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Tese de Doutoramento

por jpt, em 15.11.06

"Defender uma tese de doutoramento consiste em sentarmo-nos cerimoniosamente perante cinco ou seis mandarins empoleirados num estrado, em pousar na pequena mesa a que nos apoiamos, duas, três, mesmo quatro volumosas brochuras, em resumir brevemente o seu conteúdo, ansiosos, temendo a questão que nos encostará à parede, em andar febrilmente às voltas com as eventuais respostas que desejaríamos elegantes e sagazes, e depois em ouvir um por um cada membro do júri que, saboreando nesse dia a desforra da sua juventude perdida, se esmera em brilhar perante a assistência à custa do candidato, procurando as falhas de um texto que em geral leu, é preciso dizê-lo, atentamente, e se as não as encontra, fazendo incidir as suas críticas para a "forma" ou para as lacunas da bibliografia,enfim , no final de uma tarde interminável, em ouvir-se, no meio de um nevoeiro de fadiga, se declarado doutor e em oferecer, então, uma bebida aos seus camaradas. Trata-se de um rito iniciático bastante cruel no fim do qual, o "aprendiz, tendo apresentado a sua "obra-prima", é recebido entre os mestres. Emprego deliberadamente o vocabulário das corporações medievais, já que, nos nossos dias, os seus usos se conservaram melhor nesse meio eminentemente conservador e rotineiro que é a universidade do quem em qualquer outro lado."

 

"Dito isto, as virtudes da tese à antiga são evidentes. O esforço de vontade e perseverança que ela exige é compensador a outro nível. No que me diz respeito, do livro que acabei de redigir em 1951 e que defendi na Sorbonne no ano seguinte, um livro relativamente curto, mas de todos os que escrevi, o que elaborei com mais paciencia, maior cuidado e rigor, saiu, apercebo-me disso, tudo o que produzi em seguida."

(George Duby, A História Continua, Lisboa, Presença, 1992 (tradução de Ana Cristina Leonardo), p. 57-58)

publicado às 17:51


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