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por jpt, em 21.08.06
Paul Lafargue, O Direito à Preguiça, Lisboa, Teorema, 1991
"Uma estranha loucura está a apossar-se das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta atrás de si misérias individuais e sociais que, há dois séculos, atormentam a triste humanidade. Esta loucura consiste no amor ao trabalho, na paixão moribunda pelo trabalho, levada ao depauperamento das forças vitais do indivíduo e da sua prole. Em vez de reagirem contra esta aberração mental, os padres, os economista e os moralistas sacrossantificam o trabalho. Homens cegos e tacanhos, pretenderam ser mais sábios que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, pretenderam reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara." (15; uma entrada célebre e abundantemente citada. Não tão lembrados são alguns passos seguintes:)"Em 1770, apareceu, em Londres, um escrito anónimo intitulado An Essay on Trade and Commerce, que, nessa época, fez um certo furor. O seu autor, um grande filantropo, indignava-se pelo facto de "a plebe manufactureira de Inglaterra ter metido na cabeça a ideia fixa de que, na qualidade de Ingleses, todos os indivíduos que a compõem têm, por direito de nascimento, o privilégio de serem mais livres e independentes que os operários de qualquer outro país da Europa. Esta ideia pode ter a sua utilidade para os soldados, cuja bravura estimul: mas quanto menos os operários estiverem imbuídos dela, melhor para eles e para o Estado. Os operários nunca se deveriam considerar independentes dos seus superiores. É extremamente perigoso encorajar essas manias num Estado comercial como o nosso, onde, talvez, sete oitavos da população pouca ou nenhuma propriedade têm. A cura só será completa quando os nossos pobres da indústria se resignarem a trabalhar seis dias pelo mesmo que agora ganham em quatro"...(23)

publicado às 23:13


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