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No consulado de Portugal (Av. Mao Tsé Tung) uma colectiva de nove artistas, em colaboração com o Núcleo de Arte: Reinata, Naftal Langa, Makamo, Mpfumo, Nachaque, Mahazul, Mapfara, Simione, Pekiwa. Um belo painel sobre a escultura actual em Moçambique. Mais do que recomendável visita. Inaugura quinta-feira, 1 de Setembro, às 18 horas (momento da chamussa) e continuará nas semanas seguintes.

jpt

publicado às 23:21

As Fichas da Índico (2)

por jpt, em 01.11.10

Samussone MACAMO

Nascido em 1945, em Chibuto. Migrou jovem para a então Lourenço Marques onde foi empregado doméstico e cozinheiro entre 1959 e 1970, período durante o qual foi colega do futuramente célebre Chissano. Em 1973 procura o já então renomado escultor que o acolhe durante 30 dias no seu atelier, iniciando-o na arte escultórica, sendo aí que obteve o saber brotar a imagem da madeira. Logo se profissionalizou como artista, realizando a sua primeira exposição individual em 1974 na “Casa Amarela” (hoje Museu da Moeda) e instalando-se como artista residente no Núcleo de Arte até 1979, data a partir da qual constituiu o seu próprio atelier. Desde então participou em múltiplas exposições colectivas nacionais e no estrangeiro (Portugal, Áustria, Itália, Espanha), bem como algumas individuais.

Na sua obra reconhece-se não só o estilo mas também a herança do imaginário do seu mestre. Trabalhando madeira, em particular o sândalo mas também umbila ou chanfuta, Macamo reclama a sua arte como uma escultura narrativa versando sobre o quotidiano, fiel a uma arte interventiva que filiada à urgência de uma elaboração pictórica do abismo humano, defrontada à pobreza que assola o seu povo.

Morada:  Bairro Mavalane, Quarteirão 7, nº 20

Telefone: [acessível a quem o pedir por e-mail para aqui]

DITO

Nasceu em 1960 em Maputo. Jovem ainda iniciou-se no atelier do seu tio Idasse. Após isso ombreou com os vizinhos Luís Sengo e Tinga, companheirismo dos bairros de Infulene e T3, uma partilha de aprendizagens e vivências locais que muito viria a marcar a sua obra futura. Com o objectivo de se formar em pintura parte para a Alemanha (Schwerin, então RDA) em 1985, onde trabalhou numa fábrica de processamento de cabedal durante dois anos e depois frequentou um curso médio de pintura. Desse período salienta a formação recebida e o contacto com a tradição artística europeia, em particular a influência recebida dos impressionistas e dos expressionistas. Regressou a Moçambique em 1989 tendo sido professor até 2000, quando se profissionalizou como pintor. Desde então tem pintado em tinta-da-china, acrílico e aguarelas mas actualmente centra-se no óleo em tela. Artista particularmente activo tem organizado e participado em várias exposições colectivas em Maputo, e ainda participado em colectivas no estrangeiro (Botswana, África do Sul, Itália, Espanha, Portugal).

A sua obra ocorre num universo demarcado. Dito percorre e recria o mundo feminino dos subúrbios, utilizando o seu registo figurativo como forma de realçar a beleza dessas mulheres, o engenho das suas estratégias de vida, do seu embelezamento, os momentos de lazer, da conversa constante, o espaço público que elas marcam e festejam. É assumido o seu propósito de narrar um mundo de felicidade, de anunciar uma África de bem-viver, e é com esse objectivo que molda tal mundo com uma alargada paleta de cores ditas “quentes”. Essas que alguns anunciam como típicas de uma atmosfera africana mas que o artista reclama como balsâmicas e, como tal, inevitáveis ao seu mundo.

Endereço electrónico: ditotembe3[@]gmail.com

Sítio electrónico: www.interseccoes.net

FAIZAL

Nasceu em Maputo em 1975. Concluiu os seus estudos na Escola de Artes Visuais em 2004. De seguida fez formação em pedagogia infantil através da arte, percurso que integrou vários estágios em escolas dos distritos de Gaza. Nestes procurou a reconversão de materiais e saberes locais em recursos pedagógicos, com a construção de parques infantis apropriados. Esta experiência marcou decididamente a sua expressão plástica, tanto quanto à matéria-prima que utiliza como quanto aos valores que expressa, imprimindo-lhe uma atenção em produtos naturais e uma convivência com os valores comunitários e ancestrais.

A sua abordagem surgiu provocatória no meio artístico nacional. Desde cedo, até antes da sua primeira individual (2005), que Faizal acolheu amplo reconhecimento, com sucessivos prémios nacionais bem como com a integração imediata na colecção permanente do Museu Nacional de Arte, algo marcante para um ainda jovem artista e que traduz o enorme impacto que o escultor provocou. As suas obras contêm uma complexa heterogeneidade interna, cerâmicas pintadas que surgem como objectos musicais, apelando à imediata interacção entre obras, artista e público, à constituição de “performances”, esse espaço ainda raro nas artes plásticas nacionais. Estas múltiplas facetas ancoram num projecto artístico único, radicalmente pessoal, em que o escultórico surge associado à busca do “conceito sonoro”. Daí esta atracção pela reconstituição do “tambor”, apresentado em múltiplas e incessantes formas, convocado como corpo e veículo do património cultural moçambicano, este assim invocado, reconstruído. Mas não apenas reproduzido, pois trata-se da sua inquirição através do olhar de um dos mais inquietantes e provocantes artistas moçambicanos.

Endereço electrónico: fomarussumane[@]yahoo.com.br

Atelier: Bairro 25 de Junho, Quarteirão 33, casa 32

Telefone: [disponível para quem o solicitar por e-mail para aqui]

Adenda: a ideia é publicar pequenas e despretenciosas notas na revista Índico, divulgando nomes relevantes das artes plásticas moçambicanas e proporcionando a possibilidade de um maior contacto directo entre público (potencial) e os artistas. A primeira dessas fichas de artistas está aqui. Como é óbvio os artistas não são responsáveis pela fraca qualidade das fotos e reproduções aqui colocadas.

jpt

publicado às 15:14


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