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O massacre de rinocerontes e de elefantes em África tem recrudescido, e também em Moçambique. Algumas esperanças na preservação ecológica que as últimas décadas tinham permitido desvaneceram-se nos últimos anos. A crescente população, a falta de rendimento, de oportunidades de trabalho são alguns dos factores. A inexistência ou fragilidade das instituições também o serão, mas mesmo na África do Sul, onde estas existem e funcionam, a invasão furtiva tem tido efeitos devastadores. E, claro, o ressurgimento de alguns pólos orientais do comércio internacional é turbo desta desvario assassino. A extinção das espécies é uma ameaça real, dolorosa.

 

Moçambique tem sido particularmente afectado. Chegam constantemente relatos de massacres de elefantes, os rinocerontes foram extintos. Diante de uma incapacidade da sociedade em obstar a este comércio - que ainda para mais é uma tradição secular, ainda mais difícil de combater. Amanhã há uma "Marcha Mundial pelos Elefantes e Rinocerontes" e em Maputo haverá uma concentração e desfile. Espero que possa sensibilizar a administração pública e a "sociedade civil" para uma muito maior actividade em defesa destas espécies. Para depois, no mesmo eixo, se afirmar a defesa das malhas florestais, retorica (politicamente?) reduzidas a "recursos naturais", nisso devastadas exactamente devido aos mesmos factores. Um processo tétrico, letal.

 

A marcha é global. Acima o mapa das cidades onde decorrerão actividades. Talvez que o google não esteja totalmente actualizado, espero bem. Pois olhando-o vejo, com tristeza, que aqui em Bruxelas, a Brasília da União Europeia, não há qualquer acção. Não comento, ainda não conheço a sociedade, mas lamento pois seria um palco fundamental para influenciar instituições.

 

Mais lamento, mas nem estranho, a inexistência de qualquer actividade em cidades portuguesas. Num país onde as gentes se mobilizam por várias questões, normalmente corporativas ou futebolísticas. Ou das agremiações partidárias. Mas onde não há, 50 tipos que fossem, gente capaz de se juntar num parque a dizer "não" a esta barbárie global. Não há duas ou três escolas secundárias - e tão aguerridos são os seus professores quando são referidos os seus estatutos e remunerações - que se associem no largo da paróquia ou do pelourinho. Não há meia dúzia de associações de estudantes universitários que interrompam o exaltante vomitar pós-praxes.

 

Nem há uma câmara municipal que o dinamize, dessas que tanto se geminaram (gemelaram, como se diz em Moçambique) com municípios africanos, em viagens autárquicas pejadas de camarão, caranguejo, e prostitutas baratas para as bolsas europeias. Uma Évora geminada com a Ilha de Moçambique, ambas Património UNESCO (e não as espécies forma fundamental de património mundial?). Um Porto que manda os autocarros velhinhos para a Beira? Uma Vila Pouca de Aguiar onde o seu presidente, dinaussauro nada-excelentíssimo, organizou uma geminação com 18 (dezoito) municípios moçambicanos numa reunião ali em Maputo? Nada ... Um país onde há décadas subsiste a farsa (roubando dinheiro do erário público) de um partido fantasma no Parlamento, falsificando o espírito constitucional, dito "ecológico os verdes", que nem para isto se mexe. 

 

Amanhã em Maputo e em tantas outras cidades haverá gente, que o é, a sair à rua, por esta razão, nobre e pura. Os outros são o que são ..., desgente.

publicado às 10:03



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