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Referi abaixo este Moçambique. Imagens da Arte Colonial, livro organizado por Fernando Couto e editado pela Ndjira em 1998. A obra reproduz 86 fotografias do espólio de Carlos Alberto Vieira, fundamentalmente dedicadas a obras arquitectónicas, monumentos, algumas vistas aéreas urbanísticas e arte sacra. Se a selecção não é exaustiva cobre o país [17 fotos de Maputo, 2 de Zavala, 2 de Xai-Xai, 2 de Inhambane, 4 da Beira, 2 de Quelimane, 10 de Tete, 2 de Angoche, 2 de Nampula, 32 da Ilha de Moçambique, 4 da Cabaceira Grande, 5 do Ilha do Ibo, 1 da Ilha da Quirimba, 1 de Pemba].

 

Não sei se ainda estará disponível - na altura a edição atingiu 1500 exemplares, número aqui apreciável. Mas será, com toda a certeza, interessante recuperar a obra, introduzindo-lhe o que então foi impossível integrar, uma identificação mais completa das obras apresentadas - autoria e data da instalação das peças, datação das fotografias. Com toda a certeza um projecto nada irrealizável. E que em nada choca com as recentes edições em Portugal de livros sobre o espólio do fotógrafo Carlos Alberto Vieira, tanto porque são estes de maior abrangência temática como pelo facto de também essas edições não apostarem na identificação exaustiva dos objectos retratados.

publicado às 17:52

Carlos Alberto

por jpt, em 06.05.06

Deste "Recordações de Lourenço Marques", livro de fotografias de Carlos Alberto Vieira (Lisboa, Alêtheia, 2005) sobre a Lourenço Marques colonial (imagens recolhidas entre 1945-1975), já o Eduardo Pitta disse de sua justiça. Um álbum pobremente editado. (Convém mesmo ler o texto de EP). Apenas sublinho o penoso que é ler o seu preâmbulo, redacção chorosa que desmerece o património fotográfico que se lhe sucede.

Ainda assim o livro chegou às livrarias, está aí à venda, e justifica-se. Uma memória da cidade e de um grande fotógrafo. A Lourenço Marques branca ali deixada. E, assim, também memória de um olhar. Delimitado e delimitador. Coisa do seu tempo? Decerto, mas se então total espartilho do fotógrafo se hoje dos actuais organizadores, apenas "recordando", não o sei.



Em 167 páginas (as fotografias não estão nem datadas nem numeradas) realça-se a total ausência da outra Lourenço Marques, a não-branca. Do "todo o resto", como se então insignificante, sobra esta (pobre) fotografia e uma vista aérea de um trecho de caniço. Mas também muito pouco surge para além do registo do centro típico, paisagístico, monumental. Ou seja, a cidade-burguesa, o cerimonial oficial, o cartaz turístico/identitário, muito "aqui também é Portugal" - tudo isso é interessante, muito interessante mesmo, fundamental para quem quer conhecer ou recordar. Mas terá sido só isso que Carlos Alberto recolheu na cidade? Onde andarão fotos de Malhangalene ou Alto-Maé, p.ex.? Pois assim a sociedade branca (e o seu urbanismo) está também ausente do livro - é uma recorrente cosmética, a sociedade colonial como se homogénea: o idílico colono, em tons "africanos", desprovido de conflitos, hierarquias e diferenças. Elucidativo da lente. Repito, se de então se de hoje fico na dúvida. Esta causada pelos estreitos critérios de selecção de fotografias e/ou por inexistência de texto explicitando que critérios assumidos e enquadrador, tanto da obra do fotógrafo como da agora selecção realizada.

publicado às 08:41

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As fotografias abaixo colocadas foram reproduzidas deste A Nossa Energia Abraça Moçambique. Edição comemorativa do 25º Aniversário da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Lisboa, HCB, 2000 [texto de HCB e João Pedro Chaby; fotografias de Carlos Alberto Vieira, Eduardo Gajeiro, Guy Tillim]

Um livro objecto algo deficitário, note-se. Um texto institucional em demasia, perdendo a hipótese de uma reflexão mais vasta sobre o processo decisório e executivo da construção da barragem, bem como do enquadramento no plano colonial (serôdio) de desenvolvimento do vale do Zambeze. E também sem grande detalhe na relativa centralidade da barragem durante a guerra civil. Não quero exagerar nas críticas, o livro é comemorativo, mas ainda assim algo de menos formal poderia ter ali germinado.

Pior ainda, o tratamento gráfico. Uma capa pouco explícita. Uma legendagem lamentável, confusa, incompleta e tantas vezes não datada. Uma paginação penosa, atafulhada de imagens, tudo típico de quem não sabe editar fotografias. E, imagine-se, estas não identificadas. É preciso ir saber fora quem fotografou o quê: Gajeiro ou Carlos Alberto? Surreal mesmo um capítulo "Iconografia", tipo "As gentes da albufeira" entre a capulana garrida e a maminha ao léu, uma busca do "típico" que seria anacrónica se não fosse mero mau-gosto totalmente descabido nos dias de hoje. [Já agora, os construtores da barragem não surgem, não são eles também "gentes da albufeira"? Ou não foram fotografados?].

E para que não se diga que exagero aqui fica este fragmento da "Nasce o dia em Cahora Bassa", uma pirosice é certo. Mas foto a merecer mais do que ser deixada em duas páginas completas e onde a mulher, ali cerne, está exactamente na divisória. Quase-invisível, como é óbvio, coisa que seria do mais amadorismo se não fosse mesmo apenas desprazer no trabalho.

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Ou seja, seja a administração que em breve irá cessar, seja a próxima, bem poderão deixar memória destes primeiros trinta anos de barragem num livro que lhe faça justiça. Diz quem gosta de livros, claro.

publicado às 11:03

Cahora Bassa

por jpt, em 07.11.05
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1. Vista geral da zona de construção da barragem (s/d).2. Escavações e betonagem dos encontros e fundação da barragem (s/d).3. Barragem. Ponta da cheia em Março de 1974.4. Betonagem dos blocos e vista da ensecadeira da tomada de água Norte (s/d).5. Descarregadores abertos (Dezembro de 1974).6. Vista da barragem com descarregadores abertos (Dezembro de 1976).

publicado às 11:00

Praça

por jpt, em 08.09.04
Em comentário recente a IO, amiga da casa, dizia que apesar da sua memória afectiva de Lourenço Marques e da sua Sé não gostava da Praça.



Pois...ei-la, no seu estilo magestático, o ritual do Império. Ao cimo o então Palácio da Câmara Municipal (hoje Conselho Municipal), a seu lado a Igreja protectora, no centro Mouzinho, a enigmática personagem que a necessidade de mito tornou Conquistador. Ali altaneiro protegendo a Baixa (então coração) da Cidade - o Marquês de Pombal em África, impossível não associar.

Tudo isto olhando o braço de mar e, para lá, a terra dos Tembe.

Hoje Mouzinho repousa, digno, ao fundo da avenida, no centro da Fortaleza pastiche. E a Praça leva o nome de Independência.

[Fotografia de Carlos Alberto, retirada de Fernando Couto (coord.) Moçambique. Imagens da Arte Colonial, Maputo, Ndjira, 1998]

publicado às 10:45


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