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Aos 4 de Julho de 1776 foi aprovada a "Declaração da Independência" dos Estados Unidos da América, tratados vulgar e singelamente por América. O documento foi desenhado durante o mês de Junho desse ano por Thomas Jefferson e é considerado o maior símbolo da liberdade do país. Simplificando: a coisa é um resumo do que se entende ser a liberdade individual, baseando-se nalgumas noções previamente enunciadas por John Locke e outros filósofos.

De qualquer modo a liberdade e a democracia comportam alguns riscos, senão atentemos nas vinte tentativas de assassinato de vários dos presidentes norte-americanos que começaram em 1835 por um pintor de construção civil, o senhor Richard Lawrence que no exterior do Capitólio apontou duas pistolas a Andrew Jackson. As armas não dispararam como o homem esperava, o presidente safou-se e o bom Richard foi internado por se ter entendido que não estava bom da cabeça. Dessas vinte tentativas e muitas outras ameaças, podemos encontrar quatro que tiveram assinalável êxito.

 

 

O primeiro grande sucesso foi obtido a 14 de Abril de 1865 e teve como destinatário Abraham Lincoln que estava tranquilamente a assistir com sua mulher à peça "Our American Cousin" num camarote do Teatro Ford em Washington quando John Wilkes Booth, actor e simpatizante da causa confederada, sacou da minúscula mas letal Derringer e lhe enfiou uma bala na nuca.

A próxima vítima foi o vigésimo ocupante do cargo, James A. Garfield, que viu a sua vida interrompida à conta de irremediáveis infecções causadas por dois balázios disparados a 2 de Julho de 1881, um Sábado, pelo revólver Webley British Bukdog empunhado pelo senhor Charles C. Guiteau. A coisa arrastou-se e o presidente demorou 11 semanas a cumprir o proposto pelo atirador, esticando o pernil lá para Setembro. Mais rápida e eficaz foi, todavia, a corda que enforcou o autor da façanha depois de um tribunal o ter condenado ao mesmo destino a que votou Garfield, numa prática que vem caindo em desuso nos E.U. da A. O próximo presidente na lista daqueles que precocemente e, presumo, que contra a sua vontade foram afastados do cargo e da sua própria existência, dava pelo nome de William McKinley. O anarquista Leon Czolgosz espetou-lhe um tiro no abdómen e mandou-o daquela para melhor. O anarca levou tanta porrada pelo feito que se temeu que não chegasse vivo ao tribunal. Felizmente não foi assim e a justiça dos homens sentou-o numa cadeira eléctrica para cumprir a sentença ditada por um tribunal federal com eficácia. Last but not the least, a mais conhecida interrupção vital deu-se em Dallas quando John Fitzgerald Kennedy foi irremediavelmente abatido em circunstâncias que ainda hoje encerram algumas teorias da conspiração, tendo sido considerado culpado Lee Oswald, por sua vez assassinado nas barbas da polícia na cave da esquadra para onde tinha sido levado. O justiceiro, ou talvez não, foi Jack Ruby, um empresário da noite, que disse ter ficado desnorteado com o assassinato do presidente. Deu-se o nefasto acontecimento em 1963 e foi o último com desenlace fatal desta série mortal até hoje, sendo que em 1981 Ronald Reagan escapou por um fio à morte anunciada com um pulmão perfurado por um projéctil enviado por John Hincley, Jr. Não era a sua hora.

 

God Bless America

 

mvf

publicado às 20:24
modificado por jpt a 8/11/15 às 18:16

Espionagem

por jpt, em 26.10.13

 

O avanço de Obama para a presidência foi simpático, principalmente pela afronta aos preconceitos racistas, nos Estados Unidos tão misturados com o fundamentalismo cristão popularucho. Mas teve um lado oposto, mais para a minha terra, sintomático que foi da imbecilidade militante de alguma esquerda, identitarista, caída de fervores pelo obamismo. "Eu sou obamista" passou a ser um pin político, "alfinete de peito", iman de geleira, de qualquer candidato a colunista do "Público" ou de comentarista fedorento.

 

À revelia do real Obama, "Obama" é, olhando Portugal, um símbolo do vazio intelectual da primeira década de XXI. Lembro-me disso agora, quando se sabe que os EUA andam espiando tudo e todos, uma série de políticos aliados, etc. O que diriam os democráticos identitaristas, os teclistas do eixo BE-PS, se o presidente americano fosse Bush, pai, filho ou irmão? Sendo este devem estar a alisar os posters, lá nos quartos adolescentes. Retardados.

 

E os outros continuam a lê-los. E a rir-se das piadinhas na TV. Retardados?

publicado às 05:01

Eu, jpt, obamista radical

por jpt, em 30.04.13

 

Engraçado, o postal anterior da AL, Obama a fingir-se de actor que se faz de Obama. Isto exactamente, e que coincidência, no dia em que eu aderi ao obamismo (apesar do republicanismo de Clint Eastwood, farol). Coisas da net, irresistível ao tomar conhecimento disto, da homenagem aos Led Zeppelin (e como está velho o Page!!!) feita na Casa Branca. Com este discurso ganhou a minha radical filiação (repito, apesar de Clint Eastwood). Diga-se o que se disser, há quem não tenha este tipo de presidentes:

 

 

 

E aqui fica uma fundamentação ideológica para esta minha adesão:

 

publicado às 00:17

Aggiornamento

por jpt, em 10.09.12
Há já dois meses que em Maputo foi inaugurado o Centro Cultural Americano, momento abrilhantado com uma conferência de J. E. Stiglitz. Assim sucedendo aos antigos "serviços culturais dos EUA" mas mantendo-se no mesmo local. Passo por lá todos os dias mas só há pouco é que notei nos dísticos, um virado à Kim-Il-Sung, outro à Mao-Tsé-Tung:Em pleno obamismo o aggiornamento americano em África é assim, ao velho Tio Sam sucede-se o Tio Martin.Entretanto os semiólogos, sempre dados a boas causas, engasgam-se em estrabismo.jpt

publicado às 16:14

Lula da Silva sobre WikiLeaks

por jpt, em 10.12.10

Esclarecedor, e sendo quem é já nem é espantoso. Lula explicitando que "liberdade de expressão" é roubar a documentação estatal e divulgá-la. Um presidente ... Lula qual Chavez, assente no anti-gringuismo, pontapeando a diplomacia americana - a brasileira é a melhor, claro. Fico, claro, esperando que a documentação diplomática brasileira seja pilhada para ver o que dirá este homem. Ou, o que será mais interessante, o que se dirá sobre este homem. E sobre a sua família.

Sei que, como cada vez que refiro Lula, aqui ou no email terei brasileiros muito ofendidos. [Alguns até disfarçados de escritores, editores ou intelectuais]. Não são caso único, não é "lixo tropical". Existem em todo o lado, os confusionistas que confundem o país com o Querido Líder do momento.

jpt

publicado às 08:31

WikiLeaks: o sol e a peneira?

por jpt, em 10.12.10

Abaixo estão transcritas as mensagens da embaixada americana em Maputo agora tornadas públicas pela organização WikiLeaks. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, a publicação do conteúdo destas mensagens, o facto de serem emitidas por quem são e o seu imediato (e futuro?) tratamento jornalístico produzem profunda mácula no poder moçambicano. E não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira, a Wikileaks ganhou tamanha repercussão internacional que não referir essa publicação é absurdo. Também por isso deixei mais abaixo a ligação ao sítio que as alberga.

Mas neste âmbito entendo que há alguns pontos a realçar, até porque facilmente são esquecidos. O primeiro é o de que a notícia não são hipotéticos factos ilícitos produzidos por sectores da sociedade moçambicana. A notícia são as mensagens diplomáticas americanas sobre a situação moçambicana. E esta distinção não é um sofisma.

É certo que em Moçambique a vox populi há muito que refere a tendencial criminalização da economia, que resmunga diante da corrupção estatal, no que é acompanhada por instâncias da sociedade civil (como, por exemplo, o Centro de Integridade Pública) e, até, por alguns membros do poder, como por exemplo máximo o dirigente histórico da Frelimo, Jorge Rebelo. E aponta hipotéticos nomes e factos. As mensagens americanas agora publicadas ecoam parte disso. Mas elas não são "a verdade", "os factos", são mensagens transmitidas. São isso, apenas isso, ainda que devido à sua autoria signifiquem muito, influenciem muito. E são elas, apenas elas, a notícia.

Convém recordar esta distinção, até porque isso é esquecido: pelos jornais, pelos leitores, pelos bloguistas. Que abandonam a distância face aos discursos lidos, assumindo-os como factos. O que os diplomatas americanos dizem tornou-se "a verdade". Le Carré rejubila com a matéria-prima que brota. Greene sorri amarga e invejosamente, no purgatório, onde creio que nos observará.

Também por isso convém olhar para as caixas de ressonância e para os paladinos desta organização WikiLeaks. São em grande medida um lumpen-intelectualismo (mesmo se titulado, dada a proletarização da burguesia europeia) cujo húmus é um anti-americanismo ideológico, feroz e activo. É esse contexto de pensamento que surge agora a assumir as interpretações da diplomacia americana como se fossem letra de lei. Uma total contradição de termos. Estamos numa baixa rotação do pensamento, no ground zero da locução. Balbucia-se muita asneira. Impratica-se a reflexão. Entenda-se bem, no fundo de tudo isto, na sua base discursiva, habita uma refutação de tudo o que se assuma como instituição, um rasto típico do pensamento informulado.

A propósito destas mensagens relativas a Moçambique - e muito para além do que abaixo referi, de que nelas não encontro nenhuma novidade face ao que tenho ouvido publicamente sobre Moçambique nos últimos anos - há algo de fundamental a frisar. Não encontro nas mensagens tornadas públicas - nem tampouco numa outra respeitante a Portugal, e algumas outras sobre Zimbabwe ou Quenia -, nada que ofenda ou fira os princípios democráticos. Ou seja, não vejo em que é que este correio diplomático americano ofende as relações internacionais, o direito internacional, condição única para legitimarmos o seu roubo e publicação. Nem mesmo as vejo ofendendo uma relativamente abrangente ética interaccional. Neste contexto, e como abaixo disse, considero este roubo de comunicações internacionais um acto de pirataria. Indigno e anti-democrático.

Neste particular caso as mensagens ecoam factos prováveis sobre a realidade moçambicana? Porventura. É esse porventura, essa percepção do processo político local que me fez, em tempos, apesar da minha concepção de bloguista enquanto hóspede estrangeiro, referir irado um embaixador incompetente, incapaz pessoal e politicamente de se vincular a princípios democráticos, como seria de exigir a um representante português actual. E pude indignar-me com a actuação da presidência da Assembleia da República portuguesa, o qual indignificou a função para a qual foi, em má hora, eleito. Fosse por boçal incompetência fosse por interesseira articulação económica.

Não vale a pena taparmos o sol com a peneira, já o disse.  Ou seja, as mensagens foram publicadas, quem quiser vai ler, estão aí as ligações. Outra coisa, radicalmente diferente, é ser reprodutor dessa pirataria. Piratear os textos estatais americanos é, já o disse, atentar contra a democracia. Reproduzi-los é disso ser agente, mesmo que involuntário. Da negação democrática, conjuntamente com aqueles que em nome de uma pretensa transparência democrática intentam a opacidade do totalitarismo. Assim incompreendendo a democracia. Institucional. E, como é óbvio, diplomática.

Coisa que em muito ultrapassa as conjunturas do poder político moçambicano.

O ABM pensa de forma diferente e reproduziu as mensagens, face ao seu putativo interesse para os amantes e amadores de Moçambique. É o seu entendimento. Tal como ele diz no texto anterior "uns americanos dizem uma coisa, outros dizem outra". Exactamente como no ma-schamba.

jpt

publicado às 00:02

Wikileaks on Moz

por jpt, em 09.12.10
[caption id="attachment_16444" align="aligncenter" width="450" caption="Alec Guiness como "Our Man in Maputo", filme de Carol Reed"][/caption]

Burburinho em Maputo, publicados hoje os primeiros telegramas da embaixada americana em Maputo. A Wikileaks sobre Moçambique começou a verter, já resultando em artigo no francês Le Monde. Honestamente faz lembrar O Nosso Agente em Maputo. Se é aquilo que os americanos sabem ... bem que me podiam pagar a mim e à rapaziada dos cafés da cidade que coisas mais sumarentas viriam à luz. Quanto ao resto, dei uma passagem pelas notícias de hoje da wikileaks (foi a primeira vez que abri). Secção Africana, os males de África vistos e conhecidos pela América (e a malevolência chinesa, pois "The Chinese are coming").

Não me vou debruçar muito sobre o assunto. Há imensa gente a escrever e a mentir sobre a questão, como se fosse sobre a liberdade de informação, etc. e tal. Para mais a história do wikileader dá para mau filme. O homem, australiano, é um pirata - como tal deve ser preso. Os serviços do estado (neste caso americano) não são um bem pirateável. E têm direito e dever à parcimónia informativa [se um palhaço australiano divulgar na internet o meu currículo fiscal eu não gosto, se publicar os aerogramas americanos eu gosto? Isto não tem ponta por onde se lhe pegue]. O que se trata aqui é de um dupla questão: a) voyeurismo informativo; b) demissão de cidadania.

A reclamação da liberdade de informação é uma falsidade gigantesca. Querem saber se há corrupção em Moçambique? Investiguem. Investiguem no terreno. Querem saber se há males no mundo? Investiguem. Não pilhem os serviços diplomáticos americanos - não estamos, frise-se, a referir Watergate. Nem a intervenções pré-Helsínquia (a China no Tibete, a Rússia na Hungria ou na Checoslováquia, os EUA norieguizando a torto e a direito). São serviços diplomáticos. São fundamentais, são constitucionais. Devem ser denunciados quando violam leis, regras e princípios. Devem ser protegidos quando cumprem o seu funcionamento democrático. Tudo o resto é voyeurismo.

E é também uma demissão de cidadania. O que aqui (um aqui global) se trata é o do que os americanos dizem e sabem nas suas vias diplomáticas. É isso que é usado, como substrato para reflectir ou denunciar em alguns casos, para burburinhar na maioria das vezes. É um yankee-dependentismo, para pensar, para protestar, para posicionar. Para ser. Ninguém exige as informações diplomáticas chinesas. Ou portuguesas. Ou alemãs. Ou brasileiras. Ou as marroquinas (já agora uma potência colonial vizinha de Portugal, fortemente apoiada pelos governos de Sócrates, aliada da China, nada disso verdadeiramente interessante, pelos vistos). Querem as americanas (pobres, ainda por cima) - por um lado gritam, perdigotam, os EUA como "o polícia do mundo"; por outro lado tratam-no, apelam-no, como "o polícia do mundo". Após este fluxo de revelações o que se sedimentará será a culpabilização do "americano" que tanto mal conhece e nada faz. É óbvio. (Mas se os EUA intervierem de imediato se estabelece a crítica, estrutural, da legitimidade do seu âmbito internacional).

É o terrível processo da pauperização intelectual.

Ah, voltemos ao princípio, os telegramas sobre Moçambique ... são interessantes? Eu mandei um aerograma a 11.12.2007 sobre a matéria. Nessa altura há anos que todos os cafés ouviam e diziam o que agora se agita. Por isso mesmo o poder socialista português suportado pelos serviços diplomáticos residentes fez aquele papel. Por isso mesmo. O papel que o poder socrático e o arrastado avatar neo-comunista deseja e quer. Para bem próprio. Para bem da sua barriga.

jpt

publicado às 12:22

Sniper

por jpt, em 30.11.10
Cheguei a Washington a 4 de Outubro de 2002. John Allen Muhammad, o sniper de Washington, com o seu parceiro Lee Boyd Malvo faziam o seu sétimo disparo , o primeiro não mortal. Terminariam com 13 disparos , a 22 de Outubro, 10 mortais, finalmente capturados a 24.Dois ou três dias mais tarde liguei à Elsa, emigrada há muitos anos nos EUA, contacto que virou amiga. Ofereceu-se prontamente a me vir ajudar, nas suas folgas, a procurar casa, pois era agente imobiliária no estado da Virgínia, e a ela devo a muito bem negociada casa,onde depois viveria os quatro anos seguintes , entre a Connecticut Ave e a Wisconsin, nas margens do boémio bairro de Adams Morgan e com o Rock Creek Park, a poucos metros, que se entranha por toda cidade. Levava-me também aos grandes malls para comprar algumas coisas necessárias para nos instalarmos, o universal Ikea, o americano Home Depot, situados ao longo da Beltway, 12 faixas, com carros a moverem-se, sem parar, em ambos os sentidos, que circunda todo o District of Colombia. Cenário escolhido pela dupla para fazer os disparos, around the Beltway, nos parques de estacionamento dos malls ou em estações de serviço limítrofes, feitos a partir da traseira de um Chevrolet Caprice, azul, transformado para o efeito.A Elsa entrava a grande velocidade nos parques, deixava-me com a minha filha Leonor, na altura com 15 meses, à entrada, que a pegasse ao colo e de seguida dizia: “corre para o interior”, depois partia, novamente a grande velocidade para estacionar, eu ficáva a espreitar por detrás da parede, a ver a Elsa aparecer a correr em zigzag, como ela mais três ou quatro outros clientes, com ar assustado, que seguiam à risca o que era debitado por vários especialistas criminais em como evitar o tiro dum sniper, a toda a hora na televisão e na rádio.Pânico generalizado, uma comunidade inteira com a fobia de poder vir a ser a próxima vitíma.As escolas cancelavam as actividades ao ar livre, os pais corriam, mais cedo, a buscá-las, em zigzag.Eu descobria a cidade, inside the Beltway, com a Leonor no carrinho “guarda-chuva”, o centro, a National Gallery, o móbile do Alexander Calder na entrada da ala este, a livraria sempre com livros em saldo, o Museu de História Natural na esquina oposta, ao topo o Capitólio. Sentia-me seguro naquele sítio, que deve ser o com mais polícias por m2 do mundo. A viver este serial killer como espectador de um filme real com argumento de Hollywood, os imensos lençóis do Washington Post, à noite os noticiários da CNN, das televisões locais, os briefings diários do chefe da polícia Charles Moose, as mensagens de Muhammad deixadas em cartas de tarot. A carta da Morte, “Call me God”, na fronte.John Allen Muhammad foi executado por injecção letal a 10 de Novembro de 2009.

[PSB]

publicado às 11:45

Obama e o Tibete

por jpt, em 06.10.09

Há um ano, enjoado com a "esquerda obamista" lusa (e a outra, lá-de-fora; e o racismo negro virado obamista) pus-me a resmungar contra os obamistas - para ter a prova de que estou fora de Portugal há muito: bem que fui gozado por não saber quem era Rui Tavares, o obamista de referência de então, hoje mais célebre pois já eurodeputado do Bloco de Esquerda, a simpática agremiação política portuguesa nada estalinista nem trotskista, ou por outra, nada neo-comunista que tanto atrai o voto dos militantes impensadores portugueses, e acolhe seus filhos e irmãos mais novos nas colónias de férias dos "pioneiros" de hoje.

Quando agora leio que o fantástico Obama se recusa a receber o líder anti-colonial Dalai Lama não posso, entre outras coisas, de lembrar os ruis tavares, os bloquistas de esquerda, os ex (e espero que não futuros) presidentes jorges sampaios. Entre eles há os parvos. Uma pequena minoria. E os patifes. A maioria. É, consta, a maioria de "esquerda". Sinistra, literalmente.

jpt

publicado às 19:20

Frank Zappa

por jpt, em 03.10.09

Isto do facebook trouxe-me o mundo youtube. Absolutamente espantosos 22 minutos de Frank Zappa - para quem tenha paciência.

jpt

publicado às 05:13

Obama no Gana

por jpt, em 04.08.09

Estava em férias e não li na altura, só hoje. Aqui fica o discurso de Obama no Gana, para consultas futuras. É um discurso presidencial. Mas é bem mais do que isso.

publicado às 15:17

Gelados Obama / Obama Ice Cream

por jpt, em 25.01.09

gelados-obama.jpg

Tchova Geladaria, Maputo, hoje mesmo.

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publicado às 23:01

É normal que se atente nas eleições americanas. Mesmo gente que nunca olha para a política externa. Os EUA são importantíssimos. E produzem (muita) imagem. Nisso é pena mas é recorrente que os blogo-portugueses assumam partido, assim egocentricamente usando as eleições na maior potência mundial para afixarem os seus marcadores coloridos - no caso dos blogo-moçambicanos é (este ano) mais fácil, a rapaziada é obamista porque Obama é negro (se fosse moçambicano chamar-lhe-iam "mulato" e usariam os palavrões adjectivantes do costume, mas neste caso não dá jeito).

No primeiro caso é, em absoluto, o castafiorismo comentador, nada mais. Da parvoíce luso-obamista já rezei o suficiente. Mas não vai só: um tipo vê este tipo de núcleos republicanos e interroga-se como podem os "liberais" portugueses excitarem-se tanto no seu republicanismo militante. Optar por um dos lados? É normal, dada a tal importância e tamanha imagem. Excitarem-se no tecladismo? Só mesmo pelo mais radical dos anti-liberalismos (o "radicalismo euro-reaccionário de fachada liberal", diria Cunhal se tivesse sido bloguista). E diria bem.

publicado às 16:51

obamista, ou da palermice

por jpt, em 30.08.08

um tipo num blog (diário pessoal) mete o que quer. Um tipo que é pago para opinar num jornal (e de "referência") tem algo mais ... assim tipo responsabilidade social, dir-se-ia. Breves dias em Portugal deixam-me entender que há algumas vozes novas (pelo menos para mim) no grupo dos fazedores de opiniâo. Descobre-se (ou reconhece-se) um nome e logo o encontramos nos jornais, na tv, o prestígio está ganho.

Neste verão é Rui Tavares. A esquerda que ri, presumo. Leio-lhe no Público a opinião, decerto que abrilhantada com o brilho do intelectual: "sou um obamista". Não se trata de discutir a falência do modelo bush, do cristo-reaccionarismo americano da ultima década, de entender a necessidade de alguma mudança por lá, da esperança numa outra política externa, mais complexa, e noutra interna, alimentando (ressuscitando?) o peso mundial de um modelo de sociedade social - e não a tralha omnívora a que alguns chamam (porquê?) neo-liberalismo (uma palhaçada intelectual que alimenta a "direita" bloguística portuguesa, de prosápias intelectuais mas muito dados a abridged versions ou "ensaios" - na lógica portuguesa da palavra). Nâo se trata disso, trata-se de uma esquerda moribunda, incapaz de se entender sem o farol americano (anti-americanista, agora obamista). O domínio radical do impensamento: o mundo visto do club med, o pequeno-burguês não vai mais longe por mais andanças que faça. É o novo-riquismo de batina académica ...

Um gajo declara-se obamista: adepto "ista" de quem tem "director de fé", de quem acredita no que vem na bíblia, de quem abre um congresso político com a mulher e as duas meninas dizendo-lhe (e à tv) que o amam muito - "ah, mas é na América, tem que ser assim!!" dirão, na explanação da sua profunda desonestidade intelectual (e não só - insisto, os textos nos jornais são pagos, é uma actividade laboral, a desonestidade no trabalho é igual para todos). Ou seja um qualquer McCain diz coisas de que não gostamos e desvenda a sua demoníaca essência! Um qualquer Obama diz coisas de que não gostamos e evidencia a mera necessidade de adequar a forma do discurso ao público.

É esta a esquerda que escreve em Portugal, enquanto ri - que é "ista" do irracionalismo dos "gurus" cristãos, que é "ista" da demagogia populista mais baixa, que é "ista" do "criaccionismo" ainda que subtil, que é "ista" do primeiro-damismo mais imbecil.

Que a esquerda política de cagança académica morrera já se sabia. Que os jornais acolhem os despojos também. Um tipo não se deve irritar. Apenas se enoja, nisto de vir de ano a ano, encontrar as novas  caras. E entristece-se quando as poucas vozes que vão indo ainda dão cobertura a esta paródia.

Adenda: é evidente que não é com esta gente que se deve discutir a questão racial, o "agora é a nossa vez". Pois interrogar isso exigirá querer interrogar. Sem ser "ista". Para quem tiver a decência (no fundo não é nada mais do que isso) de não ser "ista" d'algo procure no youtube a cerimónia dos oscares pré-obama (oscar a hale berry, denzel washington, sidney poitier e ... robert redford). Analisem: agora é a nossa vez. E pensem, o mundo não é só hollywood. Mas repito, não vale a pena discutir essas coisas com esses macainistas/obamistas.

Adenda Segunda: Rui Tavares teve a gentileza de deixar na caixa de comentários o artigo que referi, e que assim transcrevo.

Para quem tiver paciência visite a caixa de comentários: pois aí tenho que matizar um argumento contra Rui Tavares; e porque não concordo nada com os comentários aí deixados por alguns comentadores residentes do ma-schamba.

“Roosevelt contra Roosevelt28 Agosto 2008 | por Rui TavaresÉ justo anunciar à partida que sou um obamaníaco e não avalio as eleições americanas com equidistância. Mas ganhei também o direito de me gabar: até agora tenho acertado aqui nas minhas previsões para as eleições americanas. Em pleno escândalo do reverendo Wright, sob a impressão geral de que a candidatura de Barack Obama acabara de ser destruída pelo seu desbocado pastor protestante, uma decisão do Partido Democrata sobre as primárias da Florida e do Michigan acabara (do meu ponto de vista) de lhe possibilitar a vitória. Pouco depois, houve um sobressalto geral com a ponta final de Hillary Clinton, numa altura em que me parecia que na verdade Obama já tinha essa vitória na mão.

Isso foi nas primárias democratas; agora estamos na campanha para as eleições gerais e o candidato republicano, John McCain, acabou de ultrapassar Obama nas sondagens. A percepção geral é a de que Obama está em queda quando deveria estar muito à frente. É mais uma vez o momento indicado para relançar o meu palpite: salvo escândalo ou guerra, continuo a apostar numa vitória de Obama.

Em primeiro lugar, não faz sentido esperar que os democratas ganhem por muito. Há trinta anos que eles não ganham eleições presidenciais “normais”. Bill Clinton ganhou na primeira vez com o voto adversário dividido (entre Ross Perot e George Bush pai) e na segunda vez já como presidente. Mas Al Gore e John Kerry ficaram a poucos votos de ganhar e é a partir desse pecúlio que Obama poderá construir uma vitória, ampliando o número de estados competitivos que poderão cair para o seu lado. Por isso não é de esperar uma grande distância nas sondagens nacionais, embora seja possível que ela venha a ocorrer depois nos votos do Colégio Eleitoral, que são distribuídos por estado.

***

Em segundo lugar, as diferenças entre candidatos. John McCain costuma dar como seu presidente ideal o republicano (e progressista) Theodore Roosevelt, cujo militarismo e voluntarismo aprecia e em cuja “obra” — o Canal do Panamá — ele próprio nasceu, literalmente. É duvidoso que o erudito e poliglota Theodore Roosevelt atacasse os seus adversários por serem “intelectuais e elitistas”, como McCain faz e é a moda da direita à escala internacional. Mas é verdade que John McCain é, ao menos, um político mais inspirador do que George W. Bush.

Mas não é de um Theodore Roosevelt que os americanos precisam agora. De quem eles precisam é de um Franklin Delano Roosevelt, seu sobrinho, o democrata que foi presidente quatro vezes depois da Grande Depressão. Tal como agora, Franklin Roosevelt apareceu numa altura em que a doutrina económica dominante se revelara disfuncional e os seus fundamentos morais aberrantes. Tal como Obama, Franklin Roosevelt apareceu com um discurso moderado e unificador, mas foi levado pelas circunstâncias a simplesmente refundar as estruturas do país. Foi ele que criou a Segurança Social nos EUA, e a criou de maneira a impedir que “um político qualquer a possa desmantelar”, como dizia e com razão (George W. Bush tentou e não conseguiu).

A Grande Depressão colocara a nu que a liberdade não se pode resumir à não-interferência do Estado. Liberdade é também liberdade para construir uma vida. Quem vive na pobreza ou no medo do desemprego não vive em liberdade. Distribuir liberdade por todos implica lutar por justiça social e segurança económica. Não precisamos de uma Grande Depressão para saber isso. Na verdade, o susto que já levamos deve chegar para os americanos perceberem que é preciso um caminho novo.”

publicado às 21:13

Barack Obama em Maputo

por jpt, em 19.07.08

Abaixo abordei (estreia na horta) o candidato yankee (gringo, em português) Barack Obama. E hoje belo jantar, queijos vários e vinhos "lá de cima", dele cheio. Importante, decerto, no sítio onde está. No resto, diante desses que o iconizam para auto-posicionamento (e auto-legitimação, nunca esquecer), tipo "pago sem ver", pokeristas católicos (coisa de milénios ou chegada em pleno XX, soam iguais) - coisa de culpas sonegadas -, só sorrio, compungido. Meu afastamento, algo que já referira

basset5-1

aqui.

E (não sei meter youtubismos - será que funciona?)

sublinho hoje, aqui, ainda mais forte e de muito mais antes. Sem gringuismos. Nem outros "ismos". Pois só um sol por aí. Por aqui. (Mas tantos palavrões sob ele. E, nunca esquecer, tantos pruridos. Em todos. Mas mais exactamente nesses.).

publicado às 03:13


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