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Ao mercado de Campo de Ourique

por jpt, em 17.09.14

 

 

Já ali tinha ido em Janeiro passado, e bem resmungara. Mas ontem fui jantar com um amigo a Campo de Ourique. Desejando-me frugal e nada gastador. Fomos ao Stop, a minha antiga cantina no bairro, coisa de morador da Ferreira Durão: fechado. Inflectimos para diante do cinema Europa, onde há restaurante ("Europa"?), onde se comia um bom peixe: fechado. Fomos avançando e cruzámos o mercado, "não gostaste nada disso" diz-me o João, que pelos vistos ainda passará pelo blog, "fartaste-te de dizer mal". Que não fosse por isso, "(m')bora lá" jorgejesuo eu. Entrámos, defrontando uma esplanada cheia, uma amálgama pequeno-burguesa, requebro que bem noto, agora que estabelecido nos Olivais, hoje em dia desvalido gueto de xunga canora, afinal falido que foi o "melting pot" sociológico intentado por Salazar.

 

Ao meu conviva surgiu-lhe o afã de uns camarões. A mim, vindo de onde venho, não se me urgem tais bichos. E, para resolver tudo ali ao mesmo balcão, segui com um prego. Lá fomos a um outro buscar umas cervejas e depois, espeleologicamente, desencantámos uma mesita, aguardando o repasto. Enquanto isso regressei à demanda de cervejas e, coisa de ainda emigrante, fui falando com quem delas me serve, a saber das modas. Que ali se bebe pouco cerveja, soube, pede-se mais sangria, o que me surpreende, e "agora" bebe-se gin. "O gin está na moda, não é?" já soube eu, sempre desencantado com a empáfia lisboeta, "mas sangria, bebe-se disso porquê?". E logo lhe é óbvio o sarcasmo, "É que aqui é um sítio gourmet" aflautando a voz, e nisso se rindo o colega do lado. Também eu me ri, assim de tudo avisado, julguei. 

 

Voltei à mesa para ser chamado, que fôssemos buscar as nossas refeições, os tais repastos gourmet. Busquei-as, solícito: num prato um pauzito com camarõeszitos. No meu um prego à petit-bourgeois, desses com hífen e tudo. Coisa de cerca de 80 gramas. Acompanhado de batata frita ... de pacote.

 

Ri-me, com tamanho despautério. Lá trinquei aquilo. À nossa volta o mercado de Campo de Ourique, o tal recanto "gourmet", continuou cheio. São assim as mansas gentes da gasta pátria.

publicado às 06:36


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