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A Esquerda Erótica

por mvf, em 04.09.15

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Depois do futebolista Quaresma e da espécie de actriz Rita Pereira, cabe agora a vez à política despir-se de preconceitos. Joana Amaral Dias, ex-deputada do Bloco de Esquerda e líder fundadora do não-sei-quantos, faz capa - ela amais o seu namorado - da revista Cristina.

Aparece a antiga estrela da esquerda erótica nua mas com as mãos do namorado a recatar-lhe as partes intímas como qualquer biquini de gola alta, os dois em pose (e produção) que apela a um erotismo de terceira categoria em vez de uma ternura natural adequada à circunstância pré-natal. Mas isso penso eu que sou um moralista. Que se podia querer? A estridente e roliça Cristina Ferreira, dizem-me que excelente profissional o que para o caso pouco interessa, é a Oprah Winfrey da Malveira, a revista com o seu nome uma Vanity Fair do sopeiral e com esta patetice a Joana atira-se para uma  Demi Moore de contrafacção (abaixo a referência de 1991).  Enfim, isto de fazer capas com mulheres em estado interessante tem sido recorrente em várias publicações e já vimos para além da rapariga Moore, o borrachão Claudia Schiffer (Vogue) ou a Jessica Simpson (Elle) nos mesmos preparos mas em retratos mais capazes - peço desculpa ao fotógrafo que disparou à queima-roupa para a publicação portuguesa mas atirou ao lado - e daí não veio nem virá mal ao mundo mesmo se não prima pela originalidade.

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Certo é que se a Joana não precisava disto, muito menos em plena campanha eleitoral, o desfile de gente famosa na capa do magazine vai desde o putativo candidato presidencial Marcelo, ao comediante Araújo Pereira, passando pelos já citados e despidos Quaresma e Rita ou mesmo pela cantadeira Mariza. Parabéns pois à Cristina Ferreira que lhes sacia as vontades e vaidades, deixando de caminho um tão sentido como humilde apelo à gentil menina:

Não convide pela nossa saúde e entre muitos outros, a sua concorrente na gritaria e deputada do PEV, uma espécie de MDP/CDE em bera, a revolucionária Heloísa Apolónia ou pior, a desagradável sindicalista Ana Avoila, para posarem despidas, evite pensar em Ferro Rodrigues ou Diogo Feio, este cujo apelido coincide com a condição, para desnudos ilustrarem a publicação que superiormente dirige. É que, como decerto sabe, as fileiras da emigração e as urgências dos hospitais públicos estão suficientemente compostas.

 

 

 

publicado às 07:47

Relativamente às próximas eleições, legislativas e presidenciais, em Portugal pertenço ao grupo que os sondageiros apelidam de "indecisos". Ou seja, sei em quem não votarei mas não sei se e/ou em quem votarei. E devido a um complexo contexto não estou muito concentrado no assunto, três eixos que me apartam ainda mais da política, uma mescla de razões pessoais, profissionais e da minha inscrição na sociedade civil. Neste último âmbito recordo que começou agora o campeonato e amanhã o Sporting joga o apuramento para a Liga dos Campeões, talvez o jogo mais importante do ano. Mas como no postal anterior aqui no blog o MVF referiu, criticamente, a possível candidatura da ex-ministra socialista e ex-presidente do PS, Maria de Belém Roseira, não me posso abstrair totalmente da questão. Pensei. E apenas me ocorre dizer isto:

 

 

 

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publicado às 02:02

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A mulher do pm português, Laura Ferreira, tem um cancro. Os tratamentos provocaram-lhe, como é habitual, a queda do cabelo. Viajou com o marido e foi fotografada, calva.

 

Dantes escondia-se esta maleita e, até postumamente, referia-se-lhe como uma "doença prolongada" e sussurrava-se a sua presença em corpos alheios. Hoje em dia não. Pois a doença se vem tornando menos letal. Porque a robustez psicológica dos pacientes vem sendo considerada como factor de resistência. E, mais do que tudo, porque vem mudando a ideia de dignidade, integrada do estado doente - a doença não é uma vergonha, um pecado ou uma praga.

 

Mas agora algo flutua:  a "esquerda" socialista rejubila com um escabroso texto de Estrela Serrano, doutorada no ISCTE (em que raio de casa me fui eu meter, que gradua este tipo de gente) e professora de jornalismo (não surpreende o "estado daquela arte"). No qual critica o pm e a sua mulher por terem decidido expor a doença. A esse seu lixo chama, arrogante, "análise crítica dos media", enquanto manipula o seu próprio "pensamento" intitulando de ignorante qualquer leitor que "confund[a]e uma crítica ao jornal com uma crítica ao primeiro-ministro", como se não fosse este (e a sua  mulher) directa e explicitamente visado(s) no texto que botou.

 

A "esquerda" socialista, sempre pressurosa em afixar o "orgulho homossexual", a dignidade da sexualidade, escandaliza-se gritando "demagogia" se alguém afixa (dolorosamente, decerto) a dignidade da doença. A "esquerda" socialista, sempre lesta em solidariedades com o "género" e mais o transgenderismo, escandaliza-se e grita "demagogia" se uma mulher cancerosa surge calva, sem lenço (um hijab sanitário?) ou cabeleira. Mas nada dirá, nem nunca disse, se um homem canceroso aparecer calvo. Em suma, uma mulher, se doente, não se deve "expor" mas sim resguardar-se, decerto que por poluente (da razão alheia, daí a acusação de demagogia, de aproveitamento político). Nada disso com um homem.

 

Mais ainda, aos da "esquerda" socialista, sempre ufanos da sua "lusofonia", da sua "ligação privilegiada" com África, lusófona e solidária, nem lhes ocorre que, para alguém que tenha nascido e crescido em África (como é o caso de Laura Ferreira), tão mais normal seja uma mulher de cabelo rapado, sem o ónus da excentricidade que ainda tem na Europa.

 

Finalmente, aos da "esquerda" socialista, sempre tão "republicanos", nem lhes ocorre que se alguma crítica há neste caso é a de que numa república não há qualquer justificação (nem prática, nem simbólica nem mesmo protocolar) para que os governantes se desloquem em funções acompanhados dos cônjuges. Todos o fazem (começando por todos os presidentes), todos assim violando o espírito da república.

 

E é gente desta que se diz (doutorados ou não, professores ou não, jornalistas ou não) a reflectir sobre o país. A querer-se poder.

publicado às 11:09

Temos #45?

por jpt, em 10.07.15

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publicado às 17:09

Rui Machete: palavras para quê?

por jpt, em 28.01.15

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(O presidente americano Obama e sua mulher, agora na Arábia Saudita)

 

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(O ministro dos negócios estrangeiros português Machete e sua mulher, agora no Irão - já agora a que propósito é que a mulher de um ministro acompanha uma deslocação oficial ao estrangeiro?)

publicado às 13:08

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Não tenho qualquer simpatia pela "causa homossexual" política portuguesa, repugna-me até. Pois, ainda que abrilhantada na aparência irreverente, foi serva dessa miserável era socialista, astutamente utilizada, colonizada até, pelo craxismo luso. Tal como antes o foi o dickensiano discurso da causa "interrupção voluntária da gravidez" e, depois, já aí vinha o reggae da despenalização haxixiana, colapsada face à forte crise financeira que a atirou para as calendas gregas. 

 

Dito isto: há alguns anos Manuela Ferreira Leite explicitou o que é e deveria ser óbvio. A família é para procriar, é uma instituição com essa finalidade. A esquerdalhada infecta, na colecção de cromos em que vive, apupou-a, chamou-lhe "velha" e coisas assim. Até, miséria de Estado que paga a tal gente, antropólogos funcionários públicos - que deveriam ter sido despedidos, liminarmente, por incompetência ao expressarem o dislate de discordarem com tal evidência, assim ferindo o cerne da sua actividade profissional.

 

Em assim sendo é óbvio que tendo a sociedade portuguesa, e os seus representantes políticos democraticamente eleitos, concordado e legislado em favor do casamento entre homossexuais estes têm, por inerência, todos os direitos a procriar. Biologica e/ou socialmente, adoptando ou "tecnologizando". Pois o casamento é para isso, regulando direitos e deveres sobre filiações, obrigações face a parentelas e distribuindo patrimónios transgeracionais.

 

Negar isso, como ontem continuou a fazer a Assembleia da República portuguesa, é a mais abjecta das indigências intelectuais. E uma vergonhosa cobardia política. Uma sem-vergonha que vem do PS de Sócrates - aplaudida por algum do "homoalegrismo" -, e que se reproduz. Ou se tem a coragem política de reverter a situação, inibindo este tipo de casamentos (para quê?, pergunto-me, que mal provocam ao mundo?). Ou assume-se o que é o casamento.

 

E nada disto tem a ver com os "direitos" das "pobres" crianças despojadas nos orfanatos, essa choraminguice dickensiana, falha de imaginação, que sempre brota. Tem só a ver com os direitos dos adultos. Quem pode casar (sendo solteiro/divorciado, sendo intelectualmente capaz, estando na posse do livre-arbítrio) pode adoptar ou procriar biologicamente. Repito: ou revertem a lei ou aceitam isto, não há meio termo. Ponto final parágrafo.

 

O resto, o lixo, isto que há, tem nomes: Sócrates, Passos Coelho, Portas. E quem os apoia, pois nisto não há "liberdade de consciência". Só mesmo hipocrisia.

publicado às 02:39

"E não se pode exterminá-los?"

por VA, em 15.12.14

Precisamente há um mês, devia ter (r)estreado no Centro Cultural da Malaposta a peça de teatro "O Matadouro Invisível" de Karin Serres, uma produção própria que comemorava os 25 anos daquele espaço. 

Mas, inesperadamente, a reposição foi cancelada. O aviso oficial só nos chegou, aos actores, no dia em que a peça devia ter subido à cena.

O link em baixo resume os acontecimentos de forma fidedigna. Quanto às políticas culturais da Câmara Municipal de Odivelas só resta denunciar "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete".

 

http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2014-12-14-Peca-de-teatro-cancelada-no-dia-de-estreia-no-Centro-Cultural-da-Malaposta

 

VA

publicado às 11:13

Simpósio e aniversário

por jpt, em 12.12.14

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Ontem, quinta, houve simpósio ma-schamba ao jantar: a AL, a VA, este jpt, o MVF juntámo-nos ao jantar ali num indiano, saboroso, na baixa pombalina. O FF, coimbrão, e o PSB, agora em curso capetonian, e que aqui honorários dados seus silêncios prolongados, estiveram presentes na alma dos convivas.

 

Discorremos sobre nós próprios, "ravissantes" e jubilosas elas, mais amargos e envelhecidos nós-eles, e alguns outros assuntos. No final eu e o MVF após os deveres cavalheirescos, aportámos ao British Bar, ali ao Cais do Sodré, e prolongámos o serão. De súbito lembrámo-nos que o ma-schamba cumpriu 11 anos há alguns dias, esqueceramos isso. Há 11 anos bloguei isto, um trecho do grande Ruy Duarte de Carvalho, abrindo esta mania de blogar, de botar. E foi mais ou menos então que escolhi como epígrafe isto de Nassar: "…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…".

 

Ri-me. Tanto por o blogar ser agora tão menos importante, que até esqueço (esquecemos) o aniversário do estaminé - coisa em tempos tão cuidada, saudada por outros e festejada em casa própria. Mas ri-me também por a epígrafe, sempre escolhida por aparentar paradoxo, o ser hoje verdadeiramente contraditória. Pois passei o jantar a resmungar, repetir, o contrário. Vivemos momentos únicos no país.  E vou crente que a cada um compete resistir, "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete", disse-o vezes sem conta, "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete", contra os poderes que se horizontam, essa tropelia neo-socrática que aí vem. Tudo recomeçará?, os craxianos vão reganhar? Quase de certeza, que é deles que o povo gosta (é ver os académicos tugas a quererem dinheiro para a sua "investigação", para a sua "cultura"). Seja assim. Mas cumpre à gente resmungar, vociferar contra isso. Barulhentos o possível. Entre outras coisas, essas mais do silêncio devido.

publicado às 02:09

Costa, o incolor?

por mvf, em 30.09.14

 

 

"O novo secretário-geral, o primeiro não branco a liderar um grande partido em Portugal"

 

Eis como Luis Osório num seu artigo de rescaldo sobre as primárias do Rato (in jornal i, 29/09/2014) define  António Costa.

Ora, sendo Costa um não branco, isso quer dizer o quê? Preto, amarelo, vermelho, azul, liláz, versicolor, incolor?

Alguns, porventura severos críticos, pensarão que se trata somente de uma saloiada, de traumas pós-coloniais, de uma distracção a emendar mais tarde mas que dado ao adiantado da hora e ao fecho da edição lá passou e assim ficou estampada, ou, em extremo, revelar uma crise aguda de hemorróidal. Outros, mais benevolentes, dirão que esta é uma (certa) Lisboa, bem pensante, cosmopolita, esplendorosa na sua modernidade, exemplo de uma boémia temperada e culta, muito Bairro Alto anos 90 e com mundo, como dantes se dizia.

Já eu, o pobre de mim, limitado na compreensão destes fenómenos, com vistas que de tão curtas não alcançam mais que a inóspita Torre do Bugio, doméstica e inultrapassável Taprobana intelectual, só digo assim:

Foda-se!

 

De acrescentar que Costa ainda não é secretário-geral do PS e tão só candidato a primeiro-ministro, mas isso é má-vontade minha que gostava que os gajos que são pagos para escrever em jornais fossem um pouco mais rigorosos.

 

 

publicado às 09:30

A questão do Bloco de Esquerda

por jpt, em 02.08.14

 

February 27, 1923. "Miss Alice Reighly, 1409 Harvard Street, president of Anti-Flirt Club, which has just been organized in Washington, D.C., and will launch an 'Anti-Flirt Week' beginning March 4. The club is composed of young women and girls who have been embarrassed by men in automobiles and on street corners." (National Photo Company Collection glass negative.).

 

Em alguns blogs portugueses tenho lido vários textos analíticos sobre o momento actual do partido Bloco de Esquerda, seu declínio eleitoral e aparente crise. Enquanto acompanho a expectável transumância dos mais afoitos dos seus porta-vozes para o partido socialista leio também algumas tentativas de renovar a instituição, dando-lhe caminhos atraentes. Talvez esta ascendência americana ("afinal?!") seja de cuidar, o regresso à campanha contra o piropo como lema revolucionário (e identitarista) possa colher amanhãs que não cantam. E atrair os bem-comportados filhotes adolescentes dos burguesotes lisboetas para os seminários de insurreição, veros "pioneiros" do anti-flirt.

publicado às 21:53

A esquerda que ri

por jpt, em 12.07.14

 

 

O Argentina-Alemanha vejo-o num bar, vindo de Mavalane onde me abandonara da família, ida "a banhos". Mesa alargada, gente conhecida, alguns amigos. O jogo cinzento, táctico diz-se, só lá para o fim nos animamos, até pela chegada de um argentino (celebrando pagando fartas rodadas). E por isso conversa alguma. Um bom amigo, profissional das empresas, sabedor dos bancos e das economias, vai-me abordando o "BES". E fala do DDT. Espanto-me, desconhecedor. "DDT"! diz, o petit-nom de Ricardo Salgado, o "Dono Disto Tudo" durante os largos últimos anos portugueses. Sorrio, sabida a condição desconhecida a denominação. Entretanto, resmungo, lá na "gasta pátria" desunham-se em partidites, "a esquerda/direita", como se assim não fosse, dele não fossem acólitos. "Pois", resmunga-me o amigo, nós na azia dos emigrados.

 

Apanho no Corta-Fitas eco de uma entrevista de Joana Amaral Dias, a antiga musa do neo-comunismo cool português: o "posicionamento esquerda-direita está ligado a uma estruturação psicológica que se dá por volta dos 18 meses". Assim "as pessoas de esquerda e de direita tem personalidade, cognição e ambições diferentes" e "aquilo que nós sabemos de uma maneira geral, é que a grande diferença entre os eleitores de esquerda e de direita é que os primeiros têm mais a capacidade de transformar aquilo que é inerente à condição humana, o ódio, o medo e a angústia, em laços com os outros – o tal poder para mudar". O grau de indigência é tamanho que nem vale a pena comentar. Mas lembrar quem a ouviu, ombreou, seguiu. A esquerda que ri, no vácuo recanto.

 

O Buala é um sítio muito interessante, sempre recomendável. Para quem não o conheça trata-se de um "portal multidisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa", indispensável para um olhar mais informado. Espanto-me diante de um texto acabado de colocar: "A subida eleitoral da extrema-direita na Europa", um texto assinado por Plataforma Gueto (e a nota de apresentação deste autor [colectivo?] é elucidativa). Poder-me-ia perguntar sobre a pertinência da colocação no Buala de um texto destes, cuja tese é uma imputação, a da assumpção das teses da extrema-direita (europeia) pelas forças partidárias actualmente no poder português. Mas isso são os critérios editoriais do próprio Buala, não me compete a mim delimitá-los, quanto muito notá-los. E, sobre este caso, lamentar a sua colonização pela agenda de luta partidária portuguesa, ainda para mais numa deriva deste tipo. Mas mais do que isso convirá olhar para este "texto" panfletário de acção política, com os ademanes académicos - as bibliografias, as citações de nomes célebres (Mbembe), cruciais na academia portuguesa (Valentim Alexandre, José Manuel Sobral) ou com situacional capital estratégico (Luís Bernardo Honwana, nome amigo e respeitável ali a dar muito jeito). Convém olhar pois o texto cruza a ideia (nela assenta?) do lusotropicalismo [e sua sequela lusófona] como molde intelectual da direita portuguesa (a tal difusa extrema-direita actual que quer combater). Nele, apesar das citações e das bibliografias, nada ocorre sobre a transversalidade dessas perspectivas. Trata-se, pura e simplesmente, de imaginar o "inimigo", e identificá-lo (delimitá-lo). O tempero "academicista" sobre um pensamento nulo. Uma bosta abaixo de cão. A conspurcar o "Buala, portal multidisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa". Ou não.

publicado às 09:20

Bessa acerca de Sócrates et al

por jpt, em 11.07.14

 

 

Daniel Bessa, economista, antigo ministro socialista, aqui sobre Sócrates, sobre Constâncio e também sobre Guterres. O filme está reproduzido por muitos mas convém repeti-lo até à exaustão, num país, junto a uma população, mergulhados na "narrativa" da "direita", ou seja todos aqueles que arrepanharam os cabelos com o populismo "socialista", versus "esquerda", ou seja todos aqueles com bons princípios e moral irrepreensível que defendem os pobrezinhos e o futuro através do que se chamou "estado-providência" e se chama agora, para não parecer mal, "estado social". 

 

Aqui o deixo, com dedicatória particular para os meus amigos que, nas esplanadas de fim de tarde e restaurantes de princípio de noite, têm o desplante de me entoarem o "easy listening" dos pecs4 e afins.

publicado às 16:07

A "cultura" apoia António Costa

por jpt, em 08.07.14

 

É no mural-FB do jpn (meu antigo co-bloguista no Olivesaria) que vejo esta petição "A cultura apoia António Costa". Já resmunguei há dias sobre a pesporrência atrevida de trabalhadores da área cultural se intitularem, quando congregados, a "cultura", ela-própria. Mas, agora, o jpn permite-me aceder a um detalhe delicioso sobre estes "cultos". Ele próprio trabalhador dessa área tem uma posição culta - apoia António Costa mas franze o cenho a estas caganças do "nós, a cultura". Mas ao ligar o texto da petição (que eu não lera) provoca a outrem um comentário, letal: "Esta "petição" pede exactamente o quê a quem?", pergunta um seu amigo.

 

Então fui ler o texto. Trata-se de uma petição, assinada por "vultos" (o grande Camané, que eu vi cantar no B'artis para aí há 30 anos, jovenzinho; o grande Carlos Tê, que eu vi cantar no Tchova, há 17 anos, o realizador António Pedro Vasconcelos, que eu ouvi tão bem falar no Kampfumo, etc.). Mas não pede nem apela. A construção do texto é um elogio a António Costa. Legítimo. Mas denota uma coisa: os "cultos" não percebem o que é uma petição, assim uma incultura gritante, até lexical [mal vai a "cultura" portuguesa, se aceitarmos o monopólio que estes "costistas" exigem]. E, pior ainda, como se trata de um manifesto de apoio político, ao apresentarem-no na forma "petição" demonstram que têm uma concepção "peticionista" ("estamos a pedir") da acção política, até como se esta caritativa. No fundo, mas não explicitamente, tão mal construído está o texto, trata-se de uma petição a ... António Costa.

 

É pungente. Patético. Pateta. E mostra o que aí vem.

publicado às 16:10

António Costa para o poder

por jpt, em 28.05.14

 

 

 

Leio que António Costa anunciou a sua candidatura à liderança do Partido Socialista português, na sequência dos medíocres resultados do seu partido no passado domingo. Leio também que um dos primeiros a manifestar o seu apoio a essa vontade é José Lello, que em longos tempos por aqui vi passar nas vestes de secretário de estado das comunidades portuguesas.

 

Depois queixem-se.

publicado às 11:33

O Partido Socialista de António José Seguro ganhou, como se esperava e como todos sabem, as eleições pr'á Europa. A compreensível alegria pelo feito levou Francisco Assis a um estado de euforia que só o líder acompanhou, ultrapassando-o até na demonstração do contentamento. Visto na televisão o espectáculo do dueto do Altis, em que só faltou ao par vencedor dançar o "Vira" para entreter a plateia, com um discurso de Seguro que soava a pré-escrito para outro resultado, ou seja, preparado para uma natural e estrondosa vitória que teimou em não se confirmar sobre a tão famigerada como estafada coligação de direita, a Aliança Portugal, que deixasse o Governo a pão e água, uma coisa parecida com o que se passou com o antigo ídolo e grande campeão do socialismo do nosso pobre Tozé e do imortal Mário Soares, o fracatível Sr. Hollande, que acabou a levar na pá da Le Pen sem apelo nem agravo, deixando a França ( e a Europa) em estado político-cataléptico. Ao mesmo tempo que Seguro expandia a sua alegria e debitava disparates fechado em si próprio e Assis dava trabalho às suas glândulas sudoríparas como habitual, iam-se sabendo os resultados e não parecia que a tal vitória fosse, afinal, de tal modo esmagadora que levasse o cândido Tozé ainda com o tacho ao lume, a reclamar uma maioria absoluta nas legislativas do ano que vem, sem sequer olhar para a gigantesca abstenção da paróquia, o recorde de votos brancos e nulos, o fenómeno Marinho Pinto ultrapassando o desfeito BE da surfista Marisa e nem dando confiança ao partido do meio da esquerda, o Livre do esquecido Tavares, ou o que se ia conhecendo dos resultados europeus, que se diriam preocupantes. De notar que uma vitória expressiva nem seria uma habilidade por aí além, dado o que a Aliança Portugal (PPD-PSD/CDS-PP ou melhor, PSD-PP...) tem feito "pelo" País nos últimos três anos, gerindo uma herança miserável  - que seria bom não esquecer, já agora! - mas estabelecendo prioridades a mando ou voluntárias com terrível indiferença pelos resultados na pele, na vida, de grande parte dos portugueses, a que consegue juntar uma ineficácia notável que pode sem grande dificuldade confundir-se com incompetência ou falta de vontade, sendo ambas miseráveis, e em muitos dos casos a quase estagnação, sobretudo, naquilo que se diz essencial, a reforma do estado e a  dieta nas gorduras do dito como a que o cabeça-de-lista Rangel fez com tão nítidos e bons resultados.  Enfim, nestas coisas já se sabe, os nervos apoderam-se de um gajo, dizem-se coisas que são coisas que se dizem (antigo provérbio árabe), e no que toca a Seguro, esperar mais do que ele pode dar é pedir a um cão que suba a uma árvore. Situações em que a ansiedade e a pressão aumentam e que podem acontecer a qualquer momento a todos nós, podem levar a desvarios variados e mesmo a ejaculações precoces, o que espero sinceramente, não ter sido o caso, mas convém que em cargos de responsabilidade extrema, as pernas não tremam, a voz se não embargue, os sentimentos não embotem a necessidade da acção rápida, eficaz e ponderada.  

De qualquer modo, mesmo o PS tendo ganho a corrida para Bruxelas, foi para alguns sectores do partido como se tivesse perdido e eis que com a luz verde que Mário Soares acendeu  quando disse que aquilo foi uma vitória pírrica, reaparece de imediato como eventual desafiante à liderança, o António Costa. Soares, macaco velho, sabe-a toda e com a alusão ao rei Pirro revelou indirectamente a todos os interessados o que sempre soube: Seguro não fará o PS voltar aos tempos áureos e dando o sinal, logo Costa se chegaria à posição de partida. Um pequeno detalhe que me entristeceu bastamente foi o momento escolhido por Costa para o anúncio do seu sacríficio pela Pátria: António Costa estava como presidente da CML inaugurando um monumento que homenageia a vida e obra de Maria José Nogueira Pinto, quando não se conteve e declarou a sua disponibilidade para outros vôos. Na minha terra chama-se falta de respeito e de decoro, mas deve tratar-se de uma questão geográfica.
Voltando à vaca fria, que é como quem diz, a António José Seguro, dele não se ouviu dizer que fosse um cinéfilo inveterado mas certamente tem conhecimento de uma ou duas fitas clássicas. Uma delas, deve estar agora a atordoar-lhe a existência, sobretudo se a sua imaginação lhe pregar uma partida, e é nestas alturas de intranquilidade que as partidas acontecem, que as surpresas saltam do breu, que os abraços podem apertar, por amizade e carinho, o papo aos mais desprevenidos, que mãos supostamente amigas podem esconder instrumentos que interrompam a circulação sanguínea para além de estragar a mais cuidada e elegante camursina. Se Seguro viu Psycho, mesmo que não tenha entendido o enredo, sabe que a partir de agora não pode tomar um duche retemperador e merecido porque por detrás da cortina pode vir um facalhão empunhado por algum seu correlegionário. Seguro, inseguro, pode ser levado a voar na tal imaginação e a prever um remake do filme do velho Alfredo, uma versão ainda mais aterradora, num género ainda por explorar cinematograficamente, o thriller musical. Uma história leve e alegre como o poeta que o apoia ou apoiava, com uma carga de "suspense", um vai-não vai, um mata-não mata prolongado e com um fim dramático: No fundo, um psico-drama musicado em que ele personificaria Marion Crane, substituindo Janet Leigh com enorme desvantagem para os espectadores, enquanto um outro Anthony que não  o Perkins, interpretaria na perfeição o faquista Norman Bates numa produção à Bollywood.
Será que Tozé se enfia na banheira ou deixa a higiene de lado?
Aqui fica, como refresco da memória, um trecho do filme original de 1960:

publicado às 20:46
modificado por jpt a 11/7/14 às 04:43


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