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Saul Bellow e a "informação"

por jpt, em 12.04.09

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[Saul Bellow, Uma Recordação Minha, Teorema, 2005 (2001), tradução de Rui Zink]

Vastas organizações existem com o simples objectivo de captar a nossa atenção. Elas tecem planos engenhosos. Mordem-nos com dentadas que não duram mais do que alguns segundos. A nossa consciência é o seu mercado – é aí que elas se banqueteiam. Pensemos na consciência como um território recentemente aberta à colonização e à exploração ...” (10)

 

O leitor moderno (ou espectador, ou ouvinte; vamos incluir toda a gente) está perigosamente sobrecarregado. A sua atenção é, para usar o jargão actual, “alvo” de forças poderosas. Detestaria ter de fazer uma lista destas forças, mas suponho que algumas terão de ser mencionadas. Muito bem, então: os gigantes das indústrias farmacêutica e automóvel, a TV Cabo, os políticos, os artistas, os académicos, os líderes de opinião, os vídeos porno, as Tartarugas Ninja, etc. A lista é entediante porque é um inventário do que é posto nas nossas cabeças dia sim, dia não. A nossa mente é uma arena, um campo de treino para toda a espécie de empresas, que a usam a seu bel-prazer. Certo, nós temos a liberdade de pensar os nossos próprios pensamentos, mas as nossas ideias independentes, admitindo que o sejam, têm de conviver com milhares de ideias e noções inculcadas por professores influentes ou propagadas por “líderes de opinião”, publicistas, comunicadores, colunistas, locutores, etc. Espíritos lúcidos (educados) são menos facilmente submersos por estas nuvens de gás opiniático. Mas ninguém está seguro.” (8-9)

 

Em todos os campos somos forçados a requerer uma instrução especial, o auxílio de especialistas que nos ajudem a interpretar os factos aparentes com que somos empanturrados. Esta é, só em si, uma ocupação a tempo inteiro.” (9)

publicado às 17:49

Saul Bellow e o olhar para a morte

por jpt, em 01.02.09

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[Saul Bellow, Uma Recordação Minha, Teorema (tradução de Rui Zink)

Um livro sumptuoso, a merecer muito mais do que o "picar" de uma ou outra citação (acima de tudo a merecer ser lido). Mas em sendo assim muitas haveria. Fico com esta, sobre os preconceitos que vão mudando:

"Compreenderás rapidamente que eu não podia contar a uma criança o que te vou contar agora. Não se fala de mortes e remoinhos a um miúdo, não nos dias de hoje. No meu tempo, os pais não tinham qualquer problema em falar da morte e dos mortos. O que raramente mencionavam era o sexo. Agora é ao contrário." (215)

publicado às 23:34

Livro borda fora

por jpt, em 02.02.06

"Regressei a Chicago e abri um escritório na Van Buren Street. Industriei os meus empregados de maneira a tomarem conta dela por mim, e assim fiquei livre para preencher a minha vida com actividades mais interessantes. De certo modo para surpresa minha, dei comigo a fazer parte de um grupo de pessoas curiosas. A maior ameaça em Chicago é o vazio - vazios humanos, uma espécie de ozono espiritual que cheira a lexívia."

[Saul Bellow, A Autêntica, p. 9]

Edição da Teorema (Lisboa, 2000); tradução de Rui Zink; revisão não referida. Quem me devolve os meus euros?

(para quem não percebeu, volte a ler a citação, agora mais devagar. Tipo aquele "descubra as diferenças").

publicado às 07:54

...

por jpt, em 07.04.05

"A principal ideia do poema é construir e destruir. Não há nada intermédio. Mecanismo é destruir. O dinheiro é claro que é destruir. Quando for cavada a última sepultura, terão de pagar ao coveiro. Se pudéssemos confiar na natureza não teríamos de temer. Ela sustentar-no-ia. A natureza é criadora. Rápida. Pródiga. Inspiradora. Dá forma às folhas. Faz rolar as águas da Terra. O homem é o chefe disto. Todas as criações são a sua herança legal. Não sabemos o que temos dentro de nós. Uma pessoa ou cria ou destrói. Não há neutralidade..."

[Saul Bellow, Agarra o Dia, Fragmentos (tradução Bernardo Antunes Navarro)]

publicado às 08:02


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