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A propósito da morte de Eusébio

por jpt, em 21.01.14

 

Começou este 14 com a morte de Eusébio, na data exacta em que se cumpriam três anos do fim de Malangatana, uma triste coincidência a assinalar a partida destes legendários moçambicanos. Muito foi dito e escrito, em regime de luto oficioso e de (justificadíssimos, penso) panegíricos. Passados estes dias os interessados nestas matérias desportivos e dos seus contextos sociais poderão agora dedicar-se à leitura de algo mais contextual. Trata-se do último exemplar, que só agora me chega às mãos, da revista do Centro de Estudos Africanos de Lisboa (o qual, finalmente!!!!, se vai passar a chamar Centro de Estudos Internacionais, abandonando a vetusta e intelectualmente inadequada denominação), o "Caderno de Estudos Africanos". Pois este número está dedicado às "Práticas Desportivas em África" (e basta seguir a ligação, pois os textos são de acesso livre), integrando alguns textos sobre o período colonial e outros sobre a actualidade.

 

Faço esta associação com a morte de Eusébio (e com o interesse recrudescido na sua carreira) por motivos que serão óbvios a quem visitar a revista. Nela constam alguns textos relativos ao contexto de formação do jogador e sua carreira: uma entrevista "Dos Subúrbios da Lourenço Marques Colonial aos Campos de Futebol da Metrópole. Uma Entrevista com Hilário da Conceição", feita por Nuno Domingos (um dos organizadores do volume, conjuntamente com Augusto Nascimento, o qual deixa um interessante texto sobre a história do futebol em São Tomé e Príncipe").

 

Há ainda um outro texto: "Following the ball: African soccer players, labor strategies and emigration across the Portuguese colonial empire, 1949-1975", de Todd Cleveland, dedicado à inserção de jogadores das ex-colónias portuguesas, em particular de Moçambique, no futebol europeu, referindo, é claro, Eusébio. Confesso que não gostei muito, é um texto de tese, ou seja, parte desta e tudo a confirma. Para além de nele habitar essa ideologia (no sentido de "falsa consciência", sim, a la Marx) americana do "one-dropismo", que resulta na desatenção à complexidade identitária (e das barreiras sociais e identitárias) das sociedades colonizada e metropolitana. Empobrecendo, e muito, a análise tentada.

 

Para os interessados na história de Moçambique está ainda um texto verdadeiramente precioso: de Eduardo Medeiros o "Etnia e raça no desporto beirense na época colonial. O caso dos "sino-moçambicanos". Uma bela descrição (o que despertará o interesse dos não especialistas mas amadores da "coisa beirense") assente em argúcia teórica. A ler também pelos que se querem dedicar a estas coisas das identidades (no tempo colonial e não só).

 

Depois há também outros textos, alguns bem interessantes (realço um sobre o desporto na Namíbia colonial da chegada a XX), outros sofisticados mas um pouco forçados (como um sobre segregação racial no actual râguebi sul-africano, que não me entusiasmou apesar da parafernália metodológica).

 

Fica aqui o convite para a leitura. 

publicado às 09:47

Do Eusébio e seus fãs...

por mvf, em 07.01.14

Campeonato Mundial de Futebol de 1966, Londres, Inglaterra. Portugal perde 3 a 0 com a Coreia do Norte. Eusébio diz que já chega de brincadeiras e, à sua conta, marca 4 batatas ao norte-coreano que terá ficado com os olhos em bico. Resultado final: Coreia do Norte-3 / Portugal - 5.

 

Na pacata Covilhã, o pequenito José, provavelmente desiludido com o resultado que se verificava ao intervalo, sai de casa e vai para a escola. Pelo caminho, percebe pela vozearia que Eusébio leva Portugal às costas e que o resultado se vai modificando até à vitória final. Tornou-se benfiquista por causa do Eusébio e desta jornada. O jogo verificou-se a 23 de Julho e tenho ideia que seria período de férias escolares. E foi Sábado... Com boa vontade, admito que o calendário desse ano esteja errado.

 

Haverá sempre quem cavalgue os caixões sem problemas.

 

Vosso

mvf

 

 

publicado às 11:29

Eusébio morreu

por jpt, em 06.01.14

 

O King morreu. Luto nacional. Aqui, a sua expressão no forte que visitei hoje:

publicado às 23:20

O King

por jpt, em 05.01.14

 

Com o Monstro Sagrado, Mário Coluna, recém-vencedores da Taça dos Campeões Europeus (a verdadeira, hoje abastardada em liga dos "campeões").

 

Um bom programa sobre ele, precioso dada a relativa escassez de filmes na época:

 

 

 

Na sua alvorada, no Sporting de Lourenço Marques.

 

 

 

Cheguei tarde, tenho uma escassa memória do King como jogador. Lembro-me dele marcar, de livre, o golo na final da Taça de Portugal, em que o Sporting (de Damas) ganhou por 4-1 (1971). E de o ver com as camisolas do Beira-Mar e do União de Tomar, já no ocaso da sua carreira. De resto só a memória, a do maior.

 

 

 

 

Conheci-o quando integrou a comitiva da visita de Jorge Sampaio a Moçambique, em 1997. Vinha numa delegação de futebolistas nascidos no país (Acúrcio, guarda-redes do Porto, Vicente Lucas, o lendário central de Belém, aquele do "Corta Vicente!" da minha meninice, e Hilário da Conceição, seu "mano", o maior lateral esquerdo da história do futebol português). Pude privar com ele(s), ficou-me uma boa memória - em particular de um épico almoço que lhes ofereci no Piripiri, tornado um banho de multidão ... comensal -, repetida nalgumas outras visitas posteriores, integrando delegações nacionais ou visitas privadas. Um tipo singular, generoso e festivo, e uma força da natureza, quase insensível à passagem da idade, era um sexagenário fortíssimo. Em Maputo sempre rodeado, mimado, por amigos admiradores. Com eles sempre afável, companheiro, fazendo da vida um momento para se viver, algo que é um talento, raro.

 

Se houvesse "outro mundo" o seleccionador lá do sítio teria agora que o meter na equipa titular, abancando algum outro monstro. Mas até há esse "outro mundo": a memória ...

publicado às 11:10

Eusébio

por jpt, em 25.01.12
O King faz hoje 70 anos. Parabéns e longa vida.jpt

publicado às 03:24

Reis

por jpt, em 14.06.10
PSB

publicado às 00:51


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