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34º Templo - Rod and Roll

por mvf, em 26.07.14

 Último concerto dos The Faces com um convidado de peso, a velha rata Keith Richards. Isto tem 40 anos e não soa nada mal.

 

 

Uma pequena nota acerca dos (The) Faces. O grupo original dava pelo nome de Small Faces, importante grupo "mod" que tinha o guitarrista Steve Marriott como figura de proa (Faces era o calão "mod" para qualquer coisa como fazedores, líderes da moda). Marriot largou o grupo em 1969 para fundar os Humble Pie e os sobreviventes foram buscar Ron Wood - que depois da extinção do conjunto em 74 se juntou aos Rolling Stones - e o extraordinário e não menos espalhafatoso Rod Stewart. Alteraram o nome para The Faces e mudaram a agulha para um Rock and Roll de linha mais dura, sendo apontados como inspiradores de alguns grupos punks.

publicado às 10:02
modificado por jpt a 28/12/14 às 23:21

Neste 15º Templo que é o 2º dedicado à quadra natalícia, o bom Rod Stewart em grande forma e reformado da rocalhada (parece...) deseja-nos um óptimo Natal. O presente era para ter sido mostrado ontem mas o laçarote do embrulho atrasou tudo...

 

publicado às 20:03
modificado por jpt a 28/12/14 às 13:40

 

Um dos nossos direitos inalienáveis, e perversamente perseguido pela crítica pública, é o da prática da piroseira. Ser piroso. Sem garbo, sem consciência, sem propósito, nem mesmo vontade. Apenas ser. Conceito de vasta amplitude e historicamente contextualizável. Em meu entender actualmente a dimensão masculina da piroseira tem o cume nestas constantes poses suportando a caixa craniana com a mão. O gosto em moda valoriza a versão "régua-e-esquadro", de aparência mais frugal, como acima exemplifica o poeta Manuel Alegre. Ou, imediatamente abaixo, um despenteado Beatle.

 

 

Certo é que há formas ainda mais frugais de enquadrar a face (ver abaixo). Muitos ancoram esta prática numa indução de fotógrafos, ansiosos na optimização dos planos. Explicação pobre, como é óbvio.

 

 

Na realidade estamos no registo da encenação, a de uma viril ponderação, da contenção da densidade intelectual. Existencial. Do algo tão intenso que extravasará se não for conscientemente controlado, "enquadrado". Certo é que há antepassados, muito dignos, destas poses. Versões mais sofridas ou mais desesperadas. Mas repito, definir algo como piroso implica a sua contextualização histórica. Dizer pirosas as encenadas poses destes nossos antepassados, Bocage e João de Deus, será um anacronismo. Pois como era diferente o mundo da pose nesses tempos ...

 

 

Enfim, como anunciei acima, este arrazoado tem um sentido. O de sustentar a reclamação do direito à piroseira. Que pratico amiúde, creio, sem que disso tenha consciência ("a piroseira-em-si"). E que afirmo agora, em reclamação ("a piroseira-para-si"), a propósito do encantamento que tive com o filme musical que abaixo transcrevo, há pouco descoberto no youtube.

 

Atente-se na canção, um daqueles velhos slows que chamávamos, em tempos de crueldade junior, "pastéis de bacalhau", uma piroseira exemplar. A versão aqui ocorrida, nos seus "violinos" (e com aquele solo de sax, flat como uma mesa de bilhar, a cargo dos beiços da vistosa louraça). E muito mais do que tudo, o ícone Rod Stewart, com tudo como mandam as regras do estilo, na sua gravata, no espantoso casaco amarelo. E nos meneios e trejeitos, vocais e corporais (épico o momento 2.34, em que reconheço a chunga lisboeta-olivalense anos 80, de modo genial e totalmente sintetizada num segundo - só pode ser um objectivo cuidadosamente preparado e ensaiado).

 

Dito isto, o que me faz o encanto, a adesão? O que aqui liberta, radicalmente, o piroso em mim? Em processo analítico vejo e revejo o filme. E não me restam dúvidas, violinos, saxes, cançonetas o casaco amarelo, tudo isso ganha encanto, até redentor, pela jovem cantora. Não exactamente a sua prestação canora ou até a beleza (ainda que ela em ambos os capítulos não deslustre). Mas é aquele seu ar desamparado, de jovem aterrorizada, em exame diante do velho sabido, aquela sua felicidade final de quem sabe que se desenrascou, aquela sua (aparente?) fragilidade tão juvenil. Fresca. Até enternecedora.

 

E concluo. O motor da piroseira é, obviamente, a idade. Sempre. Neste caso esta (minha) idade, a dos velhos sátiros ... despertando o "sugardaddyismo" que em todos (nós) habita. Assim sendo ainda bem que podemos enquadrar as carantonhas ...

 

 

jpt

publicado às 12:17


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