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J.M. Coetzee

por jpt, em 25.05.12

É uma forma de assinalar o Dia de África.

jpt

publicado às 05:52

No coração de uma terra

por jpt, em 24.03.10

[J.M.Coetzee, No Coração Desta Terra, D. Quixote, 2005 (1977), tradução de Maria João Delgado]

 

Foi o bloguismo (recente) que me fez regressar a este livro, quando para ele encontrei espaço no meio da pilha, a segunda ficção publicada por Coetzee. Onde eu e qualquer leitor navegamos ao sabor da corrente da imaginação aparentemente psicótica da filha-Magda, narradora protagonista, encerrada numa herdade (farm) na savana desertificada (veld) sul-africana. Mundo rude, mundo colonial (explicitamente), de silêncios opressores afinal seu terreno de liberdade - de vida, de tortuosa imaginação. Do que ela realmente fez ou faz não sabemos, apenas optamos por uma versão dita ou indita. Do que ela e seu pai fazem ou não fazem não sabemos, apenas optamos por uma versão dita ou indita. Do que ela e seus criados/empregados fazem ou não fazem não sabemos, apenas optamos por uma versão dita ou indita. Um estado de aparente loucura que é afinal aquela normalidade. Sem culpabilidade ou culpabilizações. Enorme como o tal veld. Opressor como o tal veld.

 

Magda louca? "Como é que posso ser enganada quando raciocino com tanta clareza?" (217), consciente de que "A liberdade excessiva é a única coisa que me pode limitar..." (32)? Magda louca?, a pós-hegeliana: "A certeza do amo quanto à sua própria realidade reside na consciência do escravo. Mas a consciência do escravo é uma consciência dependente. Assim, o amo não está seguro da realidade da sua autonomia. A sua realidade repousa numa consciência inessencial e nos seus actos inessenciais. Estas palavras referem-se ao meu pai, à maneira brusca como lidava com os criados, à sua rispidez inútil." (223)? Magda louca, diante desses que "fazem a sua labuta de ombros curvados numa tentativa de se esquivarem aos excessos de mau humor." (17)? Mas louca?, ou tacteando a razão, ela que "Na falta de qualquer relação com os seres humanos, é inevitável que eu sobrevalorize a imaginação e espere que, através dela, as coisas mais triviais adquiram uma aura transcendente" (29). Pois apenas ela e o pai, visceralmente unidos pois únicos ali, um mundo assim sem mais "ninguém" que seja "alguém": "De seis em seis dias, quando os nossos ciclos coincidem - o dele de dois dias, o meu de três - e quando esvaziamos as nossas tripas no balde-latrina atrás das figueiras, partilhamos o mau cheiro das fezes frescas um do outro, ele o meu fedor, eu o fedor dele. Deslizando a tampa de madeira para o lado, escarrancho-me em cima do seu poio infernal, sanguíneo, brutal, do que as moscas gostam, pintalgado, de certeza, de carne mal digerida, mal mastigada antes de deglutida. Em contrapartida, o meu (e aqui imagino-o com as calças nos joelhos, torcendo o nariz o mais que pode enquanto as moscas volteiam furiosamente no espaço escuro debaixo dele) é escuro, verde-oliva, cor de bílis, compacto porque demasiado reprimido, velho, cansado. Gememos, e puxamos, limpamo-nos, cada um à sua maneira, com quadrados de papel higiénico comprado nas lojas - marca de distinção -, arranjamo-nos e voltamos cá para fora. Depois, cabe a Hendrik a incumbência de verificar o balde e, se não estiver vazio, esvaziá-lo num buraco que foi cavado longe de casa, lavá-lo e voltar a colocá-lo no lugar. Não sei exactamente onde é que o balde é entornado; mas, algures na fazenda, há um buraco onde, enroladas uma na outra, a cobra vermelha do pai e a preta da filha se abraçam, dormem e se dissolvem." (59) Esta sim, a verdadeira versão.

 

Um livro enorme. Sobre o mundo. Não só aquele mundo. Mas também esse, o tal colonial referido. Entre pai e filha vivido. Sofrido e amado. Dá para entender?, isso da pobreza alheia?

 

jpt

publicado às 20:56

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por jpt, em 24.06.09

coetzee-inner-workings

"One of the more plausible explanations for why, despite a century of democratic movements and uprisings, Western-type democracy has failed to take root in the Middle East is that Arab nationalists have wanted to pick and choose from the Western cornucopia, taking over science and technology and/or educational systems and/or institutions of government without being ready to absorb their philosophical underpinnings as well, the false gods of rationalism, scepticism, and materialism."

[J.M. Coetzee, "Nadine Gordimer", Inner Workings. Literary Essays 2000-2005, Harvill Secker, 2007, 248-249]

publicado às 19:22


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