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Revista Ítaca, nº 2

por jpt, em 22.10.10

[imagem colhida aqui]

Referi abaixo a revista Itaca. Aí resmunguei pelo facto do blog da revista estar reservado a convidados. Nos comentários do texto Rafael Vieira avisa que estou errado quanto ao url que usei, e que há um blog da Ítaca, aliás apetecível. Aqui fica o aviso e o convite à visita do blog. Lamento a incorrecção do texto anterior. Isto é o realmente importante: há um blog da Ítaca, a revista acaba de publicar o segundo número, pode-se acompanhar na internet.

Depois há o pouco significante, mas basto sintomático. Rafael Vieira, o comentador que me avisa do erro quanto ao URL do blog da Ítaca, remata assim "...senhor leu mal o endereço que consta da ficha técnica (...) que é o que consta da ficha e estou em crer que leu mal o resto da revista, onde abunda qualidade, tal como leu mal o endereço". Penitência cumprida pelo erro no URL fico-me a perguntar o que é este "leu mal". O que será isto de "ler mal" ou "ler bem"? Disse a propósito de uma revista literária que me chegou às mãos (e onde publicam amigos): " ... honestamente não me entusiasmei muito com o que lá encontei. O mais interessante da revista, para mim, foi o texto de Pierre de Roo sobre “Les Bienveillantes” de J. Littell, um exemplo de crítica.". Não elaborei crítica - não tenho créditos para isso -, apenas exprimi a minha relativa insensibilidade ao conjunto, ainda que elogiando (como "exemplar", um superlativo vindo, porventura, do amiguismo) um dos textos e divulgando o conjunto. Como pode ser isto uma "má leitura"? Onde estão os critérios superiormente objectivos que regem a leitura? Poderá o comentador enviar-me o url onde os encontrou? Ou estou eu, distraído, diante de um Homero (convenientemente colectivo) e "estou a ler mal", insensível ao supra-génio?

Não faço a mínima ideia de quem é normativo comentador, nem se tem algo a ver com a revista. Nem onde tem o manual que ensina a "ler bem" as revistas literárias e, presumo, restante literatura ou textos sobre literatura. Mas confesso, e sei que estou no reino do preconceito, empobrecedor, que ao ler o comentário ouvi o falsete do ademane abespinhado. Tão típico. Em particular nesse reduto das "belas letras".

Resta-me pedir desculpa. Vai em francês, que é língua boa para estas coisas: "J' ai résolu notamment de dire à tous les peintres qu'ils ont du génie, sans ça ils vous mordent. Et, d'une manière générale, je dis à chacun que chacun est charmant. Telles sont mes moeurs diurnes. " (Albert Cohen, Le Livre de ma Mére, Gallimard, 1954: 10)

publicado às 23:21


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