Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Agora que o ABM regressou, em rescaldo ao Mundial de futebol sinto-me legitimado para mais uma entrada sobre o assunto, que tinha ficado para trás. Sobre as relações entre o Império Romano e o campeonato mundial de futebol. Permanências históricas que me surgiram quando, chegado a Lisboa, encontrei no jornal "A Bola" uma fotografia mostrando Juan Carlos Bourbón, rei de Espanha, saudando Vicente Del Bosque, centurião, perdão, seleccionador espanhol. E não resisti a recortá-la, pois logo me lembrei de Julius Cesar, primeiro imperador* de Roma, aquando das suas campanhas de pacificação na Hispânia.

 

 

 

* O leitor Lowlander, aqui comentador residente, lembra-me (nos comentários), e com toda a razão, que Júlio César nunca chegou a ser imperador em Roma. Na caixa de comentários estão algumas ligações sobre a matéria, comprovando que assim é no sentido que hoje damos à palavra (posto). Corrijo o texto chamando-lhe o primeiro (e último) proto-imperador de Roma.

 

jpt

publicado às 14:23


8 comentários

Sem imagem de perfil

De Lowlander a 04.08.2010 às 17:14

Nao quero ser chato mas Cesar, apesar de ter sido um excelente general, superior politico e primeiro entre os seus pares enquanto viveu, nao foi nunca imperador. Alguns atribuiram-lhe a honra de carrasco da Republica e aspirante a Rei mas eu discordo de ambas as acusacoes.
Cesar marchou sobre Roma e foi Ditador de Roma, mas nem nisso foi pioneiro. Foi nomeado ditador vitalicio se nao me engano, e nisso, creio que foi o primeiro. Deu tambem o nome a um dos meses do calendario Juliano, mais tarde Gregoriano.
O primeiro Imperador foi o sobrinho de Cesar que tambem doou o seu nome ao calendario.
Sem imagem de perfil

De jpt a 04.08.2010 às 17:40

Agradeço a atenção, muito acertada diga-se [e foi essa sua mania de se tornar vitalício que levou outros, até o tal Brutus àquilo que o imortalizou] - mas, se não me engano, César também não fez campanhas de pacificação na Hispânia ... o texto está no regime asterixiano (mas para não pensar que passo ao lado fez-me pensar, estou convicto que goscinny o apresentou como imperador mas tenho que ir confirmar - levará bom tempo, presumo)
abraço
Sem imagem de perfil

De jpt a 04.08.2010 às 17:49

(o que seria de nós sem o google?)
Erro meu, Cesar esteve na Hispania:
http://www.roman-empire.net/republic/caesar.html

E (ainda que não seja exaustivo) César não aparece como imperador no Asterix
http://www.asterix.co.nz/characters/juliuscaesar.htm

ainda não acabei mas vou ter que mudar o texto
Sem imagem de perfil

De jpt a 04.08.2010 às 17:54

Ainda que fosse "imperador" (mesmo que a wikipédia não seja de fiar)

http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_C%C3%A9sar

- sendo certo que "imperador" não significa na altura o que passámos a entender, poi mudou, lentamente de sentido no tempo de Augusto, o verdadeiro 1º imperador - sobre isso há um pequeno e belíssimo livro de Pierre Grimal (O século de Augusto, do qual li uma relativamente recente tradução portuguesa)
Sem imagem de perfil

De Lowlander a 04.08.2010 às 19:12

Pois, o significado e muito diferente.
Durante o periodo Republicano, so os Consules podiam liderar o exercitos em campanhas militares, excepto se alguem fosse nomeado pelo Senado como proconsul (habitualmente ex-consules quando era necessario ter um unico chefe militar para tratar de uma campanha que se adivinhava como provavelmente longa, ja que o cargo de Consul era um mandato anual) em qualquer dos casos era atribuido um "imperium" para esse efeito que se poderia traduzir como um mandato para liderar um determinado numero de Legioes e/ou frotas maritimas numa determinada area geografica ja que o exercito era publico e financiado pelo tesouro Republicano (excepto apos as reformas instituidas por Mario - tio-avo de Cesar - que incidentalmente levaram a instabilidade na estrutura militar, logo instabilidade politica e eventual colapso da Instituicao Republica).

O "imperium" era automaticamente perdido assim que a pessoa em causa atravessa-se o "pomerium" que era uma linha que delimitava a antiga cidade de Roma e o exercito estava proibido de entrar no "pomerium". Quem quer que se quisesse candidatar a um qualquer cargo publico tinha sempre de o fazer em pessoa no Forum, sendo obrigado portanto a atravessar o "pomerium" pretendia-se com isto criar em Roma, o centro politico da Republica, uma area desmilitarizada.
O titulo de "imperador" foi apenas um estratagema (bem Romano diga-se) que Octavio arranjou para manter a aparencia de uma Republica mas re-instaurando uma monarquia de facto em Roma.
Sem imagem de perfil

De ABM a 04.08.2010 às 21:19

Exmos Senador e Sr Lowlander

Com a história do estatuto do Júlio, iam descarrilando a atenção do tema em mão. De facto notei que em muito do Mundial "surfou" a monarquia e a família real hespanhola. Bem como o reino (império multinacional, segundo os nacionalistas bascos e catalães), cujo produto nacional bruto terá crescido 2% e capital moral/emocional terá sido muito positivamente afectado. Os Borbón terão feito o seu trabalho e muito bem, num contexto em que a Hespanha ainda tem um hino nacional sem letra por ninguém acordar no que é que esse hino deverá dizer.

Portanto a vitória da equipa hespanhola foi, em 2010, um fim perfeito para uma união imperfeita. Se calhar, mais do que a seu reino, Sua Majestade o Rei Juan Carlos mais do que merecia este mimo desportivo.
Sem imagem de perfil

De jpt a 04.08.2010 às 22:54

LL exactamente. Digamos que Octávio se "augustizou" arrastando indefinidamente o seu "imperium". O homem, aliás, foi absolutamente genial como estadista, ao que dizem os historiadores.
Sem imagem de perfil

De jpt a 04.08.2010 às 22:55

(e como uma piada, desengraçada, se tornou numa bela de uma converseta - obrigado LL)

comentar postal



Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos