task to hold ruling party leaders to task.

 

 

"We must be able to talk about our leaders on whether they are adhering to the mandate, and that does not mean we are passing a motion of no confidence against the sitting leadership."

 

 

He said the discussion about leadership was to make the leadership aware of their mistakes.

"We must not be technical about our leaders. We need to be honest about them. Once you suppress that, the leaders will find that they have left the people behind - exactly what happened in Polokwane."

 

 

Land

 

He said the youth wanted to reclaim their land and they needed leadership. In the absence of the leadership, they would do it themselves.

"There is no way comrade leadership, there is no way you can be diplomatic about the issue of land."

Malema said the ANC resolved in Polokwane that the willing seller, willing buyer system was not working to redistribute land. 

But the ANC had failed so far to find an alternative.

"We are giving you an alternative, expropriation of the land without compensation."

 

 

On the nationalisation of mines, he said the newly elected leadership of the youth league would rather be expelled from the ANC than compromise themselves on that demand. "We are carrying your mandate and we will protect the policy on the nationalisation of mines. We will rather be expelled protecting it." 

 

He angrily warned that those within the ANC who had wanted him out of his position, would not succeed.

 

 

50% youth representation

 

Malema said Mpumalanga and KwaZulu-Natal youth league members were told not to vote for him.

The latter refused R2 000 bribes while some Mpumalanga officials put their jobs on the line by supporting Malema, he said.

 

 

Malema called for 50% youth representation in the ruling party. "If the ANC has got two delegates, one must be young."

 

 

The same rule should be applied during the election of leaders, said Malema, who has been pushing for his predecessor, Fikile Mbalula, to replace ANC secretary general Gwede Mantashe.

 

 

At the end of his speech, he thanked those who had supported him - specifically mentioning ANC treasurer general Mathews Phosa. He also gave a long thank you message to Deputy President Kgalema Motlanthe, who was welcomed on Sunday by delegates singing, "Motlanthe, my president." Motlanthe, in his address, agreed that land reform was happening too slowly, but warned that any debate around it should happen within a "constitutional framework".

 

jpt

publicado às 01:12

Abaixo um comentário sobre emigrantes moçambicanos fez-me lembrar esta música de Hugh Masekela, um fantástico hino. Sim, eu sei que o comentário não se referia a este mundo. Efeitos dos xizatos memorialistas, recortando discursos, livros e iconografias, e até quantas vezes transcritos para a própria historiografia.

 

 

 

[Em termos de som e de qualidade de versão musical é o melhor filme que encontro no youtube, ainda que desprovido de imagens dos músicos. Sobre a canção ver uma boas descrições aqui e aqui]

 

There is a train that comes from Namibia and Malawi

there is a train that comes from Zambia and Zimbabwe,

There is a train that comes from Angola and Mozambique,

From Lesotho, from Botswana, from Swaziland,

From all the hinterland of Southern and Central Africa.

This train carries young and old, African men

Who are conscripted to come and work on contract

In the golden mineral mines of Johannesburg

And its surrounding metropolis, sixteen hours or more a day

For almost no pay.

Deep, deep, deep down in the belly of the earth

When they are digging and drilling that shiny mighty evasive stone,

Or when they dish that mish mesh mush food

into their iron plates with the iron shank.

Or when they sit in their stinking, funky, filthy,

Flea-ridden barracks and hostels.

They think about the loved ones they may never see again Because they might have already been forcibly removed

From where they last left them

Or wantonly murdered in the dead of night

By roving, marauding gangs of no particular origin,

We are told. they think about their lands, their herds

That were taken away from them

With a gun, bomb, teargas and the cannon.

And when they hear that Choo-Choo train

They always curse, curse the coal train,

The coal train that brought them to Johannesburg.

 

[imagem encontrada neste texto (uma adaptação do texto "A Place in the City" de Lilli Callinicos, aqui biografada).]

 

jpt

publicado às 14:09

O Estratega

por jpt, em 16.06.10
Sven Goran Eriksson, selecionador/treinador da Costa do MarfimPSB

publicado às 14:00

Ainda que a origem da vuvuzela seja discutida parece pacífico atribuir a sua "invenção" ao adepto dos Kaizer Chiefs Freddie Maake, um hooligão orgulhoso do cognome que ostenta, "Saddam". A história que narra sobre a "sua" (?) "invenção" é interessante, a da adaptação da buzina de uma bicicleta aquando da sua meninice (anos 60s) e posterior evolução decibélica na década passada e sua imediata industrialização. A vuvuzela surge então como um must, um paradigma do tom "pós-moderno". A sua imediata aparência de ícone cultural ancestral, filiado no corno soprado em antiquérrimos, míticos e até mágicos momentos, nas savanas ou planaltos austrais, casa de imediato com outro ícone muito actual, o do conceito "palimpsesto" [que é, mas isso é outra conversa, um "nada" intelectual inchado de cagança explicativa]. De facto o facto da vuvuzela ser uma "construção", adaptação muito recente, nada lhe retira, os traços identitários socioculturais não exigem - quantas vezes é bem pelo contrário - qualquer antiguidade que os "legitime". Mas o interessante é o facto do desconhecimento da sua realidade passada, e assim do seu imediato remeter para um "sopro gentílico", providenciar a aceitação acrítica das suas características simbólicas. E também de permitir a homogeneização do universo ao qual se decide aplicar a característica de "simbolizado" sob a égide da vuvuzela. A trompa plástica surge então como um delicioso (quando calada, claro) exemplo dos processos de exo-simbolização e de exo-categorização, sempre simplificadores do alheio, seja na desvalorização preconceituosa seja na valorização preconceituosa. Ignorantes atitudes apenas distintas na posição moral que reclamam, surgindo sempre a ("multiculturalista") valorização como arrogando-se a uma supremacia moral, filha que é da "superioridade moral da esquerda", mana que é dos piores totalitarismos que conhecemos em vida. Ou seja, "eles" (aqueles a quem prezamos ou aqueles a quem aderimos; ou, a outra face de Juno, aqueles a quem desprezamos) são os "vuvuzelas" - forma de pensar que há para aí cem anos se chamava "totemismo".Essa homogeneização dos outros, dos "totemizáveis", esse aplanamento dos "outros" a quem (des)prezamos, e que tanto se vê nisto de se vuvuzelar a (querida; desdenhada) África do Sul, foi hoje violentamente cabeçeado (qual Zidane) pelo fantástico cómico sul-africano Trevor Noah: "If Julius Malema was an instrument he'd be a Vuvuzela. Loud, obnoxious and on every South Africans lips!". Para melhor arrumar com a idílica imagem do "corno austral" ou do "sopro gentílico", para melhor trazer de volta a puta da corneta para o palco de debate actual, não se conseguiria melhor. Para melhor arrumar os "bem-pensantes", idem. Para melhor, e isto já é ética, respeitar o alheio, procurar compreender o alheio (forma máxima - e até única - de respeito e adesão) também.Talvez seja importante regressar a isso. Pois Malema, perdão, a vuvuzela está a ser sorteada numas ruas e vendida noutras. Queremos?jpt

publicado às 02:51

Identidades

por jpt, em 07.06.10

 

Abaixo está uma entrada sobre a campanha publicitária da GALP que importa para Portugal a corneta (vuvuzela) destinada aos campos de futebol e, presumivelmente, seus arredores e locais públicos. O texto é explícito: trato ali da importação de um instrumento, que em meu entender é supra-barulhento, agressivo e desconfortável; para além do futebol trata ainda da mania lusa (mas não só) de adquirir tudo o que vem à rede, o acrítico e desbragado consumismo. Implicitamente - mas esse implícito só pode ser para quem acompanha o ma-schamba, claro - liga-se com o meu enorme fastio com a futebolização do país (abordada por exemplo aqui mas várias vezes depois em tempos mais recentes), que entendo não só como uma forma de distrair o povo mas, fundamentalmente, como uma forma de "fazer pensar". Uma padronização do pensamento do qual o exemplo mais óbvio é o "futebolês" mas que tem coisas bem mais profundas, como a "derbiização" do debate público. Ou seja, gosto de futebol, gosto dos grandes torneios e sou sportinguista (talvez um bocadinho menos do que aquilo que enceno, mas pouco). Mas isto da bola deve ter limites.

 

O ma-schamba está ligado no facebook e aí, nos comentários a esse texto, gerou-se um resmungar contra as cornetas [qualquer falante médio de português interpreta bem a extensão semântica jocosa do termo "corneta"], e na conversa mais entre-amigos gerei um grupo contra o raio da .... corneta em Portugal, uma catarse contra a imbecilização (neste caso via publicidade, mas quem dera que fosse só esta a causa): Eu Não Vuvuzelo. A este propósito uma jovem senhora que eu conheço publica isto: "The portuguese are creating vuvuzelas hate groups on FB. If that is the attitude they better not come to the World Cup!". Ou seja, "os portugueses" (eu, jpt) criam "grupos de ódio" contra a merda das cornetas (não só em Portugal, o que dá sumo à invectiva). Seria de pasmar se não se soubesse que a interpretação é uma decisão. Tem níveis de análise? Tem. Estamos a falar de "vuvuzelas" (cornetas, trompas?)? Não. O que surge a um nível superficial é o paradigma "democrático" que se quer dominante: não tens só que respeitar a minha "cultura", aceitar a minha "cultura", tens que viver a minha "cultura", tens que viver como a "minha" cultura vive. Em não aceitando isto é-se um agente de discriminação, e pelo ódio.

 

O que nos ensina o fait-divers da corneta: é que se toca a corneta em Umtata tem que tocar em Marco de Canavezes. Senão são (os de Marco) uns porcos fascistas odientos. Pois isto tem um outro nível de análise, mais profundo, o das identidades. Eu, desde que não me pluralizem, vou bem. Português, claro, e pelo que parece muito dado a "hate groups". Quanto às identidades dos outros é com eles, não é meu assunto. Mas também não quero ser alimento delas.O que uma mera corneta nos faz lembrar.

 

jpt

publicado às 00:57

As grandes questões levantadas pelo campeonato mundial de futebol na África do Sul estão magistralmente indicadas aqui (jornal espanhol Marca) - uma referência recebida via e-mail de um amigo, mudo leitor do ma-schamba. Consultem a ligação para ficarem preparados para o que aí vem.jpt

publicado às 20:59

Zapiro e o Islão 2

por jpt, em 30.05.10

 

Depois deste desenho que provocou a ira de alguns sectores islâmicos Zapiro respondeu. Em grande. Aliás, à Zapiro.

 

jpt

publicado às 09:48


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