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capa-couto-imagens-arte

 

Referi abaixo este Moçambique. Imagens da Arte Colonial, livro organizado por Fernando Couto e editado pela Ndjira em 1998. A obra reproduz 86 fotografias do espólio de Carlos Alberto Vieira, fundamentalmente dedicadas a obras arquitectónicas, monumentos, algumas vistas aéreas urbanísticas e arte sacra. Se a selecção não é exaustiva cobre o país [17 fotos de Maputo, 2 de Zavala, 2 de Xai-Xai, 2 de Inhambane, 4 da Beira, 2 de Quelimane, 10 de Tete, 2 de Angoche, 2 de Nampula, 32 da Ilha de Moçambique, 4 da Cabaceira Grande, 5 do Ilha do Ibo, 1 da Ilha da Quirimba, 1 de Pemba].

 

Não sei se ainda estará disponível - na altura a edição atingiu 1500 exemplares, número aqui apreciável. Mas será, com toda a certeza, interessante recuperar a obra, introduzindo-lhe o que então foi impossível integrar, uma identificação mais completa das obras apresentadas - autoria e data da instalação das peças, datação das fotografias. Com toda a certeza um projecto nada irrealizável. E que em nada choca com as recentes edições em Portugal de livros sobre o espólio do fotógrafo Carlos Alberto Vieira, tanto porque são estes de maior abrangência temática como pelo facto de também essas edições não apostarem na identificação exaustiva dos objectos retratados.

publicado às 17:52


5 comentários

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De ABM a 14.04.2009 às 20:10

Boas tardes

É impressionante a temática suscitada neste blogue. Aquando do meu "regresso" a Moçambique em Junho de 1998, para fazer uns trabalhos técnicos no então BCM, esta obra já havia sido encomendada pelo banco, então detido marioritariamente pelo Banco Mello, para oferta aos Clientes e Cia. Limitada. O "dono" da obra, o então CEO, havia aceite a proposta creio que do pai Couto (que tive o prazer de conhecer e com quem dialoguei várias vezes), que tinha contornos diferentes do que saíu: a capa era branca e estava ligeiramente mal feita, tinha umas ondulações de impressão e tiveram que ser substituídas pela que se vê acima. E - mais complicado para o dono (para mim era relativamente indiferente) o título original era "Moçambique - património cultural português". Não sei bem como, creio que por "iniciativa unilateral não comunicada previamente", o pai Couto muda o nome para o que se vê. E o dilema era simples, aqui estava um grupo português a fazer um investimento de algum vulto (o BCM detinha 50 por cento de quota de mercado então), numa óptica de um novo relacionamento com o País, de parceria e de claramente enterrar o machado de guerra colonial, e a sua primeira iniciativa cultural vinha rotulada com "Imagens da Arte Colonial". Ou seja: aqui vêm os colonialistas outra vez, compram o banco e lá vêm com as suas estórias (esse era mais ou menos o seu sentimento). Resultado: os cerca de 1200 livros foram entregues na sede e foram basicamente engavetados, o resto foi para venda pela editora, mas o resto ficou anos a fio nos armários do banco, sendo discretamente dados a esta ou outra vítima da sua imensa bondade institucional. Mais tarde foram herdados pelo banco internacionalmente moçambicano quando o BCP comprou o Banco Mello. Ainda tenho uma ou duas cópias em casa e são interessantes mas deprimentes de certa maneira pois a maioria do que ali está retratado (via Carlos Alberto pai, cujo destino do espólio fotográfico dava para escrever uma novela brasileira) hoje em dia, para além da mais pronunciada indiferença do seu actual dono, ou morreu, apodreceu, caiu, fugiu, mudou de poiso, constipou-se ou desmoronou-se. Eu, que nasci e cresci na terra, nunca vi nada pessoalmente nesses tempos, só estas fotos em 98. Mas sobre isto já se falou. Um dia, como o resto do meu espólio moçambicano, despacho o livro para a poeira de uma qualquer biblioteca obscura, pois o meu filho de 13 anos nem sabe bem onde fica Moçambique e não quer saber de nada destas coisas.
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De jpt a 19.04.2009 às 00:28

Se ainda aqui vieres: traz o miudo quando for menos miudo. Pode ser que se esqueça dos "magalhães" e adira.
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De ABM a 15.04.2009 às 19:33

Pois.

Sobre o dono do livro e o título já falei.
Sobre a creança, as chances são que vai sair um beto de Cascais mal habituado na prosperidadezinha portuguesa pós-CEE e da geração dos filhos únicos com telemóvel, MP3, Playstation e Magalhães. Provavelmente África para ele vai ser o que os Açores são para mim: uma distante mas omnipresente nuvem a decorar o horizonte. Exótica e misteriosa, mas distante.
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De jpt a 15.04.2009 às 15:10

Bem, o título original era .... absurdo!
E o que dizes do título que foi adoptado ("por decisão unilateral") implica dar uma conteúdo à palavra "colonial" - ora ele é sempre contextual: parece-me perfeitamente pacífico neste caso, descritivo. Acho que os pruridos do "dono" mecenas foram um pouco exagerados.

Ainda que compreenda que estrategicamente, enquanto empresa, fosse complicado para primeira acção mecenática cultural - mas aí o problema não terá sido do título, mas sim do conteúdo. Que raio de escolha para iniciar, se o objectivo era a tal "novo relacionamento" ...

Quanto ao estado patrimonial a maioria não conheço. Pois, mas o "património" tem como característica essencial o de se desmoronar ...

Pior, pior, é isso do filho. Quem sabe se uma visita prolongada a algum do património natural não o faça inverter intenções ... quiçá em idade mais apropriada.

abraço
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De carlos a 10.04.2009 às 14:26

ainda arranjei um...

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