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As coisas a entrarem nos eixos

por jpt, em 23.10.15

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As coisas estão a entrar nos eixos, a recuperar-se a normalidade pós-eleitoral, para além dos normais desacordos em vida democrática. Símbolo disso é a eleição acontecida hoje do presidente da assembleia da república, a segunda figura do Estado. Eduardo Ferro Rodrigues, político de boa fama, de dignidade. Que decerto fará melhor, mais honrará o país, do que o seu antecessor socialista no cargo, que andou oficialmente a pedir investimentos no país às redes índicas de tráfico de heroína e de armas, sabendo muito bem a quem se dirigia.

 

Este agora homem digno, político sério e de princípios, verdadeiro símbolo do PS. Como o confirma aqui neste discurso em Outubro último (ouvir entre 1.40 e 2.45 minutos). O futuro será este, não outro.

 

 

(Daniel Carrapa, autor do excelente blog A Barriga do Arquitecto, avisou no meu mural do facebook que aqui no ma-schamba temos "ódio" e "espumamos pela boca" por razões da política portuguesa. Assumo para mim a crítica, dado que sou eu que aqui mais escrevo quantitativamente. Se calhar é verdade. Não gosto, nunca gostei, de traficantes de heroína. Nem de traficantes ilegais de armas. Nem de primeiros-ministros que enriquecem às custas do seu povo com o conhecimento dos seus camaradas dirigentes de partido. É defeito meu, pelos vistos.)

publicado às 20:28

A hipocrisia

por jpt, em 21.10.15

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 (Montepuez 1994) 

 

Em 1994-5 vivi 5 meses numa aldeia a 40 kms de Montepuez, a velha Namwenda, renomeada N'ropa após a independência, o meu primeiro trabalho em Moçambique, chegado da África do Sul. Foi uma experiência abissal para este burguesote, mesmo que já viajado. Não tanto as histórias camponesas ouvidas, que faziam parte do trabalho, sobre o ainda quase recente tempo colonial, o trabalho forçado, o imposto, a cultura forçada, a repressão, a chambucada, a prisão e a morte, narradas até já entre-sorrisos, que foram e ainda são um escarro pejado de muco na merda do lusotropicalismo que os socialistas soaristas chamaram lusofonia e que tantos patrícios ainda agitam (há hoje mais um artigo no Público sobre isso, mesmo que nesse requebro da aparência crítica do turismo universitário). E que também sempre me originam um encolher de ombros, compreensivo, nos arreigados negacionismos dos velhos colonos, saudosistas esmagados pelo drama histórico de que quase sempre foram meros peões. Nem tanto também as histórias sobre a guerra da Renamo, então ainda tão recente, aquilo dos raptados, refugiados (e tantos), de toda a desgraça acontecida. E não tanto por causa desse historial porque já lera, e bastante, sobre aquilo tudo, ainda que assim narrado de viva-voz, e só porque eu perguntava, tivesse tão mais efeito. Abissal porque rude, rudíssimo, não só no meu corpo, lesado em 28 quilos sem qualquer doença, abissal porque a partilha da morte, da doença, da pobreza radical, uma coisa inimaginável. Abissal porque nisso tudo também a partilha de tantas mais coisas, aquilo do sentir, da infinita capacidade de sermos felizes ainda assim, daquele modo.

 

Não fiquei "macua", nunca disse "a minha aldeia", não fiz "ritos de iniciação" nem me filiei como curandeiro ou chefe de tradição, não procriei por lá, não aderi às causas então ali vigentes, não me me transformei "num deles" (nem digo "eles", já agora), nunca entrei nessa pantomina folclórica tão usual entre antropólogos (e também nos missionários do desenvolvimento). Pura e simplesmente, nunca mais fui o mesmo. E sei que o meu melhor, por parco que seja, aconteceu ali entre Balama e Montepuez, o resto foi só o futuro, todo degenerativo à excepção da paternidade. Só voltei uma vez, uma década depois, como contei aqui, para perceber que não poderia voltar a voltar, não aguentaria, o tempo passara. Em suma, não fiquei "de lá". Mas, e para sempre, fiquei lá, algo de mim por lá ficou. Por  isso já pedi a amigos próximos, se eu rebentar de repente não quero isso do velório nem funeral. Dois deles que levem os restos à cremação, e que se faça um pequeno bar aberto. Depois, se ainda for necessário, apoiem a minha filha e, se houver dinheiro para isso, mandem os restos para alguém de Maputo ir ao charco de N'ropa largá-los, sem mais nada do que isso.

 

Nos finais de 2000 houve manifestação em Montepuez, congregando população do distrito. A polícia prendeu participantes, encerrando-os na cadeia da pequena cidade - edifício que conheço, pois tinha-o visitado. Nessa noite morreram 120 pessoas, asfixiadas numa cela onde tinham sido inenarravelmente confinadas. Eu sei que não foram ordens presidenciais nem do governador da província, foi um monumental sinal da insensibilidade da administração civil e policial local e também um sintoma da crispação dos tempos (que por vezes regressa). Foi um dia horroroso, que senti como amputação, desesperante. Não chorei a "minha gente" (que não o era) nem "aquela gente" (que não o era). Chorei-me, chorei-os.

 

Nesses mesmos dias em Maputo reunia-se a Internacional Socialista, então presidida por António Guterres. Sobre o assunto nem uma palavra proferiram. Joaquim Chissano foi então eleito vice-presidente da IS, coisa que a gente sabe protocolar (havia para aí 70 vice-presidentes) mas que teve efeito propagandístico interno. Estou à vontade nestas coisas: acima disse que sei que Chissano não ordenou aquilo (nem nunca o faria); e se eu fosse moçambicano seria um frelimista crítico e, mais ainda, como aqui escrevi, um chissanista. Mas naquela altura o silêncio de Guterres, ainda para mais nosso primeiro-ministro, e de todos os outros, e o sufragar do responsável político daquela catástrofe avassalou-me. Nem na altura nem depois, no circo constante de visitas governamentais e privadas (negócios) dos inúmeros políticos socialistas que cruzavam Maputo, alguém referiu o assunto. Já agora nem António Costa, também ministro, por lá em visitas ministeriais para afinal passar férias no Bazaruto, em agressão ao papel institucional que lhe cabia. Uma coisa execrável.

 

Quinze anos depois são os mesmos políticos que andam por aqui. E vejo os opinadores de esquerda, e até políticos (agora a Mariana Mortágua), muito ofendidos porque o actual governo não actua, qual Norton de Matos, com os prisioneiros em Luanda, não afronta a cleptocracia angolana, se subordina a vis interesses diplomáticos e económicos. Depois, esgotado o quinhão de solidariedade com os crioulos luso-angolanos presos de consciência (e que não se duvide: liberdade para eles, já!), toca de escrever e batalhar para meter estes socialistas (os velhos silenciosos sobre Montepuez) no poder, os gajos dos negócios austrais. Enquanto se lamenta que Guterres, esse bom estadista, não se tenha candidatado a Belém. Porque isso dos camponeses, ainda por cima mesmo pretos, que se fodam.

 

E nós também, com este lixo de gente. De "esquerda", dizem-se. Chama-se a isto hipocrisia. Imunda.

 

 

publicado às 17:05

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Os jornais anunciam o acordo para o novo governo. Uma inesperada coligação à esquerda a evocar a quase mítica "Frente Popular" francesa, até porque também brotou de uma surpreendente inflexão do partido comunista. Tenho a pior das opiniões deste partido socialista, da sua liderança, morgados do anterior guterro-socratismo e acreditei/desejei que pelo menos mais uma legislatura de oposição, ainda por cima em austeridade (estrafegando-lhe a tradicional volúpia autárquica), pudesse expurgá-lo do estatismo omnívoro que por lá medra. Mas como já botei aqui há dez dias esse governo "será totalmente legítimo e, como tal, democraticamente bem-vindo" pois "a gente vota e os partidos cujos candidatos foram eleitos negoceiam para acordar maiorias governamentais". E quem nunca o percebera que o tivesse percebido. Ponto final parágrafo. Haverá votantes no PS que não o seriam se antecipassem isto, como se brame por aí? Decerto, mas é isto a democracia representativa, a gente vota, elege representantes e eles representam até uma nova votação, nos moldes que a constituição configura. Ponto final parágrafo. Ou vamos nós aderir agora à "democracia participativa" tão cara aos radicais de esquerda, sempre lestos a presumir a vontade global (ou seja, a dos outros), depois defendendo que esta habita nas arruadas (dantes ditas manifestações) que organizam? As acções (da banca e não só) e as notas das "agências de rating" baixam, os juros sobem? Pois, mas a nossa soberania não habita nos investidores na bolsa e nos tecnocratas da burocracia financeira. Temos que nos cuidar com eles, mas isso é outra coisa. Ponto final parágrafo. 

 

O próximo futuro não  será terrível, e há muito exagero escatológico na contestação. O PCP não vai reclamar a administração das Berlengas, Selvagens e até do Corvo, para lá instalar campos de concentração para oposicionistas, bloguistas ou outros, ninguém comerá o alazão de João Núncio, e os Espírito Santo não partirão para o estrangeiro (terão, aliás, o amigo na Presidência). O BE não vai mandar massacrar o Arsenal do Alfeite nem o seu presidenciável Fazenda advogar a "reeducação" ou até o extermínio dos professores ou mesmo de qualquer alfabetizado. Os ícones e as referências teóricas desta gente fizeram isso em passados que eles continuam a glorificar, em vergonhosos revisionismos históricos negacionistas das desgraças de XX. Isso é verdade, e deve manter-nos alerta, acalentar o temor sempre necessário diante dos adeptos dos comunismos, porque tudo isso demonstra que a liberdade não lhes está no âmago. Ou seja, merecem desprezo mas não desatenção. Mas o projecto deles, agora, não é o sociocídio que os seus antepassados tanto promoveram. Os tempos mudaram imenso. Agora o projecto é apenas o apoio parlamentar a um governo virado para políticas mais estatizantes e directamente redistributivas. Isso não é dramático, poderá ser mais ou menos (socialmente) eficiente mas o país está habituado a elas, e é algo que pertence ao nosso modelo civilizacional - dantes chamava-se social-democracia e Estado-Providência, agora em tempos de twitter e poucos caracteres fundiu-se em Estado social.

 

Sobre tudo isto tem-se escrito muita coisa e pouca é interessante. O mais relevante que encontrei está num blog, este "Os nossos caça-fantasmas" no A Terceira Noite. Nele o autor - Rui Bebiano, académico que apoiou a candidatura do "Livre", partido que antecipou esta conjuntura política e que, de certa forma, por ela foi ultrapassado - aponta "a ala neoliberal e clientelar do PS", criticando-a por ser oposição a esta coligação. O interesse do texto é porque anuncia o que aí vem, a forma como se entende o PS, esse que será o governo, e como as esquerdas se relacionarão com ele. O evidente patrimonialismo que é a sua constante prática política, desgraçadamente para o país (e para as esquerdas e suas causas, note-se), é confinado num qualquer núcleo "neoliberal" (o que antes se dizia "ala direita"). O argumento é este: a malvadez clientelista está na "direita neoliberal do PS" o que conclui que os "patronos" e os "clientes" do PS (e tantos o são) são os "ala direita", um raciocínio circular que não vai a lado nenhum. E por isso não é substantivado no texto.

 

Na prática trata-se da velha reclamação da superioridade ética das esquerdas: o clientelismo (a irracionalidade económica, a injustiça social) é a "direita" (agora sloganizada "neoliberal"), assim imoral(izada). A(s) esquerda(s) - e a do PS também - nada "neoliberais" não são patrimonialistas, são éticas (com racionalidade económica e justeza social). É uma pura ficção. E anuncia o que aí vem no próximo governo. Nada de surpreendente ou terrível. Apenas mais do mesmo, que tanto conhecemos, agora com apoio mais alargado.

 

De diferente? Apenas que nos primeiros tempos a "voz popular" andará mais sossegada, surgirão menos manifestações adversas, a comunicação social apoiará ainda mais e os académicos não escreverão tanto contra o governo (pois a FCT apoiará mais projectos). Os blogs "neoliberais" ("fascistas" começar-se-á a dizer) aumentarão as suas audiências. Depois, daqui a uns anos, a gente vota outra vez. E entretanto teremos envelhecido mais um bocadito. 

 

E os gajos do PS continuarão a ser os gajos do PS. Sem alas, entenda-se. Mas a gente já os conhece. Há, até, quem neles vote.

 

 

 

publicado às 08:29

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Hoje, enquanto jantando de tabuleiro sobre os joelhos, vejo na televisão duas entrevistas políticas absolutamente decisivas, ainda que lamentavelmente coincidentes, eu no velho zapping para as acompanhar.

 

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Sobre o futuro governo uma entrevista a Paulo Portas onde devastou, até com crueldade pouco cristã, o deputado António Costa - na sequência (rescaldo, melhor dizendo) das entrevistas a Maria Luís Albuquerque e Assunção Cristas que, quais valquírias, canibalizaram o referido proto-ex-secretário-geral do ainda partido socialista. O abjecto cadáver do antigo nº 2 do "Senhor Engenheiro" (como diz o patrono da cátedra Eduardo Lourenço de quem os Varoufakos tanto gostam) José Sócrates já fede depois de tanta bordoada.

 

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E a propósito das presidenciais uma excelente "prestação" (como agora se diz a velha "performance") de Marisa Matias, a nova candidata à presidência da república. Firmeza, humildade, objectivos definidos, e também um je ne sais quoi ... Muitas das suas ideias não serão as minhas. Mas ainda assim cativou a minha adesão, ganhou, desde já, o meu voto. E não só por considerar eu que se o "eleitorado", essa molécula abstrusa, votar no prof. Sousa comprova a sua total ... moleculice. Como tal ... Marisa 2015 é já o meu lema.

publicado às 23:51

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 O cartoonista Bob sintetiza no "The Telegraph" a enorme coragem e capacidade negocial que o sempre ridente Tsripas e a pop-star Varoufakis demonstraram à frente do governo grego marxista-leninista e neo-nazi (coisa a que os revolucionários dos cafés de Lisboa parece não terem dado qualquer importância enquanto entre duas bicas e um pastel de nata confundiam o sonho com a puta da realidade...).

Sem outras considerações e com os resultados à vista, lembremos que pelo caminho ficou o enorme regozijo do inefável António Costa apoiando a posição radical do Syriza  e que, impante, declarou em momento de ejaculação precoce ao mesmo tempo que renegava a antiga amizade do PS com o irmão helénico, o velho PASOK:

Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha

Um entusiasmo juvenil que mandou repetir pela boca do porta-voz do PS, um tal Porfírio qualquer coisa ( não fixei o nome, peço desculpa) assim que se souberam os primeiros resultados do referendo num vigoroso OXI que, afinal, para Tsripas & Cª não serve sequer para limpar o rabo a um cão.

 

 

publicado às 11:02

Resquícios da Páscoa

por mvf, em 06.04.15

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 O famoso "Coelhinho da Páscoa" volta para o ano mas isso, infelizmente, não se pode dizer dos políticos portugueses que não desarmam nunca.

Fora dessa triste realidade que passa na TV, durante  uns dias de sossego beirão, encontrei uma placa que denota alguma atenção para com os putativos clientes com a promoção de um produto que desconhecia enquanto potencial comércio. A placa acima mostra trabalho de desenho gráfico, impressão cuidada, informação sucinta e precisa. Prefiro isto aos discursos dos tais políticos que raramente falam do e para o mesmo país em que vivo. 

publicado às 22:14

Ainda a propósito dos últimos acontecimentos e após a confusão e falta de discernimento que se generalizou nas redes sociais, deixo-vos a  reflexão sobre o atentado à revista Charlie Hebdo por parte do filósofo, teórico crítico e cientista social Slavoj Zizek.

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Para quem não está familiarizado com este pensador, Slavoj Žižek é  pesquisador do Instituto de Sociologia, na Universidade de Liubliania, Eslovênia, e professor-visitante em diversas universidades americanas, Columbia, Princeton, New School for Social Research, New York University, University of Michigan.

O seu trabalho é considerado como vibrante, cheio de humor, deixando de lado diferenças entre formas altas e baixas de cultura e o seu carisma conferiu-lhe o estatuto de 'superstar' no mundo da teoria contemporânea. 

Slavoj Žižek tornou-se amplamente reconhecido como teórico contemporâneo a partir da publicação de 'O Sublime Objeto da Ideologia', seu primeiro livro escrito em inglês, em 1989. As suas reflexões não podem ser facilmente categorizadas e nelas encontramos um retorno ao sujeito cartesiano e à ideologia alemã, especialmente aos trabalhos de Hegel, Kant e Schelling.

Resta também salientar que Slavoj Žižek é ateu e a sua produção crítica não encaixa nas análises teóricas tradicionais. Ao ressalvar que para entender a política de hoje precisamos de uma noção diferente de ideologia, frequentemente costuma ser 'politicamente incorreto' e causar diversas polêmicas em vários círculos intelectuais.

 

VA

 

 

publicado às 10:50
modificado por jpt a 23/1/15 às 02:00

2015: política

por jpt, em 02.01.15

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Começo o ano com (re)lendo o grande Raymond Boudon (a breve súmula mais do que recomendável "O Relativismo", Gradiva, 2008). A sua usual pertinência, sempre antipática para o aconchego constitutivo dos grupelhos de boas-causas: 

 

"... a compaixão é frequentemente a pior das conselheiras políticas." (p. 39).

 

A não esquecer no ano que aí vem.

 

 

publicado às 11:20

Rêgo pr'á Coina, já!

por mvf, em 18.09.13
Não é minha intenção influenciar qualquer sentido de voto, indicar uma prefeência, mas simplesmente mostrar que os independentes, à custa sabe-se lá de quê, conseguem o seu lugar nesta luta geralmente assente no sistema partidário. Não é, portanto, um manifesto de apoio particular a esta candidata, sendo certo que acarinho a vontade, apreciando sinceramente, que a simpática Coina tenha alguém que defenda a sua saúde, educação e qualidade, que pugne pelo seu bem-estar, momentos de lazer e saneamento. Eis pois, as linhas mestras que Virgínia Rêgo quer implementar na Coina.

A Coina merece!

publicado às 11:53


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