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O amor esse pecado

por jpt, em 03.05.11

[Praia da Carrusca]

 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis. 

Mas isso era no tempo dos segredos, 
era no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
era no tempo em que os meus olhos 
eram realmente peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros. 

Já gastámos as palavras. 
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada. 
E no entanto, antes das palavras gastas, 
tenho a certeza 
que todas as coisas estremeciam 
só de murmurar o teu nome 
no silêncio do meu coração. 

Não temos já nada para dar. 
Dentro de ti 
não há nada que me peça água. 
O passado é inútil como um trapo. 
E já te disse: as palavras estão gastas. 

Adeus. 

 

Eugénio de Andrade

 

AL 

publicado às 00:45

O que dói não é um álamoNão é a neve nem a raizda alegria apodrecendo nas colinas.O que dóinão é sequer o brilho de um pulsoter cessado,e a música, que traziaàs vezes um suspiro, outras um berço.O que dói é saber.O que dóié a pátria, que nos divide e mataantes de se morrer

[Eugénio de Andrade, "A Casais Monteiro, Podendo Servir de Epitáfio", setembro 1972, Epitáfios, Lisboa, Limiar, 1984]

publicado às 01:41

Em estantes quase nada alheias

por jpt, em 22.09.05
...não há fúfia universitária ou machãofardado que não diga que a pátriaé a língua ou a puta que os pariu[Eugénio de Andrade, "A Vitorino Nemésio, Alguns Anos Depois", Epitáfios, 1983]

publicado às 01:29


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