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No feedly (39): ler blogs hoje

por jpt, em 20.08.15

blog.jpg

 

 

Da escrita mortalizada, um belo texto no Apenas Mais Um sobre a leitura de blogs, agora que eles já são nada moda.

publicado às 00:31

No feedly (14)

por jpt, em 31.08.14

 

Desde há alguns anos que há esta "mania" de dizer o 31.08 como o dia do blog. Mais um cromo para o calendário laico. Mas a haver algum dia para os bloguistas que seja este. E, como é tradição para este dia, que se anunciem outros a ler. Assim fica o postal da habitual secção "no feedly", 16 recomendações desta vez: 

 

- A angústia do desemprego, no Fio de Prumo, um texto que me diz muito, num breve já, já.

 

- "Senhora, valei-me!", no Antologia do Esquecimento, um breve resumo do agora.

 

- "Uma guerra que o século XX português tudo fez para esquecer", no Portugal e a I Guerra Mundial, lembrando o filme "João Ratão".

 

- O infame Jorge Luis Borges, no Montag.

 

- Recordação de Jim del Monaco, no Divulgando Banda Desenhada.

 

- Malangatana first years,  e também Angola 1938, outra síntese. Dois excelentes apontamentos no Alexandre Pomar.

 

- "A língua portuguesa usa capulana: provavelmente a última entrevista de Eduardo White", no Buala.

 

- O socialismo biométrico da Venezuela, através do A Origem das Espécies. Interessante, em particular se nos lembrarmos dos teóricos portugueses paladinos do socialismo chavezco.

 

- O Desnorte continua a sua melomania excepcional: por exemplo nesta memória do maestro Lorin Maazel, sumptuosa.

 

- Ainda aquilo do BES, no Corta-Fitas.

 

- "Adeus às Armas", no Delito de Opinião.

 

- "As bancarrotas que empobrecem o país", um ajuizado sobre o "comboio descendente" português, no Banda Larga.

 

- Do facebook ao bloguismo, a glorioso percurso de uma das minhas fotografiazecas, ali ao Herdeiro de Aécio.

 

- Marina e o destino, no Atlântico-Sul: sobre uma hipótese política no Brasil mas mais significante ainda pois elenca os itens programáticos considerados relevantes por alguma actualidade actual.

 

- As minhas saudades de Monchique (e do seu medronho) potenciadas neste texto, no Imagens com Texto.

publicado às 07:51

Uma década de ma-schamba

por jpt, em 03.12.13

(Fotografia do MVF)

 

Hoje, 3 de Dezembro, o ma-schamba faz dez anos. A ver se o colectivo, meio em pousio meio em pós-bloguismo, se juntará para um simpósio lisboeta na próxima época natalícia, no qual se comemore esta vetustez. Que o convívio ("estamos juntos") é o que mais conta.

 

Durante anos bloguei-o sozinho, depois acompanhado. Já me foi vício, já foi rotina. Já não é assim, mas ainda me é identitário, aquilo do jpt bloguista. Nisto correu uma década de verborreia, agora cada vez mais escassa. Neste longo tempo muita coisa mudou na internet e assim no in-blog. Mudaram, e muito, os visitantes. E surgiram outros meios de publicação (e de reprodução/"partilha") individual, muito mais interactivos e rápidos no manuseamento. Mas também de acesso a informação, sua recolecção e colecção. De facto, hoje, tendo contas de academia.edu, de instapaper, de pinterest, de vimeo, de goodreads, de paper.li, de youtube, de facebook, de twitter, do imdb e do flixster e do deezer, e sei lá mais de quê, os blogs parecem-me uma plataforma flinstoniana. Esses outros meios não são só lestos e fáceis de utilizar, como se mera vantagem tecnológica, até a desvalorizar. São mesmo preciosos. E não implicam, como se o obrigando, o abandono da leitura, o domínio da incessante partilha de slogans ou pobres imagens (o "memeísmo") , um mundo de superficialidade, como resmungam(os) alguns velhos bloguistas - talvez muito impressionados por aquele fenómeno do facebooking histriónico, o qual, já agora, também me parece em regressão.

 

Bem pelo contrário, são divertidíssimos (qualquer antigo coleccionador de cromos se delicia com o pinterest; um amante de livros mergulha no clube goodreads; os melómanos têm suportes espectaculares para se alimentarem; os imdb e flixster servirão os mais cinéfilos ou televisófilos). E são utilíssimos: o paper.li dá a cada um o seu jornal, sem perda de tempo ou subserviência aos publicitários e aos mandarins; os facebook e twitter acompanham as urgências (as catástrofes, as agitações políticas, os eventos desportivos) e os veros amigos distantes. E, também profissionalmente, o youtube e o vimeo são um manancial de palestras e documentários, o academia.edu uma excelente e vibrante biblioteca em rede, e também uma plataforma de publicação extremamente democrática. Para além do instapaper, que leva o troféu entre esta parafernália, pois é um magnífico mecanismo de leitura .

 

Com tudo isto é evidente que o (meu) bloguismo fenece. Mas não será só o meu. Nos dois contextos blogais que acompanhei a evolução foi diversa: em Moçambique a breve era blogal implicou uma mudança na palavra pública, que se tornou mais descomprometida, liberta, quebrando os monopólios editoriais e os hábitos (e temores) da auto-contenção. E também pontapeando as retóricas acacianas, que em finais de XX encontrei ainda acampadas nos jornais locais. Nos últimos anos quase tudo isso transitou, e cresceu, para um agitadíssimo facebuquismo nacional, feito verdadeiro rossio de discussão pública. Em Portugal a multiplicidade blogal foi muito maior, por óbvias razões socioeconómicas, mas os seus efeitos parecem-me ter sido menores, pois existente numa sociedade mais aberta. Ali, com o passar dos anos e a migração de muitos para outras diversões (e de alguns para a comunicação social) o tom blogal foi-se enquadrando, acinzentando por um lado, sujeitando-se por outro. Nisso tudo os blogs perderam fulgor e principalmente foi desaparecendo o tom de tertúlia, algo que muito me agradava. E também se desvaneceu aquilo que mais me atraía, o tom "punk" da escrita e da sua afixação: esse acabou, em parte também devido à ideia (e ao desejo) de qu'isto é uma sequela dos órgãos de comunicação social (não é, ponto final parágrafo).

 

Da minha década aqui fiz três colecções, daquilo que mais me interessou: a ma-schamba, que é a mais parecida com o blog, variada, sem rumo nem agenda; a Ao Balcão da Cantina e a A Oeste do Canal, com textos mais associáveis pois dedicados a Moçambique. E arrumei-as na minha conta na rede Academia (para quem as quiser ver; para a minha filha num dia futuro, se tiver paciência). Mas ainda acho piada a isto de blogar, qual catarse do fel, o apreço à escrita descuidada, Amadora, (quase) irresponsável. E assim a gente (mais eu e o camarada MVF nestes tempos) vamos aguentando as courelas.

 

Nostálgico (mas não saudosista) deixo uma memória de como se blogava há alguns anos, os "bons velhos tempos" como sempre dizem os velhos:

 

 

publicado às 00:00

The Clash

por jpt, em 02.12.13

Há já três anos fui convidado para meter um texto no Delito de Opinião. Escrevi sobre a minha experiência bloguística. Agora, por razões de calendário, lembro-me dele e aqui o reproduzo:



The Clash

  

Agradecer ao Pedro Correia este convite para escrever para o Delito de Opinião não é protocolo. É contexto do que se segue. Pois mesmo que blogo-veterano isto de meter algo num grão-blog, como o DO se tornou - o único dessa mole que consumo diariamente -, levanta logo aquela velha questão, até de algum stress, do "o que dizer a estes tipos?" - os muitos, e nisso louváveis, aqui leitores. Um imigrado treme nessas coisas, devo meter um requebro semi-tropical?, uma ponte inter-continental?, um daqui "estamos juntos"? um voo rasante sobre o onde vivo? Ou restrinjo-me à parca política lusa, também ela habitual no DO ainda que felizmente nada monopolista? E nessa hesitação, até pobreza, é o cidadão que convoco, sai-me texto sobre o aí, o aí da política. Esse aí que há anos vou sabendo fundamentalmente por via dos blogs - se exceptuarmos a fértil actividade futebolística. Então boto sobre blogs, esse "espelho da nação", pelo menos para alguns - que nesse blogocentrismo não serei o único emigrante, sei-o bem por anos de entre-bloguismo.

 

Longe vão os anos 2003-4 onde a gente apareceu desatinada a botar opiniões, frenética nas teclas, cada um pontapeando ou beijando o que que lhe ia na alma, tempos onde se afirmaram alguns manitus da opinão livre, desassombrada (idólatra que sou fiquei-me romeiro do jaquinzinho jcd, Lucky Luke do bloguismo, genial destruidor do anacletismo nacional). Os tempos foram passando e o colectivismo (nada liberal, diga-se) veio a impor-se no bloguismo, as grandes congregações bloguistas tornaram-se um must, na dita "esquerda" e na neo-dita "direita". Então o motor dessa agregação chamava-se blogómetro, que os sonhos de teclistas lisboetas (e, vá lá, portuenses) eram o de destronar, abruptamente, José Pacheco Pereira do papado bloguista. Formaram-se e reformaram-se ene blogs evangelistas, de porta em porta, arengando os respectivos profetas. Era engraçado, naveguei então nesse encapelado mar de links, sentindo-me em casa - entenda-se, vivo num país [Moçambique] cuja grande revolução da actualidade é a monoteísta, são omnipresentes os profetas e profetismos, as igrejas e correntes "africanas", a evangelização e a coranização (coisas de que não se fala na RTP-África, mas do que se poderia esperar daqueles funcionários públicos tão dependentes do senhor secretário de estado do momento?). In-blog, chegado a casa, era quase como estar lá na rua, nos distritos (no mato, dizem os de fora), ouvindo o "alá é grande" "deus nosso senhor tudo pode" e essas coisas. Claro que aí Zizek ou Hayek (ou Hayeck?, para recordar a mais profunda discussão teórica de quase uma década de bloguismo em Portugal) eram os profetas ministrados - enquanto uma minoria, aquela burguesia que vive nas vilórias, libertada do jugo das machambas e já em casas de alvenaria, falava em Blair como reencarnação do bem.

 

Entretanto o Paulo Querido vendeu o weblog.com.pt e o blogómetro perdeu alguma panache. Ainda por cima ninguém - nem mesmo os jornalistas lisboetas, frutos do caldeirão Frágil-Jamaica/Tokyo  - conseguia deitar abaixo o jpp do pedestal quantitativo. Adivinhava-se a crise, um desgaste do ânimo. Mas alguma blogo-esperança renasceu quando Vasco Pulido Valente e Constança Cunha e Sá irromperam, imperiais até, no bloguismo. Para se retirarem - num dos mais (ou mesmo "o mais"?) ridículos episódios dos anos 00 lusos, uma pequenez medonha - no dia seguinte a ultrapassarem o sitemeter abruptal. Mas pelo menos tiveram o efeito (o mérito?) de apear o blogo-top como meta-mor.

 

A partir daí, e enquanto o próprio país ia deslizando, e talvez também por isso, algo foi mudando.  Alguns raros individuais encanecidos continuaram, adaptando-se ao tom da época, cada vez mais beligerantes ao serviço da "sua majestade" de cada qual. Os super-blogs mantiveram-se, algo voláteis pois mutantes de nome, com transferências até sonantes qual mundo da bola e, de quando em vez, entrezangas prenhes de inter-links, cheias de sub-textos e private angers, tudo isso em crescendo de alinhamento que neles cada vez mais suava o agendismo. O bloguismo-punk morrera há muito, o blogo-rock envelhecia em espasmos e fomos nós, incautos (?!) leitores, sendo encerrados no top of the pops. Com os ciclos eleitorais a indústria desceu à rua e tomou, definitivamente, conta do assunto e no pacote de gabinetes do pró e do contra se foi formando um regime profissionalizado, penteado, no qual ao clic-clic de entrada já se sabe o que esperar, vai-se à missa in-blog para se reafirmar as certezas quais escalfetas. O actual Festival da Eurovisão parece não perder audiências [fui ver o velho blogómetro antes de botar isto, confere ...] mas é óbvio que os maestros, cantores e jurados [nem mesmo o Eládio Clímaco e a Ana Zanatti] não percebem que a obesidade advém via google search: quanto mais "arquivos" tens para trás mais gente te chega ao engano, é o verdadeiro teorema bloguístico.

 

E ficou um mundo de gente trabalhando in-blog, uns cara destapada outros nem tanto, não lhes vão cair os patrões na lama. Dos pacotes de assessores ou não, proto ou ex, brotaram alguns. Assim feitos "Lisboa" muitos discutem, veementes, quem é quem, de onde vêm, com quem jantam ("eu jantei com A, ele existe" "eu ensinei X a blogar, e em minha casa" e, um must, "eu tirei esta foto a V que por acaso se percebe mal na foto mas - estão a ver? - ele existe""), um "quem" "são" "esses" "alguns" que é forma, ladainha, de ir tentando comprovar que o tudo isso, a tal "Lisboa", sempre vai existindo. No fundo, no debate pró ou inpró-nomeação julgam-se nomenclatura. Entretanto, lá longe, a gente da net, essa que em tempos alimentou via clic-clic a quantidade de blogs que foram florindo, já lá não está. Pois encontra-se, noite fora, nestes pós-bloguismos do youtube/facebook, gente com nome e de fotografia espetada no "perfil". Enquanto o tal pacote "convicto" não imigra para cá, trazendo o "remoquismo" que lhe é alma, andamos noutra, a "gostarmos" uns dos outros,  Uns a ler. A ver. A ouvir. Outros a meter. The Clash, hoje:




publicado às 13:38

Onomatopeias

por jpt, em 30.06.13

 

Paulo Pinto Mascarenhas, bloguista e animador de blogs, diz e parece-me que acerta, que "o Facebook e o Twitter já quase mataram os blogues". Elísio Macamo, que foi bloguista, usa o Facebook para deixar textos sobre Moçambique, e nisso provoca debate. São textos para aí com 2 páginas A4, coisa de 5000 caracteres (meia página de jornal, mais ou menos). E alguns leitores queixam-se, resmungam, que os seus textos são longos, cansam-se. Porfírio Silva, que é bloguista, sente-se solidário e aconselha aos que no Facebook escrevem textos longos a que "façam parágrafos, coloquem linhas de intervalo. Ajuda a leitura. E, por essa via, a compreensão.".


Não venho com a ideia de que nos blogs habita (habitou) a virtude. Houve de tudo, mas o mais interessante é que há (ou houve) palavra pública livre, nisso expressando as reflexões possíveis a cada um de nós. Pego nestes três exemplos que denotam como ela agora se constrange, amarfanhada nos contextos dominantes. Na vertigem do clic-clic/scroll down os leitores impacientam-se com os textos "longos" que na realidade são curtos. E naqueles recantos, ditos "estados", entre o espaço acabrunhado e o número limite de caracteres, nem sequer os que escrevem um pouquito o fazem (ou sabem fazer) de modo legível, iletram-se.


As "redes sociais" são instrumento de mobilização? Sim, como (re)mostra o actual caso brasileiro. Mas há mais. Nelas reina o mero meme? Sim, mas não só.  Também, e principalmente nas questões políticas, o texto curtíssimo vence, em meras invectivas, aquilo que dantes se chamavam "bocas". Alguns jornalistas (alguns destes meus conhecidos, amigos), até (ex?)bloguistas, mas não só, são nisso expoentes, coleccionam os "gostos", e até as "partilhas", que são caixas de ressonância - quanto mais "likes" recolhem, mais "tocados" são, mais difundidos surgem.

 

É o reino da onomatopeia intelectual. Cada vez mais pobre. Cada vez mais sonoro. "Participado", acham.

publicado às 00:53

O fim dos blogs?

por jpt, em 09.06.13

 

Talvez não já já, mas a parecer cada vez mais perto. Uma década de actividade, grosso modo, bem animada. Mas o encerrar das ferramentas mais generalizadas parece-me ser sinal de uma decadência do uso deste brinquedo. O final do Google Reader, que é justificado pelos proprietários não só por questões tecnológicas mas também  pelo declínio do seu uso parece um sinal comprovativo, ainda que o GR não sirva apenas para blogs. [Eu substituí o sistema por uma conta Feedly]. Pois o serviço era icónico para os bloguistas. Como também é o contador Sitemeter, em tempos adoptado pela generalidade blogal, mas nos últimos tempos abandonado pelos proprietários e com constantes quebras de serviço. Assim mostrando que o assunto "já era", que não é apetecível.

 

Para onde irão (iremos) os bloguistas, onde faremos o nosso radioamadorismo? O cacofónico facebook, que tudo engole qual buraco negro, não me parece a opção. Por ser muito dado ao "memeísmo" imediatista - nos blogs faze(ia)m-se ligações, e até comentários, ao lido e apreciado, no facebook fazem-se "partilhas", mero clic-clic muito menos ponderado ou selectivo. E pelas próprias características de apresentação. 

 

Talvez surja uma aplicação, um blogbook. Ou a gente irá perorar para algum outro sítio.

publicado às 08:21

Simpósio

por jpt, em 20.03.13

(Fotografia de Helena Ferro de Gouveia)

 

Helena Ferro de Gouveia, consóror bloguista, veio a Maputo e conta como foi a sua permanência em curta missão de trabalho. E tem a simpatia de referir o simpósio blogal que por cá aconteceu. Ficamos à espera da próxima vez.

publicado às 22:44

Blogs do ano transacto, no Aventar

por jpt, em 14.01.13

 

Já abaixo a referi, a boa onda do Aventar. Já o ano passado organizara um concurso semelhante, agora reincinde, apesar da trabalheira que um coisa destas origina para os bloguistas da casa: a escolha dos blogs do ano 2012, classificados em várias categorias. O colectivo Aventar escolheu um esquema democrático, quem quis inscreveu os blogs da sua preferência (ou os próprios). Agora vota-se (e pode-se votar todos os dias uma vez, sem purismos eleitorais, esses que deixam que os "espertos" informáticos se multipliquem em votos "robôticos" diante do espanto alheio, surpreendendo os incautos praticantes do voto único - como aconteceu da primeira vez que o Mourinho foi eleito treinador do ano pela FIFA, "se bem me lembro"). É uma blogo-festa, a congregar parte daquilo que por meados da década passada se (auto)chamava "comunidade bloguística" (bloguistas e seus leitores), toda a gente a cruzar elos ("links") e a vasculhar em busca de cenas dos seus interesses.

 

O concurso teve um problema informático, tantas foram as inscrições (boa, há imensos blogs) que desapareceram as ligações aos blogs a concurso (em última análise a coisa mais importante deste tipo de festas bloguísticas, pois divulgam os blogs que vão surgindo e/ou sobrevivendo). Por isso foi suspenso, o modelo reparado e desde hoje que está outra vez a funcionar.

 

Um leitor amigo do ma-schamba (e meu amigo real - para o ano inscrevo-o eu), também ele bloguista veterano, inscreveu-nos na versão "blog generalista". Os visitantes que queiram ajudar na divulgação destas hortas poderão votar aqui. Agradecerei, na expectativa de chegar ao Tourmalet no meio do pelotão, assim atingindo a suprema vitória: evitar o carro-vassoura.

 

E os mais ligados a Moçambique poderão votar na categoria blog estrangeiro em língua portuguesa, (mais)divulgando o vizinho Diário de um Sociólogo, essa já instituição do grão-bloguista Carlos Serra.

 

jpt

publicado às 11:54

Blogs do ano (transacto)

por jpt, em 09.01.13

Boa onda a do Aventar. Já o ano passado organizara algo semelhante, agora reincinde: a escolha dos blogs do ano 2012. E num esquema muito democrático, cada um inscreve quem quer e depois vota-se. Muito simpático (e ainda por cima aquilo deve ser uma trabalheira), é forma de se conhecerem blogs. E é aquilo que há muitos anos se falava, aquela coisa da "comunidade bloguística", da gente cruzar elos (aka "links"), descobrir outra gente e dar a conhecer.

Vou lá votar, que a votação já está a decorrer.

jp

publicado às 09:09

Antes do Dia de Reis

por jpt, em 04.01.13

Até ao Dia de Reis está o presépio montado, e também a "árvore" de plástico. E se dão prendas. No nosso caso começa bem o ano, recebendo uma simpática prenda, dada pela Ana Cláudia Vicente, no Delito de Opinião - mais saborosa pois escasseia hoje em dia este tipo de entrecruzamento de blogs (os elos, que tantos teimam em dizer "links"), algo que há alguns anos foi estruturante no mundo do bloguismo.

A gente agradece.jpt

publicado às 04:56

Teclados de aluguer

por jpt, em 04.01.13

É um dos dois filmes da minha vida, este Os Sete Magníficos, de John Sturges. Vi-o no Verão de 1972, no cinema de São Martinho do Porto, naqueles meus oito anos foi a minha excitadíssima primeira sessão nocturna e o meu primeiro filme adulto, levado pelo meu irmão João e sua mulher. Só muitos anos depois o soube réplica de Sete Samurais, de Akiro Kurosawa, e só o voltei a ver - nesses já longínquos tempos pré-vídeo - no início dos 1980s, numa emocionada sessão no Apolo 70. Ficou-me para sempre o fascínio, cultor de westerns, todos eles por maiores que sejam apenas chegados depois deste.

A história é simples: uma aldeia mexicana vive oprimida por bandoleiros, que ciclicamente saqueiam as parcas posses dos aldeões e os aterrorizam. E ali se decide contratar pistoleiros, americanos, para enfrentar os bandidos. Atravessado a fronteira é contactado um veterano (Yul Breyner) que organiza um grupo, apesar da ridícula remuneração proposta e da dificuldade da missão. Depois surge o combate entre o bem e o mal, e um bom fim. Mas há mais. Sempre dali retirei a noção da falsa liberdade dos mercenários (os míticos pistoleiros). Os seis veteranos surgem - uma galeria individualmente apresentada - alquebrados, varridos pela miséria, pela inexistência de objectivos, pela doença, pela angústia, pelo alcoolismo, pela mitomania. Ou pela indiferença. Símbolos da virilidade, de uma aparente liberdade, mas devastados. Por isso se embrenham nesta até paradoxal missão, quase (?) suicidária, em prol de camponeses, e se estes na sua humildade sedentária surgem já por si desprezíveis na cosmologia aventureira, quanto mais o são na sua condição de católicos hispânicos. Neste quadro que buscam estes mercenários, estas armas de aluguer, que não seja a remissão? O apagar, temporário que seja, da culpa? A culpa do que fizeram e, mais do que tudo, a culpa pelo que não têm, não alcançaram, não realizaram?

Tudo se sublinha no final quando o jovem debutante (Horst Bucholz) , que suplicara a inserção na carreira, e que se apaixonara na aldeia, hesita na partida. E como os dois outros sobreviventes, Yul Breyner e Charles Bronson - eles próprios ícones de uma supra-masculinidade heróica, e rostos que décadas depois se diriam "multiculturais", assim denotando a universalidade das questões que simbolizam -, o despedem, uma secura carinhosa do "vai lá", para os braços da amada. Deste modo anuindo, aqueles mercenários cansados, que a vera coragem é aquela, a da quotidiana monotonia, do amanhar a terra, prender-se à machamba, ombrear uma única mulher. Nisso, nessa aparente mediocridade, ser senhor de si mesmo, mesmo que de chapéu roto nas mãos, trémulo diante do opressor.

No "Os Sete Magníficos" fica expresso que até do fim da escala se pode esperar algo transcendente. Desse fim, dessa gente mercenária, brotou algo. Esses que sempre abaixo das prostitutas - e quão bem são elas elevadas no mundo da aventura e do western, por vezes surgindo gastas, bebidas, engordadas, até histriónicas, outras sublimes símbolos de mulher. Muito mais tarde chegou Unforgiven, de Clint Eastwood, já em regime de obra-prima, também sobre a remissão da culpa, e contendo um louvor à mulher-prostituta. Mas sempre fica explícito, apesar do mito do "gunman" que é ele o sopé da escala. Principalmente quando sob contrato. Pior do que isso, apenas é o mercenário "freelancer", apontador de outros, perseguidor de outros. Incapaz de se alcandorar acima de si mesmo.

Esses meus tempos eram também do Tintin semanal, e dos álbuns de BD. Então reinava Goscinny, o génio que nos foi amputado pela cruel morte precoce, o qual dialogava como ninguém com o imaginário cinéfilo, com o "mundo das aventuras". Foi a época do extraordinário "O Caçador de Prémios", aventura de Lucky Luke:

O mercenário, a arma a soldo, e o pior deles todos, o "freelancer" que busca o prevaricador, o "caçador de prémios", é este. Pode, caso seja necessário, em urgência, cavalgar com os outros, até a isso ser convocado, arma extra para minorar défices. Mas, e como acontece aqui a Elliot Belt, não bebe nem come com os "homens bons".

É este o destino dos teclados de aluguer.

Por isso, e apesar de tão louváveis e estimáveis parceiros que lá tive, e de tanto gostar de ali residir, e de tão urgente me parecer escrever sobre o meu Sporting, tanto me irritei no És a Nossa Fé!. E de lá saí. Não para cavalgar solitário rumo ao ocaso. "Apenas" de regresso às machambas, à aldeia. Onde só mora gente livre. Deixo aqui o meu abraço a esses dignos parceiros, em especial ao Pedro Correia, que em tempos me "contratou" para essa ... plantação.

jpt

publicado às 04:43

Produtos para blogs

por jpt, em 17.11.12
(encontrado, claro, no facebook).

publicado às 21:25

Há já semanas que os apagões se sucedem, cada vez mais duradoiros. O que aconteceu ao sitemeter, nosso veterano companheiro nas coisas da contagem e identificação de tráfego?. Faleceu? Está terminal?

Confesso. É que depois de há anos ter morrido o Technorati, agora sem sitemeter sinto-me um bloguista náufrago. Para não dizer orfão.

jpt

publicado às 21:03

USA (romney / obama)

por jpt, em 05.11.12

Há quatro anos eu lia muito mais blogs. Havia mais blogs interessantes. E não tinha facebook, esse rossio d'agora, a likeland do memeismo, minha novela diária, e que também me desvia dos blogo-escritos.

Mas ainda assim dá para comparar. Há quatro anos foram meses de intelectuais e ideólogos usacentrados, um afã quotidiano, um frisson sobre as eleições. Nisso recentrando, à "esquerda" e à "direita", o debate político europeu em termos americanos, em símbolos americanos, em slogans americanos, em chacha americana. Certo que Bush acabava e Bush era o que era. Certo que Obama vinha aí e o apelo do mulato demagogo era interessante, mais que não fosse para diminuir essa paneleirice das raças e dos racismos.

Agora, quatro anos depois, percorro os blogs portugueses que se vão mantendo. E agora a esses intelectuais e ideólogos falta-lhes o afã. Nada de usacentrismo, tão pouca atenção. O mundo mudou. Mas muito menos do que pode parecer, tudo já cá estava, e tonitruante, há quatro anos. Mas custava(-lhes) a reparar. Por isso a "rave" de então.

Coisas da optometria.

Não há dúvida, por clics e likes que ainda vão havendo, que lhes é

(Pois, como li um dia, há décadas, "sou republicano mas se a Joan Armatrading fosse rainha eu seria monárquico".)jpt

publicado às 09:30

Antologia do Esquecimento

por jpt, em 18.10.12

Aqui o hmbf explicita a razão pela qual eu penso, desde 2004, que é ele o melhor bloguista português. Ou seja, independentemente do que discordo ou deixo de discordar, aprendo ou me canso, o tipo, num país afogado, teima em aguentar-se com a cabeça acima da água. É de homem. Com fôlego.

jpt

publicado às 01:55


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