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Maio 1945

por jpt, em 09.05.15

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[World War Il planes bomb a hillside while a shellshocked reindeer looks on. Photo Yevgeny Khaldei (1917-1997).]

 

Minha distracção, convocado a outros assuntos mais prementes, ou o 70º aniversário do fim da II GM na Europa passou algo despercebido? Deixo algumas fotos, que apanho na rede Pinterest (várias não estão identificadas). Lembrando a espantosa resiliência de então e algumas coisas mais esquecíveis.

 

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[(c.1941) A postman emptying the pillar box the morning after a heavy bombing raid in London.]

 

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[ German woman measures the skull of  a gypsy,  to see if she qualifies as a saveable human being.]

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[A woman drinks tea, 1940, in the aftermath of a German bombing raid during the London Blitz]

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[American paratrooper, 1945 by Robert Capa.]

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[A French Nazi SS soldier posing for the camera. A number of french nationals signed up to fight with the Germans, usually as Waffen SS.]

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[Haj Mohammed Effendi Amin el-Husseini, Gran Mufti of Jerusalem. Throughout World War II, al-Husseini worked for the Axis Powers as a broadcaster in propaganda targeting Arab public opinion. He recruited Muslim volunteers for the German armed forces operating in the Balkans. Beginning in 1941, al-Husseini visited Bosnia, and convinced Muslim leaders that a Muslim S.S. division would be in the interest of Islam.]

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[Russian Cossack Wehrmacht volunteer.]

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[Heavily armed Chetnik fighter poses for the photographer. The Chetniks were Serbian monrachist paramilitaries who collaborated with the Axis at various periods during WW2. ]

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[Madrid]

 

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[ Hitler's Bunker 1947]

publicado às 11:05

Sopros de guerrilha

por jpt, em 20.06.13

 

(Postal escrito ontem para o Delito de Opinião)

 

(Ante)Ontem forças da Renamo atacaram na estrada de Inhaminga, a via Beira-Quelimane, na província de Sofala, que ladeia a floresta e uma linha rodoviária crucial. Tomaram um paiol e mataram 5 soldados (dizem-me que terão sido encontrados mais mortos no mato vizinho). Depois do inopinado ataque em Abril passado em Muxanga, algumas centenas de quilómetros a oeste, que teve características diversas, com uma aparência de mera erupção. Mas agora tudo surge com uma vertente mais planeada e objectiva, a conquista de armamento e munições. E parando o tráfego ferroviário (entenda-se, o carvão). Deixando antever o pior.

 

Logo me lembrei da primeira vez que cruzei aquela estrada, então a via principal que unia o país de Norte a Sul, entre Dondo, perto da Beira, e Caia, a travessia do Zambeze, ainda sem ponte. Foi em 1999, sete anos depois do final oficial da guerra civil. A estrada nacional estava ainda no estado  que ilustro acima, empecilhando o tráfego, e por isso vida económica e a trânsito identitário no país, a vera união. Por todo o lado ainda se viam os destroços da guerra, em particular ao longo do caminho-de-ferro, demonstrando aos mais distraídos (e aos cínicos) o horror que foi a malfadada guerra [o "conflito armado", o epíteto cheio de entrelinhas que aqui se usa(va)], pontapeando o sarcasmo imbecil de Kissinger, menosprezador do drama moçambicano ("uma guerra entre o pior exército do mundo e a pior guerrilha do mundo"). E, tal como em tantos outros sítios no país, a população rural ainda habitando preferencialmente longe das estradas - locais mais perigosos na guerra -, atravessando incomensuráveis dificuldades, e digo-o sem hipérboles.

 

Após 1992 a paz foi-se consolidando. Quando aportei a Maputo de vez, em 1997, ainda havia algum temor nas deslocações, com frequentes ataques, provenientes de desmobilizados que tinham mantido armas. Tendencialmente deslocávamo-nos em colunas, em moldes informais, mais num "o seguro morreu de velho". Mas que não eram apenas inércia: pouco tempo depois de chegar recebi uma leitora do Instituto Camões, que tinha ido passar o fim-de-semana à Ponta do Ouro, uma praia no extremo sul do país. No regresso tinham sido emboscados, o condutor do carro dela tinha sido atingido. A estrada para a fronteira de Ressano Garcia era ainda para atravessar de dia e sempre com algum frisson - lembro-me da minha angústia quando tive que ir, sozinho, buscar o então comissário-geral da Comissão dos Descobrimentos, o simpático António Hespanha, e sua pequena comitiva, ao outro lado da fronteira. Num resmungo de "se me acontece alguma coisa com este tipo no carro estou tramado!". Por isso guiei voando, causando algum mal-estar entre os transportados. Pois fora daqui as pessoas não sabiam do estado fluído da segurança, não havia informação. E nós, residentes, facilitávamos um bocado, um colega do meu irmão, sul-africano, que lhe sucedera no posto, foi morto na estrada. 

 

Na época essa zona rodoviária era patrulhada pelas "milícias do comandante Sousa", encarregues da sua tétrica limpeza (algo a que ninguém se opunha, mesmo que descurando preocupações éticas ou sociológicas). Sousa é um quase mítico militar de origem portuguesa, antigo militar das tropas especiais portuguesas, afável, conversador. Diz-se (nunca confirmei) que é um antigo membro das FP-25, como tantos outros destes para aqui enviado por acordo entre governos, nos idos de 1980s, e que integrou o exército moçambicano com evidente competência. Depois dessa "limpeza" ter terminado as milícias ascenderam para norte, para a via que unia ao Zimbabwe, ainda antes da crise daquele país que reduziu o tráfego e, concomitantemente, as razias na estrada.

 

Mas esses eram processos para além da política. Ecos, resquícios, da guerra civil, da proliferação de armas e da militarização da sociedade. Mas tratava-se de criminalidade, de roubos e alguma desestabilização para incrementar benesses indirectamente obtida.

 

Depois, em XXI, a pacificação. Agora, num contexto político nada linear, antecedendo um ciclo eleitoral complexo [no passado domingo diziam-me que a Renamo  acordara com a Frelimo lançar uma candidatura autárquica na Beira, para derrubar o presidente do MDM. Como articular isto com o germinar desta violência militar?],  e um constante discurso de "boom" económico, estes acontecimentos fazem, pelo menos, lembrar um passado terrível. Não antevendo um futuro similar, para não ser catastrofista. Mas angustiando.

 

Que fazer?

publicado às 15:36


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