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Detesto o Acordo Ortográfico, e das razões para esse asco tenho enchido o blog. Por razões da própria escrita e seus efeitos na compreensão desejada. Mas,acima de tudo, pela pobreza de pensamento que levou meia dúzia de linguistas e uma mão cheia de políticos serôdios a levar aquilo à frente (alguns dos serôdios continuam no poder ou a influenciar o poder, a produzir o mesmo tipo de asneiras nos outros sectores da vida).

 

Sobre essa pobreza de pensamento e de como ela está presente em tantas coisas para além do "facto" ou "fato", do "há-des" ou "hás-de" escreve, e muito bem, José Pacheco Pereira:

 

Estamos para com o Acordo Ortográfico, uma aberração sem sentido que não merece sequer que se lhe discuta qualquer mérito, como se esteve para com o disparo do défice e da despesa pública: deixa-se andar e depois vê-se no que dá. Já sabemos o que deram o défice e a dívida. A única força que sustenta o Acordo é a mesma que condenou o país a esta crise profunda: inércia. Está na altura de lhe bater o pé com força, e a causa contra o Acordo até na rua terá sucesso. Bem que o Acordo podia ir junto com a TSU fazer companhia à meia hora de trabalho suplementar.


jpt

publicado às 00:55

A semirreta

por jpt, em 27.03.12

 

José Pacheco Pereira, que não costuma estar mal informado, insurge-se contra as finanças portuguesas. Enviaram-lhe uma comunicação e, entre outras coisas gravosas, vem esta em "acordês". Diz ele: "Isto foi corrigido para a ortografia portuguesa em vigor, porque o que lá vinha era "ativação", "efetue" e "eletrónica", tudo erros de ortografia. O Estado não respeita sequer a lei, visto que o Acordo Ortográfico não está em vigor.". Ou seja, coloca a questão da errada utilização pelo Estado da "nova" grafia, descendendo-a a ilegalidade. Estará certo?

 

Isto não é mera embirração. Se não é legal (ou, pelo menos, se não é correcto) que as instituições do Estado utilizem a "nova" grafia o que dizer da sua utilização no ensino oficial? Já aqui me questionei, como realizar o ensino do português, ainda para mais quando o governo anunciou que vai rever o actual acordo? Como ensinar os jovens numa grafia que não está decidida, e que nem sequer está legalizada?

 

Um pequeno detalhe ("anecdote"): esta semana terminou o segundo período de aulas do ensino português. Estive a corrigir o teste de matemática com a minha filha (9 anos, 5º ano). Num dos problemas estava questionada a "semirreta". Brincando li "semirrêta". A Carolina, que sabe destas minhas embirrações, mas ainda não tem idade para perceber que estas são mais com os admiradores serôdios do Acto Colonial, sonhando-lhe avatares, veros sobrinhos-netos de Salazar e netos de António Sérgio, mas sem o brilho dos antepassados, corrigiu-me com uma "semirréta". "Eu sei", confirmei, "estou a brincar!".

 

Ao que ela, certeira, e boa aluna, me respondeu: "a professora de português disse que o acordo ortográfico não muda a maneira de falar". Ao que eu lhe ripostei "e como aprendes tu a falar?". "A ler?!", percebeu ela. Aos nove anos.

 

jpt

publicado às 01:54


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