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O próximo governo

por jpt, em 11.10.15

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Um passeio nos jornais e nos blogs portugueses dá para ver o quanto bramam "ilegítimo" os já adversos à aludida aliança governamental (acordo? coligação?) entre os partidos da esquerda parlamentar. Nada mais errado, é exactamente para isso que se vota (em partidos, não no senhor x ou na dona a; em listas de candidatos a deputados, não em candidatos a primeiro-ministro). A gente vota e os partidos cujos candidatos foram eleitos (pela gente) negoceiam para acordar maiorias governamentais. Ou seja, um hipotético futuro governo de aliança BE-PCP-PS (apenas bluff de António Costa? hum ... parece-me que o homem já jingou demais para ser apenas bluff, esturricar-se-á agora se der a entender que apenas foi isso) será totalmente legítimo e, como tal, democraticamente bem-vindo. 

 

Tem só um detalhe, sendo certo que é algo que em nada o ilegitima. Após quatro anos terríveis (e como vim encontrar isto no meu torna-viagem ...) de governo, com desemprego, emigração, cortes de salários e reformas, o "troikismo", o constante bramir jornalístico, mais as trapalhadas endógenas (o Relvas, a zanga de Portas, as trapalhadas infectas da velha-guarda cavaquista, os golden visas e o quadro mal vendido), duas derrotas eleitorais, a derrota final anunciada, a coligação governamental recupera e muito, num "sprint" à Mamede (para quem se lembra do velho campeão), e ganha as eleições bem mais do que por poucochinho (para surpresa de quem não tinha lido este aviso). Uma consistente maioria relativa, em palavras sisudas, a demonstrar muita coisa do pensamento político popular (perdão, do eleitorado). E como resposta o PS alia-se, mais do que inesperadamente, mais do que desanunciadamente, com quem nunca se aliou, em registo verdadeiramente original? Vão-se fritar, os vizinhos socialistas ... Começará logo no esmagamento nas presidenciais (e por isso não terão candidato, claro). E depois, em lume nada brando, no quotidiano. Interno (nas coisas lá deles) e externo (nas nossas vozes, o tal "eleitorado"). E, entretanto, torramo-nos nós.

 

Não há dúvida, é da droga. Leve, claro.

publicado às 23:16



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