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durasescrever1

Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vêmo-lo através da escrita: são fabricados, são organizados, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. Uma função de revisão que o escritor tem muitas vezes em relação a si próprio. O escritor, então, torna-se no seu próprio chui. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais corrente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras: sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.” (35)“O insulto é tão forte como a escrita. É uma escrita, mas dirigida. Insultei pessoas nos meus artigos e é tão satisfatório como escrever um belo poema.” (38)

Não encontramos a solidão, fazêmo-la.” (17)(Marguerite Duras, Escrever, Difel, 2001, Tradução de Vanda Anastácio)

publicado às 02:34

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Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vêmo-lo através da escrita: são fabricados, são organizados, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. Uma função de revisão que o escritor tem muitas vezes em relação a si próprio. O escritor, então, torna-se no seu próprio chui. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais corrente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras: sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.” (35)“O insulto é tão forte como a escrita. É uma escrita, mas dirigida. Insultei pessoas nos meus artigos e é tão satisfatório como escrever um belo poema.” (38)

Não encontramos a solidão, fazêmo-la.” (17)(Marguerite Duras, Escrever, Difel, 2001, Tradução de Vanda Anastácio)

publicado às 02:34

Olhar o mar

por jpt, em 26.08.04

- Suponho que isso é a esperança.

- Sim, é a esperança, eu sei. Isso apesar de tudo é a esperança. E de quê? De nada. É a esperança da esperança.

- Se as pessoas fossem todas como o senhor nunca chegávamos a parte nenhuma.

- Mas olhe, menina, ao fundo de cada uma das alamedas desse jardim via-se o mar. Ver ou não o mar, naquilo que me diz respeito, não me faz grande diferença, mas o que acontecia ali era que as pessoas estavam todas a olhar, todas, mesmo as que tinham nascido ali, e mesmo os leões, parece-me, pelo menos foi o que pensei. Por isso, como é que não havemos de olhar para onde as pessoas olham, mesmo que seja uma coisa que habitualmente nos interessa muito pouco?(M. Duras, O Jardim, Livros do Brasil, p. 63)

publicado às 20:52


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