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O maldito caranguejo

por jpt, em 10.03.14

 

 

Uma prestigiada consóror bloguista, também ela vera sportinguista, veio de novo a Maputo, no decurso das suas obrigações profissionais. Como, felizmente, tem sido hábito nestes momentos juntámo-nos à mesa. No passado sábado fomos jantar a um afamado restaurante maputense. Lá chegados fomos recebidos com a habitual simpatia dos empregados, aconchegámo-nos, nós família e a convidada, na esplanada. O afável empregado muito nos recomendou os caranguejos, que estavam óptimos, fresquinhos. Eu brinquei num "chegaram agora mesmo?" e ele sorriu, como se concordando. Sendo eu grande adepto, e tão recomendados eles foram, lá escolhi e até aconselhei o caranguejo cozido (que, para quem não conhece, é a versão moçambicana do "manjar dos deuses") e nisso não fui sozinho.

 

O resultado foi quase letal. Pois ainda que naquele sítio ("acontece nas melhores famílias") e apesar de tão recomendados estavam impróprios os animais. Quem deles se aproximou caiu à cama. Para mim foram estes dois dias de arraso (e de ira, resmungando com a recomendação, inaceitável, a despacharem os bichos, decerto que já lá quase esquecidos no frigorífico, aka geleira).

 

Vem tudo isto a propósito de que ontem domingo estava num estado que não exagerarei comatoso mas que era verdadeiramente calamitoso. Na noite já noite desci até à sala, em proto-sonambulismo, deitei-me no sofá defronte à TV e encontrei os simpáticos sadinos empatados com o Sporting. Corriam já os setenta minutos do jogo e nada soube do que se tinha passado até então. Tal era a indisposição que não me pareceu mal, não somos candidatos ao título, o Setúbal é verde-e-branco, e desde que um tipo não morra da intoxicação alimentar tudo está bem. 

 

E ali fiquei a ver o jogo, ao lado da infanta, sportinguista mais para não desiludir o pai do que outra coisa. Depois veio um penalti, mesmo no fim, mesmo a jeito do Sporting ganhar o jogo, o rapaz Capel (que um amigo meu insiste em afirmar igualzinho ao Passos Coelho) atirou-se para o chão e pronto(s). A minha filha surpreendeu-se (ou preocupou-se, julgando-me mais doente do que o factual): "então não comemoras o golo, pai?". Que não, resmunguei, que "isto é uma palhaçada", uma "vergonha" ganhar assim. No minuto seguinte já tive forças para os obrigatórios e sonoros calões, assim a sossegar a descendência, a perceber que ainda não é desta que a orfandade a atinge. Pois veio o árbitro a marcar um penalti daqueles "à antiga", uma verdadeira calamidade. Ou, noutro registo, uma pérola para a chacota.

 

Leio agora no jornal Record - enquanto vou sabendo das tropelias que o homem já havia feito antes, enquanto eu dormia, tentando recuperar do atentado que sofrera na véspera - que o tal árbitro se chama Vasco Santos e é um dos pioneiros da arbitragem profissional em Portugal, o homem não tem outra profissão. Um tipo que faz "erros" destes! Enfim, o Sporting não é candidato ao título. E isto é só futebol. O homem que vá ganhando a vida, para evitar o crescimento do desemprego.

 

(Não haverá algum desportista, de qualquer clube, que leve este Vasco Santos a comer uns caranguejos putrefactos?).

publicado às 20:31

Saudades

por jpt, em 01.03.14

 

É isso mesmo, estive a ver o Sporting-Braga (uff) e já começo a ter saudades deste jogador da bola: William Carvalho. Boa sorte para ele (que para o "ano" andará por outros sítos, Manchester parece-me).

publicado às 22:21

Personalidade 2013 em Portugal

por jpt, em 29.12.13

 

Ao longo dos blogo-anos aqui várias vezes referi que entendo a desagregação do Sporting Clube de Portugal como uma verdadeira montra dos processos de patrimonialismo populista que escavacou o país: o Sporting tal e qual Portugal. Não vou repetir argumentos, resmungar contra os atentados à economia de mercado produzidos pela falsificação das apostas mútuas desportivas produzido pelas mafias da bola, nem, o que é muito mais significativo, vociferar contra o conglomerado banca-construção civil que vampirizou o país e, notoriamente, o clube, face a um povo (o sportinguista e o português) hesitante, alienado, expectante diante do brilho oriundo das chamadas elites sociais, corruptas e estadodependentes, e do culto dos senhores engenheiros e da sua honestidade, determinação e competência.

 

Nem que seja por ter dado um pontapé nas vísceras dessa mitologia reaccionária, toda "Antigo Regime", Bruno Carvalho é a personalidade 2013 em Portugal.

 

Com mil Brunos construíamos um império. Interno.

  

Com apenas um Bruno talvez safemos o clube, tudo o perspectiva. E talvez se consiga mostrar ao povo que os "engenheiros" e os "finos" não prestam. Nem moral nem profissionalmente. Que não se justifica trocar o futuro do país por um creditozito para amenizar o Window Shopping e pelo descanso do clubismo partidário.

 

 

 

 

publicado às 19:02

Rui Moreira

por jpt, em 26.10.13

(imagem retirada daqui)

Há alguns anos fez-se uma sessão do "Trio de Ataque" aqui em Maputo. Não gosto deste tipo de comentário futebolístico, mais que não seja porque cristaliza a ideia anti-concorrencial de que há três clubes (com destinos escrutinados) e o resto é paisagem. Mas a vinda das figuras público-desportivas animou as hostes da bola. Na véspera do programa fez-se um concorrido jantar no restaurante KaMpfumo, na estação dos CFM, na qual depois se veio a realizar o programa. Acorri ao repasto da bola (e até vim a blogar sobre isso). Na época o representante do pérfido Benfica era António Pedro Vasconcelos, que em dia anterior ali mesmo pontificou numa agradabilíssima tertúlia sobre cinema, organizada pela gerência. Uma simpatia, um agrado de pessoa, e com aquela cultura verdadeira que não precisa de se desfraldar. Pelo Sporting, o tal clube da elite (diz-se) vinha Rui Oliveira e Costa que, enfim ..., se mostrou tudo menos digno desse estereótipo, para não dizer mais. E pelo malvado Porto chegou Rui Moreira. Um senhor, e basta isso. Que inveja, resmungou este sportinguista, acabrunhado com a "representação" que ali lhe cabia.

Foi o único, e breve, contacto que tive com o agora presidente da câmara do Porto - essa cidade que dista menos de Lisboa do que Quissico de Maputo mas que há muitos que continuam a dizê-las basto apartadas, muitos mas de pouco mundo como assim se torna óbvio. Tanto pela boa imagem que então criei de Rui Moreira como pela desejada lufada de ar fresco no claudicante sistema partidário português, torci de longe pela sua vitória eleitoral na cidade do meu pai. E, também, para que Menezes (ainda que sportinguista) não ganhasse, o que seria um total paradoxo face ao estado do país, um contra-ciclo para o que é necessário - sendo que o simples facto do "edil" (como aqui se diz) de Gaia ter agora sido candidato do PSD ao Porto demonstra que em relação a este partido não há nada a fazer nem esperar. Se fosse coisa, o tal partido, era para o lixo. Como é gente, é aguentá-lo e acantoná-lo, se possível. Pois cheinho de más reses, como o episódio gritou.

Ok, Moreira ganhou e gostei. Mas, infelizmente, vai daí e continua a "bolar" sobre a bola. Agora vem com isto, invectivar o presidente do Sporting. Está já a espalhar-se ou ainda não saíu da câmara de descompressão? Não é este o papel, nem o registo, de um presidente da câmara. Ainda para mais de uma cidade da dimensão como o Porto tem. E ainda mais de quem acaba de chegar como ele chegou, um pouco por cima do rame-rame que vem minando o país. Bruno de Carvalho já lhe respondeu, de modo rude. Apropriado, pois quem anda à chuva molha-se. Entenda-se, populista é um presidente da câmara a surfar as paixões da bola. Está Moreira a espalhar-se? Está. A ver vamos se ele não é apenas isto. Mas, se calhar, é mesmo só isto. Com alguma "patine" de bom berço. Espero que não.

publicado às 15:49

O ataque do Porto ao Sporting

por jpt, em 19.09.13

 

Há dois meses, a propósito da novela Bruma, aqui ecoei as minhas suspeitas de que o jovem jogador iria para o Porto, o que mostraria o intento portista de praticar o clubecídio. Pois tão arruinado foi o Sporting pelas suas últimas direcções que recrutar-lhe agora, gratuitamente, os jovens jogadores só pode denotar uma vertigem assassina, a vontade de exterminar o clube enquanto grande instituição desportiva nacional. Como é sabido tal acabou por não acontecer, Bruma partiu para a Turquia e os interesses do Sporting, enquanto clube formador, foram defendidos.  Mas a trapalhada não tinha terminado. Nesse conflito o "inefável" apoderado de Bruma tinha também retirado dois outros jovens prometedores jogadores do clube, Cassamá e Sambú. Assinaram agora pelo F.C. Porto. O que mostra algum fundamento da minha suspeita: o andradismo manobrava na sombra, ambiciona o clubecídio, e nisso terá também namorado o outro membro do trio.

 

Mas mais do que o interesse por prometedores futebolistas o ocorrido, isto do Porto ir contratar dois miúdos de 15 e 16 anos em conflito com o seu clube formador (apesar de todos aqueles pactos inter-clubes, de que se lê nos jornais), não passa de uma demonstração de força, um marcar de terreno. E faz-me lembrar um velho episódio, tão parecido é ele.

 

Em princípios da década o charmosista Julio Iglesias atacou o mercado americano anglófono, desembarcando em força. O velho elefante ripostou. Poderoso ainda, e tanto que já sem precisar de encomendar aquelas antigas "propostas irrecusáveis", mas já no ocaso (pois isso manda a lei da vida), Sinatra decidiu marcar o território, a demonstrar que a "voz", o "charme", o "Papa" era ainda ele, e aquele o seu reino. E fez a sua demonstração de força, chamou o grande treinador Quincy Jones, um "special one", convocou as figuras menores do panteão, assim reduzido a sua corte de figurantes. E fez isto, o seu último trabalho a solo, que mais explícito não podia ser:

 

 

Depois continuou. Naquela obrigatória decadência da idade que só os admiradores (eu um deles) não queriam notar, preferindo olhar (ouvir) para trás. Pois a força, essa, enorme, vencedora, já tinha estado. 

 

 

publicado às 10:24

Monoteísmo (10) - In memoriam

por mvf, em 13.09.13

Pode parecer estranho deixar uma valsa como homenagem póstuma. Seria mais adequado um requiem ou outra obra pesada e séria, talvez uma missa solene? Talvez, mas como a homenagem é a Vítor Damas, o Leão Voador, fica como segue, lembrando a graciosidade, a elegância, os gestos rápidos e precisos, com que Damas defendeu as balizas do Sporting e da Selecção Nacional. Faz hoje 10 anos que morreu. Não houve outro como ele.

 

 

publicado às 17:36
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:59

Vítor Damas

por jpt, em 13.09.13

 

Faz parte da meninice, do crescer, isso de ter ídolos. Depois, com a idade que acompanha consciência e desencanto, eles esfumam-se, uns tornado meros humanos outros até apenas nada. Eu tive alguns. O cume da minha idolatria foi com Vítor Damas, o maravilhoso guarda-redes do Sporting. Vibrei com ele na baliza (abaixo uma defesa contra a Inglaterra que me lembro de ver em directo, há 35 anos, tamanha a comoção sentida). Sofri quando partiu para Espanha. Resmunguei quando voltou a Portugal sem que o clube o tivesse contratado. E adorei, então eu já homem feito, quando voltou ao nosso clube. Damas era e continuou a ser o maior. Como meu ídolo nunca empalideceu. Faz hoje dez anos que morreu. O meu ídolo quando miúdo. O meu ídolo depois disso. 

 

 

publicado às 15:30

Hoje

por jpt, em 31.08.13

publicado às 08:55

Bruma

por jpt, em 24.08.13

 

Nunca vi Bruma a jogar ao vivo. E acho que nunca lhe vi um jogo completo na TV. Assim nem sei opinar sobre a sua qualidade, mais um da longa lista de extremos que o Sporting vem apresentando: extraordinário, como Futre ou Cristiano ou (vá lá, que jogava nas alas) Figo? Excelente como Simão ou Nani ou Quaresma? Ou será mais comum, a expectativa muito aumentada pelo entusiasmo dos meus co-sportinguistas e pela retórica dos "jornalistas" desportivos?

 

Assim sendo, da qualidade dele não sei dizer. Mas o processo em que foi metido é interessante. Mostra como as coisas do futebol nos colocam parêntesis na forma como vemos o resto. Os adeptos, quantos deles empregados, prontos à greve ou ao protesto (ou à maledicência), torcem nestes casos incondicionalmente pelo patronato. Os contra-adeptos, quantos deles empregados ou patrões ou liberais, prontos à concertação social, à concórdia, ao contratualismo, nestes casos torcem incondicionalmente pelos "direitos dos trabalhadores" (desde que tal prejudique o clube adversário).

 

A história da Bruma é triste. Não que o (meu) Sporting seja realmente exemplar na forma como trata os seus profissionais - falo da história recente, não desta direcção que, até agora, me parece muito empenhada. E, que como tantos clubes-patrões, não mereça ser confrontado por gente que defenda os interesses dos jogadores, miúdos, relativamente ignorantes dos meandros jurídicos, fiscais, contratuais, e potencialmente explorados pelos clubes. Mas mesmo assim o caso tem contornos muito próprios, tudo parece um daqueles filmes americanos sobre o mundo do boxe, com jovens fortes e ágeis, sobre-empenhados no jogo, e totalmente sugados pela "entourage" canibal. Conhecemos o "the end".

 

Nem fui lendo tudo aquilo que a "gente" de Bruma (agente, advogado, sei lá mais quem) vem dizendo aos jornais. Mas algumas "gordas" ficaram-me. Uma das quais foi o agente dizendo que o Sporting o tinha enganado, queria ele a renovação de um conjunto de jogadores ("seus", como diz, desnudando-se pela semântica da sintaxe) e como o clube não o quis então impediu a renovação de Bruma e levantou este processo. Ou seja, quer mecanismos de "contratação colectiva" nesta actividade. E como lhe são recusados usa o destino de um jogador como pressão ou mero revanchismo. Enfim, por mais que os jogadores (em particular os putos) mereçam ser defendidos nesse mundo-cão que é o da bola, parece-me que não é este o caminho. Nem deve ser esta a gente.

 

E um outro comentário, lateral. Estamos (saudavelmente) habituados a defender as minorias, identitárias. Como imigrante (e não só) sou particularmente sensível a isso. Este caso é ilustrativo. Pois estes meus patrícios, oriundos de África, são a mostra de algo interessante. É que se os direitos colectivos (e individuais) das minorias são importantíssimos é necessário perceber que nestas habitam muitos gabirús. Parece-me ser o caso.

 

Jogando no Sporting ou alhures, que o puto não acabe mal. Sugado e desiludido. Ainda vai a tempo.

 

(Postal também colocado no Delito de Opinião)

publicado às 06:55

 

Como sportinguista não me surpreende a partida do jogador-promessa Bruma. Pouco tempo antes das eleições no Sporting o então candidato Bruno de Carvalho passou por Maputo e na sessão clubística acontecida (no restaurante "Escorpião") referiu o assunto. Esfriando o nosso entusiasmo com a ascensão de tantos jovens futebolistas da formação, lembrou que tinham estes começado a jogar na primeira equipa sem que os seus contratos tivessem sido, em tempo certo, renegociados. E explicitou que seria muito difícil mantê-los, que poderia haver uma debandada.

 

Num clube arruinado, praticamente falido, muitas das hipóteses da sua sobrevivência passarão por vender as licenças desportivas dos futebolistas entretanto formados, e ir contendo as despesas ao mínimo possível. O Sporting precisa de austeridade e de produtividade, por assim dizer, para se poder manter como uma das mais importantes associações desportivas do país.

 

É cada vez mais óbvio que Bruma já se comprometeu com o F.C. Porto (espero bem estar enganado), sem que haja lucro económico para o clube, para além dos óbvios efeitos anímicos. Se assim for, e atendendo à terrível situação sportinguista, acontecerá uma terrível machadada nos esforços de manutenção do clube, um acto de terrível violência, que em muito ultrapassa a mera questão da "bola". Pois, e sem rodeios, será uma acção que intenta o "ethnic cleansing", um clubecício.

 

Está assim o país. 

publicado às 18:04

Ressaibo revanchista

por jpt, em 24.05.13

 

Devido a um amabilíssimo convite do Pedro Correia durante 2012 escrevi no blog colectivo sportinguista "És a Nossa Fé!". Foi um entusiasmo para mim, coração leonino, alma de "lagarto" se se quiser. É meu fervor, e cá de longe se calhar ainda mais do que se estivesse ali nas vizinhanças de "Alvalade". Depois, um dia, chateei-me a sério com o fel direccionado e nem assumido na quase-estreia de um co-bloguista e abandonei o blog. Mas continuei leitor diário, é o meu Sporting, a minha (dolorosa) fé, e gostei muito de pertencer ao blog.

Deixei-me disso agora. Nem ligações, nem páginas no FB (que abri e andei a divulgar), nem mais visitas. Blog colectivo é plural, claro, diversas opiniões. Mas aquilo chegou a um ponto insustentável. Pois entre um núcleo bem diversificado e muito louvável de bloguistas sportinguistas impôs-se a presença diária, fulgurante e poluente, do revanchismo pós-eleitoral. O blog está colonizado pelo ressaibo.

Bruno de Carvalho foi eleito presidente e isso não é um cheque em branco. Ele é escrutinável e criticável. É nosso direito, sportinguista, pressionar, resmungar, opinar, aventar. Criticar. O que é completamente diferente do que ali alguns sportinguistas fazem. Desde o primeiro dia anunciam as malevolências hipotéticas, as putativas incompetências. Gozam, rasteiros. Achincalham. A liberdade de opinar, afirmam, em meneios retóricos. Com sportinguistas destes nem precisamos de adversários.

Abandono, de vez, tal companhia, com pena por perder os textos de tantos outros bloguistas ali no "És a Nossa Fé"". Mas já sem paciência para me irritar com a pequenez, mesquinha, de alguns. Mas há muitas outras fontes para continuar a acompanhar, sempre resmungão claro, o Sporting.

A ver vamos com se porta este Bruno de Carvalho. Até agora, e passe isto de Jesualdo não ter ficado, pouco de mal a dizer. Mas vamos ver.

publicado às 07:05

Poachers

por jpt, em 05.05.13

 

 

Ao longo dos anos bloguismo várias vezes me insurgi face às direcções do Sporting. O estado calamitoso do clube advém das práticas que estas assumiram ao longo de quase duas décadas. Sufragadas por sucessivas eleições. Pois, tal com em tantos outros contextos, manteve-se na massa associativa a crença que as elites sociais e financeiras têm alguma ligação (afectiva, ética) com o "bem comum" das comunidades a que aderem ou pertencem. Tudo isso sublinhado, potenciado, pelo "poder simbólico" que ser da "elite" possibilita. E, tal como em tantos outros contextos, torna-se agora certo que essa ralé elitista é uma corporação criminosa. E, pior, traidora de tudo o que pode trair.

 

Dito isto, quanto ao Sporting, muito há mais do que isso. Este ano é exemplo. Uma enorme trapalhada vinda de uma direcção carregada de problemas criminais (o presidente, com mácula de cidadania; Luis Duque com as trapalhadas municipais, o pérfido Ricciardi, acho que autor de processo contra o "Correio da Manhã" por este jornal o ter noticiado como arguido, o polícia "vigilante", enfim, uma catástrofe de gente). Ene treinadores. Uma "remodelação" de plantel no Natal. A sombra da descida de divisão. Depois Jesualdo forma uma equipa, jovem, limitada, e vem ao de cima. Tentando levar o clube até às competições europeias, um pequeno balão de oxigénio diante de um horizonte tétrico. Pois num cenário de clube arruinado, com "500 milhões de euros de défice", como disse esta semana o presidente Bruno de Carvalho.

 

Depois disto, na ascensão com a pax jesualda, apenas dois insucessos: a) contra o Benfica: O árbitro João Capela trucida as leis. Dois penalties por marcar, para além de tanta outra coisa (livros não marcados; aquelas entradas a matar sem serem vistas nem expulsões acontecidas). Como alguém disse "errar sempre para o mesmo lado não é humano"; b) hoje, contra o simpático Paços de Ferreira, não assinalado um penalti para aos 60 minutos poder passar para a frente. Como pode um juiz-de-linha, aka "árbitro assistente" não ver aquilo? Como pode o "melhor árbitro do mundo" não entender assim? Só não querendo.

 

Sem mais, o Sporting, ainda por cima nesta situação económica-financeira, está a ser abatido. Estes árbitros não são "limpinhos" como se diz. São poachers. Assassinos da instituição. Haverá um feixe de causas para estas acções. Nenhuma "limpa".

 

Tão maus como eles seguem os "intelectuais" portugueses, tantos deles vozes públicas assalariadas ou ajornadas, que olham para isto com a flatulência mental do apenas clubismo, reduzindo esta minha mágoa à azia do adepto de sofá. Acredito, firmemente, que quem gosta desta aldrabice, gosta dela em tudo o resto. É gente sem princípios. Por isso mesmo o país está como está. Com estes "intelectuais" no "arco da governação". Meros receptores deste tráfico criminal de sensações futebolísticas, de proto-orgasmos esfuziantes. Disponíveis, com tal, a todo o outro tipo de mercadoria roubada, ilegítima ou anti-ética.

 

A pele acima será a do clube. Cada vez mais me parece que assim será o futuro, e por isso preparo o luto. Mas não me parece que seja só o dele. Há muito mais a extinguir. E esta gente não sossegará enquanto não o conseguir. É omnívora. E voraz.

publicado às 22:45

Jesualdo Ferreira

por jpt, em 21.04.13

O treinador do Sporting da próxima época. Caso contrário alguém está a trabalhar mal. Muito mal.

publicado às 23:08

Ainda ontem referi a minha capacidade para antecipar as questões sportinguistas. Sei que estas minhas afirmações provocam o desdém dos visitantes ou, quanto muito, um sorriso aos que vão tendo simpatia para com este blog.

Então, por isso mesmo, e para que mais uma vez comprove os meus dons oraculares no que ao Sporting diz respeito aqui deixo reprodução de um velho postal, muito sintético, de 14.11.2009: Última hora: apresentação do novo treinador do Sporting.

 

publicado às 11:43

Hoje, Verde Dia

por jpt, em 23.03.13

 

 

 (Sporting da Ilha de Moçambique, Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

 

Um excelente postal de Pedro Correia sobre a situação do Sporting "As raízes do fracasso", explicitando a cupidez instalada nas últimas administrações baeadas no mais rasteiro populismo. E ligando a esta excelente reportagem,  Verdes Anos, narrando as absurdas últimas décadas do clube. Como diz Paulo Futre: "Depois de João Rocha não houve ninguém à altura do clube".

 

"Verdes anos" é um bom documentário para começar este hoje, um "Verde Dia".

publicado às 06:11


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