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Diário da despedida (12)

por jpt, em 08.09.14

 

O "meu" Moçambique (a perversa inversão linguística que quasi-esconde o "Moçambique de que fui sendo") foi sempre este, o Moçambique da morte precoce, da extrema pobreza rural, da miséria urbana. Esse sobre o qual nós, burgueses (a "classe média" como diz a moda académico-jornalística), planamos, quase como se não fosse nada, discutindo as nossas "identidades", as da cores das peles, dos emissores dos passaportes, as dos partidos de que "somos" (como se pode "ser" de outros homens?), até as de a que oramos, se oramos, e, agora, até as de com quem ejaculamos. Maneiras de sobrevivermos diante disto que há, tão mais abissal, acho.

 

Do meu pai, comunista cunhalista, herdei a descrença em que isto do mundo está porreiro. Mas fui deserdado da crença de que isto vai mesmo melhorar. Fica-me assim o mero resmungo, sem sistema, índice ou mesmo apenas horizonte. Vivendo nesse recanto botei algumas coisas sobre o país, e arrumei-as. Para quem se interesse o mais legível está aqui, em duas colecções: "Ao Balcão da Cantina (Crónicas de Viagem e de Paragem)" e "A Oeste do Canal (Textos sobre Moçambique)".

 

E tenho uns punhados de fotografias. Muitas são do tempo analógico e nunca tive disponibilidade para as digitalizar. Mas ainda assim criei dois álbuns no facebook com setecentas delas, o "Entre-Rios 1" e o "Entre-Rios 2". Talvez um dia me seja possível regressar às velhas, de papel e continuar a partilha.

 

Ficam aqui as ligações, para quem tenha interesse.

publicado às 10:51


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