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Nesta edição do CULTURA. Jornal Angolano de Artes e Letras, nº 67 (basta pressionar o título para aceder) está uma entrevista com Francisco Noa (páginas 13 e 14), homem sempre a escutar. Aqui aborda questões ligadas à utilização da língua portuguesa em Moçambique. Depois também, e com algum detalhe (o possível) numa entrevista a um periódico, a situação na literatura moçambicana. Destaco, para os interessados, as suas referências aos novos autores que se vão destacando.

 

publicado às 05:45

Os erros dos professores

por jpt, em 07.08.14

 (Matola-rio, Junho 2014)

 

Houve uma avaliação aos professores em Portugal. Não faço a mínima ideia do seu conteúdo ou qualidade. Apenas leio uma notícia com o título "Maioria dos professores deu erros [porventura o jornal quereria dizer "errou"] de português na prova da avaliação", "ortográficos [de ortografia?], de pontuação [pontuativos?], de sintaxe [sintácticos?]". O breve título é repetido no DN, no JN e no Público, deixando adivinhar alguma origem que lhes é estranha, talvez até oficial. Enfim, bastará o seu coloquialismo e a ilógica presente nas poucas cinco palavras que descrevem os erros acontecidos para provar que isto de escrever português é um martírio. Infelizmente não há notícias sobre hipotéticos erros em matemática, química, desenho, história ou outras quejandas coisas.

 

Como os visitantes do blog bem sabem cometo falhas ortográficas. Não muitas, mas algumas: ainda há pouco foi um "insonso" que me valeu insultos de visita discordante, ... E esforço-me, sempre atrapalhado com isto dos hífens, e agora ainda mais devido à tralha ortográfica, sempre entre o dicionário e o google. Quanto à sintaxe e à pontuação é melhor nem falar, uma constante trapalhada - esta tendência de virgular cada arquejo, para travessar cada meneio. Por isso estou solidário com os colegas erradores.

 

E espero que não levem purrada.

publicado às 06:52

Falta-lhes qualquer coisa ....

por jpt, em 13.07.14

 

Já anunciei a minha raiva com esses pobres seres que urram o LOL, alvar (e RIPs e isso). Seres a quem falta algo, pequena coisa, para ascenderem à espécie humana. Está aqui cantada ...

publicado às 18:00

Usar o português

por jpt, em 07.12.11

[O meu texto na edição de hoje no Canal de Moçambique]

 

No meu quotidiano de professor noto as dificuldades dos alunos na utilização da língua portuguesa. Não sou normativo. Sei das minhas falhas ortográficas e, principalmente, sintácticas. Ao reler-me quantas vezes me espanto. Ou, pior ainda, me incompreendo. Assim avisado não ando em busca dos prevaricadores. Ainda assim, e nisso partilho a preocupação com vários dos meus colegas, constato uma crescente fragilidade do domínio do português nos alunos chegados à universidade.

 

Esta temática é tema recorrente. Seja por via das inovações, seja pela recolecção (quantas vezes procurando a piada fácil) das máculas. Não é isso que me atrai. A primeira vertente (supra-interessante) tem especialistas. E a segunda é apenas um defeito de pensamento.

 

Reconheço os constrangimentos que o multilinguismo pode provocar na apreensão da língua por via escolar. Mas não só lamento o tendencial glotocídio, o abandono urbano das línguas familiares. Pelo património intelectual que são, pelas estruturas lógicas que transportam, pelas “visões do mundo” que inspiram. Estou ainda certo que o multilinguismo não é obstáculo à apreensão das línguas (bem pelo contrário). Não é ele a raiz do problema.

 

Dito isto confesso que me arrepio com as constantes tropelias que os estudantes universitários fazem com o português. Neste contexto, que vem piorando, surgem-me duas questões, sem com isso fazer “tábua rasa”, negar as competências existentes. Mas nele reconhecendo um generalizado défice de habilidades.

 

A primeira é a da estreiteza do vocabulário da maioria dos casos. Falar para os alunos implica um esforço constante (e porventura insatisfatório) de simplificação. Não se trata de aspirar à sua precoce erudição. Mas referir a pobreza dos instrumentos que têm disponíveis para pensar, classificar, catalogar, simbolizar, imaginar, inventar, contrariar o mundo. E não me refiro a quem tem outras línguas maternas, pois a maioria dos universitários exprime-se primordialmente em português.

 

A segunda é a da trapalhada na escrita, quantas vezes até abissal. Muito se fala na ortografia, mas essa é matéria menos importante. Entre o desconhecimento da etimologia e o caos sintáctico os discursos escritos produzem uma penosa bruma de sentidos. Há uma dificuldade geral na estruturação intelectual, na sistematização dos raciocínios e na sua comunicação. De forma mais formal ou mais informal, pouco importa. Pois estas algemas não ajudam nem reprodução nem criatividade, nem à aceitação do real nem à sua análise crítica.

 

Tudo isto deriva apenas do estado da Escola? Não creio. Penso que a posse da língua é algo corporal, que brota do contacto físico com a sua expressão, o que ultrapassa o contexto escolar. Esta fragilidade comunicativa denota a falta de uma verdadeira intimidade com a língua. Efeito de uma radical ausência de leitura, de convívio com a expressão escrita. Mas há muito que não vivemos no mundo do livro (e do jornal). Pelo que esta questão se liga também à escassez de exposição a bons textos audiovisuais, na rádio e na TV. Entenda-se, ao contacto com discursos orais mais complexos (para além de prazenteiros). E com bons textos legendados. Rádios e televisões cultas são ausências letais neste campo.

 

Mas não creio que tudo se prenda com as deficiências das fontes (escola, órgãos de comunicação, redes de leitura pública, práticas editoriais). O estado do português neste contexto deriva também das concepções e das práticas que dele se apropriam.

 

Durante gerações o contacto com a palavra escrita foi, acima de tudo, de recepção. Por via de jornais, livros, documentos oficiais, etc. Depois, e de modo algo diferenciado, pela rádio e tv. Quanto muito o cidadão escrevia (escassas) cartas, uma dimensão menos formativa, dos emissores e dos receptores. A apropriação da língua escrita era mediada, através do consumo de textos produzidos por especialistas (bons ou maus, isso é outra questão).

 

Diferentes são as práticas actuais. Todos produzimos imensos e constantes textos visíveis, nos SMS, nos emails, nas redes sociais. E isso é muito bom, para a construção identitária e de cidadania. Mas são também esses os textos que entram corpos dentro, mentes dentro. Esse mundo sobreaquecido de intercomunicação influencia o uso do português. Padroniza-o, na aparente multiplicidade de usos. E promove o reducionismo. Na poluição ortográfica, na simplificação sintáctica, na escassez vocabular, no aplainar de sentidos, na extrema sumarização das reflexões. No fundo, é uma aparência de hiper-comunicação que tende para a sub-comunicação.

 

Mas não são apenas as práticas a influenciar a língua, como se a trapalhada que refiro se deva a um “mal tecnológico”. É a própria concepção sobre o seu uso. Reina a urgência da expressão, da escrita e da contra-escrita imediata, como se esta prove a existência. Nessa pressa o valor superior é o facilitismo. Tudo vale. Sob a ideia de que a forma não é importante. Seja no simpático comentário facebookiano seja no texto académico o que surge como relevante a tantos dos estudantes é o “eu estou aqui” e não o “como estou aqui”. E nesse eixo as atoardas não maculam, a vergonha (sim, a vergonha) face ao erro cometido inexiste.

 

Há questões sociais (escolares, editoriais e não só) que influenciam a apropriação linguística dos actuais universitários? Sim. Mas há também uma incompreensão da dimensão da cidadania linguística. Que se nota no fastio pela (re)apropriação das línguas moçambicanas (uma outra questão a exigir abordagem). E neste enorme facilitismo face ao português. Tudo isto apoucando. Não a(s) língua(s). Mas os estudantes. Os cidadãos. Deste modo descomplexados? Talvez. Mas assim também “des-complexos”.

 

jpt

publicado às 18:22

A botoneira

por jpt, em 23.05.11

[Botoneira Microsoft Comfort Curve 2000]

 

Mais uma vez, como tantas antes, errei. Arrogante invectivei o uso da palavra "botoneira". Os amigos Luis Eusébio e esclarecem-me sobre a existência do termo, convocando esta minha emenda. Luis Eusébio encontra-o no Dicionário Priberam (eu tinha recorrido ao meu Texto de mão e a dois electrónicos) e explica-me sobre a utilização, já antiga, do termo no seio desse mundo (linguisticamente dickensiano) da indústria.

 

As minhas desculpas pelo erro, atrevido, que acabei de cometer. E para esta sessão de auto-crítica pública uso, como não podia deixar de ser, a minha confortável Botoneira "Microsoft Comfort Curve 2000".

 

jpt

publicado às 17:02

Acordo Ortográfico?

por jpt, em 23.05.11

(Algures num prédio de XXI em Lisboa)

 

Em português não existe. Diz-se, dir-se-á botoeira. Mas como em espanhol se diz (quase) assim e também com toda a certeza alguém no Brasil o escreverá assim então passa a botoneira. É o acordo ortográfico. Chama-se a isto dinamismo ... a bem da importância e influência do português (e de Portugal, claro) no mundo.

 

jpt

publicado às 11:52

Aprender a Contar Histórias

por jpt, em 06.05.11

 

 

Tricontando é o blog de uma professora da Escola Portuguesa de Moçambique, Tânia Silva. O qual acabo de conhecer (entre os meus impropérios - o perfil da autora anuncia a sua crença no obscurantismo astrológico, das raras coisas que me impele para amolar as cimitarras). Mas enfim, tralha dos signos à parte ("cada um como cada qual" prega, altaneiro, o Teixeira iluminista deixando o siamês Bin Laden Teixeira furibundo, ainda para mais porque anda acabrunhado nestes últimos dias) refiro o tal Tricontando pois acaba de me chegar via e-mail a informação de um Workshop "A arte de contar histórias", no Instituto Camões, que a sua autora realizará a partir de amanhã. Deixo abaixo a informação, não sem referir dois pontos:

 

a) Se o Instituto Camões é o Instituto Camões não será de falar e escrever português? Ou seja, não será do tal de workshop ficar à porta e, escrever-se "oficina" ou coisa quejanda? ... é que há palavras, suficientemente significantes. Foda-se ....

 

b) Para uma actividade que ocupa quatro sábados seguidos não será de fazer a sua divulgação (a electrónica, pelo menos) bem antes da mísera (para este efeito) véspera? Ainda para mais visito, agora, o blog da formadora que anuncia o "Workshop" (lá está!) num texto de 27 de Março ...

 

Enfim, o que interessa é o aprender a contar histórias. Quem puder ...

 

O que se quer dizer com “contar histórias”? O contador de histórias tem o dom de fazer viajar a sua audiência, despertar-lhe sentimentos inimagináveis ou apaziguar os seus medos e ânsias. Neste workshop vamos encontrar técnicas de encantar adultos e crianças através da voz, do gesto e da palavra falada.

 

Objectivos: -Explorar e conhecer técnicas de contar. -Descobrir e desenvolver o estilo pessoal de cada participante de forma consciente. -Trabalhar a segurança e a auto confiança na apresentação em público. -Dar a conhecer técnicas e estimular a criação de repertório.

 

Número máximo de participantes: 12 Número mínimo de participantes: 6 Data/Horário: Sábados: 7/14/21/28 de Maio| Das 09h às 13h Público-alvo: Actores, Professores, Educadores de Infância, Animadores Sócio-Culturais, Bibliotecários, Pais e curiosos pelo tema. Local: Instituto Camões, Maputo Formadora: Tânia Silva Preço: 1500 MZN Inscrições na Biblioteca do Instituto Camões.

 

jpt

publicado às 13:39


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