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Poema para uma «saída limpa»

por PSB, em 05.05.14

                                                              Troianos

 

 

São nossos esforços, os dos infortunados;

são nossos esforços como os dos troianos.  

Um pouco conseguimos; um pouco

levantamos a cabeça; e começamos

a ter coragem e boas esperanças.

 

Mas sempre surge alguma coisa que nos pára a nós.

Aquiles junto do fosso à nossa frente

surge e com grandes gritos assusta-nos. –

 

 

São nossos esforços como os dos troianos.

Cuidamos que mudaremos com resolução

e valentia a contrariedade da sorte,

e estamos cá fora para lutar.

 

Mas quando vier o momento decisivo,

o nosso valor e a nossa resolução perdem-se;

a nossa alma fica alterada, paralisa;

e em redor das muralhas corremos

à procura de nos salvarmos pela fuga.

 

Porém a nossa queda é certa. Em cima,

nas muralhas já começou o pranto.

Choram pelas memórias e os sentimentos dos nossos dias.

Amargamente choram por nós Príamo e Hécuba.

 

in Os Poemas, Konstandinos Kavafis, tradução Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis, Relógio D`Água.

publicado às 23:49
modificado por jpt a 11/7/14 às 04:51


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