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Stewart hoje em Lisboa

por jpt, em 02.07.15

b.leza.jpg

 

Hoje à noite, Stewart no B.Leza, a bela casa lá no Cais do Sodré, aquela sala de espectáculos/discoteca com tão rasgada vista para a Catembe de cá ... Os que conhecem estarão, decerto. Para aqueles que ainda não? É dia de sair à noite, naquela via ...

 

 

publicado às 08:59

publicado às 22:04

Sons aqui (1)

por jpt, em 09.07.13

 

Stewart Sukuma (página): biografia e discografia (já algo desactualizadas).

 

 

publicado às 10:31

O Clube Social do Belo Horizonte

por jpt, em 12.12.12

 

Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo. Stewart no Tom de Festa, 17º Festival de Músicas do Mundo, Tondela, 2009 

 

O meu texto de hoje na coluna "Ao Balcão da Cantina", na edição do "Canal de Moçambique" O Clube Social do Belo Horizonte * 

 

Há dias decorreu em Maputo a conferência internacional “Os intelectuais africanos face aos desafios do século XXI”, organizada pelo Centro de Estudos Africanos da UEM. Entre as comunicações refiro aqui uma, que muito me estimulou, a do meu colega antropólogo Arnaldo Bimbe, quadro superior do Ministério da Cultura. Na sua vigorosa intervenção, Bimbe abordou os esforços do Estado no combate à contrafacção de produtos culturais, em especial os audiovisuais, isso que nos habituámos a chamar “pirataria”. Aquela que nos persegue na rua, oferecendo a preço barato os produtos finos, da música internacional aos filmes de Hollywood e Bollywood.

 

Três são as dimensões intentadas por essa intervenção estatal: a protecção da propriedade intelectual, a de músicos, autores e de cineastas; a protecção dos trabalhadores dessas indústrias, em particular das nacionais; e a da produção dos valores sociais, a adesão à legitimidade das práticas económicas, e mais junto das jovens gerações, grande público destes produtos.

 

Esta última questão parece-me de difícil confronto. Pois será difícil, ainda que não impossível, convidar o cidadão comum a abdicar do acesso a bens de consumo apetecíveis (e fortemente identitários) a preços agradáveis, apenas em nome de uma postura ética, de cidadania responsável e solidária. Terá a grandeza da causa perdida, e por isso a ela adiro. Mas consciente desse “estado de alma” …

 

Pois como pedir ao simpático e interessado cidadão que se desfaça dos sempre parcos meticais, em nome de uma moral económica que ele não vê por esse mundo fora? Estamos, neste caso, diante de um contexto típico da expansão global da “informalização” da economia, que tantos insistem em confundir com “criminalização”. É um exemplo, a estudar, da desregulação pós-estatal. Para mais, tudo isso, toda essa desvinculação com uma ética económica legalista, se sublinha nesta área. Pois os consumidores são bombardeado diariamente com um mundo (meio mitológico) de fausto e beleza, onde habitam essas figuras do espectáculo, residentes, apreensíveis, apalpáveis, nos produtos que se ambicionam levar para casa. Certo é que esse mundo construído pela comunicação social não reflecte o mundo artístico real, mas cria uma imagem de tal forma distante que afasta a consciência da necessidade de respeitar os direitos da propriedade. Dessa gente que parece (que parece, sublinho) viver em tais nuvens douradas.

 

É um cenário bem difícil para apelar a uma conduta “livre de pirataria”. Não chega para desistir, mas é algo paradoxal o pedido de rectidão que se faz ao amante da Celine Dion, à fan deste Sean Paul que agora nos visitou, aos frenéticos do porno, ao entusiasta do Denzel, ao assinante do “The Rock” ou, ao é mais o meu caso, ao falsamente distraído espectador da Jennifer Lopez (que belo nariz …) ou, ainda mais, da Angela Basset (diria mesmo mais, que belo nariz …).

 

Restam-nos dois pontos: a protecção aos trabalhadores da indústria fílmica e da musical. Aos operários, e serviços envolventes, que produzem e distribuem os filmes e discos legais. Como recordou Bimbe, das dez empresas moçambicanas que há alguns anos se dedicavam a esta actividade resta hoje apenas uma. E isso tão doloroso é. Pois, como diz o ditado, quando dois elefantes lutam quem sofre é o capim. Agora este desempregado ou obrigado à reconversão, quase sempre em condições mais adversas. Ou, pelo menos, mais informais, com menores remunerações, direitos laborais e segurança.

 

Neste campo de revitalização económica será necessário olhar para fora. Para as formas como as indústrias musical e fílmica, verdadeiras minas que eram, sofreram o embate da revolução tecnológica nas últimas décadas. E como tiveram artes (e manhas) de se reanimarem como filões. Não foi a “pirataria” que abalou o cinema, mas sim o “vídeo”. Que alterou os modos de consumo. E isso foi apenas o princípio, bem mais complexas são hoje as formas de interacção do cinema com as formas de consumo público ou doméstico, informatizado ou televisivo.

 

A minha atenção centra-se na música moçambicana. Pois o (pequeno) mundo do cinema nacional terá particularidades algo diferentes, creio que os seus maiores problemas radicam no financiamento e nas condições de produção. Certo, também na distribuição dos seus produtos. Mas a indústria fílmica é bem diferente, mais “pesada”, e urge possibilitá-la.

 

A indústria musical sofreu alterações radicais. Mas não será a “pirataria” discográfica o grande obstáculo aos artistas. Pois a a capacidade de gravação e armazenamento por parte de qualquer ouvinte, melómano ou não, é incomensurável. As aparelhagens (também elas em contrafacção, diga-se) são baratas, acessíveis, e tudo sugam, tudo guardam. O que me surpreende é que ainda hajam discos piratas … e clientes para tal.

 

O problema fundamental será outro, o achatamento do mercado musical, o privilegiar da fast-food rítmica “globalizada”. Assim, quanto aos músicos moçambicanos, e tantos em condições profissionais e biográficas tão difíceis, o importante é divulgá-los, devolver-lhes as condições de aparecimento. Assim este contexto actual, de extraordinária facilidade da reprodução musical, pode ser mais do que uma agressão aos músicos moçambicanos. Pode-se tornar um cenário de alargamento das suas condições de trabalho, e do seu reconhecimento.

 

Pois na actualidade é possível, e tão mais barato do que foi anes, fazer o levantamento e identificação dos músicos e das músicas, a gravação (musical e audiovisual), o registo dos ritmos, das canções. Bem como dos instrumentos utilizados, dos seus artesãos quando é o caso do recurso a instrumentos ditos “tradicionais”, e nisso salvaguardar e potenciar esse manancial de sabedoria. Nisso a gravação e fixação dos arquivos vivos da música popular, urbana, periurbana, rural. E das interacções entre estes contextos. A recolha das histórias de vida, dos músicos, dos grupos, das associações. Uma fervilhante biblioteca viva, uma sonora sala de espectáculos, uma enorme galeria de imagens. Tudo está aí. Para captar, reviver, “empoderar” através destas magníficas tecnologias de hoje.

 

No fundo, muito daquilo que há décadas, em tão mais difíceis condições sociais e, fundamentalmente, tecnológicas o ARPAC intentou, e tanto realizou.

Resumo: a parafernália actual, a maquinaria de gravação áudio, fotográfica, visual e escrita, é relativamente barata e extremamente acessível. Muito mais do que isso, as condições de disseminação, de divulgação deste património, vivo, rico, activo, são baratas, acessíveis, fáceis. A “net”, como dizem os utentes. Os sítios (“sites”) a construir, as meras redes sociais, o fluxo “youtube”. Nesse sentido, e isto é o fundamental, qualquer agente, activista ou associação, empresário cultural, ou mesmo as próprias instituições estatais, podem usar todas estas condições para divulgar o trabalho dos músicos, a sua espantosa diversidade.

 

Nisso salvaguardando o património musical existente. Também impedindo o seu aplainar, pisar, pelos ritmos lisos que vão sendo importados e pomposamente tornados “cultura moçambicana”. Mas, muito mais do que isso, fazendo regressar aos palcos músicos, ritmos e melodias. Do que se trata é de um “Plug-in”. Dar poder aos músicos, power, energia.

 

Lembro o livro de Amâncio Miguel, o “Marrabentar: dar voz às vozes” (Marimbique, 2005), a recolha de dezenas de histórias de vida e/ou biografias dos cantores. Mas mais ainda, tudo isto me faz lembrar um homem como Stewart Sukuma, músico tão interessado nas articulações musicais, na reutilização actual dos ritmos, melodias e artistas seus mais-velhos. E um grande profissional, e com grande unanimidade por este aqui dos amantes da música. Seria ele, com toda a certeza, a grande bandeira para conduriz este “Clube Social do Belo Horizonte”!

 

*(espero que) óbvia alusão ao “Buena Vista Social Club”, o trabalho musical com velhos músicos cubanos induzido e produzido por Ry Cooder, e o filme realizado por Wim Wenders [sítio oficial aqui]

 

publicado às 12:30

Uma Cesta de Natal

por jpt, em 14.12.11
 

[Este é o texto de hoje no Canal de Moçambique]

Mês de Natal, também festa de família num país tão multi-religioso. Festa nas cidades, pelo menos para os que não adversos ao “universo cristão”, que Natal no campo é bem outra coisa. Festa para cristãos, por crença e hábito ancestral, e de outras confissões, por salutar convívio com usos que lhes foram alheios. De consumo excessivo, coisa de ritual. Pois momento de sacrifício, de oferendas, de dissipar para vir a (re)colher num futuro que venha.

Durante o mês vamos partilhando as “Boas Festas” com conhecidos ou desconhecidos, assim querendo-as para todos. No dia juntam-se as famílias, às vezes até nelas acolhendo amigos, esses assim anunciados como parentes, espirituais. Come-se e bebe-se em demasia, e nisso em cada casa conforme o que se pode. Para isso preparam-se as coisas do costume, que se a mesa deve ser farta o possível este não é momento de inovações. Pois em cada sítio comer-se-á diferente mas todos têm “aquilo que deve ser” o dia.

Trocam-se dádivas, as prendas, no dizer e confirmar que “somos família, somos dos nossos” e nisso até se estendem, a esses amigos então ali e mesmo a outros, visitados para a ocasião, num afinal “és como família”. Trocam-se prendas e sentimentos, sem sentimentalismo. É altura em que mesmo os mais empedernidos gostam de ser ofertados, de serem assim lembrados. Convocados.

Alguns ofertam os mais pobres, forma de dizer que todos são parentes ou que o deveriam ser nesta humanidade. Talvez por isso tão acertados vão aqueles que dizem que o Natal deveria ser todos os dias. Os religiosos vão à missa. E nisso falam com os antepassados, é dia de (também) os evocar. E, até, de os invocar.

Assim comungamos, “estamos juntos”. Tréguas nas zangas, intervalo no individualismo, hesitações no puro egoísmo. Para continuarmos a ser. E na esperança que por todo este excesso, de coisas e sentimentos partilhados, venhamos a ter e a ser mais. Até este ateu, que escreve, sente assim os dias. Mesmo que depois siga, sei-o bem, na sua concha. Imóvel.

Nesta altura, imigrante longe da família, festas assim dolorosamente amputadas, partilho a minha imaginada cesta de Natal, aquelas oferendas que escolheria, tivesse eu o dinheiro e a gente para ofertar. Alguns lerão e resmungarão que o povo não tem dinheiro para isto, que agrido a pobreza alheia. Outros dirão que faço publicidade, deverei estar a ser pago. Sejam, sff, natalícios, suspendam a má-vontade. Partilho gostos, apenas. Então é assim a minha imaginada cesta de Natal, 10 prendas:

Um livro, “Sangue Negro” de Noémia de Sousa, reeditado este ano pela Marimbique. E alguém poderá ler, alto, algo como se canção de Natal: “Dia a dia / o pulso à roda de tudo / se aperta mais e mais … /Dia a dia, grades e grades se forjam / tapando o sol de toda a gente. / Dia a dia / do fundo da noite em que nos estorcemos / mais e mais se sente / a certeza radiosa de uma esperança …”.

Um saco de castanha de caju. A castanha é a minha paixão. Compro-a (sacos de 180 meticais) nas vendedoras do mercado do peixe, e nunca me arrependi.

 

O single “Caranguejo”, de Stewart Sukuma. Porque alegra. E porque o cantor nos vem dando entretenimento denso, juntando a tradição urbana com a moderna qualidade de produção, sem facilitismo. Se há indústria musical aqui é Stewart.

Um frasco de mel, por exemplo daquele de Boane, que ainda não é uma compota química.

Uma aguardente Aloe, produzida no Mossuril. Que tal um intervalo no culto dos “rótulos vermelhos” ou “negros”? Esta destilação da aloe vera, célebre planta dita miraculosa merece atenção. Não curará os excessos alcoólicos mas animará o convívio.

Olhando o que vem do Mossuril junto o licor de jambalao (Jamba Brandy), para beber fresco e partilhar com as senhoras. E esqueça-se a Amarula, esse leite condensado bem publicitado, sff.

Uma fotografia de Ricardo Rangel. No ciclo de actividades que o homenageia já houve a exposição “Rangel e as crianças”, na galeria Kulungwana (estação dos CFM). Por 3000 meticais (imenso para a maioria, mas acessível à burguesia natalícia) pode-se ter uma das fotos com que Rangel retratou e imaginou Moçambique. A dar a alguém a quem se quer dizer algo especial.

Um conjunto de seis frascos de condimentos (300 meticais). Eu compro os do restaurante Petisco (no Hoyo-Hoyo), excelente fabrico caseiro, e proponho uma mescla de achar de limão, chutney de limão e tâmara, chutney de manga, miscut de tendlim, miscut de manga e kassaundi de manga.

Um queijo de Chimoio, até amanteigável, ou até mesmo do apicantado. Bem mais saboroso do que os sintéticos que chegam da vizinhança ou dos básicos e caríssimos portugueses que aportam a Maputo.

Outro disco, o “Timbila Ta Venâncio – Ao vivo no Teatro África”, o apenas segundo disco do enorme Venâncio Mbande, gravado este ano. Bom som, boa produção, uma selecção de 11 significativas músicas. Se tantas loas tem a música de timbila então é obrigatório levar o disco para casa dos parentes. Sem discursos, só para gozar a vivacidade e a riqueza, feitas alegria.

Desejo a todos um Natal “saborosamente moçambicano”.

jpt

publicado às 16:34

Em Maputo e em Lisboa ...

por jpt, em 29.07.11

... dois grandes nomes da música moçambicana.

AL

publicado às 13:27

Stewart no Franco

por jpt, em 28.02.11

No próximo fim-de-semana, sexta e sábado, Stewart realiza dois concertos no "Franco", também para gravar um disco ao vivo. Estamos no princípio da semana e então aqui fica esta nota para que se marque na agenda, pois já há programa para o próximo fim-de-semana - o cartaz não anuncia o horário do espectáculo mas o sítio do Franco-Moçambicano com toda a certeza que informará.

Para os que não conhecem, um exemplo (Bom)A minha preocupação com o espectáculo é saber onde irei cear ...jpt

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publicado às 00:27

Stewart Sukuma

por jpt, em 03.05.10
Aqui ficam umas imagens de um concerto do Stewart Sukuma realizado em Tondela (Portugal) durante o Tom de Festa 2009 (Julho), 17º Festival de Músicas do Mundo. O line-up do festival foi extraordinário e talvez dele aqui coloque mais umas memórias. Para já fica o Stewart porque merece, que levou como convidado o Luís Represas. Que me perdoe este último e a sua legião de admiradores/as se não sou um grande apreciador...©miguel valle de figueiredo

publicado às 03:40

Uma marrabenta do Stewart

por jpt, em 21.03.10

Xitchuketa Marabenta, o filme (não-oficial) desta interpretação do Stewart que encontrei no facebook. E para ficar todo inchado da vaidade - tem uma fotografia minha, a 3ª desta entrada. A sublinhar a vaidosa vaidosice d'agora está aquilo que os veteranos do ma-schamba bem conhecem, a minha sofrida incapacidade fotografadora. E ainda assim! Fabuloso, vou ali dançar um bocado. De contente...

jpt

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publicado às 19:55

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por jpt, em 22.11.04

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publicado às 23:44


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