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A Ascensão do Silêncio

por jpt, em 18.03.09

capamarcaugevivemos

[Marc Augé, Para Que Vivemos?, Graus Editora, 2006, pp. 135-136]

A ascensão do silêncio

Um dos paradoxos da mundialização é que as utopias desapareceram no momento em que a humanidade estaria tecnicamente em condições de se definir como corpo social unificado. [...] Assistimos hoje, em sentido inverso, e apesar da força dos factores tecnológicos da mundialização, a uma extensão sem precedentes da violência, a retraimentos identitários múltiplos e a um aumento da distância entre os mais ricos dos ricos e os mais pobres dos pobres. O optimismo pós-moderno assenta na tomada em consideração do segundo aspecto, excluindo os dois outros, e entrincheira-se no elogio da diversidade cultural reivindicada e da mestiçagem. [...]

Pelo meu lado, tenho a impressão de haver tentado construir uma antropologia atenta às tomadas de palavra mais diversas, aos enunciados mais surpreendentes e aos locutores mais modestos [...] e tomo hoje consciência do silêncio que invadiu a nossa história, de uma extensão aparentemente irreversível das zonas de silêncio. É uma constatação que pode espantar: o estrépito da actualidade, as suas desordens e os seus furores, o tagarelar incessante dos media poderiam, pelo contrário, dar a impressão de um assédio sonoro, de um ruído sem fim. Mas o silêncio cuja existência creio poder comprovar também nada tem de repousante, de apaziguador ou de contínuo. Percebe-se somente entre duas explosões de vozes, sob os risos mecânicos das entrevistas televisivas, sob os comentários maquinais, recorrentes e compostos da CNN, por de trás do clamor publicitário das semanas comerciais ou o alaridos dos efeitos especiais. É um silêncio mascarado, dissimulado, porque, percebido de súbito, como um vazio infinito entre duas montanhas, não pode engendrar mais do que a vertigem e o pavor.

[sobre o pós-blog. sobre o in-blog]

publicado às 12:25

Descobridores de futuros

por jpt, em 11.02.08

Ainda que de Marc Augé se possa dizer isto...

capaauge1.jpg

"É muito possível, de facto, que dentro de alguns anos ou algumas décadas se veja menos na literatura antropológica uma análise de formas sociais desaparecidas do que um documento sobre o mundo planetário em vias de nascer."

[Marc Augé, Para Que Vivemos?, Lisboa, 90 Graus Editora, 2006 (2003), p. 33]

(um pouco também para o leitor fc e, apesar dele, para quem ele trabalha - que aqui não vem)

publicado às 10:28

...

por jpt, em 23.07.06
"Ele" há quem blogue muito alto. Muito cheio. A ver se é ouvido ...
"O feiticeiro é como a Arlesiana: fala-se muito dele, mas ninguém o vê; ou então encontramo-lo vencido, humilhado, longe de corresponder à imagem aterrorizante dos estereótipos e dos boatos; ou ainda transformado num cadáver manipulado, cujo silêncio definitivo provoca discursos vingativos ou hábeis, útil às angústias duns e aos cálculos doutros (por vezes os mesmos)"
[Marc Augé (dir.), A Construção do Mundo (Religião, Representações, Ideologia), Lisboa, Edições 70, [1971], p. 71]

publicado às 23:35


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