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O primeiro campeonato (copa, vá lá) do mundo de futebol que vi em Maputo foi o de 1998. Na altura circulava-se bem em Maputo, não havia tanto trânsito e a polícia não assaltava os pass(e)antes, pelo que vi(mos) alguns jogos na baixa, no então CEB [Centro de Estudos Brasileiros, agora centro cultural Brasil-Moçambique]. Na altura era lá "o" centro cultural de Maputo, pela localização, pelas características polivalentes das instalações (ainda que algo empobrecidas) e, acima de tudo, porque tinha uma belíssima directora, a Fernanda Veríssimo, uma companheira fantástica cujo brilho fazia jus à sua ascendência, filha de Luís Fernando Veríssimo e neta de Erico Veríssimo, mas que não era nada um apenas "filha de ...", bem pelo contrário.

 

No meio daquela azáfama veio a Copa de França. O Centro foi utilizado ("ocupado") por uma larga comunidade, a brasileira de então, sociologicamente diversa da de hoje, sempre festiva, e mais os acompanhantes torcedores: moçambicanos e também nós, portugueses (ainda traumatizados por termos sido vilmente afastados pela FIFA do mundial, para que o mercado alemão estivesse presente). E ainda uma mole de nacionalidades, até porque desabundavam os ecrãs públicos na cidade mas mais ainda porque se procurava aquele ambiente, entusiástico.

 

Lembro que lá vi a final França-Brasil. A torcer pelos brasileiros, não por qualquer irmandade lusófona, mas mesmo desejando todos os males do mundo ao país do senhor Platini e do senhor Marc Bata, futebolísticos e não só (o meu apaixonado encanto por Zidane só brotou naquela divina, homérica hybris, cabeçada na final de 2006).

 

Aquilo não lhes correu lá muito bem, como se sabe. Fui lá com a minha mulher e um amigo, pouco dado a futebóis. No intervalo pediu-me ele boleia para casa: voei da Karl Marx à Zimbabwe e regressei a tempo do apito (re)inicial - ruas vazias, o peso da bola!, um outro Maputo. Mas enfim, o que me leva a escrever isto é a memória dos brasileiros em Maputo: durante todo aquele jogo, apesar da tareia que iam levando, estiveram ali em constante batucada a torcer pela equipa. Lá pelos 86 ou 87 minutos, apenas então, esmoreceram os tambores e as palmas e os gritos. Fantástico. [Depois do final saímos dali, sem ver taça entregue nem nada. Passámos pelo "Franco-Moçambicano" onde uma outra, maior, multidão tinha visto o jogo, maioritariamente moçambicana. Vimo-la sair, triste. Nem ali se torcia pelos franceses ....]

 

Agora, a ver vamos como serão os brasileiros por cá. Talvez diversos que a cidade mudou. Mas, pela amostra de então, lá no Brasil serão imparáveis. Com ou sem crise.

 

Adenda: também fazer um postal a elogiar os brasileiros e deixá-lo como deixei até parece malvadez. Junto-lhe a final de 2002, que lhes correu melhor.

 

 

publicado às 15:30



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