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Wasteband, de Patrícia Portela

por jpt, em 04.03.14

 

 

De vez em quando falo aqui de Patrícia Portela, que é uma escritora portuguesa de quem eu gosto e que tem o jeito de escrever uns livros de que eu gosto. Agora publicou outro, que será lançado em Lisboa, ao Marquês de Pombal, depois de amanhã, quinta-feira, às 18.30 horas. Ocorrerá o lançamento deste Wasteband naquela velha livraria Buchholz.

 

Ouço dizer que há imensos lançamentos em Lisboa (escreve-se e publica-se muito, e isso é bom, apesar dos resmungos economicistas e dos guardiões dos futuros cânones). Isso associado ao maldito trânsito (que é quase tão infernal como o do Maputo actual) vai reduzindo os militantes dos lançamentos - além de que em Portugal têm o malvado costume de fazerem este tipo de inaugurações e lançamentos e não distribuírem chamuças. Se algum dos visitantes deste longínquo blog (um blog não tem local, é sempre longínquo) tiver a coragem de lá ir peço o favor de enviar à autora os cumprimentos deste seu (dela) leitor.

 

Para os mais curiosos aqui fica o filme de apresentação do livro [trailer?]:

publicado às 18:57

FAUSTA

por VA, em 17.02.14

 

"Levantamos com minúcia o véu que a cobre e desvendamos uma mulher que se encontra em perfeito estado de conservação, apesar de morto há mais de duzentos anos. Os braços e as pernas imaculados, as unhas arranjadas, brancas, impecáveis. Aproximo-me e pressiono as suas bochechas. A carne move-se tal como a de uma pessoa viva, perdendo a cor quando lhe toco para logo recuperar o tom rosáceo da pele. As pálpebras abrem e fecham, e os olhos, quando abertos, mantêm o brilho da água que os refresca e que os irriga quando ainda vêem, a boca exibe os lábios rosados e húmidos, o nariz regressa ao lugar após o toque. As articulações das mãos e dos pés, ainda flexíveis."

Patrícia Portela

 

No Sábado passado fui ver “Fausta”, um espetáculo que nasceu de um desafio lançado pelos atores Pedro Gil e Tonan Quito à escritora Patrícia Portela e que tem como ponto de partida o seu mais recente romance "O Banquete", editado pela Caminho.

 

A partir de uma seleção do livro, pretende-se reescrever a história de uma Fausta e das suas trocas diárias de almas. O público reúne-se para ouvir uma mulher que narra a sua vida depois de morta na voz de dois homens. "Para desvendar todos os segredos, precisamos de reunir a história toda, as histórias todas… deste corpo que comporta muitos tempos." Esta é a autópsia de uma narrativa póstuma à procura de um todo impossível.

 

Gostei. A direcção artística e a interpretação de Pedro Gil e Tonan Quito e o espaço sonoro de Pedro Costa conseguiram passar ao espectador a beleza, a intensidade, as contradições mas também a pertinência desse estado que é ‘estar vivo’, a partir de um texto que, na sua origem, nada possui de teatral.

Intenso e mordaz, mas também belo e naïf, o texto de Patrícia Portela leva o espetador a colocar-se em espelho com a sua vida e, consequentemente, com a sua morte.

VA

publicado às 12:45

O Banquete, de Patrícia Portela

por jpt, em 05.11.13

 

 

Dias difíceis, aqui em Maputo, com as constantes notícias de crimes e ameaças, e da guerra que ameaça brotar, florindo, carnívora, das escaramuças sanguinolentas que são já diárias no centro do país. No meio da angústia, pelo país e pelo nosso futuro ("Arranja-me um emprego / pode ser na tua empresa / concerteza / que eu dava conta do recado / e para ti era um sossego" humilhar-me-ei eu, aos 50 anos, regressando trôpego a um país também ele trôpego?), no meio dessa angústia ("sem pânico", acabamos nós agora, amiúde, os breves telefonemas em que cruzamos novas, boatos e desabafos), dizia eu, surgem inopinadas notícias a fazer futuros, a proibir des-esperanças, a barrar o tal panicar.


Tenho uma mão cheia de sobrinhos fantásticos, uns de profissões mais publicitadas e outros das nossas, pouco "mediáticas". Soube hoje, agora mesmo, que uma sobrinha minha surge entre os cinco seleccionados para o Grande Prémio de Romance e Novela 2012, da Associação Portuguesa de Escritores, a Patrícia Portela, por causa do livro "O Banquete". A gente torce que ganhe, leitores pelo menos. E venho aqui, ufano, intervalar as outras coisas, celebrar isso.

 

publicado às 21:38

[caption id="attachment_36074" align="aligncenter" width="200"] Caminho[/caption][caption id="attachment_36075" align="aligncenter" width="292"] Leya, edição brasileira[/caption] 

A minha leitura dos livros de Patrícia Portela é muito pouco neutral - ela é-me família chegada. E querida, o que nem sempre é sinónimo. Afixado isto fica o aviso: gosto muito dos seus livros.

Li há pouco este deslinear "O Banquete" (Leya, 2012).  Como antes me encantei imenso com Para Cima e Não Para Norte, um texto sumptuoso, demiúrgico, que merece muito mais atenção do que a que teve em Portugal. E que agora foi editado no Brasil, integrando a colecção "Novíssimos", que a Leya Brasil acaba de lançar no sempre dito "país irmão", integrando obras de autores portugueses mais jovens (os primeiros cinco publicados: Nuno Camarneiro, Patrícia Reis, Sandro William Junqueira, João Ricardo Pedro e a Patrícia Portela) - e de cuja sessão de lançamento Alexandra Lucas Coelho dá eco.

Recomendo-os, a ambos os livros, a quem goste de textos deslineares. E a quem queira gostar de textos deslineares. E fica a proposta, deslinearizem o vosso próximo natal, troquem este(s) livro(s) com aqueles que sejam vossa família próxima. E querida (aos da outra ofereçam chocolates, para mascarar a azia do encontro anual).

Não me vou aqui armar em crítico, discorrendo sobre esta última obra, "O Banquete". Não tenho os instrumentos intelectuais para isso. Mas deixo algumas ligações a textos sobre o livro, recentemente lançado em Portugal: Carlos Vaz Marques, na TSF, José Mário Silva, jornal Expresso / blog Bibliotecário de Babel, Sandra Gonçalves, no Diário Digital, Ana Dias Ferreira, na Time Out. Sobre o mais antigo, mas obrigatório, "Para Cima e Não Para Norte" deixo ligação a João Morales, em "Os Meus Livros"". Convoco-os para comprovar o que acima digo, para que não se diga que este meu postal é mero "avunculismo".

Ambos os livros se desenvolveram a partir de espectáculos, da autoria da Patrícia. Deixo o filme "Flatland I", sémen e útero do fantástico "Para Cima e Não Para Norte".

ou, ainda, o anúncio do livro (esse a que os bimbos necessitam chamar booktrailer)

Com isto tudo deixo ainda dois textos da autora. O seu recente "Um Homem Sai de Casa", publicado na última edição do Jornal de Letras (pressionando a imagem ela engrandece, facilitando a leitura).

E uma boa entrevista no Jornal de Negócios  de 16.11.12, "A minha economia", conversa editada por Susana Moreira Marques.

Textos que podem "apresentar" a escritora a quem a desconhece - mas que nunca substituem os livros. E que me fazem sorrir, e imaginar uma futura conversa. Este velho bloguista, cujo alter ego é cada vez mais Sancho Pança, resmungando diante de uma cultora de D. Quixote. Espero que isso não azede as rabanadas.

jpt

publicado às 10:35

1.10-2010

publicado às 01:28

Abismos

por jpt, em 01.02.11

Um dia uma sobrinha minha escreveu um "Flatland", e ainda lhe veio a dar outras formas. Há uns dias, em busca de uma citação, encontrei outra e lembrei-me dela:

E, nessa terra, em que os jazigos são as montanhas, os homens são os abismos” (Rainer Maria Rilke, Histórias do Bom Deus, Quasi, 2009, p.45)
jpt

publicado às 09:49

Desacordo Ortográfico

por jpt, em 13.09.10

[Reginaldo Pujol Filho (org.), Desacordo Ortográfico, Porto Alegre, Não Editora, 2009]

Colectânea com vinte textos de vinte autores, para se ver que segundo as palavras de Pujol Filho "As letras, as palavras, os sinais e as regras estão aí pra gente inventar com eles. Com acordo ou sem acordo ...". Livro desigual, claro, pois é-lhe característica. Diferentes gerações e nacionalidades (de decanos como Manoel de Barros, Luandino Vieira ou Luis Fernando Veríssimo a mais novos como Gonçalo M. Tavares ou o próprio organizador). Angolanos, brasileiros, portugueses, santomenses, e moçambicanos. Neste caso estão Rogério Manjate com "Jorogina e o Mar", e Nelson Saúte com "O Ministro de Deus" (um dos seus contos que prefiro). Doutro canto, mas também "muito cá de casa", e não só por razões avunculares, Patrícia Portela, com um trecho da sua fantástica cosmologia.

jpt

publicado às 18:45

anitavaianada.jpg

Foi sobre os livros infantis da colecção Anita uma das primeiras discussões (talvez mesmo a primeira delas) em que me meti nisto do bloguismo. Na altura algumas luminárias da "esquerda" assassinavam o carácter da Anita - que isto de ser de "esquerda" exige ser comprovado com teclas rápidas.

Por isso tanto me interessaria ver este "Anita Vai a Nada", criação de Patrícia Portela e Claúdia Jardim, que vejo anunciado para Viseu, no Teatro Praga. Talvez um dia.

publicado às 16:36

Odília, de Patrícia Portela

por jpt, em 29.09.07

Não me parece que consiga estar presente, meus múltiplos compromissos. Mas estaria, se pudesse. Próxima terça-feira, 2 de Outubro, às 18.30 h., no Centro Nacional de Cultura (Lisboa, pois), lançamento do livro "Odília ou a História das Musas Confusas do Cérebro", coisa nova de Patrícia Portela, uma edição da Caminho.

 

(Os livreiros daqui encomendarão?).

publicado às 06:20

...

por jpt, em 13.06.06
Trilogia Flatland no Alkantara: crítica no O Melhor Anjo.

publicado às 14:49

As satisfações do Avunculado

por jpt, em 27.04.05

Pois à distância não assisto, nem vejo as peças. Restam-me as distantes satisfações. Já o ano passado só tomei conhecimento, muito sorridente, da menção nos Prémios Acarte devida à WasteBand. Este ano, mais sorridente ainda apesar de tanto lamentar o desperdício de não ver as peças, também só cá de longe assisto ao prémios Acarte [Prémio Maria Madalena de Azeredo Perdigão] pelo Flatland I, hoje mesmo.

Chama-se Patrícia Portela esta minha sobrinha. E seria muito bom vê-la, a trabalhar claro, em Maputo. Já o disse, entre as saudades, o orgulho (avuncular) e a curiosidade.

publicado às 23:16

Gente que virá a Maputo?

por jpt, em 02.11.04

FLATLAND - Parte I, de Patricia Portelaem colaboração com Christoph de Boeck, Anton Skrzypiciel, Irmã Lucia efeitos especiais e Helder Cardoso(Menção Honrosa Bolsa Ernesto Sousa 2003)Estreia Nacional, 4 de Novembro – 22h; lotação máxima : 60 espectadores; FORUM LISBOA (Avenida de Roma, nº 13)Próximos espectáculos: de 18 a 22 de Novembro de 2004 no Festival X, Clube Estefânia, às 21h30Flatland – Parte I (Para Cima e não para Norte) "é o primeiro de 4 episódios que contam a trágica vida de um Homem Plano que um dia descobre que lhe falta uma terceira dimensão.Nesta primeira parte podemos seguir O Homem Plano na sua reflexão pelos mundos da bidimensionalidade e da perspectiva, até descobrir, um dia, que a sua existência no mundo 3D é apenas possível se existirem espectadores a olhar para ele.Contente com a descoberta mas descontente com a dependência, o Homem Plano inicia uma estratégia para conquistar a sua imortalidade tridimensional."***Se algum visitante do Ma-Schamba por lá passar poderá mandar nota para aqui?

publicado às 10:56

Wasteband

por jpt, em 28.10.04

WASTEBAND, de Patrícia Portela

- Prémio Reposição de "O Teatro na Década" do Clube Português de Artes e Ideias.
- Menção Honrosa do Prémio Acarte / Maria Madalena de Azeredo Perdigão 2003.

28 de Outubro a 1 de Novembro 04, às 21h30
(sáb. e dom. também às 17h)

Centro de Animação do Hospital Miguel Bombarda, Rua Dr. Almeida Amaral, Lisboa

Este espectáculo tem uma lotação limitada a 30 lugares. Entrada Livre
(Informações e reservas: 96 3965525)


Como ser virtual sem ser digital?

"Wasteband" é um espectáculo entre um ambiente de ficção científica e os "encontros tupperweare" onde tentaremos vender ao público o espectáculo do futuro.

Uma performance virtual para um actor/astronauta, um músico, um power point e uma mesa eliptica onde se projectam verticalmente imagens vídeo e onde se reunem à volta, sentados, espectadores e performers.

Um kit interactivo sobre cada passo a tomar para viver uma performance virtual em casa, sem recorrer à tecnologia, mas mantendo uma lógica de links.

O pano de fundo é reconstrução de um ritual chinês que prevê em cada ano um dia em que é possível a lua cair nos oceanos de acordo com probabilidades científicas.

O tema é a espera como ritual do desejo. Só espera quem acha que pode acontecer.


***

Um espectáculo a que muito gostaria de assistir - impossibilidade que traduz os tais custos da emigração. E quem o poderia trazer a Moçambique? Nessas embaixadas culturais? Difícil, pois normalmente, e porque aqui, são elas muito tradicionalistas. Mas seria um bom arrojo! Integrá-lo no Festival de Agosto (teatro)? As gentes do ACERT, de Tondela, aqui siameses do Mutumbela Gogo e M'Beu, lerão o Ma-Schamba? Ou as culturais e cooperantes instituições?

Aqui o bloguista, tamanha a curiosidade e em cúmulo de mecenato (ou de cooperação, já que actividades aqui seguem com esse nome), até cederia os catres aos artistas. Com águas correntes, quentes e frias.

publicado às 08:50


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