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(Shikhani) 

 

 (Naftal Langa)

 

 

Foi no "A Bola" que soube desta exposição "Tempo da Arte" no Camões, inaugurada pelo primeiro-ministro Passos Coelho. Logo janto com Ídasse e digo-lhe, ele a surpreender-se, "estás na Bola, é a glória", avanço-lhe, qu'isto de artista plástico no velho jornal desportivo "é a consagração de carreira", e rimo-nos. Trata-se de uma selecção da colecção do centro cultural português, obras que têm vindo a ser ofertadas ao longo dos anos por artistas moçambicanos e portugueses que ali têm exposto. E teria sido uma interessante nota para o dito jornal, lá está presente um quadro de Albertino, esse que  admirei no Boavista e resmunguei no Porto dos tempos do Pedroto. 

 

No fim-de-semana fui lá ver a exposição, que muito se justifica, pelo conteúdo e pelo olhar que permite sobre a história da instituição. Uma mostra abrangente, cerca de 30 obras, que julgo abarcar desde as actividades dos inícios dos anos 1990s, nos então "serviços culturais da embaixada", dirigidos por José Soares Martins, período a que se não estou em erro corresponde uma obra de Eugénio de Lemos, agora exposta. E se desenrola, com obras naturalmente mais recentes, correspondentes à actividade regular daquele centro, inaugurado em inícios de 1997. Com presença de artistas portugueses relevantes na interacção das artes plásticas dos dois países, como  José Júlio (o sempre dito pintor-faroleiro), José Pádua, e também já de gerações mais novas José Paiva, que durante anos animou o projecto de cooperação artística Identidades, ou mesmo Júlio Resende, que teve uma mais episódica ligação com o país. E um bom painel sobre o momento actual moçambicano, desde os mais recentes, como Morim, Simione, Tomo, Mudaulane, Filipe Branquinho (em versão não fotógrafo). E Ndlodzy, mestre escultor da sua geração, lamentavelmente muito retirado das lides.

 

E também alguns dos mais antigos, já partidos neste ocaso de uma geração de fundadores da arte moçambicana, sempre para recordar, com verdadeira saudade. O enorme Shikhani, minha preferência nacional, Naftal Langa, mestre escultor agora mesmo falecido, Samate.

 

 (Nlodzy)

 

Um painel destes merece, realmente, uma visita. E também por isso foi bom que tivesse sido inaugurado a alto nível protocolar (sim, sei que haja quem resmungue contra isso, mas não tem qualquer razão). Pois convoca a atenção para os caminhos de aprendizagem mútua e enriquecimento mútuo feito através das articulações culturais, ou mesmo da mera fruição.

 

Por isso mesmo é muito interessante, e tão satisfatório, ver esta pequena reportagem realizada pela estação moçambicana TIM (ou seja, não são meras palavras simpáticas para a RTP-África). Onde esta articulação e a sua pujança actual é saudada e elogiada, por Chiziane, Lucrécia Paco e Mia Couto. E desejada. Há espaço e vontade, para além dos economicismos, e destes modelos de desenvolvimentos produtivistas que vão grassando. Há gente, agentes culturais e institucionais. E há um intercâmbio crescente. Ainda bem. Ou, como se diz noutra língua, oxalá.

 

 

 

 

 

publicado às 22:23


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