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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Uma pequena história, pessoal, que só ontem ouvi, narrada por uma amiga que também a presenciou. Adorei-a, não resisto a partilhá-la.
Há pouco mais de um ano o então ainda candidato a presidente do Sporting, o nosso Bruno de Carvalho esteve em Maputo e realizou uma sessão de esclarecimento/mobilização, que culminou num jantar. Lá estive, como relatei aqui. O momento ocorreu num conhecido restaurante, grande para que coubesse a "moldura humana" esperada. A casa começara nos idos de 1990s, aberta por um patrício que vim a conhecer, e que a tornou célebre, pela boa gastronomia portuguesa e pelas fartas doses. Tornou-se uma instituição na cidade, algo barulhenta a mais para o meu gosto, mas recompensadora para a esfaimada clientela . Depois o fundador, adoentado, trespassou-a, e as gerências sucederam-se.
Assim, aquando da visita do Bruno de Carvalho, há alguns anos que não ia lá. A sessão correu bem e sentámo-nos à mesa, os cento e tal sportinguistas, para o repasto que era também convívio e congregador. Eu ali ombreando com alguns amigos. Passado um demasiado bocado serviram-me um derivado de bovino recozido, intragável. Espantado, olhei em volta, inquiri a outros convivas se seria azar meu. Que não era, pois a tralha era igual para todos. Irritei-me. Sem exagero, já comi muita porcaria pelos recantos onde andei mas nunca apanhara nada similar. De mau-gosto gastronómico, de preguiça culinária. E de falta de respeito pelo momento e pelos participantes. Reclamei para o pequeno comité circundante, "isto é uma falta de respeito", por nós e pelo Sporting, "uma vergonha". Que me calasse eu, que o (novo) dono estava à mesa (mesmo ao lado do candidato, ainda por cima), esbracejaram-me. Isso ainda me irritou mais, deixei o dinheiro da conta ao amigo do lado e fui-me embora sem comer, frisando que aquilo era uma vergonha.
Conta-me agora a minha amiga: o então dono, vendo o conviva a ir-se embora, assim basto desagradado, rematou para quem o podia ouvir: "esse tipo? é um comunista! é um comunista! toda a cidade sabe disso! o que ele quer sei eu ...".
Uma delícia.