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A verdade elementar

por jpt, em 05.02.07

 

"Em suma, por trás de todas estas querelas, involuntárias ou não, assoma a verdade elementar de que as ilhas não crescem."

 

(Joseph Brodsky, Marca de Água, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993, p. 75. Tradução de Ana Luísa Faria)

publicado às 07:52

Vida.

por jpt, em 24.10.06

"Embora este lugar [Veneza] seja excelente para luas-de-mel, devo dizer que muitas vezes tenho pensado se não deveriam também experimentar usá-lo para os divórcios - quer os que estão em curso, quer os já consumados. Não há melhor pano de fundo para o dissipar de um enlevo; quer a razão esteja ou não do seu lado, nenhum egoísta consegue conservar por muito tempo o estrelato neste cenário de porcelana à beira da água cristalina, pois o cenário rouba-lhe a primazia. ... As pessoas, no entanto, gostam mais dos seus melodramas do que de arquitectura..."

 

[Joseph Brodsky, Marca de Água, Lisboa, D. Quixote, p. 25, (tradução de Ana Luísa Faria)]

publicado às 17:50

Declaração de princípio moral (e de repugnância higiénica):

 

"... era um reles arquitecto, dessa pavorosa seita do pós-guerra que fez mais estragos na linha do horizonte europeu do que qualquer Luftwaffe. Em Veneza, o indivíduo desfigurara dois campi maravilhosos com os seus edifícios, um dos quais era, claro está, um banco, pois este género de animal humano adora os bancos com um fervor absolutamente narcísico, com o amor de um efeito pela sua causa. Só por essa "estrutura" (como nesse tempo se dizia) merecia amplamente, a meu ver, um par de cornos. Mas já que, tal como a mulher, também ele era, pelos vistos, membro do PC, melhor seria confiar a missão a um camarada."

 

[Joseph Brodsky, Marca de Água, Lisboa, D. Quixote, p. 17-18 (tradução de Ana Luísa Faria)]

 

(claro está que, aos meus quarenta anos, não há ninguém que se abomine tanto como os arquitectos. Em especial os "melhores").

publicado às 17:48

Turismo

por jpt, em 23.10.06

"De qualquer forma, eu nunca aqui [Veneza] viria no Verão, nem à lei da bala. Suporto muito mal o calor; e pior ainda as implacáveis emanações de hidrocarbonetos e sovacos. As manadas de gente em calções, especialmente as que relincham em alemão, também têm o dom de me bulir com os nervos, dada a inferioridade da sua anatomia - da anatomia de quem quer que seja - em confronto com a das colunas, pilastras e estátuas; dado aquilo que a sua mobilidade - e tudo o que a alimenta - projecta contra a estase do mármore. Devo ser daqueles que preferem a escolha ao fluxo, e a pedra é sempre uma escolha. Nesta cidade os corpos, mesmo os mais bem dotados, devem a meu ver andar cobertos de tecido, quando mais não seja porque se movem. O vestuário talvez seja a única aproximação que se nos oferece da escolha feita pelo mármore".

 

 

[Joseph Brodsky, Marca de Água, Lisboa, D. Quixote, 1993, p. 22 (tradução de Ana Luísa Faria)]

publicado às 17:47


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