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1. Por todo o lado opiniões muito veementes sobre aquela desgraçada fotografia da criança afogada. Bom momento para suspender o "memeismo" e ir comprar este "Olhando o Sofrimento dos Outros" de Susan Sontag, publicado há pouco na Quetzal. Bom corpo de letra, boa paginação, cento e tal páginas, escorreita escrita. Alimento para melhores opiniões. Ou, pelo menos, mais estéticas, parecendo mais lidas.

 

2. Muitos comentadores e "postalizadores" no facebook referindo que a desgraçada fotografia demonstra (grita até) a responsabilidade de todos nós no drama actual. Recuso-me à punição: não assumo qualquer responsabilidade sobre a situação síria ou qualquer outra adjacente. Nem aceito que a imputem a membros da minha família. Não tampouco aponto a algum amigo aqui em Lisboa responsabilidades na matéria - e presumo que os arrepanhados vigorosamente (nas teclas, claro) auto-punitivos não imputem similares responsabilidades a amigos meus moçambicanos. Pois a este tipo de olhos óbvio é que coitados daqueles, não só são africanos como tantos deles são negros. Gente assim, claro, inimputável destas responsabilidades alargadas sobre os males do mundo. Qu'essas como é sabido brotam sobre nós próprios, europeus. E mais ainda quando somos, e preferencialmente é assim que vamos e somos, brancos. Ou seja, mais maus, mais responsáveis. Entenda-se, mais gente. 

 

3. Responsabilidades tenho, isso sim, nisso do perder tempo com estes opinadores. E com os "editais" jornaleiros, patéticos. Que estão bem para os seus leitores.

publicado às 22:55

Os Medici, a génese disto tudo?

por mvf, em 26.07.14

 Antes de serem o resto, ou seja, aquilo que se costuma designar como mecenas, os Medici trataram de se tornar ricos e poderosos através do banco que Giovanni di Bicci fundou em Florença. Corria 1397 e foi um dos primeiros bancos a surgir, nesse ano já com uma agência em Roma e daí para a frente estendendo-se fora de portas para outros estados italianos até paragens como Genebra, Lyon, Basileia, Bruges,  Avinhão ou Londres. O livro conta-nos entre verdades e mitos como a família florentina tratou de tecer as teias que enredariam política, diplomacia, o poder militar e religioso e os seus agentes - de notar que João de Lourenço de Médicis veio a tornar-se no Papa Leão X - para garantir o seu lugar no mundo. Outros seguiram o exemplo com mais ou menos requinte, com práticas e estratégias mais ou menos semelhantes e resultados equivalentes ou nem por isso.

A coisa lê-se rápido, a escrita de Parks é fácil e dinâmica e dá-nos uma ideia do Quatroccento florentino e como a cidade foi o mais importante centro cultural do Renascimento, da importância dos Medici no apoio e desenvolvimento das artes e uma lambuzadela eficaz sobre das origens do sistema financeiro moderno.

 

Parks começa pela usura, citando Ezra Pound que nos loucos anos 20 (do século passado, evidentemente!) entendia ser o sistema bancário uma fonte de grandes males. Não se percebe onde foi o raio do poeta desencantar a peregrina ideia. Um desconfiado, portanto...

 

"... com a usura,

nenhum homem tem um paraíso pintado na parede da igreja...

nenhuma pintura é feita para durar ou para com ela viver,

mas sim para ser vendida e vendida depressa,

com a usura, pecado contra a natureza."

 

Conta-nos Parks que durante os séculos XIII e XIV se espalhou pela Europa uma rede de crédito e que no centro estava justamente Florença e que durante esse período e mais acentuadamente no século seguinte, foram produzidas na cidade algumas das mais belas obras de pintura e de arquitectura nunca antes vistas ( e por ver...) e que na família Medici aquilo que foi a génese da banca moderna e uma arte incomparável se fundiam, sustentando-se.

Conclusão: Não fosse a usura e não teríamos a Renascença...

 

 Giovanni di Bicci

 Como o próprio autor desvenda logo nas primeiras linhas, o livro é "uma breve reflexão acerca dos Medici do séc. XV: o seu banco; a sua política; os seus casamentos, escravos e amantes; as conspirações a que sobreviveram; as casas que construíram e os artistas que patrocinaram. tenateremos expor o quanto da história deles tem para nos dizer acerca da forma como hoje vivemos a relação entre a grande cultura e os cartões de crédito, até que ponto essa história determina as nossas perpétuas suspeitas no que se refere à finança internacional e às suas relações com a religião e a política".

 

 

Dado o que se passa em Portugal com o Grupo Espírito Santo e, sobretudo com Ricardo E.S. Salgado, até há pouco líder incontestado do clã e do grupo que ostenta o nome de família, também conhecido desdenhosamente por DDT, o dono disto tudo, lembrei-me de reler o livrinho* do qual tenho a 1ª edição portuguesa (Ed. Presença, 2009) e que já tentei arranjar antes desta barraca toda desabar para presentear alguns amigos interessados nestas matérias mas nunca mais encontrei nos escaparates. Talvez uma reimpressão fosse oportuna para uma leitura estival... 

 

Vosso

mvf

  

*Título original:

Medici Money - Banking, Metaphysics ans Art in Fifteenth-Century Florence

publicado às 16:20

 

No dia 15 de Novembro, pelas 18;00 horas, vai ser apresentado por Mário P. Andrade, reitor da Universidade Lusíada de Angola, o livro de Eugénio Costa Almeida - "Angola – potência regional em emergência". A apresentação vai realizar-se no ISCTE, sala B204 (ed. II) e é organizada pela Colibri, CEA e Casa de Angola.
Aqui fica o convite para os leitores da ma-schamba!AL

publicado às 15:23

Mundos que flutuam

por jpt, em 23.09.11
 Mão amiga mostrou-me hoje um livro lindo. Chama-se Floating Worlds: The Letters of Edward Gorey and Peter F. Neumeyer e é uma compilação da correspondência entre Gorey e Neumeyer.Edward Gorey, talvez mais conhecido como ilustrador do macabro, colaborou em 1968/1969 em três livros infantis de Peter F. Neumeyer: Donald Has a Difficulty, Donald and The … e Why We Have Day and Night.O livro resultante desta correspondência é interessante não só pelas ilustrações com que Gorey enfeitava cartas e envelopes, mas também pela prosa introspectiva e pela variedade de tópicos que aborda – da vida dos insectos à arte no Japão. Podem dar uma espreitadela ao livro aqui e encomendá-lo aqui. Vale a pena! AL

publicado às 00:03

Literatices

por jpt, em 14.04.05

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O Loucura e Nata convoca-me respostas a um inquérito, desses próprios à "silly season" jornaleira ali aos Jornal de Letras/Mil Folhas. Temática "como vamos de livros", apetecível momento para publicamente nos demonstrarmos mui cultos (sempre lembro um político qualquer que anunciava como leitura de praia o "Suma Teológica" de São Tomás de Aquino) ou excêntricos-engraçados, ou seja cultos ao cubo.

A Luna é comentadora residente aqui e amiga de amigos. E como o Jornal de Letras nunca mais me imortaliza com o seu inquérito (é minha imaginação ou também havia um "inquérito Proust" que uma vez li, respondido pelo Hergé?), aproveito-lhe o inquérito, meto-lhe uma introdução assim blasé (já está no dicionário?), para manter a aparência desprendida, e aqui me tento elevar aos olhos das visitas:

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser? Gostava de querer ser o Kama Sutra. Mas verdade verdadinha depende: uns dias o D. Quixote noutros o Viagem ao Fim da Noite.

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção? Sim. Várias. Tipo alter ego: o Júlio dos "Cinco"; o Corsário Negro de Salgari; o Athos de Dumas; o Gato do Margarita e o Mestre, de Boulgakov; Guy, de um conto de Sommerset Maugham "The force of circumstance", que li aos 13 anos e que nunca me saiu da cabeça; Jack London, personagem de ficção; Haddock de Hergé; Jack Barnes do Fiesta de Hemingway (oopss, oopss, esta é de homem dizê-lo); Palomar de Calvino; o Jogador de Dostoievski, e Malcolm Lowry, ele-mesmo, nos meus longos vinte anos. E, tão claro que até estão afixados no blog, Jim McClure de Giraud & Charlier e Steiner de Pratt. Mas mais do que todos estes, Thomas Fowler de Greene (um tipo que viveu na rua Catinat).

Tipo não Alter Ego: Robinson Crusoe de Defoe; Kurtz, de Conrad; Claúdio de Robert Graves; Adriano de Yourcenar (uma associação de ideias constante, para idades muito diferentes de leitura); John Silver, de Stevenson, a mulher a dias da Metamorfose de Kafka, etc ...

Tipo paixão: Sónia do Guerra e Paz (não, não era a Natascha); a rapariga do "Amor em Tempos de Cólera" de Garcia Marquez (paixão passada, não me lembro do nome dela), Lolita, de Nabokov, Esmeralda, de Pratt.

Tipo espelho: Pnin de Nabokov; (tem dias de Dâmaso Salcede, de Eça).

Qual foi o último livro que compraste? Stephen Francis e Rico, "Madam & Eve: Gin & Tonic for the Soul"; Juvenal Bucuane, "Sal da Terra. História do Nosso Chão"; Orlando Mendes, "Lume Florindo na Forja", Hortêncio Langa, "Luzes do Encantamento"; Armando Jorge Lopes, "A Batalha das Línguas. Perspectivas Sobre Linguística Aplicada em Moçambique", Carlos Serra, "Ciência e Cientistas. Manifesto por um Reencantamento Social"

[peço desculpa, trouxe-os no mesmo dia e estão aqui mesmo à frente, tirando o Madam & Eve que foi logo bi-devorado].

Qual o último livro que leste? Platão, Íon

Que livros estás a ler? Robert Wilson, O Último Acto em Lisboa; V.S. Pritchett, London Perceived; George Steiner, Gramática da Criação; Tacito, The Annals of Imperial Rome.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta? Guerra e Paz, Tolstoi; D. Quixote, Cervantes; A Montanha Mágica, Mann; Ilíada, Homero (que nunca li). Se estivesse lá tempo suficiente para chegar a um quinto livro já não o leria.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê? Passo ao outro e não ao mesmo...A todos os bloguistas que aqui venham e que ainda não o tenham visto e queiram responder. E aos leitores do Ma-Schamba, quem responder eu coloco. E aos futuros bloguistas do "Olivesaria".

publicado às 09:37


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