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José Capela no jornal "Notícias"

por jpt, em 08.10.14

 

Confirmam-me agora que o suplemento cultural do jornal "Notícias" publicou um breve texto meu, aqui colocado a propósito da morte de José Soares Martins (José Capela). Está aqui.

 

E isso é-me simpático, é-me simpático que possa ter colaborado na evocação da sua obra em Moçambique, e também pelo peso simbólico do jornal na sociedade moçambicana e pela sua alargada distribuição pelas mais variadas zonas do país. E por isso agradeço aos responsáveis daquele suplemento cultural.

publicado às 08:27

Na despedida de Mário Crespo,

por jpt, em 27.03.14

 

comovidíssima, comovedora até. Na qual, e também por isso aqui a partilho, deixa uma palavra recordando Carlos Cardoso, jornalista moçambicano, aqui assassinado no princípio deste século.

publicado às 15:50

"A Bola" em Moçambique

por jpt, em 28.02.13

 

Foi o primeiro jornal do qual fui leitor e cliente, o meu pai (que nunca leu um jornal desportivo na vida, e foi apenas duas vezes ao futebol na vida, para me acompanhar em 1975 ao Sporting-Olhanense e ao Sporting-Porto) dava-me dinheiro para o ir comprar. Na época, início dos anos 1970s, a era de Joaquim Agostinho e Vítor Damas, publicava-se três vezes por semana (segunda, quinta e sábado). Nele escrevia gente como Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Vítor Santos, Homero Serpa. Escreviam bem, olhavam o mundo também, aquilo do "Hoje jogo eu" era antologizável, e eram ecuménicos, gente com simpatias clubísticas mas que escreviam sobre desporto e disso faziam vida inteligente (e o arquétipo era o enorme Carlos Pinhão, benfiquista ferrenho com um humor finíssimo, que a todos conquistava), sem o bacoquismo faccioso que a descendência arvorou.

 

Li-o, militantemente até aos anos 1990s, quando por lá ainda escreviam amigos vizinhos como o Afonso Melo e o João Matias. Depois, cansei-me daquilo. O jornal envelheceu, não se conseguiu adaptar ao fluxo de informação vindo do novo mundo de comunicação televisiva, as parabólicas de então, e à atenção que estas permitiam não só ao futebol internacional como, acima de tudo, à diversidade de desportos internacionais (o râguebi mundial, o basquetebol americano, a própria Fórmula 1 bem analisada, etc.), algo que o "Record" (e a própria "Gazeta dos Desportos", já desaparecida) conseguiram de modo pioneiro na imprensa escrita portuguesa. Mas o pior foi o fim do ecumenismo (mesmo que mitigado) casado com a mediocratização da escrita - uma opção pelo público benfiquista, algo que o benfiquismo dominante na geração anterior dos jornalistas não tinha imposto, e a prosa rasteira. Uma tralha que sempre exemplifico com uma primeira página, já bem mais tardia, que saudava o novo corte de cabelo de Simão Sabrosa, o então jovem ex-sportinguista contratado pelo Benfica.

 

Mas este meu desgosto, já de décadas, com "A Bola" oscila agora, face à memória dos meus 8-9 anos, quando saía da praia às 10.30 para ir para a bicha de compradores do jornal, ali na rua dos cafés de São Martinho do Porto, que o jornal chegava (de Lisboa) às 11 horas. E logo esgotava. Tempos em que os dedos se sujavam com a tinta do jornal ... 

 

E oscila porque vejo a notícia da edição moçambicana de "A Bola", cujo primeiro número sairá hoje. Presumo que se tratará de uma mescla de conteúdo português com conteúdo moçambicano, um pouco à imagem da edição aqui do "Sol". Antevejo-me a comprar um ou outro exemplar.

 

O lançamento da iniciativa foi ontem, e as fotografias acessíveis mostram como a empresa se articulou no país político e económico. Ocorre ainda inserido na viagem a Moçambique do ministro Miguel Relvas, acompanhado de uma delegação de responsáveis federativos do desporto português, para além do "King", Eusébio da Silva Ferreira. E também empresários portugueses acompanham a iniciativa, como os empreendedores imobiliários Luís Filipe Vieira e António Salvador.

 

Também hoje, e no mesmo contexto político, Mário Coluna, o grande "Monstro Sagrado", será condecorado pela estado português, recebendo o colar de honra da ordem do Mérito Desportivo. E isso sim, sem qualquer hesitação, saúdo. Viva o "Monstro".

 

publicado às 03:24

Kok Nam no "Dia das Caricaturas"

por jpt, em 20.09.12

A edição do "Savana" de hoje tem um suplemento dedicado ao seu director, Kok Nam. Vários textos escritos para esta ocasião, antigos textos que a ele aludem, algumas fotos da sua autoria, um grande excerto da entrevista que António Cabrita lhe fez e que transformou em livro. A Paola Rolletta foi a coordenadora da iniciativa e teve a simpatia (é amiga) de me pedir uma memória. Os 3000 caracteres que saíram no "Savana" são estes, o que me lembro do "dia das caricaturas" ...

 

Jorge, Nordine, Kok, Nuno, no fim do "dia das caricaturas", já na esplanada dos CFM.

 

O Dia das Caricaturas

 

Sexta-feira, já bem depois de almoço, toca o telefone, é o Nuno, a avisar-me que o Kok está cercado, há centenas de muçulmanos a quererem invadir o Savana, consta que ele sozinho por lá. Surpreendo-me, “o que é que se passa?”, que nada sei, “não viste o Savana?”, resmunga ele. “Nunca compro o Savana!, pá!?” (apesar do Kok … coisas cá minhas). “Publicaram as caricaturas”, “as dinamarquesas?!”, exclamo e tudo se explica. Nisto, e ainda ao telefone, já estou ao volante.

Logo chego, uma multidão à porta, irada. Saio do carro, no outro lado da rua está o Jorge Ramos, sempre indefectível do Kok, aceno mas ele não me nota, mostra um ar desamparado, decerto como o meu, agora que não sei o que fazer, nisto do agir antes de pensar, meu costume ... Vejo partir o Abdulcarimo, ao que me dirão ali ido a acalmar os ânimos. Avanço um pouco e percebo-me hirsuto. Pois com esta cara magrebina, hoje tisnada ainda para mais, sob estas barbas todas, logo me acolhem sorrisos, anuências. A quem me saúda digo “então o que se passa?”, declaro-me amigo do Kok, e que tudo isto me soa a exagero. Acercam-se de mim, gente mais velha, como eu, afáveis, conversamos. Ouço a mágoa serena, até ofendida, com o que ali parece desrespeito ao Profeta.

Mas não é assim com os mais novos. Lá à frente, junto ao portão, há gritos, apupos, invectivas, tudo defronte três ou quatro polícias, estes com pose pouco marcial, como se também atrapalhados com todo este inesperado. Reparo no Luís Sá, da Lusa, com cara de quem está entre a reportagem e a solidariedade preocupada. Cá mais para trás, entre nós, lá fico advogando o Kok, e isto da profissão de informar, mesmo que a alguns desagradando. Não ganho adeptos, mas dizem-me que o respeitam (o Kok é o Kok, sabemos), homem de bem, e que a culpa disto tudo é de fulano ou de sicrano.

A calma vai chegando, que tudo já demora há umas horas. Junto-me ao Jorge e com o Luís escapulimo-nos pelo portão, onde está, honra lhe seja feita, e tão mal dizem do jornal dele, o Leandro Paul, peito feito naquele seu jeito sempre tão gentil, em nome dos jornalistas dialogando com os mais sanguíneos, em apelos à concórdia. Lá dentro com o Kok está um funcionário do Savana, não o conheço, e o grande Nordine, a mostrar que não  o é só de tamanho, mas amigo daqueles mesmo, a chegar-se à frente no momento de ombrear – e disto me lembrarei um dia, bem mais tarde, ao vê-lo como um dos que carregam o caixão do Kok até à pira.

O Jorge atira logo um sarcasmo, daqueles que são abraço, naquele jeito constante que o une ao Kok, carinhos de mano novo com mano velho. Sentamo-nos mais ou menos que ninguém se aquieta. Ele está dorido, pálido. Denso. Com a espessura de ter comandado algo que era necessário fazer. Acontecesse o que acontecesse. Passa tempo, ninguém sabe bem quanto nem o que vamos dizendo. Depois o Nordine vai ao portão e vem dizer que a multidão destroçou. O Kok arruma os pertences. Eu telefono ao Nuno, “isto acabou” e ele convida-nos para uma garrafa de whiskie, para que desanuviemos. “Vá, vamos aos CFM”, aviso, feliz. E todos concordam, felizes.  Saímos, o Luís vai trabalhar, que hoje não mais o verei. Ligo à Paola, a nossa Paula, “onde é que anda o Lima?”. “Está aqui comigo …” diz, inquieta, ela que horas antes tinha aqui estado. “Então diz-lhe para se deixar ficar quieto”, que não ande na rua, que há quem resmungue que é ele o responsável, ouvi-o bem que mo disseram, e nunca se sabe, não vale a pena provocar problemas.

Nisto chegamos à esplanada da estação, o Nuno já tem a Famous e o gelo à nossa espera. Bebemos, falamos, e brota muito latim vulgar. O Kok anima. Tanta é a sede que a garrafa desaparece num ápice, qual suspiro de alívio. Pago eu outra, que logo vem. E chega o Lima, que não se deixou ficar quieto, com o Gonçalves.

O resto é o futuro.

jpt

publicado às 19:12

Chega-me o último número da "Índico" (série III, nº 15, Set/Outubro 2012), a revista de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique que o Nelson Saúte tem vindo a produzir nos últimos anos, nisso fazendo um belo trabalho (eu sou suspeito, pois de vez em quando meto um texto, mas parece-me pacífico elogiar a revista).

Neste último número 3 destinos moçambicanos, tão belamente fotografados que aguçam a esperança da viagem: Mecúfi, Songo, monte Mecula (MVF será que ainda temos estofo para metermos uma mochila às costas e ir pelo país?, eu carrego-te as máquinas e tu fotografas ...). Depois um portefólio de fotografias do Funcho sobre "m'siro" (assunto que é a minha irritação de estimação, mas dá para provar que o apelo do exótico não é só estrangeiro). Como cumpre a uma revista de aviação tem destinos internacionais (Viena, Joanesburgo e Madagáscar). Um texto meu, "Kok Nam, o fotógrafo desassombrado" serve a apresentação de uma série de fotografias do Kok, uma homenagem da revista. Tem ainda um artigo sobre os murais de Malangatana, ecoando a recente publicação a eles dedicada, e um outro artigo sobre a expedição "Luanda-Maputo em bicicleta" feita por Pedro Fontes e que aqui agora realizou uma exposição fotográfica que, tal como o livro sobre os murais de Malangatana, foi coordenada pela antiga cônsul de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira.

Uma bela revista, com o tom de revista de bordo. E apetitosa para os amantes do país e para os dele curiosos. Será pois de recordar todos os que têm interesse no país que a L.A.M. apresenta no seu sítio electrónico todas as 14 anteriores edições da III série da Índico (e esta última entrará no "sítio" quando for publicado o próximo número), e fá-lo de uma forma cuidada e pormenorizada. Basta entrar para ler (e ver). Não apenas informo. Recomendo.

jpt

publicado às 11:12

Nos últimos dias aqui deixei várias referências a Kok Nam. E acredito que muitos dos visitantes do blog, não-moçambicanos, não tenham grande conhecimento da personagem. E então é também para eles, para o conhecerem um pouco melhor que aqui transcrevo uma bela entrevista que o João Almada lhe fez há cerca de ano e meio. Estava inédita e foi publicada nesta última edição do Savana. Kok, como de Portugal me escreveu agora um amigo comum, era um tipo bigger than life e ao mesmo tempo de uma simplicidade desarmante. Fica aqui esta memória, que levou o título "É preciso denunciar esta pobreza e esta ostentação luxuosa". Que, até pelo seu cariz autobiográfico, é forma de se conhecer o percurso do fotógrafo. Mas é também um documento para que se compreenda o processo moçambicano - Kok Nam a raspar no vidro...Um texto imperdível.

publicado às 09:58

Bertina Lopes por Paola Rolletta

por jpt, em 10.02.12

Na morte de Bertina Lopes reponho aqui a peça que a Paola Rolletta publicou no Savana de 27.1.2006 (e logo reproduzida no ma-schamba).

 

Bertina, a Pintora


 

Energia imparável é o comentário mais óbvio que se pode fazer quando se fala de Bertina Lopes. Uma exposição em Rimini a inaugurar no próximo dia 4 de Março, uma outra em Roma em meados de Maio, e outros mil projectos em carteira desta senhora das artes plásticas moçambicana que nasceu no final dos anos 20 do século passado.

 

Um texto de um jornal deve ser justificado por um acontecimento especial, um “gancho” como se diz na gíria. O gancho para esta pequena homenagem a esta grande mulher foi-me dado há algumas semanas quando, neste semanário, foi publicado um artigo sobre o fundador do jornal “Tribuna”, João Reis, recentemente falecido. Reis era proprietário de uma loja de livros de arte, discos de música clássica e jazz, jogos de sociedade, reproduções de quadros, a Poliarte, que estava nas arcadas no Prédio EMOSE, na baixa de Maputo. João Reis apoiava os jovens artistas locais, e organizava exposições de pintura. Justamente em 1956, Bertina participou pela primeira vez com os seus quadros numa exposição colectiva faz agora cinquenta anos. O que justifica estas linhas.

 

A mãe dos pintores moçambicanos


[(Bertina Lopes, "Olhos brancos de farinha de milho", 1965, óleo sobre tela)"]]

 

Na história da pintura, muitas vezes o seu nome é posto ao lado da mexicana e grande artista, Frida Khalo. Duas vidas certamente diferentes, mas com traços comuns muito fortes, e sobretudo com qualidades pictóricas e humanas muito peculiares.

 

É chamada por toda a gente Mama B. Mãe foi de dois filhos, o Virgílio e o Eugênio. E foi considerada a mãe dos pintores moçambicanos todos. É Bertina Lopes, a artista luso-moçambicana que vive há quarenta anos em Roma, com Franco, seu marido italiano. Proibiu-nos de chamá-la apenas moçambicana. Não quer. “Nas minhas veias corre sangue português, do meu pai, e sangue africano, da minha mãe. Desde sempre queria que todos me chamassem luso-moçambicana, só nos últimos anos consegui ter reconhecido esse meu direito”, afirma com um brilho malandro nos olhos negros marcados com uma linha de kajal.

 

Ela é mãe e pai das artes plásticas moçambicanas”, disse-nos Malangatana. “Foi das primeiras a exprimir as inquietações na sociedade portuguesa. Levantava problemas sócio-políticos sem fazer com que a pintura se tornasse panfleto. Quer gostassem quer não da pessoa, todos ficavam impressionados por ela como criadora. Porque era fácil compreender a sua obra, caracterizada – ainda hoje - por uma forte expressividade. Talvez não gostassem dos títulos (por exemplo, Grito grande, Olhos brancos de farinha de milho) que ela escolhia para as suas obras, mas sentiam a obra na carne e na alma.”

 

[Bertina Lopes com José Craveirinha e Rui Nogar; fotografia de Ricardo Rangel]

 

Voltou a Lourenço Marques em 1953, depois de uma temporada em Lisboa onde foi estudar Belas Artes. Voltou e começou a dar aulas de desenho na Escola Técnica General Machado. Eram os tempos de Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli. Casou com o poeta Virgílio de Lemos, o pai dos seus filhos. “ Embora com carácter diferente, muitas vezes os quadros pareciam ilustrações dos poemas do Virgílio e vice-versa”, diz Malangatana.

 

Embaixada paralela


(Bertina Lopes, "Como Um Grande Amor")

 

Bertina recebe na sua casa-atelier todos os “palopes” que passam pela capital italiana. O terraço, com vista fabulosa dos telhados de Roma inclusive da Basílica de São Pedro, tornou-se uma espécie de “embaixada paralela”. Todos deixam a sua assinatura, nas paredes, repletas de homens políticos, artistas, músicos, enfim de toda a gente que por lá passa.Um pedaço dos palopes em território neutro, a Itália. Está lá o poema que lhe dedicou Graça Machel, a flor de Joaquim Chissano, o charuto de Mário Soares, os agradecimentos de Carlos Veiga… e todos os outros que passaram e passam por lá a tomar um “espumantinho erótico”.Bertina conta anedotas, sorri à vida, leva tudo com a ligeireza sonhadora dos grandes artistas e fala uma língua que é só dela: o “bertinês”, uma mistura de português e italiano, como a definiu o escritor italiano Carlo Levi. Quando fala, usa sempre um tom baixo e arrastado, como se tivesse sempre que traduzir não apenas as palavras mas aquilo que sente na alma: as reacções agressivas - que são uma caractéristica dela - se apagam logo graças ao sorriso de menina brincalhona e das boas maneiras de senhora requintada.Bertina é uma pessoa generosa. “No meio artístico e social de Moçambique é carinhosamente chamada Mama B”, escreveu Joaquim Chissano, “porque nela está corporizado o mito e a essência do nosso ser colectivo, o modelo e exemplo a seguir pelas novas gerações, a fonte inesgotável de inspiração nos nossos esforços de reconstrução e desenvolvimento nacional, de consolidação da tolerância e reconciliação, de trabalho árduo por um futuro melhor, em que estejam garantidos o pão, a paz, a harmonia e o bem-estar para todos.”O antigo presidente de Moçambique esqueceu de dizer que Mama B é assim chamada também em Itália onde conta com 57 “filhochos”, (filhotes). A pena dela é que apenas uma traz o seu nome. “Bertine era a mulher do médico que me fez nascer. Mas como era um nome estrangeiro o governo não deixou registar o nome. Os meus pais decidiram então me chamar Bertina.”Bertina à medida que a idade avança não deixa de ensinar a arte de viver com o sorriso apesar da dor, a arte da curiosidade, da generosidade, e sobretudo a grande arte de não se levar demasiado a sério, a ironia, e a arte e o prazer da convivência natural e social.Ela nunca esqueceu de onde veio, nunca esqueceu a luta do seu povo e a luta dela ao lado, embora geograficamente distante, da sua gente. No ano passado foi madrinha de uma exposição de artistas deficientes, “Abaixo o cinzento”, para angariar fundos para o DREAM, o programa de luta contra o SIDA levado a cabo pela Comunidade de Santo Egídio em Moçambique.“Nunca se divorciou do seu país”, comentou Malangatana. A lembrança faz parte da sua obra de arte e da sua vida. “A minha casa era, desde a minha chegada a Roma, o ponto de encontro dos refugiados, dos exilados”, e recorda como ela, na época da ditadura era “deportada” enquanto a irmã mais velha era deputada nas Nações Unidas.Entre outros, em 1991 Bertina recebeu o Prémio Mundial “Carson” da Raquel Carson Memorial Foundation de Nova Iorque pelo seus méritos artísticos e humanitários e pela sua fidelidade às origens africanas embora no contexto de uma refinada esperiência pessoal internacional.

 

Uma das fases mais recentes da pintura da Bertina tem o jazz como elemento inspirador. As telas de Bertina a quererem ser partituras de jazz, como um símbolo activo da síntese mais ambiciosa e qualitativamente elevada, entre diversas culturas e etnias, jogadas no harmonioso signo de uma arte já livre de qualquer exagero nacional-cultural e político.

 

A força da pintura e da escultura (particularmente interessante aquela que dedicou ao antigo presidente e amigo Samora Machel, Quem nunca morre e de tudo se lembra, é o povo) vivida entre dois continentes, reside neste seu “estar fora”, num espaço pictórico totalmente autónomo das escolas e totalmente dentro da vida, percorrendo o espaço “para encontrar um espaço para África”. Grande capacidade da artista de absorver e metabolizar escolas e tendências sem nunca prescindir das suas raizes e da sua personalidade.

 

Mas a sua terra natal não se lembra tanto dela como ela se lembra de Moçambique. Há vários anos que não é organizada uma exposição da obra dela. Há pelo menos um banco que possui muitos quadros de Bertina, talvez a maior exposição permanente da artista nesta cidade. Infelizmente não está à vista de toda a gente. Malangatana acha que era tempo de Moçambique organizar uma.

 

 

(“Fanisse era minha avó” [de um poema de José Craveirinha], 1967, collage e óleo sobre tela)

 

Caleidoscópios


Luciana Stegagno Picchio escreveu que “a própria aventura do informal, que Europa e América enfrentam a nível puramente cerebral e visivo ou mesmo apenas gestual, é vivida por Bertina, africana de Europa, como recuperação de gestos e signos que em África, antes que em qualquer lugar, o tempo tinha isolado e mudado em metáforas: o nó, a rede, o olho, a serpente, o totem.

 

Já passaram muitos anos das primeiras pinturas figurativas, repletas de grandes olhos de africanos chocados com a violência do mundo. E passaram também alguns anos dos “totem” repletos das cores fantásticas da liber-tação. Passou também a fase espacial.

 

No século XXI, Mama B de Maputo, de Lisboa, de Roma, tem como motivo criativo a difusão da cor, quase violenta, em telas sempre maiores, caleidoscópios de cores brilhantes, úteros luminosos e fortes onde se vê nítida a vida e a alegria de viver.

 

Adenda (Jpt): Sobre Bertina Lopes consultar aqui.

 

As seguintes (pobres) reproduções são minha opção para ilustração no blog, retiradas do catálogo 9 Artistas de Moçambique, Maputo, Museu Nacional de Arte, 1992, e entretanto substituídas pelas imagens originalmente colocadas no artigo.

 

 

[“As Luzes e as Chaminés das Fábricas“, 1988, óleo sobre tela]

 

 

["Mafalala", s/d, óleo sobre tela)"]

 

 

["Os Três Momentos", 1991, óleo sobre tela]

 

 

 

["Raíz Antiga", 1988, óleo sobre tela]

 

jpt

publicado às 17:02

É de ler "Pedro Nacuo: leituras", um mais-que-esclarecido texto no PembaAtoll sobre o caso dos "talibans de Moçambique" que tanto tem dado que falar (e mal). Nacuo publicou no Notícias um texto narrando a violação de uma mulher por 17 homens inseridos numa cerimónia ritual. Como não o fez assumindo uma retórica discursiva radical seis organizações assumiram-no apoiante do acto e contra o jornalista lançaram uma campanha. Um verdadeiro assassinato de carácter.

Não me fico apenas pela concordância com o texto analítico do PembaAtoll. Ao conhecer a polémica que o texto de Nacuo brotou li-o várias vezes e muito me espantou a reacção absolutamente despropositada das organizações. Mas não creio que se trate de uma tresleitura do texto, o qual não tem, minimamente, o carácter cúmplice, complacente ou aliado que lhe é imputado - basta lê-lo. E perceber o "olhar distanciado" que nele se encena, um aparente "desligado" que intenta (e consegue, diga-se) a profundidade. A reacção institucional foi, explicitamente, uma deriva totalitária por parte destas organizações cometidas com as "boas causas". O que este caso demonstra é uma óbvia tentativa (eu diria mesmo agenda) de imposição de um tipo de escrita militante, um "indignismo", um "denuncionismo" retórico. A exigência, até letal, do panfletarismo. E quem não cumpre, quem escreve à sua maneira, passa a saber que incorre neste tipo de acções. A quererem impor conteúdos e, vê-se, até a forma.

Tudo isto me causa espanto, um profundo desagrado, até porque nalgumas destas organizações trabalham colegas e amigos meus. Mas a fazer lembrar que as boas causas tantas vezes foram na história, e ainda mais na recente, o "ovo da mamba".

Não esquecendo o fundamental, o terrível crime de violação ocorrido, convém lembrar que o "talibanismo" intelectual, o terrorismo intelectual, teve aqui uma vítima: o jornalista Pedro Nacuo, cujo nome já corre a imprensa internacional vilipendiado pela interpretação absolutamente instrumental e abusiva que do seu texto foi feita. [Como nesta página institucional ou no próprio noticiário do Yahoo]. Assim conspurcado. E a exigir a devolução da sua bondade.

Tétrico.

jpt

publicado às 01:57

O "Sol" e a noção da "lusofonia"

por jpt, em 06.01.12

Há algum tempo deixei aqui eco de uma conferência em Maputo dedicada à comunicação social em português, organizada pelo jornal "Sol", na qual foi vastamente abordada a noção de "lusofonia". Sobre isso exprimi o meu desconforto e desencanto (o que até desagradou a patrícios amigos ou conhecidos, distraídos quanto ao assunto, quero crer). Sei agora que o "Sol", avisadamente, abordará o assunto através de três artigos de opinião, a serem publicados nas três próximas edições, a primeira das quais hoje mesmo. De Nataniel Ngomane, Nelson Saúte e Perpétua Gonçalves, ao que julgo exactamente por essa ordem. Pela qualidade dos intervenientes, e também pelo espaçado da publicação, julgo que será um bom momento para aclarar algumas ideias sobre o assunto. Que é muito mais "preenchido" do que o mero "falar português" que alguns julgam.

A ver se lhes passa o rancor. E se nos deixamos, nós, portugueses, de verborreias e nepotismos idiotas. Que inibem. A compreensão dos contextos e a interacção.

jpt

publicado às 03:05

Ao Balcão da Cantina

por jpt, em 23.11.11

 

A partir da edição de hoje tenho uma contribuição semanal no Canal de Moçambique, a qual vai com o nome "Ao Balcão da Cantina" (que em tempos imaginei título de outra coisa, mas que é melhor usar já por falência dessa outra coisa). Este primeiro texto no semanário é "A Bienal TDM 2011". Como não está acessível no sítio electrónico do jornal deixá-lo-ei aqui amanhã.

 

("Vais escrever para o Canal de Moçambique?", resmungam, cenho franzido, várias pessoas próximas. "Mas é um jornal político ..." até avisam. Pois que seja, mas não é do partido socialista português, quasi-única condição que me é verdadeiramente impeditiva nesta conjuntura política [que traidor ao meu país não sou]. Quanto ao resto paga-me o credelec, coisa pouca, mas isto está tão mal que é assim mesmo. E sou amigo do director, que é talvez a coisa mais importante no meio deste mundo).

 

jpt

publicado às 13:15

 

Está hoje à venda a primeira edição moçambicana do jornal "Sol", um acontecimento no seio da imprensa moçambicana e, até, portuguesa. Desejo a melhor sorte para a iniciativa, que vem na sequência de idêntico projecto realizado em Angola. Consiste na articulação de uma parte da edição semanal portuguesa com uma larga secção moçambicana, para além da realização de uma revista exclusivamente dedicada a questões moçambicanas intitulada "Lua".

 

De vez em quando meto um texto no "Sol" africano e por coincidência esta primeira edição tem um desses. Aqui fica a cópia, na edição impressa metida na coluna "Carta de Moçambique". Foi simpático que saísse nesta primeira edição, ainda para mais recebida numa agradável recepção, polvilhada de canapés do mais fino recorte técnico (algo que muito aprecio) e da presença de bons amigos.

 

Aqui fica cópia do texto "Redes Culturais", publicado hoje no "Sol" de Moçambique, onde em parcos 4000 caracteres procuro uma esperança no meu país.

 


REDES CULTURAIS


De Lisboa chegam rumores da reestruturação na administração pública portuguesa. E neles se especula sobre a fusão do Instituto Camões com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. Assim se unindo o eixo estatal da Ajuda Pública ao Desenvolvimento, a dita “cooperação”, nos sectores da cultura e do ensino, as dimensões verdadeiramente estruturantes a longo prazo no relacionamento lusófono.

A acontecer essa fusão vejo-a com muita simpatia. Algumas dificuldades surgirão, exigindo um esforço extra de flexibilidade na sua administração, dados os diferentes âmbitos e metodologias das actividades tuteladas. Nisso realço a rede de leitorados, a dimensão universitária do Instituto Camões - e que tão frutuosa tem sido em Moçambique, muito pela excelência dos quadros aqui destacados –, a qual exige uma abordagem peculiar, distante do comum ao “reino da cooperação”.

 

Quanto às restantes áreas parece-me que esta reestruturação tem hipóteses de ser virtuosa, uma oportunidade única para o relançamento da acção cultural externa do Estado português, bastante enfraquecida. Poderá isto parecer um contra-senso, face a um ciclo de redução da sua autonomia administrativa, a somar aos efeitos da crise económica. Esses que deprimem os orçamentos no sector da cultura, sempre visto como dispensável, pois “improdutivo”, coisas desse pobre economicismo que continua paradigma de entendimento, apesar do gigantismo da crise tanto o refutar.

 

Especifico mais. Não me centro tanto numa acção cultural externa de representação estatal, mais ou menos sumptuária. Nem mesmo a algumas tentativas para induzir a internacionalização dos agentes culturais nacionais, introduzindo-os nos grandes mercados mundiais. O primeiro vector não é fundamental, ainda que legítimo. E creio que na actualidade o Estado português não tem competência para influenciar os grandes cenários culturais internacionais, ainda que o seu apoio seja sempre desejável.

 

Penso numa área mais desafiante, onde as instituições estatais poderão ter um papel influente, nesta sua nova configuração que une cooperação e acção cultural. Trata-se da acção nos países lusófonos, a qual se tem centrado na existência centros culturais nas capitais, que tiveram como objectivo inicial serem locais de mostra de cultura portuguesa e, em segundo lugar, de criação de um circuito artístico-intelectual lusófono.

 

Duas décadas passadas sobre os programas iniciais constata-se a modéstia do obtido. Nem se criou uma política de itinerância e divulgação de agentes culturais (por exemplo à imagem, que não à dimensão, da “francofonia cultural”) nem mesmo se criaram políticas culturais significantes e continuadas. Há uma prática à mercê dos constantes constrangimentos orçamentais e das possibilidades incidentais, nisso resultando um conservadorismo que ecoa a falta de dinâmicas internas. O que acontece é a preservação dos centros culturais, quais “casas da cultura” do passado, incapazes de seguirem as dinâmicas culturais existentes e muito menos de as induzirem, como seria seu objectivo. Existem para existir, tornaram-se o fim em si mesmo.

 

Recordo José Soares Martins, durante longo tempo conselheiro cultural português em Maputo, na inauguração do Camões de Maputo, em 1997: “Não se fechem no centro cultural”. Entenda-se, não se assumam os centros como objectivos mas apenas como meios. Hoje, olhando a sua acção, e vendo-a exemplo de outras, encontra-se uma estrutura pesada e cara, mas sem recursos humanos à altura dos desafios, por falta de formação e de horizontes. Um centro cujas actividades mais afirmativas derivam da capacidade dos leitorados, que lhes são externos. Ou seja, uma instituição que cumpre o propósito de existir.

 

Por isso saúdo esta fusão com a área da cooperação. À imagem desta actividade poder-se-á esperar um organismo menos autocentrado, e mais aberto à articulação com os movimentos culturais existentes, oriundos dos vários países, imaginando-se até como facilitador de parcerias e não tanto como agente condutor. Não se trata de utopias, veja-se como a última década testemunhou só em Moçambique a afirmação das energias constantes expressas no Kinani, na PhotoFesta (entretanto interrompida), das Bienais do MUVART, do Dockanema, para citar os mais sonantes. Tudo movimentos endógenos, internacionalizados, oriundos das energias da sociedade civil.

 

É esse o caminho para a acção cultural patrocinada pelo Estado português. Apoiar em termos de recursos executivos e até conceptuais, servindo-se de instrumentos existentes (como os velhos programas INOVARTE ou Contacto) ou outros. Em tempos de “vacas magras”? Sim, com toda a certeza. Pois até será mais barato do que os pesados centros culturais, agora introspectivos.

 

No fundo, e neste tempo de “redes sociais”, é altura de entender que a acção cultural externa é a de apoiar e induzir “redes culturais”. Tendencialmente descentradas. E é esse descentramento o grande desafio que se coloca à nova administração. Pois significa perder para as dinâmicas sociais as prerrogativas da selecção sobre o que é relevante. Ou seja, significa democracia. Cultural.

 

jpt

publicado às 01:33

 

[Fotografia de Ricardo Rangel, Tempo, nº 4, Outubro de 1970]

 

Alexandre Pomar recorda os números iniciais da revista Tempo (Setembro e Outubro de 1970) mostrando esta e outras duas fotografias de Ricardo Rangel, aí publicadas.

 

(e a propósito desta pequena memória de Júlio Resende em Moçambique será de visitar os textos dedicados ao pintor que Alexandre Pomar recorda).

 

jpt

publicado às 22:21

 

A última edição sul-africana da revista National Geographic Traveler (a ligação permite a leitura total) dedicada a Moçambique, um extenso guia por estâncias turísticas, muito catapultado pelo Parque Nacional da Gorongosa, pelo Nkwichi Lodge no Lago Niassa, pelas ilhas proibidas das Quirimbas (caríssimas) e por uma mão-cheia de praias. Ou seja, divulgar o turismo no país assente na sua especificidade ecológica, na conservação - alguém compreenderá? Ou continuará o desbaste histriónico? Também um pequeno, sofrível, passar-por-Maputo. Vale mesmo a pena ver a revista. Para planear. Ou para sonhar.

 

Em complemento deixo artigo Guia de Moçambique na National Geographic. É o olhar de turista, mas é disso que se trata.

 

jpt

publicado às 14:24

60 dias de facebooking

por jpt, em 18.06.11

Nunca gostei do sempre-repetido mandamento bloguístico "escreve sobre o que sabes. Link to the rest". Sempre me irritou o prescritivo sobre esta irresponsável actividade, na qual para mim cada-um-como-cada-qual. Os limites do saber próprio (quando este existe) estão no trabalho,  e isto do in-blog é para botar sobre o que vem à respectiva cabeça.

 

Para além disso o weblog é um diário, de impressões, e estas são (ou podem ser) múltiplas, esparsas - um tipo que só se interessa sobre o que sabe, caramba, é um chato. Claro que há os blogs especializados (dedicados), alguns fantásticos. Mas isso é uma saudável opção, não uma obrigação.

 

Mas o mandamento de "link to the rest" está estafado no bloguismo acima de tudo por razões tecnológicas. Com a vertigem imediatista do facebook, aquilo do clic-clic e ligação feita perdeu-se muito da dimensão inter-ligadora (e textual, reflexiva) do bloguismo. Aliás, os sistemas (blogspot, wordpress) terão que integrar essa função supra-ligadora. Ou desaparecem.

 

Como blogar neste contexto? Não sei bem, nem sei se isto tem muito futuro (há anos que se diz que o bloguismo è finito), ainda por cima com a "lentidão" ligadora que tem. Mas, pelo menos, é um sítio e um meio onde se pode escrever ... sobre o que não se sabe. Suprema liberdade potenciada pelo facebook, para onde podemos ir "linkar" coisas, fast-fast, clic-clic, com tanta vantagem ...

 

Uso o FB fundamentalmente como difusor de ma-schamba (a página blog ma-schamba, o grupo ma-schamba [modalidade que perdeu visibilidade nos murais devido às alterações do sistema FB] e o ma-schamba na aplicação NetworkedBlogs). Ainda assim acumulam-se as ligações, seja por réplicas imediatas de outros murais seja provenientes de outros suportes (blogs também). Como exemplo do supra-linkismo facebookista  actual, até vertiginoso, (mas também para meu arquivo, e esperando que alguém se divirta abaixol) deixo os meus dois últimos meses de facebooking, as aventuras nessa likeland reino do clic-clic.

 

A ordem da colocação aqui é inversa da cronológica ...

 

 

64. O (necessário, urgente) elogio da Culinária Moçambicana

 

 

63. Documentário de Werner Herzog sobre pinturas rupestres

 

 

62. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

61. Assange, o wikilikeakista: o facebook é máquina de espionagem! Estes romanos são loucos!

 

60. Constante reprise

 

59. Pérolas do youtube ...

 

58. Um número especial da Science et Vie dedicado ao acidente nuclear de Fukushima (via Klepsýdra)

 

57. Pérolas do youtube ...

56. O Byrne de oiro.

 55. The Clash "Should I Stay or Should I Go?": sem embebimento disponível ... É clicar e ouvir/ver ... 

 

54. Gorongosa. Fauna, Flora e Paisagens, um belíssimo trabalho fotográfico disponibilizado no facebook.

 

53. 30 Postais sobre Moçambique (elo retirado). Vale a pena lavar a vista.

 

52. José Sócrates: "seis anos de batota". Que herança ... A arquivar, para não o esquecer.

 

51. O "vai vir charters" do Paulo Futre. Uma bela peça de marketing mas, muito mais do que tudo, uma lição de rir-se de si próprio. Viva Futre! (o meu candidato ...)

 

50. O excelente Nkwichi Lodge no Lago Niassa, um verdadeiro eco-lodge e com gente porreira à frente, foi escolhido como um dos 101 melhores hotéis mundiais [Já lá estivemos e sobre isso botei, deslumbrado].

 

49. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

48. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

47. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

46. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

45. Directório de blogs expatriados. Aqui a secção Moçambique.

 

44. Um ascensão fulgurante, dançarinos moçambicanos integram o último trabalho de Beyoncé.

 

43. João Pereira Coutinho, no fim de José Sócrates, o pior dos políticos portugueses, com o tique máximo da anti-democracia: "um político que prefere negar a realidade e confunde uma crítica ao governo com uma crítica ao país". Que nunca mais volte, é um desígnio nacional, apesar das suas ameaças "em andar por aí".

 

 

42. O excelente sítio Buala a trabalhar sobre Ruy Duarte de Carvalho.

 

41. O Da Casa Amarela a comemorar o aniversário de Dylan

 

40. A AL é uma emérita coleccionadora de cartoons e tem um mural FB fantástico nisso.

 

39. No 70º aniversário de Dylan, ele sobre Elis Regina

 

38. Forever Mickey

 

37. Água Vumba premiada, a minha bebida moçambicana preferida. (Sim, apesar de militante da dupla 2M - Manica)

 

36. A propósito da crise, versão pop-pirosa ...

 

35. 3XMiles

 

34. The Guardian a olhar para a imprensa moçambicana e seu impacto social. O elogio do jornal "Verdade", o popular primeiro gratuito, que tanto modificou a paisagem mediática aqui. E que é líder na imprensa informática, com o vigor que coloca - celebrizando-se na cobertura dos acontecimentos de 1 e 2 de Setembro de 2010.

 

33. Dexter, via MVF - que tem um refinado mural FB. E talvez por isso tão pouco aqui culime ...

 

32. Mitos industriais perversos, via A Arte da Fuga, um bom pontapé no guevarismo e, mais globalmente, no acriticismo.

 

31. Um céu limpo global, fruto de um projecto fotográfico de grande monta.

 

30. Uma nova supernova. A página da National Geographic dá-nos maravilhas diárias ...

 

 

29. Naipaul por Naipaul - agora aflorando a "escrita feminina". Um elefante em loja de femininismos ...;

 

28. Aquando das eleições portuguesas uma reflexão sobre as aldrabices das sondagens políticas portuguesas. Já nas últimas eleições isso se discutiu no bloguismo - o peso simbólico (académico, como se científico, e mediático-televisivo) dos sondageiros, alimentado pela idolatria da numerologia continua a permitir a subsistência e sobrevivência gente. Urge o ostracismo moral. Para todos ..

 

27. No país da Dirty Dilma: também ler um Que fazer?;

 

26. Sobre os telemóveis. Cancerígenos ou não?, via De Rerum Natura. Questão de "estação estúpida"? Ou bem pior do que isso? E que efeitos nos fanáticos twitteristas?

 

25. Chegou o icloud da Apple, e deve mudar bastante as coisas - como por exemplo nunca mais perder os ficheiros por corrupção dos "discos-afinal-moles".

 

24. Notícia da publicação do Caderno de campo na Guiné-Bissau (1947) de Orlando Ribeiro. Para a agenda de compras quando em Portugal ...

 

23. Lou Reed Forever

 

22. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

21. Bela galeria fotográfica de arte moderna

 

20. Kare Lisboa, na Lx Factory: gente família a lutar bem com a crise. E nós de longe a torcermos pelo sucesso, bem-merecido.

 

19. Lembrei-me da gentil guitarra do Beatle. (um Beatle nunca é ex).

 

18. Bjork, Venus as a Boy: lembrei-me do vulcão islandesa, mas sem direito a partilha (a função "embeber" foi retirada do youtube para este filme). É clicar para ouvir/ver ..

 

17. Tomai lá com o Bach, em Lisboa disse uma velha-amiga

 

5032
Flying in a motorized paraglider over one of the most diverse continents in the world, George Steinmetz captures in his photographs the stunning beauty, potential and hope of Africa's landscapes and people. See the project at http://mediastorm.com/publication/african-air

16. África em vista aérea, uma galeria sumptuosa a mostrar o  trabalho de George Steinmetz, "fotógrafo americano que percorreu e fotografou as paisagens africanas ao longo de 30 anos. Sobretudo do ar, a bordo de um parapente motorizado":

 

 

15. Uma dupla de Siouxie, a última das moicanas ...

 

14. Lago Niassa declarado reserva natural pelo governo de Moçambique, uma boa notícia enquanto há rumores de que empresas se preparam para acelerar a exploração dos "recursos" minerais existentes.

 

13. Ads of the World: conhecer o inimigo. Para melhor o combater.

 

12. Canal de Moçambique, o mais belo título dos jornais moçambicanos, a abrir a sua página no facebook;

 

11. Imperdível, textos sobre Arte Contemporânea africana;

10. Eu lembrei o Tony de Matos e logo uma amiga-FB completou ...

 

9. O Grande Tony de Matos - que eu sempre recordo a actuar no Coliseu dos Recreios em meados dos anos 1980s, então sala-nobre de Lisboa e como tal vedada aos cantores populares. Foi "special guest star" de Vitorino e levantou o público à ... entrada. Um sucesso, uma reparação. 25 anos depois honra ao Vitorino que provocou o momento ...

 

 8. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

7. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"..

 

6. Uma série apaixonante, a ir ver: Closer To The Truth

 

5. Uma sumptuosa série sobre filósofos, disponível no youtube, ao qual chego via Crítica. Blog de Filosofia;

 

4. Vasco Palmeirim - um delicioso humorista dos novos tempos em Portugal que venho conhecendo via youtube ...

 

3. O silêncio dos livros, um belo blog mostrando leituras.

2. Retirado o título [o grau de doutorada] a deputada europeia [alemã] Silvana Koch-Mehrin que plagiou - informa o Diário de Notícias exactamente no dia em que deixei o resmungo sobre o posfácio dos plágios (e lembrando outro meu lamento mais dorido);

1. Stellarium, um fantástico programa informático que nos põe o planetário em casa (como qualquer miúdo da minha geração teria sonhado).

 

jpt

publicado às 13:10

A IURD em Moçambique

por jpt, em 11.04.11

A expansão da Igreja Universal do Reino de Deus em Moçambique é extraordinária. No último jornal Domingo o coronel Sérgio Vieira, personalidade que muitos criticam, tem um notável encerramento da sua habitual coluna. Lembra que a IURD inaugurou recentemente uma catedral no centro de Maputo (este edifício aqui retratado, na Av. 24 de Julho). E que na cerimónia de inauguração morreram vários crentes, asfixiados ou esmagados. E lembra ainda Sérgio Vieira, tão surpreendido como eu face a estas mortes num templo recém-construído no centro da capital, que estes escandalosos acontecimentos não tiveram grande eco na imprensa nacional, dizendo que tal terá ocorrido por influência da seita junto dos mídia. O colunista - homem importante no espectro político nacional - deixa ainda o seu apelo adverso a estas práticas religiosas. Interessante. Acima de tudo por ser tão minoritária esta voz.

Em 2011.

jpt

publicado às 19:35


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