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Ídasse

por jpt, em 10.09.15

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Hoje inaugura-se na galeria da Kulungwana (na estação dos CFM em Maputo) a exposição individual de Ídasse. Estará um mês inteiro. Muito lamento não a poder visitar. Hoje, no dia chamucista, e depois, para a saborear com calma e cuidado. Sobre o Ídasse escrevi há uns tempos um pequeno texto, no dia em que ele se tornou sexagenário - esta é a primeira vez que expõe nessa sua nova condição (se é que idade é condição ...). Nesse texto lá tentei meter o meu gosto, imenso, pelo seu trabalho e, ainda maior, por ele mesmo. Mas se calhar não valeu a pena tê-lo escrito. Pois um dia tiraram-nos esta fotografia e nela está tudo o que eu quis botar através das teclas. É certo que talvez seja apenas do momento, aquele "fósforo" captado pela máquina, mas julgo que não. Ao ver-me ali muito me surpreendi, agradando-me. Pois eu, sempre tão cioso e orgulhoso da minha rusticidade, até a cultivando, não sabia que conseguia olhar para um homem com tamanho carinho, cúmplice.

 

Abraço mano, sucessos e, mais do que tudo, ídasseismo. Ou seja, sageza e grandeza. 

 

 

 

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publicado às 11:15

Os 60 anos de Ídasse

por jpt, em 01.07.15

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"Sou um aldeão" afirmou Ídasse, em entrevista que concedeu há alguns anos, decerto que falando lá no seu tão maputense bairro do Jardim, naquela rua dos Citrinos que é com ele mas não dele, que nunca homem de usurpar. Nem todos o terão percebido, muito pela placidez com que sempre engradece o que diz, homem esquivo às manias e estratégias, mais deixando correr este tempo que é a vida, sagaz como poucos.

 

Disso, dele, me lembrei há poucos dias, ouvindo Ungulani numa abrasiva tarde nos jardins da Gulbenkian, nesta Lisboa. Recordava o Khosa, naquele seu jeito de charla, nada pomposo mas todo reflectido, os caminhos da ascensão da literatura moçambicana, dos anos 1980s em diante, repetindo o que lhe ouvi algumas vezes nas mesas partilhadas de Maputo. Que à tenaz da poesia de combate, aquilo da mobilização no imediato pós-independência, se sucedeu uma nova geração, a querer falar o real, reconstruir o modo de o dizer. Bebendo em Craveirinha e no livro de Honwana, claro, só então espalhados nessa alvorada nacional. E muito nos célebres latino-americanos do tempo - dos quais, acho eu, sempre temos que retirar Borges, por causas do mundo lá dele, todo intransitivo. Porque aqueles mostravam como meter em cima do papel as formas como as gentes em seu torno entendiam e fabricavam o mundo, daí lhes terem chamado "realismo mágico". E também o Diniz Machado nos dizeres de Molero, lembrou e que a gente d'agora tanto esquece, esse que avisou os moçambicanos que se podia usar o português sem o chapéu na mão, a pedir licença. E, ainda, a pintura de Malangatana. Do pintor vinha-lhes o mergulho nas maneiras de ver, nisso das "visões do mundo" dos vizinhos, tudo contrário, todo se opondo, aos pensamentos oficiais de então, esse abjectando os "feudalismos", "obscurantismos" e "tribalismos", naquela utopia modernista a julgar que o racionalismo era essa angústia de fazer "tábua rasa" das gentes, moldá-las a regra e esquadro num algo "novo", extirpando-as do que iam sendo. 

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No início da década de 80s surgiram aqueles começos, atrevimentos mais autónomos dos então mais-novos: as primeiras colectivas de artes plásticas e a revista literária "Charrua", esta juntando quase-todos os que vêm escrevendo Moçambique desde então. Em ambos os eixos se destacava Ídasse, muito nesse caminho de olhar em torno, qual vedor e nunca como engenheiro civil, pedagogo ou advogado. Aos da escrita enriquecendo-lhes as revistas com suas obras mas também dando-lhes capas e ilustrando-lhes textos, como o continua hoje, 30 anos depois. E, muito mais, mostrando-lhes não só o que os rodeia mas como a isso atentar. Entre os companheiros das plásticas tornando-se, no seu jeito desinteressado, melhor dizendo, desapressado, no grande homem da sua geração. Talvez por ser essa desapressa que o deixa apreender como ninguém o que se passa e porque se passa.

 

Pois é assim que vai mostrando que "sou um aldeão". Não um qualquer nessa paródia da "aldeia global", ou dos pobres "glocalismos" de que se falou/falhou antes. E muito menos sob um qualquer folclorismo, como se o seu atelier fosse altar ou terreiro de "crenças" ou "usos e costumes" de umas quaisquer "boas gentes", tralhas tão apetecíveis aos da vácua "new age". Em várias formas e expressões mas, ao meu amor, mais no carvão e no acrílico, o que vem dizer é que só apreendendo o olhar e o imaginar do nosso aqui, e revivendo-o à maneira d'agora, é que podemos fruir o mundo que abarca a nossa "aldeia".

 

Ídasse é um sábio, apaziguador - até pessoalmente o sentimos, o seu convívio invadindo-nos de paz e isto sem recursos a quaisquer misticismos de pacotilha. Com profunda e única sageza convoca as concepções da "aldeia", daquele mundo tsonga do qual ele, ronga Tembe, provém. Trá-las naquela míriade de seres imaginados que nos rodeiam, míticos se se quiser. Mas não, como no antecessor Malangatana, numa deriva denunciatória dos horrores sofridos e das energias convocáveis. Nele vivemos num mundo de lagartos antropófilos e aves semagoiro, uma fauna dançarina panteão de pequenas divindades, poucopotentes, que entre nós cirandam, com e por mas talvez também contra nós, neste descaminho constante, sempre a refazermos, tropeçando. É assim que Ídasse é um sábio, filósofo na sua maneira, antropólogo mais do que nós. E o maior artista plástico moçambicano.

 

Hoje mesmo, 1 de Julho de 2015, Ídasse torna-se sexagenário. Já. Que em Maputo, sua cidade, disse se lembrem, se entreavisem os mais distraídos. O saúdem. Retribuindo o quanto ele vem distribuindo. De afecto. E sentirpensar.

 

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publicado às 09:28

Sobre Malangatana

por jpt, em 15.11.14

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José Paulo  Pinto Lobo é um leitor veterano e amigo do ma-schamba. Regularmente envia-me dádivas, que muito saboreio. Há pouco enviou-me esta, muito interessante. É um texto do escritor e jornalista João Reis sobre Malangatana, a propósito de uma exposição que o artista realizou em Macau. 

 

Aqui fica esta memória, o texto Malangatana em Macau: reflexos de uma exposição, publicado em Macau, em 1996 na Revista de Cultura.

 

publicado às 07:34

Ilídio Candja expõe em Bruxelas

por jpt, em 15.11.14

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Uma exposição do artista moçambicano Ilídio Candja - que há anos reside no Porto - em Bruxelas. Felizmente estará "afixada" até ao final do ano, ainda a poderei ver lá para os fins deste mês quando rumar ao bélgico norte.

publicado às 05:59

Sobre Reinata

por jpt, em 14.10.14

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 [Reinata, "Rainha de Mueda", c. 2011]

Lembrei-me de um texto que escrevi sobre Reinata em 2010. É um texto de ocasião mas gostei de o ter escrito, tal como gostei de ter sido jurado dos prémios FUNDAC - ainda para mais sendo um estrangeiro -, algo que acabou por provocar o texto.

Por isso guardei-o aqui, para quem tiver curiosidade.

publicado às 10:59

Sobre Malangatana

por jpt, em 24.09.14

 

 

A fotografia é de cerca de 2005, eu e Ídasse pegámos nas nossas filhas, então tão pequenas, e fomos no fim-de-semana a casa de Malangatana. Ele estava a fazer um mural, e lá trabalharam os dois enquanto as petizas calcorreavam a área e trepavam aos blocos.

 

Foi um belíssimo dia, a recordar com saudade. Por essa mesma lembrei-me que aquando da morte de Malangatana o Fundo para o Desenvolvimento Artístico e Cultural (FUNDAC) me pediu para escrever o texto que a instituição apresentou por ocasião do seu funeral. Para minha memória guardei-o aqui. É um texto de ocasião (e que ocasião!). Deixo-o como memória do mais-velho.

publicado às 21:21

Sitoe, em individual nesta semana

por jpt, em 18.08.14

 

 

Depois de amanhã, na quarta-feira ao fim da tarde, na Mediateca BCI (na baixa) inaugura a individual de Sitoe. Convém ir lá logo, pois a exposição só está até ao fim do mês. Até lá.

publicado às 20:46

Pekiwa na Kulugwana

por jpt, em 13.08.14

 

Abre amanhã a individual do escultor Pekiwa. Na Kulungwana (na estação dos CFM).

publicado às 22:52

 

 

Hoje mesmo, daqui a bocado, na Kulungwana (na estação dos CFM) acontecerá o lançamento do livro "Arte e Artistas em Moçambique: diferentes gerações e modernidades", obra de Alda Costa, autora que é a "autoridade" (mais do legítima) sobre a história de arte moçambicana. Ali mesmo acontecerá a inauguração de uma exposição da sua colecção particular, "uma colecção, múltiplas conexões". O que é muito interessante, e por duas razões: primeiro para saber (cuscar) o que alguém como Alda Costa mais reclamou para si (dentro das possibilidades aquisitivas, claro) nestas décadas de intensa actividade cultural que vem tendo; e, em segundo lugar, porque poderá ser um passo na realização de outras apresentações de colecções particulares, donas de espólios riquíssimos da arte moçambicana, desconhecida de tantos, até pela exiguidade do disponível em instituições públicas (estatais ou privadas). Espero que funcione como desafio.

publicado às 15:10

Maimuna Adam no ICMA

por jpt, em 13.05.14

 

 

Só agora é que reparo: daqui a bocado, às 17.30 horas, no Instituto Cultural Moçambique-Alemanha (ICMA) inaugura a individual de Maimuna Adam "!Toma!". Tem blog dedicado, e o projecto está aqui apresentado. Fica disponível uma semana, até dia 20. 

 

É uma semana agitada em Maputo: foram as comemorações dos 30 anos de cooperação Moçambique-União Europeia, articuladas com o Xiquitsi, temporada de música clássica, que continua a decorrer, e com o ciclo de cinema europeu, também ainda a ser apresentado. Hoje dois livros do Francisco Noa, e antes a Maimuna. Quem tiver disponibilidade que se agite ...

publicado às 14:04

(Shikhani) 

 

 (Naftal Langa)

 

 

Foi no "A Bola" que soube desta exposição "Tempo da Arte" no Camões, inaugurada pelo primeiro-ministro Passos Coelho. Logo janto com Ídasse e digo-lhe, ele a surpreender-se, "estás na Bola, é a glória", avanço-lhe, qu'isto de artista plástico no velho jornal desportivo "é a consagração de carreira", e rimo-nos. Trata-se de uma selecção da colecção do centro cultural português, obras que têm vindo a ser ofertadas ao longo dos anos por artistas moçambicanos e portugueses que ali têm exposto. E teria sido uma interessante nota para o dito jornal, lá está presente um quadro de Albertino, esse que  admirei no Boavista e resmunguei no Porto dos tempos do Pedroto. 

 

No fim-de-semana fui lá ver a exposição, que muito se justifica, pelo conteúdo e pelo olhar que permite sobre a história da instituição. Uma mostra abrangente, cerca de 30 obras, que julgo abarcar desde as actividades dos inícios dos anos 1990s, nos então "serviços culturais da embaixada", dirigidos por José Soares Martins, período a que se não estou em erro corresponde uma obra de Eugénio de Lemos, agora exposta. E se desenrola, com obras naturalmente mais recentes, correspondentes à actividade regular daquele centro, inaugurado em inícios de 1997. Com presença de artistas portugueses relevantes na interacção das artes plásticas dos dois países, como  José Júlio (o sempre dito pintor-faroleiro), José Pádua, e também já de gerações mais novas José Paiva, que durante anos animou o projecto de cooperação artística Identidades, ou mesmo Júlio Resende, que teve uma mais episódica ligação com o país. E um bom painel sobre o momento actual moçambicano, desde os mais recentes, como Morim, Simione, Tomo, Mudaulane, Filipe Branquinho (em versão não fotógrafo). E Ndlodzy, mestre escultor da sua geração, lamentavelmente muito retirado das lides.

 

E também alguns dos mais antigos, já partidos neste ocaso de uma geração de fundadores da arte moçambicana, sempre para recordar, com verdadeira saudade. O enorme Shikhani, minha preferência nacional, Naftal Langa, mestre escultor agora mesmo falecido, Samate.

 

 (Nlodzy)

 

Um painel destes merece, realmente, uma visita. E também por isso foi bom que tivesse sido inaugurado a alto nível protocolar (sim, sei que haja quem resmungue contra isso, mas não tem qualquer razão). Pois convoca a atenção para os caminhos de aprendizagem mútua e enriquecimento mútuo feito através das articulações culturais, ou mesmo da mera fruição.

 

Por isso mesmo é muito interessante, e tão satisfatório, ver esta pequena reportagem realizada pela estação moçambicana TIM (ou seja, não são meras palavras simpáticas para a RTP-África). Onde esta articulação e a sua pujança actual é saudada e elogiada, por Chiziane, Lucrécia Paco e Mia Couto. E desejada. Há espaço e vontade, para além dos economicismos, e destes modelos de desenvolvimentos produtivistas que vão grassando. Há gente, agentes culturais e institucionais. E há um intercâmbio crescente. Ainda bem. Ou, como se diz noutra língua, oxalá.

 

 

 

 

 

publicado às 22:23

Personalidade 2013 em Moçambique

por jpt, em 29.12.13

 

 

É mera superstição matemática isto de acharmos que após determinado número de dias acaba qualquer coisa, um ano por exemplo, e que devemos fazer rescaldos do que se passou no último naco de tempo, para a este impor marcas. Também é certo que a vida sem estas coisas, superstições e marcações, teria menos piada. Por isso mesmo escolho a personalidade moçambicana do ano.

 

Certo que num ano tão complexo para o país muitos poderão olhar outros redutos do social. Para mim a personalidade pública que mais se destacou foi a Associação para o Desenvolvimento Cultural Kulungwana: constante no apoio privado (ainda que não economicista) às artes plásticas, com um painel cuidado de exposições e de colaborações; muito bem sucedida na realização do Xiquitse - temporada(s) de música clássica em Maputo, algo cada vez mais sedimentado, descentralizado e com público local. Mas mais do que tudo com a belíssima iniciativa, investimento, de participar na 6ª Feira de Arte de Joanesburgo, aí apresentando uma boa exposição, “TempoRealTime”, fotografias de Filipe Branquinho, Mario Macilau e Mauro Pinto. Belos trabalhos excelentemente apresentados, numa acurada curadoria de Berry Bickle. A mostrar um caminho cosmopolita, na realização e na produção, que urge nas artes moçambicanas. E, sem qualquer hesitação, no resto das actividades nacionais.

 

Por isso aqui fica a minha vénia à Kulungwana!

publicado às 18:40

Ntaluma em Lisboa

por jpt, em 06.11.13

 

O escultor moçambicano Ntaluma tem uma individual apresentada, desde a semana passada, em Lisboa (Rua de São Bento). Para os interessados deixo ligação para página dedicada a este artista do norte de Moçambique, e representativa da tradição escultórica maconde. Pode servir como aperitivo para a deslocação à galeria.

publicado às 09:48

Individual de Ulisses

por jpt, em 06.11.13

 

Amanhã, em Maputo, na Associação Kulungwana (estação dos CFM) acontecerá a inauguração da individual de pintura "Anónimos" de Ulisses Oviedo. A vida continua.

publicado às 09:44

 

Inaugura hoje no Centro Interculturacidade (Lisboa) uma individual de serigrafias de Fernando Machiana, um artista de Matalana, lá onde brotou Malangatana, e de seguida um núcleo de artistas plásticos que vieram a constituir a modernidade moçambicana.

publicado às 09:30


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