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É de homem!

por jpt, em 08.12.14

goucha.jpg

A minha antipatia com o popular Manuel Luís Goucha prende-se com o facto de o ter visto apresentar o programa da manhã na RTP, durante anos transmitido em simultâneo na RTP-África: o que era prova da total desistência desse canal (ainda existe a RTP-África?), tão óbvia era a desadequação daquilo para um programa direccionado para os públicos dos países africanos. Mas assim fico obrigado a dizer que se a minha irritação era com Goucha a culpa era-lhe estranha, aquelas direcções de programas é que não tinham tino. Ainda assim não higienizo em demasia, Goucha vale o que vale, e o ordinário que vale escreveu, estupefacta e desagradada, a Ana Leão aqui e muito bem.

Apesar disso tudo que saia uma juiza a dizer em sentença oficial que o homem é passível de ser dito "apresentadora" por "ter atitudes e roupas coloridas, próprias do universo feminino" é  uma boçalidade inadmissível. Goucha apresentará queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Faz muito bem, "é de homem!" como se dizia nos tempos mais marialvas.

Vem isto tudo do homem ter metido em tribunal um programa que o nomeou para "melhor apresentadora do ano", um peido a julgarem que era humor. No "5 Para a Meia-Noite". Vi este programa há um ano e tal, um único episódio, um lixo infecto na linha dos programas humorísticos-comentatórios entre a política e a bola que grassam na tv, na prática herdeiros da tralha anos 90s que era "a noite da má-língua", e que os infectados burguesotes lisboetas adoram (é vê-los falarem dos eixos do males e dos governos sombras). Na altura vi o tal "5 para a meia-noite" porque me avisaram que lá estaria, em directo, o escultor moçambicano Gonçalo Mabunda, amigo e excelente artista. Liguei e encontrei-o deitado numa cama, sob os lençóis, acompanhado por outros dois seres de aparência humana (um seria um tal de Markl, se não estou em erro). Mabunda, aqui em Lisboa meio atrapalhado, lá estava, a fazer o que terá pensado ser necessário fazer na terra dos boçais tugas ("em Roma sê romano"). Quando vociferei no meio dos meus amigos lisboetas sobre aquela abjecção todos  me respondiam em sinal contrário, que o programa era bom - tudo gente saído das universidades, letrados, alguns até académicos, entre o doutores-engenheiros-mestres (d'obras artísticas). Reduzidos a isto.

Mais vale um Goucha que este eixo de mal-pensar todo. 

publicado às 15:25

Dia do professor moçambicano

por jpt, em 12.10.14

moça mapa.JPG

 

Hoje é o dia do professor moçambicano. Por isso mesmo, para os meus colegas, agora distantes, que se possam interessar aqui deixo um programa televisivo holandês (legendado em português), algo sumptuoso: "O Belo e a Consolação", 23 entrevistas feitas a grandes mestres, provenientes de várias áreas da reflexão. Todos ali a distribuirem material para que possamos pensar. No último episódio um debate alargado, precioso. Espero que os que aqui passem se agradem com esta partillha:

 

[George Steiner]

[Wole Soyinka]

[Stephen Jay Gould]

[Roger Scruton]

[J. M. Coetzee]

[Vladimir Ashkenazy]

[Edward Witten]

[Gyorgy Konrád]

[Martha Nussbaum]

[Tatjana Tolstaja]

[Gary Lynch]

[Leon Lederman]

 

[Karel Appel]

[Simon Schama]

[Jane Goodall]

[Yehudi Menuhin]

[Rudi Fuchs]

[Richard Rorty]

[Rutger Kopland]

[Elizabeth Loftus]

[Catherine Bott]

[Germaine Greer]

[Dubravka Ugresic]

[Debate Final]

publicado às 10:24

momento google

por jpt, em 15.08.14

 

 

Nem fazia a mínima ideia que isto acontecera ("Vereda Tropical" foi a última das quatro ou cinco telenovelas que acompanhei). De súbito, ontem, alguém me fala desta. E, nestes propósitos dramalhões, ali para o Umbelúzi, algumas caras conhecidas (até aos 11 minutos). Ainda me estou a rir.

 

(Postal com abraços para o Adelino Branquinho, para o Machado da Graça e para o Nuno Quadros)

publicado às 03:15

Plenilúnio

por mvf, em 12.08.14

 

 

A SIC deu conta com rigor científico da proximidade da Lua - que foi Super, diga-se de passagem. Está de parabéns a estação televisiva por mais esta descoberta, por este avanço no conhecimento do Universo e pela partilha desinteressada do Saber, fazendo lembrar a célebre e estafada frase de Neil Armstrong: "Um  pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade". 

 

Vosso

mvf

publicado às 09:30

 

 

Nada a comentar sobre a hecatombe acontecida, para sempre dita Mineirazo, a superioridade do drone germânico no "país tropical". A sua narrativa perdurará bem mais do que o próprio futebol.

 

Mas realço a transmissão televisiva. Neste mundial-2014, tal como nos largos últimos anos, a tv coloca o público presente nos estádios como actores constantes - e a introdução de ecrãs gigantes nos locais convocou a interacção destes com o público global televisivo, "exigindo-lhes" brevíssimas explosões para que todo o mundo os veja acenando, em cumes de fruição. As câmeras vasculham as bancadas, mostram as moles esfuziantes, os adeptos mais pitorescos (numa actualização do "folclore") e as adeptas mais vistosas e apetitosas ("belo plano", disse um dia o excelente locutor Rui Tovar, agora falecido, quando a transmissão mostrava uma bonita adepta).

 

Ontem? O contrário. Enquanto o metrónomo de Joachim Low devastava a atrapalhada selecção anfitriã, a realização (brasileira, decerto) ausentou-se da "moldura humana". Uma criança chorando ao 0-3, uma adepta espantada (de boca aberta) ao 0-5, uma balzaquiana chorosa por aí, nada de alemães festivos (um brevíssimo plano aos 0-7). A completa censura à alegria alemã.  A completa higienização do espectáculo, extirpado do drama in loco sentido pela afición brasileira. A mostrar o quão encenado tudo isto é. E como são políticos estes eventos. 

 

publicado às 09:44

 

As imagens estão por todo o lado, o aparente flirt (como se dizia quando era eu miúdo) de Obama com uma vistosa e vivaça rapariga loura, a qual, por acaso até é primeira-ministra, tudo isto na homenagem fúnebre a Mandela e, pior ainda, mesmo ao lado da senhora Obama. Mas em lado nenhum as vi apresentadas com tanto humor como neste postal de Rui Rocha, no Delito de Opinião. 

 

Com tudo isto se chama a atenção para o governo dinamarquês, tão belamente liderado. Por isso aqui repito este postal, que coloquei em Maio passado, parece-me muito a propósito. A ver se agora, aproveitando a celebridade, se publica a versão legendada em português. 

 

 

 

Já que abaixo falei de TV aqui boto sobre a série que venho vendo, e com muitíssimo agrado: "Borgen", um produto dinamarquês, verdadeiramente de qualidade, refinado e interessantíssimo. Procurei na internet por referências em português e apenas as encontro originadas no Brasil, pelo que deduzo que ainda não tenha sido transmitida em Portugal. Se assim é ainda bem. Pois significa que ainda a podem ver pela primeira vez, um prazer (res)guardado. Em Moçambique também não passou, mas isso já me parece mais difícil que venha a acontecer. Cá em casa vêmo-la por especial simpatia de uma nossa danish connection, que já nos emprestou os dois primeiros lotes ("estações"), havendo ainda um terceiro (e último) a receber, num total de 30 episódios.

 

É uma série política. "Borgen" significa castelo, sendo o nome popular do Palácio Christiansborg, sede dos três poderes dinamarqueses. Trata da surpreendente ascensão a primeira-ministra da chefe de um pequeno partido de centro-esquerda, algo devido ao impacto público da sua pureza algo idealista (e ao facto de ser bem apessoada, diz este telespectador), a personagem Birgitte Nyborg [a actriz Sidse Babett Knudsen].

 

 

Numa produção que é muito boa, e isso sem se desdobrar em luxos e quantidades, há alguns eixos da trama que são especialmente apetecíveis. O pano de fundo (pelo menos nos 18 primeiros episódios) é o rolar da protagonista para um crescente realismo político, que em nada sendo sinónimo de cinismo implica uma evidente crispação (também simbolizada através da vertente familiar), por vezes por ela pressentida mas também perseguida. O que é algo bem rico, até pela densidade de carácter que permite ir descobrindo, para além das topologias e tipologias mais imediatas. Mostra ainda o jogo político local com particular incisão, a confrontação entre blocos ("esquerda" e "direita") e suas flutuantes fidelidades ideológicas, bem como as suas transformações históricas - é excelente, superlativa mesmo, a apresentação do ocaso sociológico do velho "socialismo democrático" local. E mostra também as artes e engulhos da governação em coligação (a primeira-ministra provém de um partido minoritário, ainda para mais), o que tornará a série bem actual, vera lição, para o histriónico cenário político português.

 

Dois outros pontos ali transparecem. Sendo a série bastante realista nota-se a frugalidade dinamarquesa, nos cenários e nas práticas (seja de representação política seja de vida doméstica - e como pequenas são as casas e pequeno-burguesas aparentam ser as vivências). E ainda que se notando uma secura no trato (pelo menos para os olhos latinos) impõe-se um evidente protocolo leve, que é algo que bem se poderia importar para o enorme sul.

 

 

Finalmente há a constante presença da comunicação social, um tráfego constante. Que sendo em parte uma deriva da trama, até romântica, da série, não poderá deixar de denotar esse "convívio" quotidiano entre o poder executivo e o temido quarto vector dos possidentes. O qual em "Borgen" surge com várias matizes, desde o pérfido anterior chefe trabalhista até a gente profissional muito louvável (é notória a "aliança de classe" entre argumentistas e o mundo do jornalismo). Na série o protagonismo do sector jornalístico recai na personagem Katrine Fonsmark [a actriz Birgitte Hjort Sørensen, que vai muito bem e cuja carreira anseio por acompanhar].

 

Resta dizer o óbvio: algo está muito viçoso no reino da Dinamarca.

publicado às 15:07

Modigliani

por jpt, em 09.10.13

 

Uma outra série televisiva dedicada a arte, vinda deste filão de informação: Smart History, da Academia Khan. Com uma secção de filmes sobre a história de arte, curtos dedicados a uma obra. Imensas opções, um passeio riquissimo. O tom das conversas que apresentam as obras é um bocado irritante demais para o meu gosto (típico, o "primo" maricas a falar com a "prima" fina, a acharem-se imensa piada no seu sotaque arrastado) mas o que se vê vale a pena.

publicado às 16:15

Todos os dias? Sem perder os episódios repetidos? A receber sms da minha filha, se ela ausente de casa "Pai, está na hora da Modern Family"? Ou telefonemas cá para cima para o escritório quando lá em baixo vai começar a série? A comentar(mos) ao jantar o que vi(mos) nos episódios da tarde e ao almoço o que vamos ver nos episódios (os mesmos) do depois-de-almoço (Fox, na TVCabo)? O meu bocado de alegria diário? "Modern Family"! Estou indefectível (e não, não é [só] por causa da Vergara).

 

publicado às 21:37

 

A série "All in the family" tornou-se não só modelo como monumento. E também recordação de uma idade de ouro. Da tv e de biografias próprias. Morreu agora Jean Stapleton, sempre Edith Bunker. Em vez de prosápias de ensaísta mais vale ir ao youtube, onde estão os episódios. Uma eterna delícia

 

 

publicado às 13:19

Borgen

por jpt, em 30.05.13

 

 

Já que abaixo falei de TV aqui boto sobre a série que venho vendo, e com muitíssimo agrado: "Borgen", um produto dinamarquês, verdadeiramente de qualidade, refinado e interessantíssimo. Procurei na internet por referências em português e apenas as encontro originadas no Brasil, pelo que deduzo que ainda não tenha sido transmitida em Portugal. Se assim é ainda bem. Pois significa que ainda a podem ver pela primeira vez, um prazer (res)guardado. Em Moçambique também não passou, mas isso já me parece mais difícil que venha a acontecer. Cá em casa vêmo-la por especial simpatia de uma nossa danish connection, que já nos emprestou os dois primeiros lotes ("estações"), havendo ainda um terceiro (e último) a receber, num total de 30 episódios.

 

É uma série política. "Borgen" significa castelo, sendo o nome popular do Palácio Christiansborg, sede dos três poderes dinamarqueses. Trata da surpreendente ascensão a primeira-ministra da chefe de um pequeno partido de centro-esquerda, algo devido ao impacto público da sua pureza algo idealista (e ao facto de ser bem apessoada, diz este telespectador), a personagem Birgitte Nyborg [a actriz Sidse Babett Knudsen].

 

 

Numa produção que é muito boa, e isso sem se desdobrar em luxos e quantidades, há alguns eixos da trama que são especialmente apetecíveis. O pano de fundo (pelo menos nos 18 primeiros episódios) é o rolar da protagonista para um crescente realismo político, que em nada sendo sinónimo de cinismo implica uma evidente crispação (também simbolizada através da vertente familiar), por vezes por ela pressentida mas também perseguida. O que é algo bem rico, até pela densidade de carácter que permite ir descobrindo, para além das topologias e tipologias mais imediatas. Mostra ainda o jogo político local com particular incisão, a confrontação entre blocos ("esquerda" e "direita") e suas flutuantes fidelidades ideológicas, bem como as suas transformações históricas - é excelente, superlativa mesmo, a apresentação do ocaso sociológico do velho "socialismo democrático" local. E mostra também as artes e engulhos da governação em coligação (a primeira-ministra provém de um partido minoritário, ainda para mais), o que tornará a série bem actual, vera lição, para o histriónico cenário político português.

 

Dois outros pontos ali transparecem. Sendo a série bastante realista nota-se a frugalidade dinamarquesa, nos cenários e nas práticas (seja de representação política seja de vida doméstica - e como pequenas são as casas e pequeno-burguesas aparentam ser as vivências). E ainda que se notando uma secura no trato (pelo menos para os olhos latinos) impõe-se um evidente protocolo leve, que é algo que bem se poderia importar para o enorme sul.

 

 

Finalmente há a constante presença da comunicação social, um tráfego constante. Que sendo em parte uma deriva da trama, até romântica, da série, não poderá deixar de denotar esse "convívio" quotidiano entre o poder executivo e o temido quarto vector dos possidentes. O qual em "Borgen" surge com várias matizes, desde o pérfido anterior chefe trabalhista até a gente profissional muito louvável (é notória a "aliança de classe" entre argumentistas e o mundo do jornalismo). Na série o protagonismo do sector jornalístico recai na personagem Katrine Fonsmark [a actriz Birgitte Hjort Sørensen, que vai muito bem e cuja carreira anseio por acompanhar].

 

Resta dizer o óbvio: algo está muito viçoso no reino da Dinamarca.

publicado às 04:31

Masterchef (USA)

por jpt, em 29.05.13

 

O nosso pacote tvcabo inclui 5 canais portugueses. Não é resmunguice minha mas são pobres. Não tanto (ou só) em conteúdo mas em estilo. Decerto que por causa dos custos a televisão portuguesa radializou-se, abundam os programas de conversa. Ou seja, basta um cenário mais ou menos pobre por detrás de uns convidados, cíclicos ou residentes, que vão falando. Seja no velho modelo dominical "Júlio Isidro", que reina nas manhãs mas não só (numa das quais vi há tempos a minha co-bloguista no Delito de Opinião Helena Sacadura Cabral ladeando o grande Mário Zambujal, e nisso suspendi a minha malevolência menosprezadora). Ou na mera conversa de painel, versão sisuda de cariz denunciatório (Medina Carreira, Rui Santos, etc.) muito apropriada ao estado de espírito popular, ou versão engraçadista, exemplo da qual vi há dias o falado "Governo Sombra", pungente programa com Araújo Pereira e Pedro Mexia, onde os tipos mandam umas bocas saídas do "achismo" e se riem das piadas próprias, falha primeva de qualquer humorista ou a isso candidato. Enfim, no meio disto ao longo dos anos fui deixando de ver tv portuguesa, até porque nem sou grande consumidor dos produtos tv. Se calhar até perdendo algum programa interessante.

 

Mas de quando em vez encanto-me na televisão. Aconteceu-me há algum tempo com Boston Legal, então repetido e que não conhecera antes. E agora, por razões bem diversas, ando a seguir o Masterchef (USA), porventura também uma repetição no canal Fox. E sigo-o tão afincadamente que até a mim me surpreendo. Não sou um bom garfo, contrariamente ao que a minha barriga filha do sofá e das teclas (e de alguma cerveja) anunciará. E na cozinha nada percebo nem faço, para além de ocasionais ovos mexidos e uma ou outra lata de atum a misturar com Hellmann's. O que me prende ao Masterchef é outra coisa. É mesmo acompanhar como de um assunto aparentemente nada visual, isso de juntar uns tipos diante de uns fogões e fazê-los cozinhar algo que nunca comeremos (nem cheiraremos), e como tal nada atractivo para TV, se faz um trepidante e entusiasmante programa, cheio de expectativa, ritmo, suspense, humor e emoção. Tudo saborosíssimo, de fazer crescer água na boca.

 

Será uma produção muito cara? Aparentemente nem tanto, pelo menos em termos comparativos com tantas outras. E é com toda a certeza uma prova que há imensos, e até inesperados, assuntos sobre os quais se pode telefazer. Precisando-se de alguma imaginação. E, acima de tudo, de técnica narrativa. A qual parece mesmo ser o grande défice na tv portuguesa. Isso do não saber como ...

publicado às 09:01

Uma boa série de TV

por jpt, em 26.03.13

 

Uma boa série televisiva dinamarquesa, ficção política: Borgen (O Castelo?). Uns tiques de tv, romances e isso, mas funciona bem.

 

publicado às 21:59

SIC 20 Anos

por jpt, em 06.10.12

Parabéns à SIC pelos seus 20 anos. Juntando-me aos festejos do canal de Carnaxide, aqui fica um momento daquele que foi o percursor da tele-lixarada, o Big Show Sic do Sr. João Baião e do Macaco Adriano. Também por isto, um agradecimento tão sincero quanto comovido ao Dr. Balsemão.

 

mvf

 

publicado às 23:26

Boston Legal

por jpt, em 17.05.11

 

Só agora sigo na Tvcabo Boston Legal (e apenas para fazer esta entrada sei que a série acabou em 2008). Uma delícia, muito para além de mais-uma-série-de-advogados. Boa produção, e sobre isso passo, ainda que tenha que notar representação e diálogos. Mas o interesse vem ainda mais na forma como transpira a América de Bush, sistematicamente posta no banco dos réus e zurzida pelo nada correcto (mas hiper-contido) Alan Shore (James Spader). Série assim "liberal" casa, e de que modo, com o fantástico até misógino, supra-nada correcto, Denny Crane (o lendário William Shatner, uma espantosa revelação, grande actor). Ou seja como se pode fazer, e em plenos EUA, uma radical crítica dos pressupostos mais direitistas sem cair nas garras da intolerância puritana do "correctismo" que tanto tem azucrinado as pessoas de bem por esse mundo fora.

 

Depois há uma outra coisa que vale ... platina. A recuperação da amizade máscula, Alan Shore e Denny .... Crane (grande personagem) são uma parelha como as antigas. Numa era em que se deslizou da horrível homofobia para a pérfida homofilia é uma maravilha, e até uma atitude política, assistir a esta dupla, bebedora, fumadora, dois homens amigos. Homens díspares amigos. Boston Legal é (foi?) um manifesto. Elegante, nada linear.

 

E como não ser fan de

 

 

E friso que o meu primeiro olhar para a série foi apenas por causa da recordação do velho "Caminho das Estrelas" ...

 

jpt

publicado às 11:26


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