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"Instalação artística" [técnica mista: painel propagandístico da era da campanha eleitoral, candeeiro de rua em poste de pedra, carrinho Pingo Doce em metal e plástico; lavatório por estrear em loiça, pano] colocada na minha rua há já bastantes dias. Ou será a oposição de direita, ressabiada como afirma o proto-primeiro-ministro, já em acções provocatórias?

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publicado às 01:19

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Decerto que algumas razões, presumo que daquelas que antes se apelidavam "noblesse oblige", o mvf esqueceu-se de botar aqui que esta semana inaugurou uma exposição individual nesta Lisboa, a "Do Cais ao Cais", que estará visitável na Deleme Janelas, na Av. Miguel Bombarda, 102, até ao próximo 24 de Novembro.

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Sobre o apresentado disse ele no catálogo: "As 12 imagens da exposição "Do Cais ao Cais" são o resultado de dois passeios entre o Cais do Sodré e o Cais das Colunas com a máquina a tiracolo. Penso que o velho Albano [Albano Costa Lobo, já falecido ideólogo do curioso movimento fotográfico "The She Mouse Photo Event"] me diria no seu meio-sorriso qualquer coisa como isto: "Este gajo é lixado ...".

publicado às 06:27

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Ontem jantei com um grupo de amigos moçambicanos, uns cá residentes outros vindos de Maputo em trabalho. Comemos num restaurante moçambicano, o "Roda Viva". Excelente!. Melhor dizendo: Ex-ce-len-te!, que não há melhor do que silabar para se começar a salivar. Sublinho que todos os 8 comensais da nossa mesa eram profundos conhecedores e efectivos praticantes da gastronomia moçambicana e que a opinião foi unânime. 

 

Deliciosas chegaram a mathapa de camarão, a macouve e o caril de galinha. A xima foi sentenciada como estando "no ponto", e apresentou-se bem coadjuvada pelo arroz branco. As chamuças, vegetarianas e de carne, dignas de recomendação: belos recheios e, mais do que tudo, crocantíssimas, como mandam as regras tão esquecidas por cá. Bebeu-se 2M, cerveja moçambicana sempre de louvar. E também, para meu espanto, nipa, aguardente nacional, daquelas que escorrega tão perigosamente.

 

O serviço é jovem e simpático, sem o stress façanhudo nem os ademanes interesseiros tão correntes na capital. E os preços não são especulativos. O cabecilha do estabelecimento é Octávio Chamba, jovem quase antropólogo e também timbileiro, que muito bem avançou para este projecto, um tipo que merece todo o sucesso.

 

A casa é pequena, uns 16 lugares acolhedores, e situa-se perto "do museu", como se diria em Maputo. Ou seja, está pertíssimo do Museu do Fado, em Alfama, no Beco do Mexias, mesmo junto ao Largo do Chafariz de Dentro (aqui a sua página no Facebook).. 

 

Fica a minha recomendação, apressem-se. Corram e comam.

publicado às 09:36

Pré-campanha eleitoral?

por jpt, em 12.09.15

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Ontem, no Vale do Silêncio (Olivais, Lisboa), aconteceu uma sessão de esclarecimento. Muito animada e concorrida, com uma  vigorosa atitude dos membros do movimento cívico ali deslocados. Não pude ficar até ao final devido a um ataque que sofri, presumo que mescla da ciática com a radiculite. Mas muito apreciei a apresentação do Candidato Vieira, frise-se que acompanhado do seu mandatário nacional para a juventude. Temos homem.

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publicado às 18:07

Gastronomia moçambicana em Lisboa

por jpt, em 22.08.15

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Que Lisboa é na actualidade um ponto turístico global é óbvio. A cidade fervilha de turistas, de lisboetas e de locais aprazíveis para o festejo. E é Linda. É, já aqui o disse, maningue nice. Mas tem falhas, algumas clamorosas. Até agora a mais dolorosa que identifiquei é a, até surpreendente, ausência de um bom restaurante dedicado à gastronomia moçambicana. Sim, sei que há pelo menos 3 que disso se reclamam. Mas as vozes dos conhecedores são letais: não ascendem a nada mais do que matar as saudades dos mais irredutíveis. Alguns dos mais fatalistas tentam amansar os desesperados palatos com o argumento da falta de ingredientes disponíveis. Nada mais falso, os produtos estão presentes nos mercados mais acessíveis. E tudo se poderia congregar para abrir um verdadeiro restaurante moçambicano: público e publicidade, daquele boca-a-boca, não faltariam.

 

Esta minha reflexão, manifesto, é sustentada na empiria. Comprovei-a ontem, num evento acontecido numa residência particular ao bairro dos Olivais, ex-periferia da capital. Um académico moçambicano, elevadamente rompendo os estereótipos do "género", cozinhou isto: macouve, mboa, caril de camarão, feijoada (de feijão nhemba!!!) com galinha, acompanhados de xima (e arroz, este ausente da foto), com piripiri e achar à disposição. Estava tudo soberbo - demonstrando à exaustão a densidade etnográfica do intelectual autor; evidenciando as possibilidades da prática deste tipo de arte nesta cidade.

 

Se um Amador (palavra de grande respeitabilidade) consegue um êxito desta monta não percebo como é que não avançam os profissionais. O sucesso, repito, seria garantido.

publicado às 17:15

Imaginário colonial

por jpt, em 09.08.15

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Andando ali pela nova Lisboa, a da Parque-Expo, deparo-me com este naco de calçada portuguesa, inclusa numa pequena instalação perene da artista Ângela Ferreira. Sorrio ao reconhecimento. Não da palavra mas sim do imaginário. Alguns o dirão pós-colonial mas nem tanto eu. Sê-lo-ia, concedo, um jogo de cores a dizer o mais cosmopolita transversal Asante ou o mais falado Kotchapela*. Não lhe vejo, a este Kanimambo ali colocado, mal algum, apenas ternura laurentina ali deixada. Apenas sorrio, já disse, lembrando os discursos que empacotam as abordagens.

 

* Concedo: a grafia deste "obrigado", a sua pronúncia e até o exacto termo muito variam ao longo do eixo macuafono, tornando mais difícil a apropriação simpática pelos não falantes. Ainda assim  ....

publicado às 16:18

Badjias de bacalhau

por jpt, em 07.08.15

 

 

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Badjias de bacalhau, gastronomia típica portuguesa; almoço em Lisboa, Julho de 2015 com colegas-amigos Sandra e Elísio, e filha Carolina. Da série "Lisboa é maningue nice" ...

publicado às 18:00

Lisboa é maningue nice?

por jpt, em 07.08.15

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(fotografia da minha filha Carolina, ontem naquela hora do final da tarde ao sopé do Castelo)

 

 

publicado às 00:45

Colonial?

por jpt, em 26.06.15

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É um colóquio académico, coisa internacional aqui em Lisboa. Nada tenho a dizer mas vou visitar, escutar, há até um fim de manhã dedicada a textos sobre a zona de língua macua, antropólogos estrangeiros a falarem, de meus colegas patrícios nenhum na audiência, da disciplina apenas um, eu mesmo. Sorrio, sarcástico: enredados nas questões das "masculinidades", dos transgendeirismos ou destes folclorismos d'agora, desses a fazerem-se ao património unesco, nenhum saiu do gabinete para ir ouvir sobre uma zona onde vivem mais pessoas do que neste Portugal, e numa azáfama de permanências e transformações. Que o mundo é grande como o caraças sabe-o qualquer aldeão que se atreva a ir ver o mar, faltam é aldeões atrevidos lá pelas academias ...

 

 

A sala coloquial está composta, gente de outras disciplinas. Almoço na cantina da universidade, aqueles três euros e tal a que me reduziu este todo desajeito em vida. Uma colega, jovem estrangeira aqui vivendo, simpática e competente, sei-o porque a li e até já ouvi, vinda de outras disciplinas ("prima", posso dizer) senta-se à minha frente, nestes breves diálogos tão típicos destes eventos.

 

Com afabilidade diz-me que me vai lendo, os textos longos na minha conta na rede Academia.edu, e também este palrar no ma-schamba. Agradeço-lhe, até encabulado. E pergunta-me se sou de Moçambique. Eu esclareço-a, que sou português. Ela riposta, que o sabe. Mas não serei eu lá nascido, ou a minha família de lá? Se somos retornados?, sumarizo-lhe. Que não, não sou, nunca lá estive antes de 1994, que os meus pouco por lá passaram e em nada moldaram o "meu" Moçambique, mais do que tudo porque nunca foi verdadeiro assunto lá em casa. Mas, interrogo-a, porque me pergunta isso? De onde lhe vem a dúvida?

 

Sorri, até bonitamente, com elegância, avançando que ao ler-me lhe parece que eu sou de lá, "há qualquer coisa" no que digo e escrevo, talvez vinda daqueles tempos. Sou eu agora que sorrio, repetindo a negação. Percebendo-a mas deixando correr, o tom dela é afável, não há necessidade de discutir, ainda para mais com uma jovem senhora. Mas sei-lhe, é visível, o perfil. O ideológico, frise-se. O desta esquerda conceptual, enredada. Percebo-a, está-me a perguntar se não serei eu um "colonial". Não tanto um "colono" e nem mesmo um "colonialista", que tudo isto que me diz vem com até amizade. Mas, vá lá, não serei eu um "colonial"?

 

Apetece-me responder, claro, mas deixo cair. Deixo passar o momento ainda que logo ali saiba como lhe explicar a coisa. Deixo passar uns meses. E venho esclarecê-la, com o que então me apeteceu dizer. Apelando ao Clint, claro, o Eastwood, o tal tipo de direita. Este de "White Hunter, Black Heart", um filme de 1990 (um ano após a queda do muro comunista, já agora).

 

O filme é uma eulogia, sem dúvidas, de John Huston, a propósito do seu "Rainha Africana" (com o herói Bogart e a deusa Hepburn). Para além das peripécias da realização daquele filme em África, do retrato do idiossincrático realizador e sua relação com o mundo de Hollywood, centra-se na sua paixão pela caça: a personagem hustoniana quer matar um elefante "porque é um pecado" e ele o pode fazer, tem para isso poder, uma cena liminar, excelente.

 

 

Mas há muito mais, numa sublime aparente contradição, o húmus do filme. O avatar de Huston é um democrata, antifascista (retratam-se os anos 1940s). Insulta uma colona inglesa anti-semita (a cena acima), provoca uma desigual luta com um colono racista inglês, por isso sendo espancado - e explicita a semelhança das atitudes, as do racismo nazi e do colono. É, como a minha prezada colega o é dezenas anos depois, um democrata, de "esquerda" ("liberal", dir-se-ia nos tempos lá na América), certo que em tom blasé mas basto empenhado. Depois vai à caça, cria uma ligação com o seu guia. Que conduz, patrão paternalista, à morte. É no fim do filme que Eastwood explicita o título, os tamboristas tamborilando "caçador branco, coração preto". Apesar das boas causas, daquilo de "esquerda", da atitude (e do álcool), da aparente generosidade e solidariedade.

 

É talvez por isso que nunca Clint entra nas notas de rodapé dos "papers" sobre a "colonialidade" ou sobre o "colonialismo". E por isso que a "esquerda" sempre tâo solidária o diz de "direita". E, também, por isso que um tipo que lhe vê os filmes tem qualquer coisa de  ... "colonial".

 

 

publicado às 23:09

Masekela em Lisboa

por jpt, em 21.06.15

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Ontem noite ainda não longa levaram-me a conhecer o Largo do Intendente, aquela zona que "nos tempos" era má demais mesmo para os passeios em busca do pitoresco. Agora semi-recuperada e palco, dizem-me, da animação boémia, dita cultural, e levemente gauchiste ..., felizmente descaracterizadora daquela profunda miséria que naquele antanho ali habitava. Caímos, inesperadamente, num festival musical ali a decorrer nestes dias. O pequeno rossio atulhado de gente, os bares apinhados, ambiente simpático,  muito típico - eu com a cada vez mais habitual sensação de ser avô, tamanha a juventude circundante. Tanta que até agride, ainda que tão pacífica. 

 

Mas o importante é ter percebido que hoje à noite, por aquela hora das vinte e uma e trinta, o grande Hugh Masekela tocará, o encerramento do tal festival, "Lisboa mistura". Vi-o há anos, muitos, lá em Maputo. Vai ser interessante ver o mais-velho aqui, não sei se pela primeira vez nesta capital ...

 

Para quem não o conhece: vão até lá. E deixo aqui a sua "Stimela" (Xitimela), já tornada "clássico", numa versão recente [e aqui já colocara velha versão com transcrição da letra). Até logo?

 

publicado às 12:39

Arraial de Santo António

por mvf, em 12.06.15

11062015-DSCN0308.JPGPack typical Santo António

 

Viva o turista que já tem por todo o lado restaurantes com typical portuguese food anunciada em letras garrafais, hostels low cost e tuk-tuks para a passeata barulhenta.

A minha contribuição fica-se por um pack de recuerdo (trilingue é que é!) "cheira bem, cheira a Lisboa" para levar na bagagem.

Advirtam-se!

 

 

publicado às 18:18

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo, exposta em  Prevent'Art Lx44, Maio-Junho 2015)

 

Não é a primeira nem a segunda vez que o nosso MVF (Miguel Valle de Figueiredo) se junta em dueto com o Miguel Barros (o "nosso" MB), e ambos se expõem, em conversa de fotografia e pintura, que é também de junção de amizades. Daquelas veras, feitas de entranhas manas, sensibilidades aparentadas se se quiser ser fino. Diálogo. Agora instalaram-se, a evocar invocar uma Lisboa que vive dentro deles, conversa que decorre durante este mês nas paredes da galeria Movimento Arte Contemporânea (na Álvares Cabral, ao Largo do Rato, até 26 de Junho). O arrojo foi-lhes ao ponto de não apenas habitarem paredes a meias, polvilhando-as com as suas obras, mas de também juntarem alguns "coisas", dizendo-as dípticos, trabalhos conjuntos, nacos das suas lisboas em modalidade foto/pintura, e a gente, nós próprios, que lhes encontre o fio associativo se conseguir(mos) - e é assim mesmo. Assim fica-nos um momento que vem a três tempos: as fotos, as pinturas, as conjugações.

 

Nisto d'aqui-agora não venho avaliar ou aquilatar. Apenas assinalar (e, claro, num "vão ver"). Por lá estive, numa animadíssima inauguração, horas a fio (Lisboa ainda existe!). Durante a qual me deixei a entrelaçar, à minha maneira, o que os junta, os excertos e feixes que aqueles dois partilham. A espantar-me, devagar, como os tipos, tão longe um do outro (e tão diversos, para quem os conhece), dançam bem no diptiquismo assim enlaçando a cidade. Ao Miguel Barros conheci nos finais de XX, quando apareceu uma exposição dele em Maputo, ali excêntrica. Depois ele emigrou, Angola e Canadá - daí que esta sua Lisboa é uma "lisboa", a sua de longe, nacos e nichos, cores e linhas (horizontes) lembradas, talvez sonhadas, retrato dele próprio, acariciando (lambuzando, diria, se não parecesse mal) este lisboeta também ex (e espera-se que futuro) emigrante, décadas a assomarem-me estes feixes da cidade amada mas sem os saber expressar assim.

 

Mas pior mesmo ao visitante, "olhador" incauto e plácido, as fotos do MVF, esse que acompanho há 30 anos. Um olhar aqui cruel, avisando-nos ser apenas horizonte o que pensamos real porque julgando-o "ali/aqui mesmo". Desvendando, em meros clichés, o que alguns poderão pensar apenas esconsa realidade. Há algum tempo aqui mesmo disse que ele desvendara a Ilha de Moçambique como nunca a conseguira encontrar (está aqui), e apenas passara ele por lá durante uma semana, lente bistúrica nas mãos. 

 

Agora, olhando a sua terra, a sua cidade, olhando-me e aos outros, bota, entre tantas outras, esta abissal fotografia - esta que ilustra o postal. Nunca vira, nunca lera, o teu país (ó MVF), o meu país, tão expresso. Um tipo sai dali, da galeria, arrasado. E por isso o depois ... 

 

Um abraço a ambos. Mas sem obrigado para ti, ó MVF. Pois a gente tem direito às ilusões. E tu as destróis, malvado.

 

Fica o aviso. Para os que tenham coragem - vão até lá.

publicado às 16:27

Lisboa é maningue nice?

por jpt, em 01.06.15

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Como referi antes visitei Lisboa recentemente, mostrando alguns lugares mais simbólicos ou típicos à minha filha. Junto ao castelo, como mostro aqui, e por todo o lado se encontra este esterco visual, sempre permitido - e até acarinhado - pelas autoridades populistas que gerem a cidade. 

 

Esta desinteria colectiva, que faz feder a cidade, é também acarinhada nos meios intelectuais. Por um lado os fiéis da igreja "inscricionista", popularizada na década passada por um best-seller de José Gil - os portugueses têm medo de inscrever, disse, e então tocou a borrar ... E por outro lado, muito devido à complexidade da trama conceptual dedicada ao fenómeno artístico, entre quem não consegue entender a diferença entre expressão artística, expressão e mera flatulência. Há ainda quem pense que o direito fundamental da liberdade de expressão consiste na possibilidade de garatujar tudo o que (não) mexe ... Há ainda os que se dedicam a reflectir sobre a ínfima minoria destes miasmas, produzidos por sectores estudantis dos organismos partidários, chamando-lhes fenómenos espontâneos e atribuindo-lhe, por isso mesmo, relevância sociológica. É uma aldrabice, claro, mas quando debruada com galões académicos é muito bem aceite.

 

Na prática esta permissividade corresponde ao exercício mais reaccionário da sociedade urbana portuguesa actual. Pois é a  promoção da ideia da infantilização do cidadão locutor - que "fale" ele (se exprima) por onamatopeias visuais ou, vá lá, com grunhidos algo compostos. E também da selvajaria dos núcleos impossidentes, que vivam eles neste mato visual, desprovido de regras. Ficando o resto, o "limpo e ordenado", para a nata deste creme.

 

Entretanto os intelectuais jornaleiros "reflectem" e aplaudem.

 

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publicado às 12:41

Lisboa é maningue nice

por jpt, em 28.05.15

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Fotografias de cpt - há alguns dias fomos ao Castelo - e há quantas décadas eu não lá ia -, turistas em terra própria, ela a conhecer a sua cidade em que nunca viveu, a enchermo-nos desta Lisboa, ela a apaixonar-se, eu a pacificar-me com o país ...

 

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publicado às 02:27

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No cinema com a filha, no Corte Inglês (a pantufada mamarracha que os predecessores socialistas do senhor Medina e do vereador Salgado-BES deram naquele sector lisboeta, a gente daqui já se esqueceu ...). Antes do filme um café, o refresco, o bolinho - preços inflaccionados. Depois de entrar no parque cinéfilo, rasgado o bilhete, ainda pior: um euro e noventa cêntimos (400 escudos) por uma pequena garrafa de água. Ninguém nos obriga, claro está, que mandasse eu a rapariga beber na torneira dos sanitários, quanto vezes o fiz eu ... Bem, mas antes o tal "cafezinho", pedido e pago ao balcão. Vamos à mesa, deglutir. Ao lado está este cartaz. Quando nos levantamos a minha filha chama-me a atenção, "pai, o tabuleiro ...". Estanco, e entro na economia política. Que ali os preços estão inflaccionados, "especulativos" se se quiser. Que se precisam da mão-de-obra para arrumar os espaços e "agilizar" (é assim que se fala agora em Lisboa) a sua ocupação que contratem mais gente, somos muitos nós, os desempregados. Que é uma vergonha que nos induzam (não somos obrigados, repito) a comprar caro e ainda nos ponham a trabalhar. Sinto-me um bocado deslocado, à minha volta os lisboetas esvoaçam, comprando. E arrumando, obedientes, julgando-se numa cantina, essas de corporações, a preços "sociais".

 

Vou ver o filme. Não avanço mais. 

 

publicado às 18:15


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