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O "eurocapitalismo"

por jpt, em 19.03.13

 

No mural-FB de um meu amigo real está afixada esta deliciosa fotografia. Que não diz quase tudo. Mas diz muito e deixa, assim, cada um dizer o mais que lhe ocorre. E o que ocorre a cada um depende muito de onde está, de onde vive e onde quer viver.

 

Na minha "gasta" e "amada" pátria e arredores, subjugados pela sensação de crise, há quem queira acabar com o capitalismo. É um assunto a discutir. Os seus antepassados políticos foram uns viscerais defensores do capitalismo ("de Estado") mas pode ser que tenham aprendido alguma coisa, com aquilo do "socialismo real" e dos morticínios praticados e da efectiva pobreza disseminada. Duvido, mas poderá haver esperança na razão humana? Há os liberais, esses do liberalismo económico, que defendem o capitalismo, e que são panteístas, acreditam que por todo o lado (até nas calotas polares que não derretem, claro, e nas florestas, que desabrocham, viçosas) está deus nosso senhor em avatar mão invisível, provocando que seja virtuoso tudo o que se passa entre os homens desde que estes livres indivíduos, desalgemados da influência desse mito (ainda que algemador) "sociedade", às vezes dito "estado".

 

Depois há a maioria, que defende o capitalismo, o capitalismo corporativo. Para a qual tudo estará bem desde que tudo fique como antes, que as corporações nacionais (os países, para quem não entenda) privilegiadas se mantenham ricas e as corporações nacionais desprivilegiadas melhorem um bocadinho, coitadinhas - são estes os grandes clientes da democracia populista, que tem vingado no continente. Por outras palavras, mantenha-se ao limite possível a "troca desigual" internacional e as futuras gerações que paguem os défices que entretanto provocamos com os níveis de consumo e de .... serviços - e por alguma razão há algumas décadas se proibiram os supraendividamentos públicos aos sistemas bancários estatais, remetendo-se os estados para empréstimos na banca privada. Certo, tudo terminou como está agora. Há quem veja esta medida como uma "(teoria da) conspiração" do capital. Esquecem é que suas causas foram (também) a demência endividadora do populismo multipartidário, e a tentativa de a vedar. Neste eixo corporativo há um fluído grupo composto pelos que dizem querer acabar com o capitalismo, os "indignados", mas não querem bem isso. São os barulhentos neo-Keynesianos, querem viver no capitalismo desde que tenham os privilégios de o fazer e a liberdade de protestar por isso mesmo, e também de fazerem o bem, "ajudarem" na "alterglobalização" - à qual antes chamavam "ajuda pública ao desenvolvimento" -, coitados dos indígenas. Mas não lhes apetece assumir isso, tudo um aparente conservadorismo que não fica bem no youtube.

 

Eu não sei bem em qual destes grupos estou. Ando angustiado, com o meu país e com a minha família. Apetecia-me que a gente continuasse a viver bem.

 

Tal como diz a fotografia penso que isto não é uma "crise" (no mundo nunca houve tanta gente a viver bem ou, pelo menos, melhor). É o capitalismo. Está agora numa fase de "capitalismo real"? Sim, e em alguns sítios isso esmaga (noutros faz brotar). Por isso a pedir uma grande mudança. Radical. Talvez a exigir revolucionários, mais ou menos furibundos, furiosos, descabelados. Mas nunca populistas. Principalmente os de ar sereno.

 

Fico então a pensar, em píncaros de ingenuidade, se será possível um capitalismo "de rosto humano".

 

Um eurocapitalismo, para glosar a expressão europeia dos anos 1970s. 

publicado às 13:19


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