Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Filme de 12 minutos: L.M. em 1929

por jpt, em 19.04.15

 

Descobri agora no facebook ....

publicado às 20:57

Cinema colonial em Lisboa

por jpt, em 22.01.15

safrique.JPG

 

 

Ontem na Cinemateca (Lisboa) uma interessante sessão com quatro filmes intitulada "Colecção colonial da cinemateca". Incluiu o documentário "Um safari fotográfico nas coutadas da Safrique" (1972) e o ensaio "Streets of Early Sorrow" (1963), ambos de Manuel Faria de Almeida, nome crucial da história do cinema em Moçambique. E também Monangambée (1968) de Sarah Moldoror, e o documentário Le Portugal D'Outremer Dans Le Monde D'Aujourd'Hui (1971), de Jean Leduc. Um conjunto muito diversificado de abordagens, uma panóplia de textos e sub-textos riquíssima, entre a adaptação de Luandino Vieira ao propagandismo explícito de Leduc, uma diversidade inclusa nas obras rarissimamente apresentadas do realizador  Faria de Almeida, um percurso profissional exemplificativo dos contrangimentos sofridos pelos autores face aos poderes, em particular os autoritários.

 

Em suma, uma sessão louvável. E que espero prenunciar muitos mais mergulhos neste eixo de produção cinematográfica. O pior foi a seguir. Eu fui em grupo, tendo desafiado um conjunto de amigos, interessados nestas coisas. Outros encontrei lá. Tinha acorrido bastante público, tanto que a sala de projecção foi alterada para uma maior, que albergasse tanta gente. O que demonstra haver um público algo conhecedor da questão e bastante interessado.

 

Ora no final havia um espaço para apresentações orais, o que erradamente julgáramos "debate" (no sentido de momento conversacional). O director da Cinemateca muito bem apresentou os desejos da instituição em alargar esta linha de investigação sobre o acervo cinematográfico em tempo colonial, em articulação com os centros de investigação e as cinematecas dos países ex-colónias. E seguiram-se as intervenções de algumas investigadoras. Confesso o meu incómodo, até desabrido. Estava presente o realizador Faria de Almeida, seria natural que fosse locutor privilegiado - até em modo de homenagem, que tão raramente são os seus filmes visionados, mas não só. Qual quê! Tínhamos visto um conjunto interessantíssimo e variado de abordagens, seria normal que as discutíssemos, seus conteúdos e contextos. Mas, pelo contrário, encetou-se um processo de auto-apresentação, dos respectivos projectos académicos, como se ontem à noite fosse um colóquio, um seminário, um congresso, em suma um painel qualquer ... Não ouvi tudo, ali pelas nove horas da noite, quando uma das académicas iniciou, diante daquele público que cruzara Lisboa no fim da tarde, hora de ponta, para ir ver cinema do tempo colonial, ou seja gente interessada e sensibilizada para o assunto, a leitura de um texto sobre a "importância do arquivo" como se face a uma turma do 12º ano a necessitar de orientação profissional, a gente entreolhou-se e baldámo-nos na via de Campo de Ourique para jantar, em processo que outros incautos pós-espectadores também cometiam, cada um com seu destino.

 

Pode aparentar que estou a resmungar contra as dificuldades dos académicos, por muito competentes que o sejam, em falar fora do seu contexto profissional, em abordar o "público", com ele comunicar. Mas não é isso. Somos gerações, principalmente as ligadas às ciências sociais, profundamente marcadas pela denúncia do etnocentrismo. E um corpo cinematográfico como o visto ontem é matéria-prima magnífica para discutir o peso que esse etnocentrismo tem na configuração do mundo tal qual o vemos. Mas, e apesar do dissecar dos efeitos dessa componente intelectual não estar concluído (em minha opinião nunca o poderá estar, é obrigatoriamente estruturante, mas isso é outra discussão), é tempo de anunciarmos e reclamarmos um outro combate-crítica intelectual, e o legarmos às gerações seguintes: a luta contra o egocentrismo. Este "me, myself and I" amando o espelho, recorrente, transversal, constante. Que ontem foi pungente. A impelir-me esta antipatia, egótica sim, mas quanto muito egodestrutiva.

 

publicado às 12:11

Um domingo tropical

por jpt, em 21.08.14

 

 

Um filme de 15 minutos, de Fabio Ribezzo, cineasta (italo?-)argentino cá residente há já uma década, e que tem vindo a fabricar um trabalho muito interessante. Este seu "Um Domingo Tropical" está a competir num concurso internacional de curtas metragens (vota-se aqui). O voto é um bom pretexto para se ver o filme - um carinhosíssimo Maputo - e divulgá-lo.

 

 

 

 

publicado às 08:00

Morreu José Cardoso

por jpt, em 04.10.13

 [José Cardoso, debatendo o seu filme  "O vento sopra do norte" na UEM, numa das sessões organizadas pelo excelente Miguel Prista]

 

 

Morreu hoje, dia da paz aqui, o cineasta moçambicano José Cardoso. Deixo ligação para uma sua entrevista relativamente recente e ainda esta sua participação numa evocação da passagem de José Afonso em Moçambique. Uma interessante memória dessa época do país. Que sejam transmitidas as suas obras, é o necessário:

 

 

 

publicado às 15:44

A programação do 7º Dockanema

por jpt, em 11.09.12
(Pressionando a imagem ela engrandece).

O Festival Dockanema é já para a semana. Tenho andado distraído, e ainda não tinha notado na programação: 80 filmes serão apresentados. Chegou-me agora, e aqui fica. De notar que um dos quatro locais é na nossa Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM.

Aqui o blog do Festival, com informações relevantes. É soturno, com tendência para a invisibilidade (fundo negro, letras desmaiadas, enfim, coisa de "artista ..." que não vê que ali o fundamental é comunicar), mas é um bom instrumento para uma semana agitada.

jpt

publicado às 21:48

Cinema Moçambicano na FLCS

por jpt, em 21.08.12
 Dia 22 de Agosto | Quarta Feira10h30 Painel 4Set de FilmagemCom Sol de Carvalho (Realizador), Orlando Mesquita (Editor), Gabriel Mondlane (Sonorizador) e João (Funcho) Costa (Diretor de Fotografia) 15h00 FILMEA PARAGEMProdução Forum Kugoma, Moçambique, 2011, 8'AINDA EM BUSCA DA INDEPENDÊNCIAProdução Dockanema, Moçambique, 2010, 21'Conversa com os co-Diretores Otávio Sousa, Inadelso Cossa e Edson MahanjaneTodas as actividades deste ciclo são acompanhadas no blog Cinema na Fac. de Letras e Ciências Sociais / UEM.jpt

publicado às 02:33

O Vento Sopra do Norte, na FLCS

por jpt, em 14.08.12

Sobre "O Vento Sopra do Norte"

O Período pós II Guerra Mundial marcou o início das lutas pelas independências de muitos países de África. Portugal teimava em manter um império colonial que incluía, entre outros países, Moçambique. Entre as estratégias de manutenção das colónias os portugueses criaram uma máquina de opressão treinada para esmagar qualquer tipo de revolta. “ O vento Sopra do Norte” é um projecto cinematográfico que regista este momento da história de Moçambique. O enredo debruiça-se sobre os últimos momentos de ocupação colonial que o autor fixou e 1968. As cenas relatam o progressivo desenvolvimento da guerra de libertação de Moçambique, o sentimento generalizado de descrença, de confusão e pânico que se instalava entre os colonos e o início da fuga generalizada para metrópole. A redacção do guião levou cerca de um ano. A produção envolveu todos os técnicos do Instituto Nacional de Cinema(INC). O Filme foi financiado na totalidade pelos fundos do INC.

Um filme de José Cardoso, Moçambique, 1987, 87´

O ciclo de cinema moçambicano na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM tem amanhã a terceira sessão. O programa é:

Quarta Feira - 15 de Agosto

10h15 | Debate com Amocine | Políticas Culturais: A Lei do Cinema | Apresentado por Sol de Carvalho

15h00 | Projecção: "O Vento Sopra do Norte" de José Cardoso | Conversa com Director antes da Projecção

jpt

publicado às 11:31

Esta semana dois filmes, no ciclo de cinema moçambicano a decorrer na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM.

jpt

publicado às 00:46

Ciclo de Cinema Moçambicano

por jpt, em 31.07.12

O terceiro ciclo de cinema moçambicano começa amanhã. Na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, que desde há alguns anos vem sendo o local do cinema cinéfilo (moçambicano e não só) em Maputo, devido à constante projecção de múltiplos e diversificados núcleos e nichos cinematrográficos, e nisso criando e sedimentando um público interessado - muito disso devido ao trabalho do Miguel Prista. Amanhã tudo começa com uma intervenção de Nataniel Ngomane ("Algumas linguagens cinematográficas"), às 10.15 (Anfiteatro 1502, campus da UEM). À tarde segue-se o

jpt

publicado às 19:31

  

Durante o mês de Maio a Faculdade de Letras e Ciências Sociais prossegue a sua contínua programação cinéfila - passo a passo a FLCS tornou-se o sítio cinéfilo mais importante em Maputo. Convém referir, que é para contrariar os "apóstolos da desgraça". Agora, em organização conjunta dos Departamentos de Comunicação e Imagem e de História, decorrerá a Mostra Cinema do Chile. Serão 8 filmes de 50 à 140 minutos de duração, produzidos entre 1983 e 2010, a serem apresentados de 2 à 25 de Maio nas quartas e sextas feiras a partir das 15h30.

Os filmes correm no Cine - Anfiteatro 1502, Campus Principal da FLCS.

jpt

publicado às 01:28

O Gotejar da Luz

por jpt, em 26.04.12

 

Nestes últimos dias tenho-me lembrado bastante do filme O Gotejar da Luz. Já com uma década trata-se da adaptação de uma narrativa de Leite de Vasconcelos, realizada por Fernando Vendrell.

publicado às 13:13

No campus da UEM, em organização conjunta do Centro Henri Junod e do Departamento de Arqueologia e Antropologia, está exposta uma história em cartazes de 125 anos da actividade missionária suíça na África Austral (a exposição original data já de 1999, para a efeméride), a propósito do conjunto de actividades dedicado a Henri Junod. Hoje, pelas 10 horas, Severino Ngoenha, agora também director do Centro Henri Junod, fará uma visita guiada.

Depois ver-se-á o filme "Ngwenya, o Crododilo", realização de Isabel de Noronha dedicada a Malangatana, esse que sempre disse que a leitura de Junod o iluminou.

Pelo meio será lembrado o livro de Patrick Harries, "Junod e as Sociedades Africanas.", aqui publicado pelas Paulinas já há 4 anos.

jpt

publicado às 01:13

  

Uma co-organização entre o Departamento de Arqueologia e Antropologia da Universidade Eduardo Mondlane e o Centro Henri Junod provoca nas próximas três semanas um conjunto de actividades dedicadas à influência do etnógrafo, missionário e naturalista Henri Junod, a decorrerem no "campus" da UEM.

A primeira sessão, dupla, ocorre amanhã.

DEPARTAMENTO DE ARQUEOLOGIA E ANTROPOLOGIA UEM  / CENTRO HENRI JUNOD

26.11.2011 (QUARTA-FEIRA) 
9.00 HRS.
SALA MEZZ 2  (FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS)
(NA ANTIGA BIBLIOTECA)

SEVERINO NGOENHA (FLCS) "APRESENTAÇÃO DO CICLO DEDICADO A HENRI JUNOD E À MISSÃO SUÍÇA EM MOÇAMBIQUE"

TERESA CRUZ E SILVA (CEA), "ZEDEQUIAS MANGANHELA: OS PROBLEMAS METODOLÓGICOS DA ESCRITA DE UMA BIOGRAFIA"

11.OO HRS. 

(ANFITEATRO 1502)

CAMILO DE SOUSA "APRESENTAÇÃO DO FILME HENRI JUNOD"

PROJECÇÃO DO FILME "HENRI JUNOD" (realizado por CAMILO DE SOUSA)

Resumo da comunicação de Teresa Cruz e Silva

ZEDEQUIAS MANGANHELA: OS PROBLEMAS METODOLÓGICOS DA ESCRITA DE UMA BIOGRAFIA

 Zedequias Manganhela nasceu numa pequena povoação na região de Matutuine em 1912. Originário de uma modesta família de camponeses, ainda muito jovem perdeu o seu pai. Pela mão de seu tio entrou na escola, e no contacto com os missionários suíços converteu-se ao cristianismo. Fez o curso de professores indígenas de Alvor (1934-37) e cursou o Pastorado (1945-47). Tendo trabalhado em várias localidades do Sul de Moçambique ocupou na então Missão Suíça posições de liderança, onde se destaca o lugar de Presidente do Conselho Sinodal da Igreja Presbiteriana de Moçambique(Missão Suíça), lugar que ocupou até ao momento da sua prisão pela PIDE, em Lourenço Marques. Em Dezembro de 1972 faleceu na cadeia da PIDE, havendo fortes indicações de assassinato, aparentemente pela sua ligação com a FRELIMO. Pouco se escreveu sobre a sua vida, embora se possa testemunhar o reconhecimento da sua obra através de várias escolas e ruas existentes no país, que ostentam o seu nome.

Escrever uma biografia é preparar-se para um encontro que merece a nossa mais profunda atenção e exige um certo grau de paixão. Quando aceitei escrever a biografia de Manganhela, preparei-me para este encontro, ou talvez um reencontro, mais longo e sinuoso que o anterior, já que há muitos anos, quando fiz os meus primeiros estudos sobre a Missão Suíça e o desenvolvimento do movimento nacionalista em Moçambique, Zedequias Manganhela se afigurava já como uma figura incontornável na compreensão do papel social da religião e particularmente das Igrejas Protestantes, para um despertar da consciência política. Sobre ele escrevi, nessa altura, apenas um pequeno artigo e algumas páginas de um capítulo que pretendia tratar as relações entre o Estado e a Igreja em Moçambique durante o período colonial.

Ao revisitar o percurso histórico de Manganhela e no aprofundamento que tenho vindo a fazer da sua vida, tenho que defrontar um passado cujos vestígios me levantam várias questões de ordem metodológica. E para tomar de empréstimo as teses de Georges Duby, nos seus “Diálogos sobre a Nova História”, deparo-me com um história construída sobre farrapos da memória, onde os vestígios com os quais trabalho, para além de não serem uniformemente repartidos, não foram inocentemente preservados e/ou esquecidos. Pretendo assim com esta apresentação, trazer para debate alguns problemas de carácter metodológico que a reconstrução de uma biografia onde por um lado é necessário lidar com o recurso a uma documentação indirecta, por outro lado, também é preciso tratar com a forma como a história se escreve e reescreve em contextos diferentes, e onde a memória e a história se aproximam e se afastam, abrindo espaços para construir mitologias.

jpt

publicado às 15:57

Filme etnográfico na UEM

por jpt, em 09.09.11

Está tudo no cartaz, aproveitando a associação com o Dockanema realiza-se uma sessão sobre filme etnográfico na Faculdade de Letras e Ciências socias. Próxima segunda-feira, na manhã.

jpt

publicado às 09:49

O 6º Dockanema, festival anual de filme documentário de Maputo, está a chegar, com cerca de 80 filmes e actividades paralelas. Começa para a semana a 9 de Setembro, a apresentação já está e o programa detalhado est(ar)á no sítio aqui ligado. Bons filmes.

jpt

publicado às 23:08


Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos