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Vanitas vanitatum et omnia vanitas

por mvf, em 09.07.15

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A MAC - galeria de arte Movimento Arte Contemporânea - para celebrar o seu 21º aniversário inaugurou uma "colectiva" com artistas plásticos amigos da casa e, por causa da exposição "Prevent'Art Lx44" feita a meias com o amigo-pintor Miguel Barros - que muito apregoada foi aqui no blogue pelos comparsas Ana Leão e José Teixeira num claro compadrio... - recebi um honroso convite para participar na mostra com uma fotografia que ficaria pendurada entre obras de grande mestres das artes plásticas como Cruzeiro Seixas, Hilário Teixeira Lopes, Bual, Luisa Nogueira, Chicorro, Manuela Pinheiro, Malangatana, Matilde marçal e Noronha da Costa entre muitos outros. 

Inflado o ego, único fotógrafo exposto, lá fui disfarçando um certo orgulho por ver a Fotografia - e não somente aquela fotografia - dignificada, confesso que estava curioso para ver como se aguentava "Insónia" (uma imagem feita em Nova Iorque no já distante ano de 2000) no meio daquelas vedetas da pincelada. Não sai tremida a "Insónia", posso dormir sossegado com a vaidade arrumada.

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A MAC vem desde 1997 distinguindo os artistas plásticos que no entender dos seus responsáveis se destacaram e este ano durante a função - Álvaro Lobato Faria e Zeferino Silva, que a culpa não morre solteira! - juntamente com Mestre Hilário Teixeira Lopes divulgaram os escolhidos para receberem os prémios MAC, um troféu, uma peça do Professor Escultor João Duarte que devia dispensar apresentações tal é o seu percurso nacional e além-fronteiras.

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Assim the MAC 2015 goes to:

- Prémio MAC Hilário Teixeira Lopes: Martinho Dias
- Prémio MAC Escultura - Paulo Canilhas
- Prémio MAC Pintura - Hélio Cunha
- Prémio MAC Prestígio - Miguel Barros
- Prémio MAC Vida e Obra - Roberto Chichorro
e parabéns para os galardoados!!!

 

Para acabar a história deixo  esta ( e juro por ser verdade que fiquei um pouco embaraçado pelo inesperado, sem nada para dizer):
Pela segunda vez a MAC decidiu que a Fotografia merecia ser distinguida e, desta feita, o "pobre de mim" foi o escolhido para receber o troféu.
Só posso agradecer aos "MACs" muito e do fundo do coração a honra e, ao mesmo tempo que vos peço desculpa pela vaidade da circunstância e descarada auto-promoção, gostava de vos convidar a visitarem a exposição que está nos dois espaços da galeria (Av. Álvares Cabral, nº58 e Rua do Sol ao Rato, nº9c).

Horário:
Até 27 de Julho de 2ª a 6ª das 15h às 20h, aos Sábados das 15 às 19h
A exposição reabre a 17 de Agosto e encerra a 10 de Setembro com os mesmos horários

publicado às 20:53

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo, exposta em  Prevent'Art Lx44, Maio-Junho 2015)

 

Não é a primeira nem a segunda vez que o nosso MVF (Miguel Valle de Figueiredo) se junta em dueto com o Miguel Barros (o "nosso" MB), e ambos se expõem, em conversa de fotografia e pintura, que é também de junção de amizades. Daquelas veras, feitas de entranhas manas, sensibilidades aparentadas se se quiser ser fino. Diálogo. Agora instalaram-se, a evocar invocar uma Lisboa que vive dentro deles, conversa que decorre durante este mês nas paredes da galeria Movimento Arte Contemporânea (na Álvares Cabral, ao Largo do Rato, até 26 de Junho). O arrojo foi-lhes ao ponto de não apenas habitarem paredes a meias, polvilhando-as com as suas obras, mas de também juntarem alguns "coisas", dizendo-as dípticos, trabalhos conjuntos, nacos das suas lisboas em modalidade foto/pintura, e a gente, nós próprios, que lhes encontre o fio associativo se conseguir(mos) - e é assim mesmo. Assim fica-nos um momento que vem a três tempos: as fotos, as pinturas, as conjugações.

 

Nisto d'aqui-agora não venho avaliar ou aquilatar. Apenas assinalar (e, claro, num "vão ver"). Por lá estive, numa animadíssima inauguração, horas a fio (Lisboa ainda existe!). Durante a qual me deixei a entrelaçar, à minha maneira, o que os junta, os excertos e feixes que aqueles dois partilham. A espantar-me, devagar, como os tipos, tão longe um do outro (e tão diversos, para quem os conhece), dançam bem no diptiquismo assim enlaçando a cidade. Ao Miguel Barros conheci nos finais de XX, quando apareceu uma exposição dele em Maputo, ali excêntrica. Depois ele emigrou, Angola e Canadá - daí que esta sua Lisboa é uma "lisboa", a sua de longe, nacos e nichos, cores e linhas (horizontes) lembradas, talvez sonhadas, retrato dele próprio, acariciando (lambuzando, diria, se não parecesse mal) este lisboeta também ex (e espera-se que futuro) emigrante, décadas a assomarem-me estes feixes da cidade amada mas sem os saber expressar assim.

 

Mas pior mesmo ao visitante, "olhador" incauto e plácido, as fotos do MVF, esse que acompanho há 30 anos. Um olhar aqui cruel, avisando-nos ser apenas horizonte o que pensamos real porque julgando-o "ali/aqui mesmo". Desvendando, em meros clichés, o que alguns poderão pensar apenas esconsa realidade. Há algum tempo aqui mesmo disse que ele desvendara a Ilha de Moçambique como nunca a conseguira encontrar (está aqui), e apenas passara ele por lá durante uma semana, lente bistúrica nas mãos. 

 

Agora, olhando a sua terra, a sua cidade, olhando-me e aos outros, bota, entre tantas outras, esta abissal fotografia - esta que ilustra o postal. Nunca vira, nunca lera, o teu país (ó MVF), o meu país, tão expresso. Um tipo sai dali, da galeria, arrasado. E por isso o depois ... 

 

Um abraço a ambos. Mas sem obrigado para ti, ó MVF. Pois a gente tem direito às ilusões. E tu as destróis, malvado.

 

Fica o aviso. Para os que tenham coragem - vão até lá.

publicado às 16:27

Lisboa é maningue nice?

por jpt, em 01.06.15

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Como referi antes visitei Lisboa recentemente, mostrando alguns lugares mais simbólicos ou típicos à minha filha. Junto ao castelo, como mostro aqui, e por todo o lado se encontra este esterco visual, sempre permitido - e até acarinhado - pelas autoridades populistas que gerem a cidade. 

 

Esta desinteria colectiva, que faz feder a cidade, é também acarinhada nos meios intelectuais. Por um lado os fiéis da igreja "inscricionista", popularizada na década passada por um best-seller de José Gil - os portugueses têm medo de inscrever, disse, e então tocou a borrar ... E por outro lado, muito devido à complexidade da trama conceptual dedicada ao fenómeno artístico, entre quem não consegue entender a diferença entre expressão artística, expressão e mera flatulência. Há ainda quem pense que o direito fundamental da liberdade de expressão consiste na possibilidade de garatujar tudo o que (não) mexe ... Há ainda os que se dedicam a reflectir sobre a ínfima minoria destes miasmas, produzidos por sectores estudantis dos organismos partidários, chamando-lhes fenómenos espontâneos e atribuindo-lhe, por isso mesmo, relevância sociológica. É uma aldrabice, claro, mas quando debruada com galões académicos é muito bem aceite.

 

Na prática esta permissividade corresponde ao exercício mais reaccionário da sociedade urbana portuguesa actual. Pois é a  promoção da ideia da infantilização do cidadão locutor - que "fale" ele (se exprima) por onamatopeias visuais ou, vá lá, com grunhidos algo compostos. E também da selvajaria dos núcleos impossidentes, que vivam eles neste mato visual, desprovido de regras. Ficando o resto, o "limpo e ordenado", para a nata deste creme.

 

Entretanto os intelectuais jornaleiros "reflectem" e aplaudem.

 

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publicado às 12:41

Celebrar Bordalo Pinheiro

por jpt, em 23.01.15

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Hoje sexta-feira acontecem os 110 anos da morte do enorme Rafael Bordalo Pinheiro. No agradabilíssimo museu que lhe é dedicado (ali ao Campo Grande, na falda do glorioso estádio de Alvalade), casa diligentemente dirigida por João Alpuim Botelho, acontecerá sessão evocativa (e espero que invocativa) do gigante. Participarão os mestres António, Bandeira e Nuno Saraiva, dele descendentes, que são as pessoas que vou ouvir. Espero encontrar visitantes do ma-schamba.

publicado às 04:08

Dia do professor moçambicano

por jpt, em 12.10.14

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Hoje é o dia do professor moçambicano. Por isso mesmo, para os meus colegas, agora distantes, que se possam interessar aqui deixo um programa televisivo holandês (legendado em português), algo sumptuoso: "O Belo e a Consolação", 23 entrevistas feitas a grandes mestres, provenientes de várias áreas da reflexão. Todos ali a distribuirem material para que possamos pensar. No último episódio um debate alargado, precioso. Espero que os que aqui passem se agradem com esta partillha:

 

[George Steiner]

[Wole Soyinka]

[Stephen Jay Gould]

[Roger Scruton]

[J. M. Coetzee]

[Vladimir Ashkenazy]

[Edward Witten]

[Gyorgy Konrád]

[Martha Nussbaum]

[Tatjana Tolstaja]

[Gary Lynch]

[Leon Lederman]

 

[Karel Appel]

[Simon Schama]

[Jane Goodall]

[Yehudi Menuhin]

[Rudi Fuchs]

[Richard Rorty]

[Rutger Kopland]

[Elizabeth Loftus]

[Catherine Bott]

[Germaine Greer]

[Dubravka Ugresic]

[Debate Final]

publicado às 10:24

Futuro (16): Turner

por jpt, em 18.07.14

 

"The Fighting 'Téméraire' tugged to her last Berth to be broken up", de Turner.

 

Nota: um artigo mais extenso sobre a obra.

 

É o que me ocorre dizer, em termos prospectivos.

publicado às 15:22

Winslow Homer, The Life Line

por jpt, em 18.07.14

 

São preciosas estas colecções de filmes: a Smarthistory, da Academia Khan, com uma secção de filmes sobre a história de arte, curtos dedicados a uma obra, da qual aqui reproduzo este dedicado a "The life line" de Winslow Homer. Ou a "Os Grandes Artistas" (aqui o primeiro episódio dedicado a Bosch). E a The Private Life of a Masterpiece (acesso disponível - deixo aqui ligação para o episódio sobre Seurat).

 

É uma boa maneira para passar este fim-de-semana de inverno.

publicado às 07:29

A mensagem do Dia Mundial do Teatro 2014 agrada-me em particular. O seu autor é um provocador artista sul-africano que questiona as relações de poder que orientam o mundo pós-colonial, numa perspectiva que cruza a história e o presente.  

 

 

Srs. e Sras. eis a mensagem de Brett Bailey para amanhã (e sempre, atrever-me-ia) dia 27 de MARÇO, DIA MUNDIAL DO TEATRO:

 

"Desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação.

Debaixo das árvores, nas pequenas cidades e sobre os palcos sofisticados das grandes metrópoles, nas entradas das escolas, nos campos, nos templos; nos bairros pobres, nas praças públicas, nos centros comunitários, nas caves do centro das cidades, as pessoas reúnem-se para comungar da efeméride do mundo teatral que criámos para expressar a nossa complexidade humana, a nossa diversidade, a nossa vulnerabilidade, em carne, em respiração e em voz.

Reunimo-nos para chorar e para recordar; para rir e para comtemplar; para ouvir e aprender, para afirmar e para imaginar. Para admirar a destreza técnica, e para encarnar deuses. Para recuperar o folego coletivo, na nossa capacidade para a beleza, a compaixão e a monstruosidade. Vive??mos pela energia e pelo poder. Para celebrar a riqueza das várias culturas e para afastar as fronteiras que nos dividem.

Desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação.

Nascido na comunidade, veste as máscaras e os trajes das mais variadas tradições. Aproveita as nossas línguas, os ritmos e os gestos, e cria espaços no meio de nós. E nós, artistas que trabalhamos o espírito antigo, sentimo-nos compelidos a canalizá-lo pelos nossos corações, pelas nossas ideias e pelos nossos corpos para revelar as nossas realidades em toda a sua concretude e brilhante mistério.

Mas, nesta ERA em que tantos milhões lutam para sobreviver, está-se a sofrer com regimes opressivos e capitalismos predadores, fugindo de conflitos e dificuldades, com a nossa privacidade invadida pelos serviços secretos e as nossas palavras censuradas por governos intrusivos; com as florestas a ser aniquiladas, as espécies exterminadas e os oceanos envenenados.

O que é que nos sentimos obrigados a revelar?

Neste mundo de poder desigual, no qual várias hegemonias tentam convencer-nos que uma nação, uma raça, um género, uma preferência sexual, uma religião, uma ideologia, um quadro cultural é superior a todos os outros, será isto realmente defensável? Devemos insistir que as artes sejam banidas das agendas sociais?

Estaremos nós, os artistas do palco, em conformidade com as exigências dos mercados higienizados ou será que têm medo do poder que temos para limpar um espaço nos corações e no espirito da sociedade, reunir pessoas, para inspirar, encantar e informar, e para criar um mundo de esperança e de colaboração sincera?"

 

Tradução: Margarida Saraiva; revisão EV; Escola Superior de Teatro e Cinema

 

Foto retirada da performance 'Exhibit B', produzida pela companhia dirigida por Brett Bailey, a 'Third World Bunfight'.

Ver a página da Third World Bunfight aqui.

 

VA

 

publicado às 15:54
modificado por jpt a 27/3/14 às 17:34

O Artista está Presente

por VA, em 14.03.14
Com os desejos de um bom fim-de-semana, deixo-vos um fragmento da perfomance “The Artist is Present” que Marina Abramovic preparou para o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) na temporada de 2010.

Durante 716 horas, Marina Abramovic sentou-se numa pequena mesa, no átrio do MoMA e, sem reagir ou falar, fixou os visitantes que eram convidados a sentarem-se à sua frente.

A performance fez parte da retrospectiva sobre a artista que abarcou os 40 anos de performances, fotografias, instalações e vídeos concebidos por Marina Abramovic.
Para vivenciar a experiência e partilhar o espaço com a artista de origem sérvia, milhares de pessoas enfrentaram horas em longas filas de espera, chegando mesmo a pernoitar em frente ao museu. Uma vez em frente a Marina Abramovic, os visitantes não podiam comunicar com a artista mas o tempo que estavam sentados dependia apenas da sua vontade.

Até que Ulay, seu ex-companheiro, apareceu no evento sem avisar. Este foi o primeiro encontro entre os dois desde a sua separação, em 1988.

VA 

publicado às 14:44

 

 

Visitar o (paternal) Porto após duas décadas é interessante. Algo que me recomendei foi, ignorante, estrear-me no identitário (ou folclórico, vá-se lá saber) "tripas à moda do Porto". Enquanto ganhava coragem para o acto degustativo dirigi-me a Serralves, à Fundação. Ali comecei por visitar uma execrável exposição de Ahlam Shibli, um lixo propagandístico, até em arabescos neo-nazis, que decerto afagará a boa consciência das burguesias locais, portuenses, minhotas, transmontanas e até galegas. Mal disposto com a tralha (apoiada pelo Governo de Portugal, diz no desdobrável, o que me irrita sobremaneira, ainda que pense que o Estado não deve censurar as tralhas que os assalariados dos mecenas entendem apresentar) ali vista fui almoçar. Deparei-me então com um pobre bufê (pela amostra come-se mal no Porto, contrariamente ao que narra a lenda) e uma panela chic com um cartão anunciando as tais "tripas ...".

 

Percebi então que estas são arte, uma instalação contemporânea em suporte gastronómico, sobre elas avancei, em registo de performance, como o comprova a imagem acima. Para ser surpreendido, artística, gastronomica e intelectualmente, apercebendo-me de um fenómeno social que me permite mais um "paper" (aliás, artigo) sobre as dinâmicas póscoloniais nesta contemporaneidade globalizada: as tais célebres "tripas à moda do Porto" em nada diferem da vulgar dobrada "à Maputo", comida em qualquer tasca ou barraca, apenas escasseiam em picante.

 

Ou seja, para as comer não é preciso levar com o lixo "artístico" patrocinado pelos bem-pensantes portuenses.

publicado às 22:18

Após alguns meses afastada deste espaço que tanto prezo e reiniciando uma presença mais assídua, deixo-vos um fragmento do espectáculo "Hey Girl" (2007) dirigido por Romeo Castellucci.  Trata-se de um encenador, dramaturgo, artista plástico e cenógrafo italiano que, desde os anos oitenta, é um dos protagonistas da vanguarda teatral europeia.

 


 VA

(devido à mudança de servidor do ma-schamba podem encontrar todos os posts a que me atrevi anteriormente no tag va)

publicado às 00:50

Futuro (15)

por jpt, em 05.12.13

Lovis Corinth, Sansão Cego

publicado às 14:21

Futuro (14)

por jpt, em 28.11.13

Winslow Homer

 

Conservadorismo, alguns dirão ao ver lembrar este Winslow Homer e sua linha. Talvez não, resmungo eu, ao lembrar que cada um vê como quer. E estas entradas nas borrascas são cativantes. E elucidativas.

publicado às 16:30

Futuro (13)

por jpt, em 24.10.13

 

Edvard Munch,Cinzas 

publicado às 17:08

Futuro (12)

por jpt, em 18.10.13

Paul Klee, Highways and Byways.

publicado às 16:15


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