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O Vento Sopra do Norte, na FLCS

por jpt, em 14.08.12

Sobre "O Vento Sopra do Norte"

O Período pós II Guerra Mundial marcou o início das lutas pelas independências de muitos países de África. Portugal teimava em manter um império colonial que incluía, entre outros países, Moçambique. Entre as estratégias de manutenção das colónias os portugueses criaram uma máquina de opressão treinada para esmagar qualquer tipo de revolta. “ O vento Sopra do Norte” é um projecto cinematográfico que regista este momento da história de Moçambique. O enredo debruiça-se sobre os últimos momentos de ocupação colonial que o autor fixou e 1968. As cenas relatam o progressivo desenvolvimento da guerra de libertação de Moçambique, o sentimento generalizado de descrença, de confusão e pânico que se instalava entre os colonos e o início da fuga generalizada para metrópole. A redacção do guião levou cerca de um ano. A produção envolveu todos os técnicos do Instituto Nacional de Cinema(INC). O Filme foi financiado na totalidade pelos fundos do INC.

Um filme de José Cardoso, Moçambique, 1987, 87´

O ciclo de cinema moçambicano na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM tem amanhã a terceira sessão. O programa é:

Quarta Feira - 15 de Agosto

10h15 | Debate com Amocine | Políticas Culturais: A Lei do Cinema | Apresentado por Sol de Carvalho

15h00 | Projecção: "O Vento Sopra do Norte" de José Cardoso | Conversa com Director antes da Projecção

jpt

publicado às 11:31

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por jpt, em 21.02.07
Adicionando a este meu texto, sobre o "Jardim de Outro Homem", de Sol de Carvalho:

"O erotismo, encoberto ou declarado, em fantasia ou em actos, encontra-se intimamente ligado ao acto de ensinar, à fenomenologia da relação entre Mestre e díscipulo. Este facto elementar tem sido trivializado através de uma fixação no assédio sexual. Mas continua a ser central. Como poderia ser de outro modo." (30-31) "Já vimos ... que o eros, a sexualidade declarada ou dissimulada, pode impregnar as relações de poder entre Mestre e discípulo. O desejo de agradar ao Mestre, de "atrair o seu olhar amoroso" está tão presente no Banquete e na Última Ceia como em qualquer seminário ou lição particular. Quer se trate de ballet, de futebol ou de papirologia, as lições e sessões de treino são um híbrido complexo de amor e de ameaça, de imitação e de rejeição." (87) "Eros e ensino são inextrincáveis. A afirmação é verdadeira antes de Platão e depois de Heidegger. As modulações do desejo espiritual e sexual, da dominação e da submissão, a interacção da inveja e da fé, são de uma complexidade, de uma delicadeza que desafia a análise exacta (...). Os componentes são mais subtis que a mera questão do género, que as demarcações entre homo e heterossexualidade, entre as relações convencionalmente consideradas lícitas e as proibidas com os mais jovens. As inversões de papéis ocorrem constantemente (...). A própria possesão física consumada é um aspecto secundário quando comparado com o acto de ensinar e tudo o que ele implica - essa asssustadora interferência na alma, no desenvolvimento, de outro ser humano. Um Mestre é o amante ciumento de uma potencialidade." (117)

(George Steiner, As Lições dos Mestres, Lisboa, Gradiva, 2005. Tradução de Rui Pires Cabral).

publicado às 08:11

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por jpt, em 21.02.07
Adicionando a este meu texto, sobre o "Jardim de Outro Homem", de Sol de Carvalho:

"O erotismo, encoberto ou declarado, em fantasia ou em actos, encontra-se intimamente ligado ao acto de ensinar, à fenomenologia da relação entre Mestre e díscipulo. Este facto elementar tem sido trivializado através de uma fixação no assédio sexual. Mas continua a ser central. Como poderia ser de outro modo." (30-31) "Já vimos ... que o eros, a sexualidade declarada ou dissimulada, pode impregnar as relações de poder entre Mestre e discípulo. O desejo de agradar ao Mestre, de "atrair o seu olhar amoroso" está tão presente no Banquete e na Última Ceia como em qualquer seminário ou lição particular. Quer se trate de ballet, de futebol ou de papirologia, as lições e sessões de treino são um híbrido complexo de amor e de ameaça, de imitação e de rejeição." (87) "Eros e ensino são inextrincáveis. A afirmação é verdadeira antes de Platão e depois de Heidegger. As modulações do desejo espiritual e sexual, da dominação e da submissão, a interacção da inveja e da fé, são de uma complexidade, de uma delicadeza que desafia a análise exacta (...). Os componentes são mais subtis que a mera questão do género, que as demarcações entre homo e heterossexualidade, entre as relações convencionalmente consideradas lícitas e as proibidas com os mais jovens. As inversões de papéis ocorrem constantemente (...). A própria possesão física consumada é um aspecto secundário quando comparado com o acto de ensinar e tudo o que ele implica - essa asssustadora interferência na alma, no desenvolvimento, de outro ser humano. Um Mestre é o amante ciumento de uma potencialidade." (117)

(George Steiner, As Lições dos Mestres, Lisboa, Gradiva, 2005. Tradução de Rui Pires Cabral).

publicado às 08:11

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por jpt, em 09.02.07


Em "O Jardim de Outro Homem" Sol de Carvalho conta uma história em cinema. Mais do que isso, em tratando-se de cinema moçambicano, Sol tem uma grande vitória, escapa ao cinema quase etnográfico, aquilo da população na tela(genuína, claro, porque é população e portanto verdadeira, porque natural, não poluída, porque povo, ideologia que está sempre presente e que parece mal anunciar em tom crítico), a "representar", não a representar mas a "representar" um colectivo (será meu deficit cultural, mas nunca vi nenhum filme que tenha posto burgueses a representar-se), coisa muito incensada, até esquecendo as décadas passadas sobre mediterrânicos a fazer bem coisas similares. Enfim, projectos ideológicos que vão obrigando a elogiar estopadas pueris - na recente estreia de "O Grande Bazar" atrevi-me a dizer do paupérrimo que aquilo era e fui alvo de zanga patrioteira dos meus circundantes. Que tinham toda a razão, decerto, pois logo o filme (mais a sua representação e argumento) foram premiados no estrangeiro. Enfim, tudo isto como catarse.

Sol fez um filme de cinema, contou uma história. No fim a acção acelera e aquilo complica-se um bocado (para mim, leigo, devido aos actores, nota-se o hiato entre Evaristo Abreu e as restantes envolvidas nas cenas finais), mas não seja por isso, vale bem a pena. Óptimo.

Fico, sinceramente, à espera de um novo passo, de um argumento sem causa - agora coitada da aluna, perseguida pelo professor conspíquo que não a classifica, impedindo-lhe o acesso aos estudos de medicina (ou seja, a fazer o bem - as burguesas de XIX tratavam das crianças, dos doentes e dos velhos; depois passaram a dedicar-se à enfermagem, o privado tornado público; depois à assistência social, e agora em tempos de igualdade, já são médicas. A ideologia do "género", cega, fica contente), se ela "não se lhe entregar", violência da qual se safa in extremis por um rebate de consciência, tudo apoiado por algumas mulheres: a professora boazinha, parece que francesa, noblesse oblige, a amiga, a avó, a irmã da amiga - uma guerra de sexos (a mais o malandro produtor de moda, Luís Sarmento, lúbrico em hotéis de 5 estrelas, e o outro professor a satisfazer-se na sala de professores). No fundo, um preto-e-branco onde apenas destoam, como gente, a mãe (a Magaia, que enche sempre) e o próprio professor, cujo desenho começa por ser complexo, como o são homens e mulheres, para acabar por ser um espantalho, simbolizando o mal. E assim se dedica o filme às mulheres moçambicanas que lutam ...

Há assédio sexual nas escolas, e tal é muito denunciado. E um filme destes será uma boa propaganda contra tal. Ainda bem, e espero que tenha efeitos.

No resto, quanto ao cinema, ainda por cima porque sou professor, gostava muito mais de assistir a um filme sobre o erotismo entre as pessoas (e também entre alunos e professores, claro), o "vai-que-não-vai", algo sobre as complexidades dos poços que somos. E sem dedicatórias.

Até lá hei-de rever este filme. Com agrado.

publicado às 08:36

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por jpt, em 09.02.07


Em "O Jardim de Outro Homem" Sol de Carvalho conta uma história em cinema. Mais do que isso, em tratando-se de cinema moçambicano, Sol tem uma grande vitória, escapa ao cinema quase etnográfico, aquilo da população na tela(genuína, claro, porque é população e portanto verdadeira, porque natural, não poluída, porque povo, ideologia que está sempre presente e que parece mal anunciar em tom crítico), a "representar", não a representar mas a "representar" um colectivo (será meu deficit cultural, mas nunca vi nenhum filme que tenha posto burgueses a representar-se), coisa muito incensada, até esquecendo as décadas passadas sobre mediterrânicos a fazer bem coisas similares. Enfim, projectos ideológicos que vão obrigando a elogiar estopadas pueris - na recente estreia de "O Grande Bazar" atrevi-me a dizer do paupérrimo que aquilo era e fui alvo de zanga patrioteira dos meus circundantes. Que tinham toda a razão, decerto, pois logo o filme (mais a sua representação e argumento) foram premiados no estrangeiro. Enfim, tudo isto como catarse.

Sol fez um filme de cinema, contou uma história. No fim a acção acelera e aquilo complica-se um bocado (para mim, leigo, devido aos actores, nota-se o hiato entre Evaristo Abreu e as restantes envolvidas nas cenas finais), mas não seja por isso, vale bem a pena. Óptimo.

Fico, sinceramente, à espera de um novo passo, de um argumento sem causa - agora coitada da aluna, perseguida pelo professor conspíquo que não a classifica, impedindo-lhe o acesso aos estudos de medicina (ou seja, a fazer o bem - as burguesas de XIX tratavam das crianças, dos doentes e dos velhos; depois passaram a dedicar-se à enfermagem, o privado tornado público; depois à assistência social, e agora em tempos de igualdade, já são médicas. A ideologia do "género", cega, fica contente), se ela "não se lhe entregar", violência da qual se safa in extremis por um rebate de consciência, tudo apoiado por algumas mulheres: a professora boazinha, parece que francesa, noblesse oblige, a amiga, a avó, a irmã da amiga - uma guerra de sexos (a mais o malandro produtor de moda, Luís Sarmento, lúbrico em hotéis de 5 estrelas, e o outro professor a satisfazer-se na sala de professores). No fundo, um preto-e-branco onde apenas destoam, como gente, a mãe (a Magaia, que enche sempre) e o próprio professor, cujo desenho começa por ser complexo, como o são homens e mulheres, para acabar por ser um espantalho, simbolizando o mal. E assim se dedica o filme às mulheres moçambicanas que lutam ...

Há assédio sexual nas escolas, e tal é muito denunciado. E um filme destes será uma boa propaganda contra tal. Ainda bem, e espero que tenha efeitos.

No resto, quanto ao cinema, ainda por cima porque sou professor, gostava muito mais de assistir a um filme sobre o erotismo entre as pessoas (e também entre alunos e professores, claro), o "vai-que-não-vai", algo sobre as complexidades dos poços que somos. E sem dedicatórias.

Até lá hei-de rever este filme. Com agrado.

publicado às 08:36

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por jpt, em 15.01.06

Sol de Carvalho, realizador moçambicano, escolheu Paris para surgir também bloguista moçambicano: Damalisco.

publicado às 18:41


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