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Quem ama, odeiaQuem ama, odeia 


Adolfo Bioy Casares é um virtuoso, e aqui surge no que julgo ser o único texto partilhado com a sua mulher, Silvina Ocampo. Uma irónica novela policial: Huberman, um médico, escritor também - e aqui narrador -, sai a um longínquo hotel de praia, para trabalho literário. Aí encontra um cenário tempestuoso e onde decorre uma assassinato, de uma sua antiga doente. Ele envolve-se na investigação, com alguma arrogância e relativa pouca pertinência e eficiência.

De toda a trama fica o sorriso da presença inicial do próprio casal autoral, que Huberman retrata como companheiros de viagem e lamentando ter-lhes dado os dados para eles lhe roubarem narrativas. De resto pouco fica: recuperando a trama policial de crime situacional, encerrado, congregando um colectivo em que todos podem ser suspeitos (na prática o paradigma Christie), há o jogo da não linearidade da narrativa, mostrando (tentando mostrar) a dificuldade de encerrar a realidade num fluxo narrativo e interpretativo.

Ainda assim o texto (1946) feneceu. Vende-se por 4 euros, e é hoje um "curio".


publicado às 23:28


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