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40 anos.jpg

Na semana passada decorreu aqui em Lisboa uma sessão comemorativa dos 40 anos de independência de Moçambique, a qual correu muito bem, várias intervenções muito interessantes. Foi na Faculdade de Letras, uma organização de Ana Paula Tavares e Fátima Mendonça, que tiveram a amabilidade de me convidar para falar. Integrei um painel com Sheila Khan, Delmar Gonçalves e Genitho Santana, dedicado às diásporas entre os países, os dois primeiros falaram de uma moçambicanidade constitutiva radicada (também) em Portugal e Santana sobre o actual processo migratório português para Moçambique. Eu estive na condição de velho, pois fora-me solicitado um depoimento como português residente de longa duração no país, e assim falei sobre a minha vida em Moçambique, algo que entendo como não diaspórico. Para isso li um texto, uma espécie de modesta fundamentação de uma intransumância identitária, atitude que penso obrigatória num antropólogo, agregada a um breve posicionamento político.

 

Quem tenha interesse em ler encontra-o clicando aqui: Depoimento nos 40 anos de independência de Moçambique.

publicado às 07:42

A Ilha de JPT

por mvf, em 04.09.14

 

Bem sei que esta postada pode soar a lamechice mas o José Pimentel Teixeira vai sair de Moçambique para voltar à velha Europa e todos os afagos são poucos.

 

 

Sei, todos sabemos, do seu profundo carinho pela Ilha de Moçambique - não é exclusivo da Ilha pois JPT, o meu amigo Zezé, estende uma enorme estima ao país que o acolheu durante quase duas décadas. Sei também de uma particular ligação que JPT tem à Capela de Nossa Senhora do Baluarte (na Fortaleza de São Sebastião) e enquanto não lhe dou um abraço de boa chegada na sua passagem pela gasta pátria a caminho de outra paragem, aqui deixo uma série de fotografias da Senhora do Baluarte, essa capela extrema como bem disse Rui Knopfli, que fiz aquando duma tão breve quanto intensa estada naquela ilha encantada.Poderiam ser mais imagens, outras imagens, mas afago é uma coisa e mimo a mais estraga. Ficam estas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                    

 

 

 

 

 

Saudades da Ilha terás muito mais que eu e para as mitigar talvez possas vir ver isto de vez em quando. 

Bons ventos pá!

 

Pi

publicado às 00:48
modificado por jpt às 15:08

Moçambique ....

por jpt, em 01.06.14

 

... é muito porreiro. [Tinha este postal gravado para o próximo 25 de Junho, dia do país. Mas depois desta minha irritação com o "maningue Portugal" aqui o avanço].

publicado às 14:49

Acordo com o som de uma mensagem a entrar no telemóvel pelas 6h45 do dia 7 de Abril de 2010.

O dia já amanheceu, o ar está húmido, quente, o céu nublado. Prevê-se que a forte chuvada da noite anterior continue a fazer-se sentir em Maputo.

Hoje comemora-se o Dia da Mulher Moçambicana e a mensagem no meu telemóvel diz que tenho de estar pronta às 8h00 para ser transportada para a Cadeia Feminina de Ndlavela, situada nos arredores da cidade.

Devolvo a mensagem e combino o transporte. Avisam-me que vai ser uma aventura uma vez que as chuvas da noite anterior inundaram as estradas de terra batida que dão acesso ao estabelecimento prisional, que não sabem se vamos conseguir passar sem um todo-o-terreno e que H. me irá buscar à porta de casa.

Às 8h03 H. está à minha espera juntamente com A. Não os conheço, mas a conversa flui divertida e sem formalismos. Antes de entrar na EN2 rumo à Matola, passamos pelo bairro de Mafalala, pelo mercado de Xipamanine e paramos junto a uma zona fabril, onde um veículo protocolar se junta à nossa pequena comitiva.

Seguimos para ao bairro de Ndlavela, no município da Matola. A viagem assemelhou-se à 'travessia do Rio Zambeze‘ e ainda hoje não consigo compreender como é que o automóvel onde me encontrava conseguiu passar as poças com três metros de diâmetro e meio metro de profundidade que circundavam a única estrada de possível acesso à cadeia. Observei a construção das casas em tijolo de cimento delimitadas por organizadas sebes de caniço, as pessoas que circulavam por todo o lado, as 'barracas de caniço' que abriam as portas aos primeiros clientes, os caminhos impraticáveis, os risos e os olhares incrédulos perante a nossa passagem. De repente, no meio do bairro, abriram-se os enormes portões da Cadeia Feminina de Ndlavela.

Depois de algumas formalidades de entrada, dirigimo-nos ao recinto onde iriam decorrer as comemorações. Lucrécia Paco encontrava-se a ultimar a montagem do espaço cénico onde iria decorrer o espectáculo e dava indicações aos técnicos municipais contratados para o efeito. De imediato agradeci-lhe o facto de ter conseguido transporte para que fosse possível assistir ao seu espectáculo em dia tão especial.

'Mulher Asfalto' estava a algumas horas de se apresentar às reclusas da cadeia de Ndlavela no Dia da Mulher Moçambicana. Preparámo-nos para ouvir os discursos oficiais sobre a efeméride e assistir a um jogo de futebol feminino.

Distraída com os gritos de incentivo das claques, constituídas maioritariamente por familiares e funcionários, lembro-me de ter pensado nos fundamentos ideológicos que levaram a nação moçambicana pós-independência a consagrar um dia feriado à mulher moçambicana. A ocasião comemora também o dia da morte de Josina Machel que, no final dos anos 1960, se juntou à luta armada da FRELIMO pela independência de Moçambique.

Se o discurso oficial do governo moçambicano vai no sentido de se pensar paritariamente o lugar da mulher na sociedade moçambicana, por outro lado, essa paridade não é sentida na vivência quotidiana.

São justamente as sistemáticas situações de exclusão, nomeadamente pelo género, que os agentes culturais consideram importante denunciar.

'Mulher Asfalto' com encenação e interpretação de Lucrécia Paco é a perfeita ilustração dessa atitude.

 

(excerto da tese 'Moçambique em Cena: Nação, Género e Modenidade no Teatro (Maputo 1992-2010)" de Vera Azevedo; foto da actriz Lucrécia Paco no espectáculo "Mulher Asfalto" versão de 2014)   

 

VA

 

 

publicado às 14:41

A ver vamos

por jpt, em 29.10.13

(fotografia de Luís Abelard)

 

Nesta última década blogar tem sido para mim uma espécie de catarse, uma navegação de cabotagem, enfrentando os males meus e fruindo os bens alheios. Nos últimos tempos, com a colaboração do amigo MVF lá à distância, tenho procurado fazer do ma-schamba um refúgio, de coisas melhores face a horizontes difíceis. Algo que tentei aventar nestes 13 "futuro" que venho metendo. Mas esse "futuro" chegou entretanto, não tão inesperado assim. A situação é muito complicada. Não é tempo nem é espírito para bloguismos. Eu suspendo, voltarei quando desanuviar o país e se me aligeirar aquela alma na qual não creio. De catana na mão ficará a machambar o MVF, e talvez alguns dos outros machambeiros venham ajudar.

publicado às 14:08

A beleza da democracia

por jpt, em 12.10.13

 ["A Beleza da Democracia". Mais do que mui bela eleitora. Eleições autárquicas, norte de Moçambique, 2003.]

 

Em tempos já distantes fui observador eleitoral em Moçambique (fotografia aqui), na África do Sul (memória aqui) e na Bósnia-Herzegovina (memória aqui). Lembrando esses detalhes biográficos, e associando-os a outros, fiz um texto, em registo bem diferente, e coloquei-o na minha conta da rede social Academia.edu.

 

O tal texto levou o título "O antropólogo engajado" e quem tiver paciência para o ler pode encontrá-lo aqui. É uma espécie de louvor à democracia. Um bocado para o "reaccionário", se lido  por olhos europeus, parece-me ... Parece-me e assim o espero.

publicado às 12:52

38 anos

por AL, em 25.06.13

Foi aos 38 anos que virei a minha vida do avesso. Carreguei o meu passado – escovei o menos bom e dei brilho ao melhor. Olho agora para trás com alegria, contente com os passos que dei.

Moçambique independente faz hoje 38 anos. Infância conturbada, adolescência difícil. Que a idade adulta lhe traga a maturidade e a serenidade que hoje me animam nos altos e baixos de uma vida cheia.

Danço pois com uma velha amiga (aqui na cooperativa já repetente) e encerro o aniversário com um desejo.

AL

publicado às 10:29

 

Dado que aqui em Maputo se continua a discutir questões ligadas com a imigração ocorre-me partilhar este artigo: segundo relatório do Banco Mundial os imigrantes africanos são os que mais pagam para enviar dinheiro para países de origem. Por exemplo, no mínimo são taxados duas vezes mais do que os sul-asiáticos, e até bastante mais - 3,5 vezes mais quando imigram para a África do Sul, o grande receptor de mão-de-obra do continente. Sendo mais do que presumivel que são também eles os mais mal pagos e os que partem de contextos originários mais empobrecidos.

 

As coisas são sempre mais do que parecem. À primeira vista. E a quinquagésima vista, também. Teria muito mais interesse discutir coisas destas. "Coisas destas" entenda-se como "desenvolvimento".

 

publicado às 08:41

As tábuas da grei

por jpt, em 18.04.12

 

[Dimensões reais aproximadas: 10-12cm X 45-50cm (as maiores) e 8cm X 35-40cm (as mais pequenas). ]

 

Uma pequena colecção, ou nem isso, de artesanato moçambicano que passadas umas décadas volta, merecidamente, às paredes. Presumo que as tábuas entalhadas que mostram cenas do dia-a-dia, tenham sido adquiridas na região da Beira por volta de 1960. O artífice assinou (também em entalhe) nas costas de cada peça, aquilo que penso serem as iniciais do seu nome. Com eventual timidez, deixou-nos um singelo "P" ou um mais completo "PC". A madeira é clara, tendo a frente levado um produto bastante escuro.Se alguém souber mais sobre este tipo de artesanato, a rapaziada agradece.

 

Vosso mvf

publicado às 23:10

Região de Nampula, Moçambique

por jpt, em 25.01.12

publicado às 16:51

Galinhas homenageadas

por jpt, em 07.02.10

Ao lado da "Patisserie Versailles" há um Fotógrafo com estúdio aberto. Passo por lá frequentemente, a caminho do café de saco da pastelaria, único lugar onde tomo essa variante, aliás. Digamos que são hábitos antigos. Os "Estúdios Luís Soares" vão mostrando ao passante o seu trabalho que vai variando do retrato de infantes asseados com as roupas finas de Domingo, à noiva em pose relativamente estudada e iluminação adequada à circunstância, ou retratados de porte altivo ou com ar vagamente pensativo. Enfim, normalmente se tratam estes fotógrafos com algum desdém,mas aqui lhes presto devida vénia pela paciência e criatividade. Fazer do feio bonito não é tarefa de somenos.
Voltemos à rua e à montra que anuncia os "Estúdios Luís Soares".
Devidamente emoldurada, uma foto daquilo que à 1ª vista podia ser confundido com um padrão dos descobrimentos e que, afinal, é tão somente, a imagem de uma espécie de obelisco com um galináceo no cimo. Ao lado, e igualmente emoldurado, um texto explicativo para tão bizarra imagem. Segue na íntegra.
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Historial sobre o Monumento à Galinha

Algures no norte de Moçambique, na província de Tete, a poucos quilómetros de Furacungo, capital da Região da Mucanga, onde começa um planalto que entra pela Zâmbia e o Malawi, foi construído, em pleno mato, longe de qualquer aldeia indígena, um monumento em honra das galinhas.

Esta homenagem deve-se ao facto, aliás verídico, do pessoal dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que ao chegar a esse local para aí fazer os estudos e prospecções necessários que levariam os caminhos de ferro à Zâmbia, a única coisa que encontraram para se sustentar foram as galinhas.

E, assim, esta empresa mandou o seu pessoal pelas aldeias da região com a finalidade de comprarem todas as galinhas, bem como trazerem as que encontravam no mato, para poderem se sustentar.

Foi de tal maneira a quantidade consumida que decidiram reunir todos os ossos dos galináceos, amassá-los com cimento, e erigir um monumento como gratidão às galinhas que os ajudaram a sobreviver.
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Ao mesmo tempo que agradeço a involuntária contribuição aos "Estúdios Luís Soares", peço desculpa pela péssima qualidade da imagem obtida com a câmara manhosa do telefone.

Vosso
mvf

publicado às 21:14

P'la insónia vem o Polana...

por jpt, em 06.02.10

Atrevimento óbvio de quem, a horas mortas e por involuntária insónia, aqui vem deixar um postal ilustrado de Moçambique. Desengane-se quem pensar que palmilhei o país de lés-a-lés ou sequer que conheço muito do seu território, só porque as minhas primeiras colaborações nesta "casa" são apontamentos moçambicanos. Nada disso, apenas uns rabiscos fotográficos de uma viagem demasiadamente curta com os quais tento justificar estes tempos no ma-schamba.Desta feita,a estrela brilha desde Maputo e é o internacionalmente famoso Polana, Hotel Polana.

 

Vosso mvf

 

[Hotel Polana]

publicado às 05:45


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