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Na despedida de Mário Crespo,

por jpt, em 27.03.14

 

comovidíssima, comovedora até. Na qual, e também por isso aqui a partilho, deixa uma palavra recordando Carlos Cardoso, jornalista moçambicano, aqui assassinado no princípio deste século.

publicado às 15:50

Carlos Cardoso

por jpt, em 06.11.12

Quando cheguei a Moçambique, em finais de 1990s, razões profissionais logo me fizeram conhecer Carlos Cardoso, editor de "O Metical". Tal como a vários dos seus colegas e amigos. Contrariamente ao acontecido com alguns desses nunca tive qualquer relação com Cardoso, apenas alguns acenos, quanto muito meia-dúzia de quase-mudas saudações. Tinha a consciência de que eu lhe seria totalmente indiferente, quanto muito apenas algo, distraída e superficialmente, antipático. Do meu lado, confesso, bem distante, não tinha por ele qualquer empatia. Pelas suas idiossincracias. Não gostava do jornal dele. Não gostava de o ouvir falar. E não tinha afinidades ideológicas.

Sei que dos mortos sempre se exageram elogios e qualidades, se inventam proximidades e comunhões. Não o faço, nem o farei neste caso. O homem não me era simpático. E de mais elogios não precisa. Talvez, sim, talvez, seja conveniente lembrar os que já teve, e bem mereceu: incorruptível, corajoso destemido, vertical, frontal. E solidário. Se assim foi para quê inventar outros, fingir irmandades? Fica-me, mais de uma década depois, o respeito por um tipo do caraças - e a memória da comoção que o seu assassinato me causou, do respeito emocionado pelas corajosas palavras de Mia Couto no seu velório, como que lhe pegando no "testemunho".

E também muito a memória da profunda reacção popular. Na sua morte, no seu funeral. No depois, nos cartazes nos "chapas", nas ruas. E, mais depois ainda, nesse extraordinário caso sociológico que foi o julgamento dos acusados do seu assassínio, as sessões transmitidas em directo pela rádio, pela tv, um caso de transparência, talvez algo estranho para este estrangeiro europeu habituado a outros usos jurídicos, mas que tanto se impunha então. E no que se via andando pelas ruas do país, o povo em torno das tvs públicas, de rádios portáteis feitos fogueiras, ouvindo horas a fio, dias sobre dias, as alegações. Sobre o assassinato de um dos seus, talvez um dos melhores dos seus.

Tudo isso me irrompeu quando agora mesmo uma amiga me envia uma mensagem. Para que fosse eu ao facebook ver o perfil de um dos seus assassinos. Carregado de elogios. E de ligações, e tantas delas que me são comuns (pois o número destas muito me cresceu por via do blog). Presumo que muitas daquelas ligações derivem de mera curiosidade. Mas espantam-me. Magoam-me. Mesmo que sejam só por isso. E não só pelo que contradizem desses outros tempos. Apenas um "como é isto possível"? E assim boto isto. E vou para o facebook. Limpar essas minhas ligações ("amizades").

E pensando que então, in illo tempore, deveria ter tido "espaço" mental para parar, e  beber um copo, fumar umas coisas, com o Cardoso. Pois nunca convém andar muito depressa, e ter muitas certezas. Mas isso só a idade é que ensina. E faz assentar.

jpt

publicado às 16:03

ainda os tumultos de Maputo

por jpt, em 14.02.08

Hoje

aromas chamanculos

politizam os fogões

da polana

 

 

["Primeiro aniversário" (1977) em Carlos Cardoso, Directo ao Assunto]

publicado às 15:15

Mia Couto sobre Carlos Cardoso

por jpt, em 22.11.07

 

"Cardoso era um defensor da fronteira que nos separa do crime, dos negócios sujos, dos que vendem a pátria e a consciência. (...) O sentimento que nos fica é o de estarmos a ser cercados pela selvajaria, pela ausência de escrúpulos dos que enriquecem à custa de tudo e de todos. Dos que acumulam fortunas à custa da droga, do roubo, do branqueamento de dinheiro e do tráfico de armas. E o fazem, tantas vezes, sob o olhar passivo de quem devia garantir a ordem e punir a barbárie."

 

(Mensagem na cerimónia fúnebre de Carlos Cardoso, Maputo, Novembro de 2000)

publicado às 06:36

Carlos Cardoso

por jpt, em 22.11.05

[Carlos Cardoso e o filho, Ibo. Fotografia de Ricardo Rangel]

Reproduzido de Paul Fauvet e Marcelo Mosse, É Proibido Pôr Algemas Nas Palavras. Carlos Cardoso e a Revolução Moçambicana (Maputo, Ndjira, 2003).

Cumprem-se hoje 5 anos (já!) do assassinato de Carlos Cardoso. Às 18 h. haverá homenagem no local do atentado. Até logo.

publicado às 17:57

Embondeiro

por jpt, em 10.06.05

A propósito do meu embondeiro a blogoamiga L. colocou-me nos comentários (enquanto prepara o regresso do seu Fazendo Caminho) este poema de Carlos Cardoso - inacreditavelmente profético

RUTH FIRSTIsto dos mortos não falaremnão sei.é que de certos mortoscostumam nascer embondeirosde raivano capim da hesitação.

[Para quem não saiba, Ruth First foi dirigente do Partido Comunista da África do Sul, tendo sido assassinada em Maputo, nas instalações da Universidade Eduardo Mondlane, no início dos anos 80 por meio do envio de correspondência armadilhada]

publicado às 16:58

Poesia de Carlos Cardoso

por jpt, em 10.03.05

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(Carlos Cardoso, Directo ao Assunto, Maputo, Cadernos Tempo 1985)

Hoje / aromas chamanculos / politizam os fogões / da polana ("Primeiro aniversário", 1977)

Eh!, todos aí / vamos deslobolar este país ("Discurso Novo da Mulher", 1978)

Cumprem regulosamente / a espia sobre as nossas aspirações / e chamam analfabetos / aos nossos gostos e opiniões. / São redondamente regulosos / os régulos / do carimbo (1978)

Os semi-utópicos que trazemos no peito / aqui no lado esquerdo do trump-trump da vida / e dos vulcões. / Este arsenal de guerra parado / à espera / nos discursos da nossa vontade / apenas semidita / Mas olha / não dura muito o lobolo do compromisso / nas verdades intuídas pela paixão. / Eh! escravos do slogan, / respeito. / Há sangue nosso na estrada (1977)

publicado às 12:16

Diz-me quem sabe da matéria que a Femina é a melhor revista feminina sul-africana. Neste último mês de Janeiro inclui uma entrevista com Nina Berg, viúva de Carlos Cardoso, uma memória muito pessoal da vida em comum e um pouco da personalidade do jornalista. Uma inesperada, mas forte, forma de o lembrar quatro anos já passados após o seu assassinato.E recordando (e talvez disso informando as leitoras sul-africanas) que o executor-mor, o famigerado Anibalzinho, escapou de novo, hoje preso no Canadá enquanto se espera a sua extradição (e novo julgamento) . Assim não deixando esquecer.Por razões óbvias a memória do assassinato de Carlos Cardoso associa-se sempre ao do economista António Siba Siba Macuacua, ocorrido há já três anos e meio e ainda sem apuramento de responsabilidades. Também para não deixar esquecer.

publicado às 13:55

Biografia de Carlos Cardoso

por jpt, em 11.05.04

Ainda que lhe falte o capítulo final, um anúncio tão antecipado, tão evidente, que será desnecessário parafrasear Gabriel Garcia Marquez.

publicado às 09:43


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