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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
Geoge Steiner, ensaísta, crítico literário e professor e professor em Cambridge, considera, em entrevista a Revista Ler, de que a crise pode ter consequências muito positivas:
"Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor. Ouve-se mais e melhor música, por exemplo. (…) Os jovens começam a ter fome de algo mais substancial do que a pastilha elástica momentânea da pop. Já foi assim. Durante a guerra, a Blitz, as pessoas regressaram aos clássicos, leram-se os grandes romancistas vitorianos, os grandes poetas." E sugere: "O meu currículo oficial imaginário, se estivesse no poder, consistiria nas seguintes disciplinas: Música (toda a gente deveria ouvir, conhecer, aprender, mesmo que não seja para isso especialmente dotado. A Música combina a Matemática e a emoção humana), Arquitectura (toda a gente deveria aprender Arquitectura, porque esta combina a Engenharia, a Física, as Ciências do Meio, a Sociologia, a História e até a Política. Construir um edifício – e estamos num período de grandes obras de arquitectura – é um acto político de grande complexidade) e, claro, a Matemática. Então, Música, Arquitectura, Matemática e, de repente, dou por mim a falar de Platão."
PSB
"Assim, também a Musa inspira ela própria e, através destes inspirados, forma-se uma cadeia, experimentando outros o entusiasmo. Na verdade, todos os poetas épicos, os bons poetas, não é por efeito de uma arte, mas porque são inspirados e possuídos, que eles compõem todos esse belos poemas; e igualmente os bons poetas líricos ...
Com efeito, o poeta é uma coisa leve, alada, sagrada, e não pode criar antes de sentir a inspiração, de estar fora de si e de perder o uso da razão. Enquanto não receber este dom divino, nenhum ser humano é capaz de fazer versos ou de proferir oráculos. Assim, não é pela arte que dizem tantas e belas coisas sobre os assuntos que tratam, como tu sobre Homero, mas por um privilégio divino, não sendo cada um deles capaz de compor bem senão no género em que a Musa o possui ... Nos outros géneros cada um deles é medíocre, porque não é por uma arte que falam assim, mas por uma força divina, porque se soubessem falar bem sobre um assunto por arte, saberiam, então, falar sobre todos.
E se a divindade lhes tira a razão e se serve deles como ministros, como dos profetas e dos adivinhos inspirados, é para nos ensinar, a nós que ouvimos ..."
[Platão, Íon (tradução de Victor Jabouille)]"Na minha opinião, estas conversas acerca de poesia assemelham-se muito aos banquetes de pessoas medíocres e vulgares. Incapazes, pela sua ignorância, de fazer as despesas da conversa num banquete, com a sua voz e os seus discursos, encarecem as tocadoras de flauta, pagando por alto preço um voz estranha, a voz das flautas, por meio da qual conversam uns com os outros."
[Platão, Protágoras, tradução de A. Lobo Vilela]