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Marcelo Rebelo de Sousa acaba de chamar "líder populista" a Bruno de Carvalho (4.48 do filme ligado), presidente do Sporting. O simpático "professor Marcelo" que há anos comenta na televisão a caminho de Belém, e que como líder da oposição teve a densidade, a gravitas, de uma vichyssoise, atreve-se a chamar a populista a outrem.

 

Votem nele ...

publicado às 01:02

jpt

publicado às 18:34

O filme das Bolas de Berlim

por jpt, em 11.11.12

Como ainda há dias nos alertava Helena Ferro de Gouveia isto do "Ich Bin Ein Berliner" significa "Eu sou uma bola de Berlim". Mas como os colaboradores de Marcelo Rebelo de Sousa na produção deste filme não escutam quem sabe, lá fizeram este filme, para sempre o filme das Bolas de Berlim.

Vejo agora no facebook a irritação com este filme (a AL está devastada, como baronesa que é chocam-lhe estas bimbalhices, mesmo se provenientes do eixo quase-burguês dos teclados lisboetas). Eu fico-me algo ambivalente: irrita-me o engraçadismo (ainda que mitigado, presente mais na encenação, que me faz lembrar o Festival da Eurovisão), muito a la Independente, e os gemidos sobre o quão bons somos, e sofridos. Por outro lado acho piada à tentativa de esfregar em ecrãs alheios o quão errados estão alguns dos lugares-comuns sobre a "indolência" e a "incapacidade" dos negros (perdão, dos latinos) [e é nesta altura que fica bem referir Hegel, e etc. e tal].

Enfim, fica aí a pobre tentativa de marcar um ponto. E, não resisto, deixo memória de um tipo pouco engraçado que fez melhor:

jpt

publicado às 20:24

O novo mergulho no Tejo

por jpt, em 20.12.11

 

Abaixo já discuti a polémica sobre o apelo à emigração dos professores portugueses que Pedro Passos Coelho teria feito. Os co-bloguistas MVF e FF discordam da minha interpretação, o que me fez voltar ao assunto. E deveria chegar, que não tenho como agenda defender o governo. Do que neste creio escrevi-o aqui. Repugna-me um governo que integra um Daniel Campelo, corruptor do sistema político.

 

Mas em relação a esta polémica face a uma entrevista é diverso, choca-me  pois mostra o estado catastrófico do debate em Portugal num momento de crise destes: tresleituras, aldrabices, gritaria. Ruído puro. E muita desonestidade, manipulando para objectivos próprios o que se vai passando.

 

Nada surpreendentemente a falsificação da entrevista de Passos Coelho é também feita por Marcelo Rebelo de Sousa: "Os portugueses querem ter um primeiro-ministro que diga: eu vou governar de tal maneira que não será preciso emigrar para o estrangeiro (...) E não um primeiro-ministro que diga: emigrem para o estrangeiro. Ele não quis dizer isso, mas não lhe saiu bem". MRS lê muito, diz-se, não é um iliterado. Se entendeu a entrevista deste modo é porque o quis assim, é uma interpretação que nele só pode ter brotado de uma decisão consciente. Estratégica, a piscar o olho à "vox populi" exarcebada pelas dificuldades.

 

Já há meses aqui o disse: passámos a última década a ser pessimamente governados por políticos-comentadores políticos. Que usaram o seu "televisismo" como capital eleitoral, produtor de nossa "intimidade" com eles. Marcelo Rebelo de Sousa mostra aqui o caminho demagógico que escolhe para a sua campanha. Aí está, o homem da "vichyssoise", da pequena política, da intriga, da malevolência, tudo aquilo que o país nunca precisou mas muito menos precisa agora, mergulhado na crise. Quando urge acolher nova gente, outros protagonistas, outras políticas.

 

Mas Marcelo insiste, espaldado na tv dá-se ao exercício da pura demagogia, da desonestidade liminar. Que eu desejaria lapidar. Mas disso muito duvido. Pois as audiências da tv rejubilam: "o professor Marcelo" acaba de mergulhar no Tejo.

 

Nota: cartaz da campanha eleitoral para a presidência da câmara de Lisboa obtido aqui.

 

jpt

publicado às 19:35

O Sopeiro em Maputo

por jpt, em 11.10.10

Abaixo o ABM refere, e resmunga, o programa televisivo de Marcelo Rebelo de Sousa (popularmente conhecido por "professor Marcelo"), desta vez realizado em Maputo e com a presença do escritor Mia Couto.

Marcelo Rebelo de Sousa é um renomado professor universitário de Direito. Ao que consta competentíssimo. Leio que a sua deslocação a Maputo se insere numa acção universitária conjunta. A minha vénia. Marcelo Rebelo de Sousa tem fama de ser um homem supra-inteligente. A minha dobrada vénia, até invejoso.

Marcelo Rebelo de Sousa foi também dirigente do PSD durante alguns anos. Terminou esse período numa vil trapalhada sobre vichyssoise e outras sopas, num regime de exercício da política ancorado em miudezas e mediocridades intelectuais e morais. Uma pequenez de que o regime democrático português continua prisioneiro, entre o eco e influência dos comentários de Rebelo de Sousa e a continuidade desta concepção do que é "política", virgem de efectivos valores sociais. "Patrióticos", se lhe quiserem chamar assim, ainda que o termo tenho uma conotação muito vincada. Jogos de salões, endogâmicos, secando a representatividade do regime, fazendo-o (como se vê agora) eunuco diante dos desafios.

Assim sendo confesso o meu espanto. Como é possível que, por ignorante e parva que seja a pequena-burguesia portuguesa, esse magma de gente continue, ano após ano, a escutar os programas de "análise crítica política" de Marcelo Rebelo de Sousa? Sendo ele próprio modelo, e muito exemplar, da porcaria de políticos que o regime produz, e como tal ontologicamente impossibilitado de o analisar. Onde está a memória? Não uma etérea "memória colectiva". Mas sim a memória individual, o que pensam as pessoas? Como constroem as imagens que os norteiam? De onde lhes vem a imagem que têm de MRS, como fazem para esquecer que ele é (não foi, pois continua no campo político, como seu agente) exemplar privilegiado daquilo que tanto nos prejudica? Porque têm essa ideia da "natureza" da política como algo que se faz a la Marcelo ou quejandos? Quem lhes produz, impinge e reimpinge, esse ideal falsamente meritocrático, esse do "homem muito inteligente"? Como se deixam aprisionar por esta, afinal, mediocridade?

Mas o que ainda menos consigo compreender é a razão que leva escritores moçambicanos a reboque disto. Para aparecerem no programa do comedor de vichyssoise, avivando-se diante de uma plateia de potenciais leitores? Ou pela noção de hospitalidade, ter que receber os ilustres visitantes? Porventura esta última hipótese. Mas descabida, não se está no registo pessoal. Mas sim do entretenimento político, do negócio comunicacional.

E isso choca com a minha cidadania. O atrapalhado estado do meu país deve-se, fundamentalmente, à incompetência de quem vê os programas do professor Marcelo. E a este próprio, à sua demagogia e à sua perversa e politiqueira concepção de política, que partilha com uma erradamente classificada "classe" política. Que MRS produz e reproduz. Que posso fazer eu, cansado da influência de Rebelo de Sousa no meu país? Boicotar os seus aliados.

Com candura, pueril, com toda a certeza. Mas é a minha única arma de cidadão face ao tal negócio comunicacional. Começo pelo bom do Mia. De quem tenho, comprados, lidos e autografados, todos os livros. E de quem não comprarei mais livros enquanto me lembrar da sua cumplicidade com este professor. Nem dele nem de outros que embrulhem, abrilhantem, este sopeiro. Em Maputo e alhures. Chega disto.

E é mesmo a única arma que tenho. A recusa de comprar os produtos cúmplices desta tralha toda. Assim sabendo-me cidadão, definitivamente, despromovido em consumidor.

jpt

publicado às 10:57


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